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A Era do Dragão Branco
Fandom: Lucemond
Criado: 29/06/2026
Tags
RomanceDramaAngústiaFantasiaOmegaversoDivergênciaCenário CanônicoMenção de IncestoUA (Universo Alternativo)Dor/ConfortoRecontarMpreg
O Voo Entre as Sombras e o Fogo
O vento nas Terras da Coroa soprava com uma agressividade que teria derrubado qualquer cavaleiro comum, mas Lucerys Velaryon não era um cavaleiro comum. Montado em Arrax — que, embora ainda jovem, possuía a agilidade de uma andorinha —, Luke sentia a liberdade que apenas o céu poderia proporcionar. Ser um ômega em uma corte repleta de alfas dominantes e expectativas políticas era como viver em uma gaiola de ouro, mas ali, entre as nuvens tingidas pelo pôr do sol, ele era apenas o sangue do dragão.
Ele inclinou o corpo para a frente, sentindo as escamas peroladas de Arrax sob suas mãos. O cheiro de ozônio e salitre preenchia seus pulmões. No entanto, uma sombra colossal começou a obscurecer a luz alaranjada que banhava suas asas.
Uma silhueta vasta, antiga e aterrorizante emergiu das nuvens à sua direita. Vhagar. A Rainha de Todos os Dragões era como uma montanha voadora, e sobre seu dorso, a figura de Aemond Targaryen permanecia imóvel, os cabelos platinados chicoteando ao vento como uma bandeira de guerra.
Lucerys sentiu o coração disparar, não apenas pelo tamanho da fera, mas pela presença do homem que a montava. Aemond era um alfa de presença esmagadora, cuja mera existência parecia exigir submissão. Para o resto do mundo, eles eram sobrinho e tio em lados opostos de uma tensão familiar crescente. Para Luke, Aemond era o segredo mais perigoso e doce que já carregara.
Com um comando mental, Aemond guiou Vhagar para mais perto, forçando Arrax a se estabilizar. O dragão menor soltou um guincho de protesto, mas Luke o acalmou com um tapinha no pescoço.
— Você está longe de casa, passarinho — a voz de Aemond ecoou, profunda e carregada de uma autoridade que fez a nuca de Lucerys formigar.
Luke virou o rosto, encontrando o único olho safira de Aemond fixo nele. Não havia o ódio que os outros esperariam ver. Havia uma fome possessiva, uma chama que queimava apenas quando estavam a sós, longe dos olhares vigilantes de suas mães e avôs.
— O céu não pertence a ninguém, tio — respondeu Lucerys, tentando manter a voz firme, apesar do aroma de couro e sândalo que parecia emanar de Aemond mesmo através das rajadas de vento. — Nem mesmo a você.
Aemond soltou uma risada curta e rouca, um som que vibrou no peito de Lucerys.
— Veremos. Siga-me. Se conseguir me acompanhar, talvez eu deixe que você escolha o lugar de nosso encontro hoje.
Sem esperar resposta, Aemond mergulhou com Vhagar em direção a uma enseada isolada, escondida pelas falésias de Pedra do Dragão. Lucerys não hesitou. Ele instigou Arrax, seguindo a sombra da gigante, o coração martelando contra as costelas.
Quando pousaram na areia negra da praia deserta, o silêncio da noite que caía foi quebrado apenas pelo som das ondas e pela respiração pesada dos dragões. Aemond saltou da sela com uma graça predatória, caminhando em direção a Lucerys antes mesmo que o jovem ômega pudesse descer totalmente de Arrax.
— Você está ficando mais rápido — disse Aemond, parando a poucos centímetros de Luke. — Mas Arrax ainda é pequeno demais para protegê-lo de mim.
Lucerys saltou os últimos degraus da sela, caindo quase nos braços de Aemond. O contraste entre eles era gritante: Luke, com seus cachos escuros e traços delicados, exalava um aroma natural de jasmim e chuva; Aemond era todo linhas duras, cicatrizes e uma força bruta contida.
— Eu não preciso que Arrax me proteja de você — sussurrou Lucerys, erguendo o queixo com aquela teimosia que Aemond secretamente adorava. — Ou você esqueceu quem foi que deixou essa marca no seu rosto?
