
← Voltar à lista de fanfics
0 curtida
..
Fandom: Tensei shitara slime datta Ken
Criado: 30/06/2026
Tags
RomanceFatias de VidaFofuraHumorFantasiaCenário CanônicoHistória DomésticaIsekai / Fantasia Portal
O Segredo Escarlate do Octagrama
A atmosfera no salão do Banquete de Walpurgis era, como de costume, uma mistura de tensão política e tédio absoluto. No entanto, o tédio de Guy Crimson havia evaporado no momento em que seus olhos pousaram na figura de cabelos azul-prateados sentada à mesa. Rimuru Tempest, a líder da Federação Jura Tempest, exalava uma aura de autoridade que, para Guy, era o convite mais tentador do mundo para o caos.
O salão inteiro ainda ria quando Rimuru cruzou os braços e lançou um olhar firme para Guy. A discussão anterior sobre rotas comerciais havia sido completamente descarrilada por um comentário de duplo sentido do Lorde Demônio Vermelho.
— Você terminou? — perguntou Rimuru, tentando manter a compostura enquanto sentia o calor subir pelas bochechas.
Guy inclinou a cabeça para o lado, os fios vermelhos caindo sobre os olhos intensos. Um sorriso preguiçoso e predatório brincava em seus lábios.
— Nunca.
Rimuru já imaginava a resposta. Ela suspirou, massageando as têmporas. Guy era a personificação da persistência irritante, mas havia algo na forma como ele a olhava que tornava impossível ser genuinamente rude com ele.
— Guy... — ela começou, em tom de aviso.
Ele sorriu daquele jeito tranquilo que sempre antecedia algum comentário que a faria corar. Apoiando o queixo na mão, ele a analisou de cima a baixo com uma possessividade que não passava despercebida pelos outros Lordes Demônios.
— O vestido azul combina com seus olhos — ele disse, a voz aveludada ecoando pelo salão silencioso.
Rimuru fechou os olhos, sentindo o rosto esquentar instantaneamente.
— Acabou de provar meu ponto. Você não consegue se segurar por cinco minutos.
Milim Nava, que estava sentada ao lado, bateu com as duas mãos na mesa, fazendo os copos tilintarem.
— NOVE! — gritou ela, com um entusiasmo que beirava a histeria.
Leon Cromwell, sempre a imagem da indiferença estóica, piscou e olhou para a pequena dragoa.
— Nove?
Ramiris, voando freneticamente ao redor da cabeça de Milim, tirou um pequeno caderninho de couro do bolso de seu vestido minúsculo.
— Estamos contando! — exclamou a fada, agitando uma caneta minúscula.
Luminas Valentine piscou, seus olhos heterocromáticos alternando entre a fada e a dragoa.
— Vocês...
— Contam? — completou Leon, parecendo genuinamente ofendido com a futilidade da situação.
Milim respondeu orgulhosa, estufando o peito.
— Claro! É o evento principal de toda reunião agora!
Ela abriu o caderno e o girou para que os outros pudessem ver. Na capa, escrito em letras enormes e coloridas, estava o título: **"Quantidade de vezes que Guy faz a Rimuru ficar vermelha por dia."**
Leon levou a mão ao rosto, soltando um suspiro pesado.
— Vocês realmente fizeram um registro oficial disso... Eu deveria estar surpreso?
Ramiris, ignorando o desprezo de Leon, folheou as páginas com rapidez.
— O recorde é quarenta e sete em um único dia! — anunciou ela.
Rimuru arregalou os olhos, quase engasgando com o próprio ar.
— QUARENTA E SETE?! Quando diabos isso aconteceu?
Guy sorriu, recostando-se em seu trono de pedra com uma satisfação evidente.
— Foi um bom dia — ele comentou, os olhos brilhando com a memória.
— Foi o festival de Tempest! — Milim completou, rindo. — Ele passou o dia inteiro atrás dela! Cada vez que ela comia algo, ele limpava o canto da boca dela. Cada vez que alguém olhava demais, ele a abraçava por trás! Foi hilário!
Luminas apoiou os cotovelos na mesa, observando a interação com um interesse renovado. A soberana dos vampiros raramente se impressionava, mas a dinâmica entre o Demônio Primordial Vermelho e a Slime era, no mínimo, fascinante.
— Não acredito — disse Luminas, olhando diretamente para Guy. — Ele parece um animal selvagem domesticado. Guy, faça um elogio agora.
