Fanfy
.studio
Imagem de fundo

Vou salvar ela.

Fandom: Dr.house

Criado: 30/06/2026

Tags

DramaDor/ConfortoEstudo de PersonagemCenário CanônicoUso de DrogasCiúmesCrimePsicológico
Índice

Sinais Vitais em Colapso

O silêncio nos corredores do Princeton-Plainsboro costumava ser o único momento em que Gregory House conseguia ouvir os próprios pensamentos, mas naquela noite, o barulho vinha de dentro de sua cabeça. Não era o lúpus que não era lúpus, nem a dor lancinante em sua perna direita que o Vicodin não conseguia mais mascarar completamente. Era o som da voz de Lisa Cuddy ecoando no estacionamento, alterada, aguda e carregada de uma tensão que ele não reconhecia.

House estava encostado em sua moto, a bengala apoiada contra a coxa, observando a cena de longe. O novo namorado de Cuddy, um corretor de imóveis chamado Lucas — não o Lucas detetive, mas um "Lucas v2.0" que exalava um perfume caro e uma arrogância barata —, estava parado perto do carro dela. A linguagem corporal dele era agressiva. Ele invadia o espaço pessoal dela, os ombros tensos, o dedo em riste.

— Eu já disse que tive uma emergência na UTI, Lucas! — A voz de Cuddy vibrou, uma mistura de exaustão e irritação. — Eu sou a diretora deste hospital. Eu não bato cartão às cinco da tarde.

— E eu já disse que o jantar era importante para a minha carreira! — O homem rebateu, dando um passo à frente. — Você sempre coloca esses viciados e doentes na frente de tudo. Na frente de nós.

House estreitou os olhos. Ele conhecia o tipo. O tipo que sorria para as câmeras, mas que, entre quatro paredes, tentava diminuir qualquer mulher que fosse maior do que ele. E Cuddy era uma gigante.

— Não ouse falar assim do meu trabalho — Cuddy retrucou, sua voz caindo para um tom perigosamente baixo. — Talvez você deva ir para casa e esfriar a cabeça.

House viu o momento exato em que a dinâmica mudou. Lucas não recuou. Em vez disso, ele avançou, fechando a distância e agarrando o braço de Cuddy com uma força desnecessária.

— Eu não terminei de falar com você! — rosnou ele.

Cuddy estancou. House viu o sobressalto no corpo dela, a surpresa sendo rapidamente substituída por uma máscara de profissionalismo que escondia o medo. Ela tentou puxar o braço, mas o aperto dele era firme.

— Você está me machucando. Solte agora — disse ela, a voz firme, mas House percebeu o leve tremor em seus ombros.

House não pensou. Ele raramente pensava quando a adrenalina e o instinto de proteção — aquele que ele jurava que não possuía — assumiam o controle. O som rítmico de sua bengala batendo no asfalto soou como um metrônomo sombrio enquanto ele mancava em direção ao casal.

— Sabe, Lucas, eu sou médico — a voz de House cortou o ar, carregada de um sarcasmo cortante. — E, por experiência própria, posso dizer que apertar tecidos moles dessa maneira causa hematomas. E hematomas levam a relatórios policiais. E relatórios policiais são péssimos para o mercado imobiliário.

Lucas soltou o braço de Cuddy como se tivesse sido queimado, virando-se para encarar House com um olhar de puro desprezo.

— Caia fora, House. Isso não é da sua conta.

House parou a dois metros de distância, apoiando o peso na bengala e inclinando a cabeça de lado, aquele brilho maníaco e calculista em seus olhos azuis.

— Na verdade, tudo neste hospital é da minha conta. Eu sou o ego que mantém este lugar funcionando, lembra? — House deu mais um passo, ignorando o protesto silencioso de sua perna. — E a diretora é o meu brinquedo favorito. Eu não gosto que outros meninos quebrem as minhas coisas.

— House, vá para dentro — Cuddy disse, a voz trêmula, esfregando o braço onde os dedos de Lucas haviam deixado marcas vermelhas.