A mão de Aemond subiu instantaneamente, os dedos longos traçando a cicatriz que atravessava seu olho perdido. Por um momento, a tensão de alfa brilhou em seu olhar, uma centelha de fúria antiga, mas ela logo foi substituída por algo mais profundo. Ele segurou o rosto de Lucerys com uma firmeza que beirava a rudeza, forçando o ômega a olhar diretamente em sua pupila dilatada.
— Eu nunca esqueço, Luke — rosnou ele, a voz baixando para um tom perigosamente íntimo. — É por isso que você me pertence. Porque você foi o único que teve coragem de tirar algo de mim. E agora, eu vou tirar tudo de você.
— Você fala como se eu fosse um território a ser conquistado — rebateu Lucerys, embora seu corpo estivesse traindo sua mente, inclinando-se involuntariamente para o calor de Aemond.
— E você não é? — Aemond aproximou o rosto, o hálito quente roçando os lábios de Luke. — Você foge de mim nos corredores de Porto Real, finge que me odeia na frente de seus irmãos, mas aqui... aqui você treme só de sentir meu cheiro.
— É o frio, Aemond — mentiu Lucerys, a voz falhando.
— Mentiroso — disse Aemond, antes de esmagar seus lábios contra os de Lucerys.
O beijo foi como um campo de batalha. Não havia delicadeza inicial, apenas a necessidade faminta de dois seres que passavam os dias fingindo indiferença enquanto suas almas gritavam um pela outra. Aemond envolveu a cintura de Lucerys com um braço de ferro, puxando-o para cima, querendo sentir cada curva do corpo do ômega contra o seu.
Lucerys soltou um gemido baixo, suas mãos subindo para o peito da armadura de couro de Aemond, agarrando-se a ele como se fosse sua única âncora em um mar revolto. O espírito livre de Luke, que tanto amava os céus, encontrava seu mestre naquela terra firme e bruta que era Aemond.
Eles se separaram ofegantes, as testas encostadas. O aroma de Lucerys estava se tornando mais doce, um sinal claro de que sua biologia de ômega estava respondendo à dominância do alfa.
— Isso não pode durar para sempre — sussurrou Lucerys, os olhos úmidos. — Minha mãe quer que eu me case com Rhaena. Seu avô... ele quer usar você como uma arma contra nós. Estamos brincando com fogo, Aemond.
— Eu sou o fogo, Lucerys — declarou Aemond, seus dedos enterrando-se nos cachos escuros do sobrinho. — E você é o único que não queima quando me toca. Deixe que eles planejem. Deixe que falem de sucessão e deveres.
— Eles vão nos destruir se descobrirem — insistiu Luke, o medo pela família lutando contra o desejo avassalador. — Uma união entre nós é considerada uma abominação por muitos, e uma traição política por todos os outros.
Aemond soltou o rosto de Luke, mas apenas para segurar suas mãos com força. Seu olhar era gélido e determinado.
— Deixe que tentem. Eu tenho Vhagar. Eu tenho a maior força deste continente. Você acha que eu permitiria que algum lorde de meia-tigela ou até mesmo o Rei decidisse quem eu devo marcar?
— Você lutaria por mim? — perguntou Lucerys em voz baixa, a vulnerabilidade transparecendo em seus olhos grandes. — Mesmo contra sua própria casa?
Aemond deu um passo à frente, encurralando Lucerys contra o flanco quente de Arrax. O dragão soltou um roncado baixo, mas não se moveu contra o alfa que seu mestre amava.
— Eu destruiria o mundo para ver você sentado em um trono de cinzas, se isso significasse que você seria meu — afirmou Aemond com uma sinceridade brutal. — Eu sou rude, Luke. Eu não sei recitar poesias como os cavaleiros do Sul. Mas eu protejo o que é meu. E você é meu desde o momento em que aquele punhal cortou minha pele.
Lucerys sentiu uma lágrima escapar e escorrer pelo rosto. Ele não era fraco, mas o peso daquele amor proibido era uma carga imensa. Ele abraçou Aemond pelo pescoço, escondendo o rosto na curva de seu ombro, aspirando o cheiro de poder e segurança que o alfa exalava.
— Então precisamos ser cautelosos — disse Lucerys contra a pele dele. — Por enquanto. Até que tenhamos força suficiente para não precisarmos mais nos esconder.