Guy arqueou uma sobrancelha, o sarcasmo voltando à sua expressão.
— Agora? — perguntou ele.
— Sim — desafiou Luminas.
— Qualquer um — incentivou Ramiris, com a caneta pronta sobre o papel.
Guy virou-se imediatamente para Rimuru. Ele nem precisou pensar. O sarcasmo desapareceu de seu rosto, substituído por uma intensidade que fez o coração de Rimuru falhar uma batida.
— Seu sorriso é a primeira coisa que procuro quando acordo — disse ele, a voz baixa e sincera.
O silêncio caiu sobre o salão como um manto pesado. Rimuru ficou completamente imóvel, as mãos congeladas sobre a mesa. Lentamente, como uma reação química inevitável, suas orelhas começaram a ficar vermelhas. Depois o rosto. Depois o pescoço.
Milim levantou o dedo, triunfante.
— DEZ!
Ramiris anotou freneticamente.
— Dez! Estamos no caminho para um novo recorde!
Leon olhou para Guy, genuinamente curioso agora.
— Você preparou essa frase? Foi excessivamente meloso, até para você.
Guy deu de ombros, sem tirar os olhos de Rimuru.
— Não. Só falei a verdade. É um hábito.
Rimuru cobriu metade do rosto com uma das mãos, tentando se esconder atrás de seus cabelos longos.
— Você faz isso sem pensar... É perigoso para o meu coração, Guy.
— Sim — ele respondeu, inclinando-se um pouco mais para perto dela.
Dagruel, o gigante que normalmente permanecia em silêncio durante essas bobagens, decidiu testar a profundidade daquele poço.
— Outro — comandou ele com sua voz de trovão.
Guy nem esperou. Ele parecia estar gostando da atenção, ou talvez apenas da reação de Rimuru. Ele olhou novamente para ela, seus olhos vermelhos suavizando de uma forma que pouquíssimas pessoas no mundo já haviam visto.
— Quando você sorri para mim... — Sua voz ficou ainda mais baixa, quase um sussurro destinado apenas a ela, embora todos estivessem ouvindo. — Sempre lembro por que me apaixonei.
Rimuru respirou fundo. Muito fundo. Ela sentiu que poderia evaporar ali mesmo.
Milim levantou outro dedo, pulando na cadeira.
— ONZE!
Ramiris anotou rapidamente, quase rasgando o papel de tanta pressa. Luminas ficou genuinamente impressonada, cruzando as pernas e observando Guy como se ele fosse uma nova espécie de monstro.
— Ele realmente não para... É um ataque contínuo.
Leon, sentindo que a dignidade da reunião já havia descido pelo ralo, resolveu entrar na brincadeira, talvez esperando ver até onde Guy iria antes de se tornar ridículo.
— Mais um. Vamos ver se você consegue manter o nível.
Guy sorriu.
— Com prazer.
Rimuru já estava escondendo o rosto completamente agora, os ombros tremendo levemente. Guy inclinou-se apenas um pouco na direção dela. Sem exageros dramáticos, sem provocação barata. Ele falou com a certeza de quem enuncia uma lei universal.
— Ainda fico feliz toda vez que você fica em cima de mim enquanto dorme ou antes de dormir. Gosto do seu peso sobre mim.
Rimuru baixou lentamente a mão do rosto, revelando olhos arregalados e uma expressão de puro choque. Ela olhou para Guy, que mantinha um sorriso pequeno, mas extremamente carinhoso.
— Você... você percebe isso? Eu achei que você estivesse dormindo profundamente — ela murmurou, a voz falhando.
Guy respondeu baixinho, esticando a mão para tocar uma mecha do cabelo dela.
— Percebo tudo, Rimuru. Cada movimento seu.
Milim simplesmente caiu para trás da cadeira, as pernas para o ar.
— DOZE!
Ramiris olhou para Rimuru, os olhos brilhando de malícia.
— Agora você, Rimuru! Não pode deixar ele ganhar todas!
Rimuru piscou, saindo do transe.
— Eu?
— Sim! Elogia ele! — gritou a fada.
Rimuru ficou pensativa por um momento. O salão ficou em silêncio novamente, todos esperando para ver como a "esperança das nações monstras" responderia ao Rei das Trevas. Guy sorriu e esperou, parecendo uma criança prestes a ganhar um presente.
Ela respirou fundo, recuperando um pouco de sua dignidade de lorde demônio. Depois, falou calmamente, olhando nos olhos dele.