— Não, eu acho que vou ficar — House respondeu, seus olhos fixos em Lucas. — Eu estava apenas pensando em como um homem tão "bem-sucedido" precisa usar a força física para ganhar uma discussão. É um sinal clássico de baixa testosterona. Ou talvez apenas um complexo de inferioridade por namorar uma mulher que é dez vezes mais inteligente que você.

Lucas deu um passo em direção a House, os punhos cerrados.

— Você quer testar a sua sorte, seu manco viciado?

House nem piscou. Ele apenas sorriu, um sorriso sem dentes que não chegava aos olhos.

— Eu sobrevivi a um infarto muscular, a um tiro e a anos da burocracia da Cuddy. Você acha que um corretor de imóveis com problemas de controle de raiva me assusta? — House levantou a bengala alguns centímetros do chão, apontando para o peito de Lucas. — Se você não entrar naquele carro e sumir da vista dela nos próximos dez segundos, eu vou descobrir em qual hospital de caridade você foi operado daquela hérnia que você tenta esconder e vou publicar o seu histórico médico completo no mural do sindicato.

Houve um silêncio tenso. Lucas olhou de House para Cuddy, que agora estava parada com os braços cruzados, a expressão endurecida.

— Isso não acabou — Lucas murmurou para ela, antes de girar nos calcanhares e entrar em seu carro, arrancando com os pneus cantando.

O silêncio que se seguiu no estacionamento foi pesado. Cuddy soltou um suspiro longo, os ombros caindo. Ela não olhou para House imediatamente.

— Eu não precisava que você me defendesse — disse ela, embora não houvesse convicção em suas palavras.

— Claro que não — House respondeu, o tom de deboche suavizando apenas um pouco. — Você é a Mulher-Maravilha. Eu só estava preocupado com o asfalto. Se ele te empurrasse, você poderia rachar o cimento com essa sua cabeça dura.

Cuddy finalmente olhou para ele. A luz dos postes de luz realçava o cansaço em seu rosto.

— Ele nunca tinha feito isso antes.

— Ele sempre foi assim, Cuddy — House disse, aproximando-se. — Você só estava ocupada demais tentando provar para si mesma que podia ter uma vida normal para notar os sinais. O jeito que ele interrompe você. O jeito que ele olha para o relógio quando você fala. O jeito que ele tenta diminuir suas conquistas. É um diagnóstico fácil. Narcisista clássico com tendências sociopatas.

Cuddy olhou para o próprio braço. As marcas dos dedos já estavam ficando roxas.

— Ele disse que eu era o problema. Que eu sou difícil.

— Você é difícil — House concordou, e por um momento ela pareceu ofendida, até que ele continuou. — Você é exigente, teimosa, irritante e tem um gosto horrível para sapatos de salto alto que destroem suas costas. Mas você não é o problema dele. O problema dele é que ele é um covarde que precisa de poder para se sentir homem.

Cuddy deu um passo hesitante em direção a ele.

— Obrigada, House.

House deu de ombros, sentindo o desconforto habitual que a gratidão lhe causava.

— Não me agradeça. Agora eu tenho munição para te chantagear pelos próximos seis meses. "Lembra daquela vez que eu te salvei do corretor malvado? Pois é, eu quero que você aprove meu orçamento para a nova máquina de ressonância".

Cuddy soltou uma risada curta e sem vida, mas seus olhos ainda estavam úmidos.

— Você é um idiota.

— E você está tremendo — House observou, sua voz baixando de tom. — Entre. Eu te levo até o seu escritório.

— Eu posso andar sozinha, House.

— Eu sei que pode. Mas eu estou com dor e quero usar o seu elevador privado.

Eles caminharam juntos de volta para o hospital. O ritmo era lento, ditado pela bengala de House e pelo choque silencioso de Cuddy. Ao entrarem no prédio, House percebeu que ela ainda estava abraçando o próprio corpo.