Aemond retribuiu o abraço, apertando Lucerys contra si com uma possessividade que faria qualquer outro ômega recuar de medo, mas que para Luke era o paraíso.
— Cautela não é minha virtude favorita — murmurou Aemond —, mas por você, eu esperarei. Mas saiba disso, pequeno dragão: no dia em que eu decidir que o tempo de se esconder acabou, não haverá exército nem dragão que me impedirá de levar você para o meu ninho.
Lucerys se afastou apenas o suficiente para olhar nos olhos de Aemond, um sorriso desafiador e corajoso surgindo em seus lábios.
— Eu não sou um prêmio para ser levado, Aemond. Se eu for com você, será voando ao seu lado, não atrás de você.
Aemond sorriu de lado, uma expressão rara de admiração genuína.
— É por isso que eu não consigo ficar longe de você. Seu espírito é indomável demais para este reino medíocre.
Eles ficaram ali por mais algum tempo, sob a luz da lua que começava a surgir, dois corações batendo no mesmo ritmo em meio à tempestade política que ameaçava o continente. Sabiam que a guerra estava chegando, que o sangue Targaryen em breve ferveria em uma dança de morte. Mas, naquela praia isolada, não havia Pretos ou Verdes. Havia apenas um ômega que amava o céu e um alfa que o seguiria até o inferno para garantir que ele continuasse voando.
— Volte agora — ordenou Aemond, ajudando Lucerys a subir em Arrax. — Antes que sintam sua falta.
— E quando nos veremos de novo? — perguntou Luke, ajustando as rédeas.
Aemond olhou para Vhagar, que aguardava pacientemente como uma estátua de pedra antiga.
— No próximo conselho em Porto Real. Eu serei o homem que estará olhando para você com desprezo enquanto meu coração queima de desejo. Tente não corar muito, Lucerys.
Luke riu, uma nota cristalina que pareceu suavizar as feições duras de Aemond.
— Farei o meu melhor, tio.
Com um comando, Arrax bateu as asas, elevando-se rapidamente em direção às estrelas. Aemond permaneceu na areia, observando a silhueta perolada diminuir até se tornar um ponto de luz. Ele tocou a cicatriz novamente, sentindo o fantasma da dor, mas agora ela não trazia amargura. Trazia a promessa de que ele tinha algo pelo qual valia a pena queimar o mundo.
Ele montou Vhagar e, com um rugido que estremeceu as fundações das falésias, partiu em direção oposta. O segredo deles estava seguro por mais uma noite, guardado pelo vento e pelo fogo. Mas ambos sabiam que, em breve, o segredo se tornaria um grito de guerra. E eles estariam prontos.
Ele inclinou o corpo para a frente, sentindo as escamas peroladas de Arrax sob suas mãos. O cheiro de ozônio e salitre preenchia seus pulmões. No entanto, uma sombra colossal começou a obscurecer a luz alaranjada que banhava suas asas.
Uma silhueta vasta, antiga e aterrorizante emergiu das nuvens à sua direita. Vhagar. A Rainha de Todos os Dragões era como uma montanha voadora, e sobre seu dorso, a figura de Aemond Targaryen permanecia imóvel, os cabelos platinados chicoteando ao vento como uma bandeira de guerra.
Lucerys sentiu o coração disparar, não apenas pelo tamanho da fera, mas pela presença do homem que a montava. Aemond era um alfa de presença esmagadora, cuja mera existência parecia exigir submissão. Para o resto do mundo, eles eram sobrinho e tio em lados opostos de uma tensão familiar crescente. Para Luke, Aemond era o segredo mais perigoso e doce que já carregara.
Com um comando mental, Aemond guiou Vhagar para mais perto, forçando Arrax a se estabilizar. O dragão menor soltou um guincho de protesto, mas Luke o acalmou com um tapinha no pescoço.
— Você está longe de casa, passarinho — a voz de Aemond ecoou, profunda e carregada de uma autoridade que fez a nuca de Lucerys formigar.
Luke virou o rosto, encontrando o único olho safira de Aemond fixo nele. Não havia o ódio que os outros esperariam ver. Havia uma fome possessiva, uma chama que queimava apenas quando estavam a sós, longe dos olhares vigilantes de suas mães e avôs.