— O Guy... — Ela fez uma pausa. — É um homem muito gentil. Por trás de toda essa fachada de destruição, ele tem o coração mais protetor que já conheci.
Guy abriu um sorriso enorme, um brilho de orgulho genuíno em seu rosto. Milim arregalou os olhos, parecendo decepcionada com a simplicidade.
— Só isso?! "Gentil"? Isso é tudo o que você tem?
Guy respondeu imediatamente, cortando a reclamação de Milim.
— É perfeito.
Leon franziu a testa, confuso.
— Perfeito? Guy, ela praticamente chamou você de "bonzinho". Onde está o seu orgulho como o demônio mais forte?
Guy assentiu, sem se importar com o comentário de Leon.
— Ela não costuma fazer muitos elogios públicos. Ela prefere ações a palavras. Então, cada elogio que ela me dá vale ouro.
Rimuru sorriu, um pouco envergonhada pela sinceridade dele.
— Você exagera as coisas, Guy.
— Não — respondeu ele com firmeza. — Eu guardo todos.
Luminas arqueou uma sobrancelha, cética.
— Guarda? Você tem uma coleção mental ou algo assim?
Guy respondeu naturalmente, como se estivesse listando itens de um inventário.
— Claro. Eu me lembro de cada um.
Rimuru arregalou os olhos.
— Você realmente lembra? Todos eles?
Guy começou a contar nos dedos, sua expressão tornando-se provocadora novamente.
— Vejamos... Você disse que eu era confiável durante a crise com os anjos. Depois, em uma noite particularmente quente, você disse que eu beijava muito bem.
— Guy! — Rimuru tentou interromper, mas ele continuou.
— Também falou que eu te deixava com marcas bonitas no pescoço e que odiava quando elas sumiam rápido demais. Que gostava quando eu te abraçava forte o suficiente para deixar sua perna tremendo... E...
Rimuru levantou-se da cadeira, as mãos sobre a mesa, o rosto agora de um tom de vermelho que rivalizava com o cabelo de Guy.
— CHEGA! JÁ ENTENDEMOS!
Milim explodiu em gargalhadas, rolando no chão. Ramiris estava perdendo o fôlego de tanto rir. Até Luminas tinha um sorriso de canto de boca, e Leon parecia querer desaparecer da existência para não ouvir mais detalhes da vida íntima do casal.
Rimuru respirou fundo, tentando acalmar o coração que martelava em seu peito. Ela olhou para os outros Lordes Demônios e percebeu que a curiosidade deles estava no ápice. Era hora de uma pequena vingança. Ela sorriu de forma inocente, o que fez Guy estreitar os olhos, instintivamente em guarda.
— Posso contar uma história também? — perguntou Rimuru.
Guy imediatamente desconfiou.
— Rimuru... o que você está planejando?
— Pode? — insistiram Milim e Ramiris em coro.
— CONTA! CONTA TUDO! — gritou a fada.
Rimuru apoiou o queixo na mão, relaxando em sua cadeira.
— Certo. Um dia, há alguns meses, o Guy estava doente.
Guy fechou os olhos, soltando um suspiro de derrota.
— Não... essa história não.
— Sim, essa história — disse Rimuru com um brilho travesso nos olhos.
Leon ficou curioso, cruzando os braços.
— O que aconteceu? Um demônio primordial doente? Isso é fisicamente possível?
Rimuru sorriu.
— Era só uma febre leve, causada por um excesso de processamento de mana após uma batalha experimental. Eu pedi que ele descansasse, mas ele é teimoso.
— Eu estava descansando! — protestou Guy.
— Não estava. Você estava tentando ler relatórios de inteligência debaixo das cobertas. Eu tive que tirar todos os documentos dele, fiz uma sopa especial e mandei ele ficar quieto na cama.
Leon perguntou, quase rindo:
— E depois? O Rei das Trevas obedeceu?
Rimuru começou a rir, lembrando-se da cena.
— Quando fui ver como ele estava, cerca de uma hora depois... ele fingiu que estava dormindo pesadamente. Eu achei estranho, porque a respiração dele estava muito controlada. Então, resolvi fazer um carinho na cabeça dele. No momento em que toquei seu cabelo, ele se virou e se deitou com a cabeça diretamente no meu peito, me prendendo na cama.
