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Crianças

Fandom: Tensei shitara slime datta Ken

Criado: 30/06/2026

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Segredos do Trono de Gelo: O Lado Oculto do Lorde Demônio

A atmosfera no castelo de Guy Crimson, o Palácio do Continente de Gelo, era geralmente carregada de uma tensão gélida e autoritária, digna do Lorde Demônio mais antigo e poderoso. A mesa redonda do Octagrama estava completa, ou quase isso. Os seres mais poderosos do mundo discutiam a redistribuição de influência nas fronteiras humanas, mas o clima estava... estranho.

Ramiris, a Rainha dos Espíritos, balançava as pernas no ar enquanto flutuava, olhando em volta com uma curiosidade impaciente. Ela franziu o cenho, notando o silêncio incomum nos corredores laterais.

— Ei, Guy! — exclamou Ramiris, quebrando a fala monótona de Dagruel. — Onde estão a Rain e a Misery? Elas nunca abandonam o posto durante as reuniões. O chá acabou ou o quê?

Guy Crimson, recostado em seu trono de gelo com a elegância de um predador, soltou um suspiro pesado, algo que raramente fazia em público. Seus olhos vermelhos brilharam com uma mistura de cansaço e uma ternura que ninguém ali sabia decifrar.

— Elas estão ocupadas — respondeu Guy, sua voz profunda ecoando pela sala. — Estão cuidando das crianças.

O silêncio que se seguiu foi absoluto. Leon Cromwell quase deixou cair sua taça de vinho. Luminous Valentine arqueou uma sobrancelha, visivelmente perturbada pela imagem mental de Guy Crimson, o Mediador, perto de qualquer coisa pequena e frágil.

— Crianças? — Leon perguntou, sua voz carregada de ceticismo. — Você quer dizer... sacrifícios? Ou talvez novos servos?

— Não seja idiota, Leon — retrucou Guy, massageando as têmporas.

Milim Nava, que estava sentada ao lado de Rimuru, soltou uma risadinha animada, claramente sabendo de algo que os outros ignoravam. Ela trocou um olhar cúmplice com Ramiris, que apenas deu de ombros, voltando a comer um doce.

Antes que o choque pudesse ser processado, as grandes portas duplas do salão se abriram. Rain entrou, mas não com sua postura habitual de serva perfeita. Ela parecia exausta. Em seus braços, ela carregava duas figuras pequenas que se debatiam e soluçavam baixinho.

Eram Ryota e Chloe. Ambos estavam vestidos com macacões de coelho extremamente fofos, completos com capuzes que tinham orelhas longas e caídas. A visão era tão surreal que Dino, que estava quase dormindo, arregalou os olhos e quase caiu da cadeira.

— Lorde Guy... eu sinto muito — Rain disse, sua voz tremendo levemente. — Eles simplesmente não param de chorar. Eles querem a mamãe.

Assim que Rain os colocou no chão, os dois pequenos dispararam em direção ao trono de Guy. Ryota, com seus cinco anos e cabelos bagunçados, e Chloe, com seus olhos misteriosos agora nublados por lágrimas, agarraram-se às pernas do Lorde Demônio ruivo.

— Papai! — Ryota soluçou, enterrando o rosto na túnica cara de Guy. — Onde está a mamãe? A Rain disse que ela estava aqui!

— É injusto! — Chloe exclamou, com um biquinho adorável. — O papai fica com a mamãe o tempo todo no quarto e a gente não pode nem ver ela? Eu quero a mamãe!

O queixo de quase todos os membros do Octagrama caiu. Guy Crimson, o terror dos mundos, o demônio primordial vermelho, inclinou-se para frente e, com uma delicadeza que desafiava a lógica, pegou os dois no colo, acomodando-os em seus braços poderosos.

— Calma, pequenos — Guy murmurou, tentando soar firme, mas falhando miseravelmente diante da fofura dos filhos. — A mamãe está trabalhando. Nós estamos em uma reunião importante.

— Não queremos reunião! — Ryota protestou, puxando uma das mechas vermelhas do cabelo de Guy. — Queremos mamar e carinho! O senhor é muito egoísta, papai!

Guy ficou visivelmente constrangido, uma mancha avermelhada subindo pelo seu pescoço enquanto sentia o olhar fixo de sete Lordes Demônios sobre ele.

— Eu não sou... — Guy começou, mas foi interrompido por um movimento elegante ao seu lado.

Até aquele momento, Rimuru Tempest estivera sentada em silêncio, observando a cena com um sorriso divertido. Ela não estava em sua forma habitual de slime ou no traje de batalha. Rimuru usava sua forma feminina, uma visão de beleza divina que deixava até os deuses sem fôlego. Sua pele era branca como leite, seus cabelos azuis prateados caíam em ondas perfeitas sobre seus ombros e seu corpo era curvilíneo, acentuado por um vestido azul escuro de seda.

O vestido tinha uma fenda generosa na lateral, revelando suas pernas torneadas, e um decote profundo que, embora elegante, era funcional.