— O céu não pertence a ninguém, tio — respondeu Lucerys, tentando manter a voz firme, apesar do aroma de couro e sândalo que parecia emanar de Aemond mesmo através das rajadas de vento. — Nem mesmo a você.
Aemond soltou uma risada curta e rouca, um som que vibrou no peito de Lucerys.
— Veremos. Siga-me. Se conseguir me acompanhar, talvez eu deixe que você escolha o lugar de nosso encontro hoje.
Sem esperar resposta, Aemond mergulhou com Vhagar em direção a uma enseada isolada, escondida pelas falésias de Pedra do Dragão. Lucerys não hesitou. Ele instigou Arrax, seguindo a sombra da gigante, o coração martelando contra as costelas.
Quando pousaram na areia negra da praia deserta, o silêncio da noite que caía foi quebrado apenas pelo som das ondas e pela respiração pesada dos dragões. Aemond saltou da sela com uma graça predatória, caminhando em direção a Lucerys antes mesmo que o jovem ômega pudesse descer totalmente de Arrax.
— Você está ficando mais rápido — disse Aemond, parando a poucos centímetros de Luke. — Mas Arrax ainda é pequeno demais para protegê-lo de mim.
Lucerys saltou os últimos degraus da sela, caindo quase nos braços de Aemond. O contraste entre eles era gritante: Luke, com seus cachos escuros e traços delicados, exalava um aroma natural de jasmim e chuva; Aemond era todo linhas duras, cicatrizes e uma força bruta contida.
— Eu não preciso que Arrax me proteja de você — sussurrou Lucerys, erguendo o queixo com aquela teimosia que Aemond secretamente adorava. — Ou você esqueceu quem foi que deixou essa marca no seu rosto?
A mão de Aemond subiu instantaneamente, os dedos longos traçando a cicatriz que atravessava seu olho perdido. Por um momento, a tensão de alfa brilhou em seu olhar, uma centelha de fúria antiga, mas ela logo foi substituída por algo mais profundo. Ele segurou o rosto de Lucerys com uma firmeza que beirava a rudeza, forçando o ômega a olhar diretamente em sua pupila dilatada.
— Eu nunca esqueço, Luke — rosnou ele, a voz baixando para um tom perigosamente íntimo. — É por isso que você me pertence. Porque você foi o único que teve coragem de tirar algo de mim. E agora, eu vou tirar tudo de você.
— Você fala como se eu fosse um território a ser conquistado — rebateu Lucerys, embora seu corpo estivesse traindo sua mente, inclinando-se involuntariamente para o calor de Aemond.
— E você não é? — Aemond aproximou o rosto, o hálito quente roçando os lábios de Luke. — Você foge de mim nos corredores de Porto Real, finge que me odeia na frente de seus irmãos, mas aqui... aqui você treme só de sentir meu cheiro.
— É o frio, Aemond — mentiu Lucerys, a voz falhando.
— Mentiroso — disse Aemond, antes de esmagar seus lábios contra os de Lucerys.
O beijo foi como um campo de batalha. Não havia delicadeza inicial, apenas a necessidade faminta de dois seres que passavam os dias fingindo indiferença enquanto suas almas gritavam um pela outra. Aemond envolveu a cintura de Lucerys com um braço de ferro, puxando-o para cima, querendo sentir cada curva do corpo do ômega contra o seu.
Lucerys soltou um gemido baixo, suas mãos subindo para o peito da armadura de couro de Aemond, agarrando-se a ele como se fosse sua única âncora em um mar revolto. O espírito livre de Luke, que tanto amava os céus, encontrava seu mestre naquela terra firme e bruta que era Aemond.
Eles se separaram ofegantes, as testas encostadas. O aroma de Lucerys estava se tornando mais doce, um sinal claro de que sua biologia de ômega estava respondendo à dominância do alfa.
— Isso não pode durar para sempre — sussurrou Lucerys, os olhos úmidos. — Minha mãe quer que eu me case com Rhaena. Seu avô... ele quer usar você como uma arma contra nós. Estamos brincando com fogo, Aemond.
— Eu sou o fogo, Lucerys — declarou Aemond, seus dedos enterrando-se nos cachos escuros do sobrinho. — E você é o único que não queima quando me toca. Deixe que eles planejem. Deixe que falem de sucessão e deveres.