Guy tossiu discretamente, desviando o olhar para o teto do salão. Rimuru continuou, imitando perfeitamente a voz manhosa e baixa que Guy usava na intimidade:
— E cinco segundos depois, ele murmurou: "Rimuru... não para... continua..."
O salão inteiro explodiu em risadas. Milim batia na mesa com tanta força que rachaduras começaram a aparecer na pedra.
— ELE FINGIU! — gritava a dragoa entre gargalhadas. — O GRANDE GUY CRIMSON FINGIU ESTAR DORMINDO!
Ramiris gargalhava sem parar, quase caindo dentro do seu caderno.
— SÓ PRA GANHAR CAFUNÉ E FICAR COM O ROSTO NO PEITO DELA! EU NÃO CONSIGO ACREDITAR! O MITO CAIU!
Guy finalmente abriu os olhos, encarando os colegas com uma expressão de "eu vou matar todos vocês mais tarde". Ele suspirou, mas não parecia realmente arrependido.
— Em minha defesa... — Todos olharam para ele, esperando a desculpa esfarrapada. Ele respondeu com a maior naturalidade do mundo: — Funcionou perfeitamente. E o peito dela é o melhor travesseiro possível em todos os mundos conhecidos. Até o gosto da pele dela é bom, por que eu não aproveitaria?
Rimuru riu tanto que precisou apoiar a cabeça no ombro dele, a vergonha finalmente dando lugar ao divertimento. Guy sorriu satisfeito, a possessividade voltando à tona. Sem pensar, ele passou um braço ao redor da cintura dela, puxando-a para mais perto.
Luminas limpou uma lágrima de riso do canto do olho.
— Bem, acho que isso confirma os rumores que circulavam pelas sombras.
Leon levantou uma sobrancelha.
— Rumores?
— De que eles não são apenas aliados ou "amigos próximos" — disse Luminas, olhando para o anel discreto, mas poderosamente encantado, no dedo de Rimuru, que combinava com o de Guy. — Vocês dois são oficialmente casados, não são?
O silêncio voltou, mas desta vez era um silêncio de expectativa. Rimuru olhou para Guy, que apenas deu de ombros, deixando a decisão para ela.
— Sim — admitiu Rimuru, sorrindo docemente. — Já faz algum tempo. Nós só não queríamos o caos burocrático de anunciar isso para o mundo todo ainda.
Milim e Ramiris ficaram em choque por exatos três segundos antes de começarem a gritar de alegria.
— EU SABIA! — gritou Milim. — EU SOU A MADRINHA!
— NÓS SOMOS AS MADRINHAS! — corrigiu Ramiris.
Guy ignorou a celebração barulhenta. Ele se inclinou e, muito baixinho, apenas para Rimuru ouvir, murmurou no ouvido dela:
— Aproveitando que você já expôs minha dignidade para esses idiotas...
Rimuru levantou um olho desconfiado, sentindo o hálito quente dele arrepiar sua pele.
— O quê? Qual é o preço da sua dignidade ferida?
— Posso ganhar mais um cafuné e uma noite inteira com você em cima de mim quando essa reunião acabar? — pediu ele, os olhos brilhando com um desejo suave.
Rimuru tentou manter uma expressão séria. Ela realmente tentou. Durou exatos dois segundos antes de seu coração amolecer completamente. Ela sorriu e respondeu baixinho, deitando a cabeça no ombro dele:
— Pode. Mas você vai ter que me ajudar com a papelada de Tempest amanhã.
Guy sorriu como se tivesse acabado de conquistar a maior vitória de sua existência milenar. Ele a apertou um pouco mais, ignorando completamente as piadas de Milim e os olhares incrédulos de Leon.
Milim viu a expressão vitoriosa de Guy e apontou indignada para os outros:
— Olha a cara dele! Ele nem está mais ouvindo a gente!
Ramiris riu alto, fechando seu caderninho.
— Parece que ele ganhou uma guerra sozinho!
Guy respondeu calmamente, sem desviar o olhar de sua esposa, a voz cheia de um contentamento profundo que apenas Rimuru conseguia invocar:
— Melhor do que ganhar uma guerra. Eu ganhei o mundo inteiro em um abraço.
A reunião do Octagrama continuou, mas pela primeira vez na história, não se falou de território ou poder. Naquela noite, até os Lordes Demônios tiveram que admitir que o amor era a magia mais imprevisível de todas.