— Ele não vai voltar, Cuddy — disse House enquanto entravam no elevador. — Homens como ele atacam quando sentem que têm o controle. Você tirou isso dele hoje. E, se ele tentar, eu ainda tenho aquele histórico médico dele guardado.

— Você realmente tem o histórico dele? — perguntou ela, arqueando uma sobrancelha.

— Não — House admitiu com um meio sorriso. — Mas ele não sabe disso. O medo é uma droga poderosa.

O elevador parou no andar da diretoria. Cuddy saiu e parou na porta de seu escritório, virando-se para House.

— Você quer entrar? — perguntou ela, hesitante. — Eu tenho um uísque que você gosta escondido na gaveta de baixo.

House olhou para ela. Ele viu a vulnerabilidade que ela raramente mostrava a qualquer pessoa, exceto talvez a ele, nos momentos mais sombrios. Ele sentiu a dor na perna pulsar, um lembrete constante de suas próprias falhas.

— Eu tenho casos para resolver — mentiu House. — Meus patinhos estão perdidos sem o pastor.

Cuddy assentiu, parecendo um pouco decepcionada, mas compreensiva.

— Boa noite, House.

— Cuddy? — Ele a chamou antes que ela fechasse a porta.

— Sim?

— Se ele ligar... se ele aparecer na sua casa... se ele sequer passar pela calçada oposta à sua...

— Eu sei, House — ela o interrompeu com um pequeno sorriso, o primeiro sorriso real da noite. — Eu ligo para a polícia.

— Não — House corrigiu, a expressão séria. — Você liga para mim. A polícia tem regras. Eu não.

Cuddy o observou por um longo momento, a conexão entre eles vibrando no ar, mais forte do que qualquer diagnóstico ou discussão administrativa.

— Eu sei que não — sussurrou ela.

House deu as costas e começou a mancar pelo corredor. Ele ouviu a porta do escritório se fechar. Ele tirou o frasco de Vicodin do bolso, sacudiu duas pílulas e as engoliu a seco. A dor física começaria a diminuir em breve, mas a imagem de Lucas agarrando o braço de Cuddy permaneceria gravada em sua mente.

Ele foi para o seu escritório, apagou as luzes e sentou-se em sua poltrona, observando a cidade através do vidro. Ele não ia a lugar nenhum. Ele ficaria ali, vigiando o prédio, vigiando o estacionamento, vigiando ela.

Porque Gregory House podia ser muitas coisas — um viciado, um misantropo, um gênio arrogante —, mas ele era o cão de guarda de Lisa Cuddy. E ninguém tocava no que pertencia a ele.

Horas depois, quando as luzes do escritório de Cuddy finalmente se apagaram e ele a viu caminhar em direção ao seu carro — desta vez sozinha e em segurança —, House finalmente permitiu que seus ombros relaxassem.

Ele pegou o telefone e discou um número que conhecia de cor.

— Wilson? — House disse quando o amigo atendeu com uma voz sonolenta.

— House? São três da manhã. O que aconteceu? Alguém está morrendo?

— Não — House respondeu, olhando para o carro de Cuddy saindo do estacionamento. — Mas eu preciso que você descubra tudo o que puder sobre um corretor de imóveis chamado Lucas Miller. E quando eu digo tudo, eu quero dizer até a cor das meias que ele usava no jardim de infância.

— Por que, House? — Wilson suspirou, já se sentando na cama. — O que você fez agora?

— Eu? Nada — House sorriu no escuro. — Eu estou apenas sendo um bom funcionário. Prevenção, Wilson. É a base da medicina moderna.

Ele desligou o telefone e fechou os olhos. Pela primeira vez naquela noite, o ritmo de seu coração estava estável. O perigo imediato havia passado, mas House sabia que a batalha pela segurança de Cuddy — e talvez pelo coração dela — estava longe de terminar. E ele estava disposto a jogar sujo para vencer.
Índice

Quer criar seu próprio fanfic?

Cadastre-se na Fanfy e crie suas próprias histórias!

Criar meu fanfic