— Eles vão nos destruir se descobrirem — insistiu Luke, o medo pela família lutando contra o desejo avassalador. — Uma união entre nós é considerada uma abominação por muitos, e uma traição política por todos os outros.
Aemond soltou o rosto de Luke, mas apenas para segurar suas mãos com força. Seu olhar era gélido e determinado.
— Deixe que tentem. Eu tenho Vhagar. Eu tenho a maior força deste continente. Você acha que eu permitiria que algum lorde de meia-tigela ou até mesmo o Rei decidisse quem eu devo marcar?
— Você lutaria por mim? — perguntou Lucerys em voz baixa, a vulnerabilidade transparecendo em seus olhos grandes. — Mesmo contra sua própria casa?
Aemond deu um passo à frente, encurralando Lucerys contra o flanco quente de Arrax. O dragão soltou um roncado baixo, mas não se moveu contra o alfa que seu mestre amava.
— Eu destruiria o mundo para ver você sentado em um trono de cinzas, se isso significasse que você seria meu — afirmou Aemond com uma sinceridade brutal. — Eu sou rude, Luke. Eu não sei recitar poesias como os cavaleiros do Sul. Mas eu protejo o que é meu. E você é meu desde o momento em que aquele punhal cortou minha pele.
Lucerys sentiu uma lágrima escapar e escorrer pelo rosto. Ele não era fraco, mas o peso daquele amor proibido era uma carga imensa. Ele abraçou Aemond pelo pescoço, escondendo o rosto na curva de seu ombro, aspirando o cheiro de poder e segurança que o alfa exalava.
— Então precisamos ser cautelosos — disse Lucerys contra a pele dele. — Por enquanto. Até que tenhamos força suficiente para não precisarmos mais nos esconder.
Aemond retribuiu o abraço, apertando Lucerys contra si com uma possessividade que faria qualquer outro ômega recuar de medo, mas que para Luke era o paraíso.
— Cautela não é minha virtude favorita — murmurou Aemond —, mas por você, eu esperarei. Mas saiba disso, pequeno dragão: no dia em que eu decidir que o tempo de se esconder acabou, não haverá exército nem dragão que me impedirá de levar você para o meu ninho.
Lucerys se afastou apenas o suficiente para olhar nos olhos de Aemond, um sorriso desafiador e corajoso surgindo em seus lábios.
— Eu não sou um prêmio para ser levado, Aemond. Se eu for com você, será voando ao seu lado, não atrás de você.
Aemond sorriu de lado, uma expressão rara de admiração genuína.
— É por isso que eu não consigo ficar longe de você. Seu espírito é indomável demais para este reino medíocre.
Eles ficaram ali por mais algum tempo, sob a luz da lua que começava a surgir, dois corações batendo no mesmo ritmo em meio à tempestade política que ameaçava o continente. Sabiam que a guerra estava chegando, que o sangue Targaryen em breve ferveria em uma dança de morte. Mas, naquela praia isolada, não havia Pretos ou Verdes. Havia apenas um ômega que amava o céu e um alfa que o seguiria até o inferno para garantir que ele continuasse voando.
— Volte agora — ordenou Aemond, ajudando Lucerys a subir em Arrax. — Antes que sintam sua falta.
— E quando nos veremos de novo? — perguntou Luke, ajustando as rédeas.
Aemond olhou para Vhagar, que aguardava pacientemente como uma estátua de pedra antiga.
— No próximo conselho em Porto Real. Eu serei o homem que estará olhando para você com desprezo enquanto meu coração queima de desejo. Tente não corar muito, Lucerys.
Luke riu, uma nota cristalina que pareceu suavizar as feições duras de Aemond.
— Farei o meu melhor, tio.
Com um comando, Arrax bateu as asas, elevando-se rapidamente em direção às estrelas. Aemond permaneceu na areia, observando a silhueta perolada diminuir até se tornar um ponto de luz. Ele tocou a cicatriz novamente, sentindo o fantasma da dor, mas agora ela não trazia amargura. Trazia a promessa de que ele tinha algo pelo qual valia a pena queimar o mundo.
Ele montou Vhagar e, com um rugido que estremeceu as fundações das falésias, partiu em direção oposta. O segredo deles estava seguro por mais uma noite, guardado pelo vento e pelo fogo. Mas ambos sabiam que, em breve, o segredo se tornaria um grito de guerra. E eles estariam prontos.