— Já chega, Guy. Você está deixando eles mais nervosos — disse Rimuru, sua voz doce e maternal, mas com aquele tom mandão que não aceitava discussões.

Ela se levantou da cadeira, a seda do vestido roçando o chão de gelo. A aura de Rimuru era intimidadora quando ela queria, mas agora, ela exalava apenas puro instinto protetor. Ela caminhou até Guy e estendeu os braços.

— Venham aqui, meus amores — Rimuru disse, o sorriso iluminando seu rosto de beleza celestial.

Ryota e Chloe imediatamente estenderam os braços para ela, abandonando Guy sem hesitar. Rimuru os pegou com facilidade, um em cada braço, acomodando Ryota em seu quadril e Chloe contra seu peito.

— Mamãe! — Chloe suspirou, já começando a se acalmar ao sentir o perfume de Rimuru.

— Shh, a mamãe está aqui — Rimuru murmurou, beijando o topo da cabeça de cada um. Ela olhou para o restante da mesa, seus olhos amarelos brilhando com uma advertência silenciosa para qualquer um que ousasse comentar. — Sinto muito pela interrupção, mas minhas crianças vêm primeiro.

Rimuru voltou para sua cadeira e, sem a menor cerimônia ou vergonha, ajustou o decote do vestido para facilitar o acesso. Como uma mãe dedicada, ela começou a amamentar os pequenos ali mesmo, na frente da elite do mundo.

Guy cruzou os braços, lançando um olhar mortal para Leon e Dino, que ainda estavam boquiabertos.

— Se eu pegar qualquer um de vocês olhando por mais de um segundo para a minha esposa, eu juro que o Continente de Gelo terá novas estátuas decorativas — rosnou Guy, sua voz transbordando possessividade.

— Esposa?! — Luminous finalmente conseguiu falar. — Você se casou com o Slime? E vocês tiveram... filhos? Isso é biologicamente impossível!

— Para um slime e um demônio primordial, a impossibilidade é apenas uma sugestão — Rimuru respondeu sarcasticamente, enquanto fazia carinho nas orelhas de coelho do macacão de Ryota. — E eles não são os únicos. Onde estão os outros, Rain?

Como se fosse um sinal, o restante do grupo entrou na sala, trazidos por Misery.

Kenya, com seis anos, entrou correndo, faíscas de luz brincando em seus dedos. Ele era pura energia.

— Mãe! O Gale não quer me deixar treinar com a espada de luz! — reclamou o menino.

Gale, o mais velho, com oito anos, entrou logo atrás, com uma expressão séria e focada, típica de quem já dominava a magia de Terra.

— Kenya, você quase quebrou o vaso de cristal da Rain — Gale disse, cruzando os braços, agindo como o pequeno adulto que tentava ser.

Alice, com seis anos, flutuava levemente usando sua magia de vento, manipulando uma boneca que parecia dançar ao seu redor.

— Deixem eles, a mamãe está ocupada com os bebês — Alice disse, pousando graciosamente ao lado da cadeira de Rimuru e encostando a cabeça no ombro da mãe.

A sala de reuniões, antes um local de política e guerra, transformou-se em um berçário caótico e luxuoso. Rimuru, mesmo amamentando e cercada por crianças, mantinha uma postura de autoridade absoluta.

— Guy, querido — disse Rimuru, olhando para o marido com um olhar levemente irritado —, eu disse que você deveria ter passado mais tempo com o Ryota hoje cedo. Ele fica muito carente quando você só foca no trabalho.

Guy, o ser que poderia destruir nações com um estalar de dedos, apenas abaixou a cabeça, derrotado.

— Eu sei, Rimuru. Eu me perdi nos relatórios de fronteira.

— Menos relatórios, mais família — ela ordenou, e Guy assentiu prontamente.

Os outros Lordes Demônios assistiam à cena em um transe de choque. Ver a temível Rimuru Tempest agindo de forma tão maternal e, ao mesmo tempo, dominando o temperamento de Guy Crimson era algo que nenhum bardo seria capaz de inventar.

— Então... — começou Dagruel, pigreando para limpar a garganta. — Acho que a reunião sobre as taxas alfandegárias pode esperar?

— Com certeza — respondeu Rimuru, enquanto Ryota soltava um suspiro satisfeito e dormia em seu colo. — Agora, se me dão licença, tenho cinco coelhinhos e um demônio teimoso para cuidar.

Ela se levantou, a beleza divina de seu corpo curvilíneo se movendo com uma graça natural enquanto ela liderava a procissão de crianças para fora da sala. Guy levantou-se logo atrás, agindo como um guarda-costas fiel e um pai orgulhoso, deixando para trás um Octagrama completamente sem palavras.

Naquele dia, o mundo não mudou por causa de um tratado ou de uma guerra, mas porque os Lordes Demônios descobriram que até o gelo mais eterno pode derreter diante do sorriso de uma mãe e da insistência de crianças em macacões de coelho.
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