O salão inteiro ainda ria quando Rimuru cruzou os braços e lançou um olhar firme para Guy. A discussão anterior sobre rotas comerciais havia sido completamente descarrilada por um comentário de duplo sentido do Lorde Demônio Vermelho.
— Você terminou? — perguntou Rimuru, tentando manter a compostura enquanto sentia o calor subir pelas bochechas.
Guy inclinou a cabeça para o lado, os fios vermelhos caindo sobre os olhos intensos. Um sorriso preguiçoso e predatório brincava em seus lábios.
— Nunca.
Rimuru já imaginava a resposta. Ela suspirou, massageando as têmporas. Guy era a personificação da persistência irritante, mas havia algo na forma como ele a olhava que tornava impossível ser genuinamente rude com ele.
— Guy... — ela começou, em tom de aviso.
Ele sorriu daquele jeito tranquilo que sempre antecedia algum comentário que a faria corar. Apoiando o queixo na mão, ele a analisou de cima a baixo com uma possessividade que não passava despercebida pelos outros Lordes Demônios.
— O vestido azul combina com seus olhos — ele disse, a voz aveludada ecoando pelo salão silencioso.
Rimuru fechou os olhos, sentindo o rosto esquentar instantaneamente.
— Acabou de provar meu ponto. Você não consegue se segurar por cinco minutos.
Milim Nava, que estava sentada ao lado, bateu com as duas mãos na mesa, fazendo os copos tilintarem.
— NOVE! — gritou ela, com um entusiasmo que beirava a histeria.
Leon Cromwell, sempre a imagem da indiferença estóica, piscou e olhou para a pequena dragoa.
— Nove?
Ramiris, voando freneticamente ao redor da cabeça de Milim, tirou um pequeno caderninho de couro do bolso de seu vestido minúsculo.
— Estamos contando! — exclamou a fada, agitando uma caneta minúscula.
Luminas Valentine piscou, seus olhos heterocromáticos alternando entre a fada e a dragoa.
— Vocês...
— Contam? — completou Leon, parecendo genuinamente ofendido com a futilidade da situação.
Milim respondeu orgulhosa, estufando o peito.
— Claro! É o evento principal de toda reunião agora!
Ela abriu o caderno e o girou para que os outros pudessem ver. Na capa, escrito em letras enormes e coloridas, estava o título: **"Quantidade de vezes que Guy faz a Rimuru ficar vermelha por dia."**
Leon levou a mão ao rosto, soltando um suspiro pesado.
— Vocês realmente fizeram um registro oficial disso... Eu deveria estar surpreso?
Ramiris, ignorando o desprezo de Leon, folheou as páginas com rapidez.
— O recorde é quarenta e sete em um único dia! — anunciou ela.
Rimuru arregalou os olhos, quase engasgando com o próprio ar.
— QUARENTA E SETE?! Quando diabos isso aconteceu?
Guy sorriu, recostando-se em seu trono de pedra com uma satisfação evidente.
— Foi um bom dia — ele comentou, os olhos brilhando com a memória.
— Foi o festival de Tempest! — Milim completou, rindo. — Ele passou o dia inteiro atrás dela! Cada vez que ela comia algo, ele limpava o canto da boca dela. Cada vez que alguém olhava demais, ele a abraçava por trás! Foi hilário!
Luminas apoiou os cotovelos na mesa, observando a interação com um interesse renovado. A soberana dos vampiros raramente se impressionava, mas a dinâmica entre o Demônio Primordial Vermelho e a Slime era, no mínimo, fascinante.
— Não acredito — disse Luminas, olhando diretamente para Guy. — Ele parece um animal selvagem domesticado. Guy, faça um elogio agora.
Guy arqueou uma sobrancelha, o sarcasmo voltando à sua expressão.
— Agora? — perguntou ele.
— Sim — desafiou Luminas.
— Qualquer um — incentivou Ramiris, com a caneta pronta sobre o papel.
Guy virou-se imediatamente para Rimuru. Ele nem precisou pensar. O sarcasmo desapareceu de seu rosto, substituído por uma intensidade que fez o coração de Rimuru falhar uma batida.
— Seu sorriso é a primeira coisa que procuro quando acordo — disse ele, a voz baixa e sincera.
O silêncio caiu sobre o salão como um manto pesado. Rimuru ficou completamente imóvel, as mãos congeladas sobre a mesa. Lentamente, como uma reação química inevitável, suas orelhas começaram a ficar vermelhas. Depois o rosto. Depois o pescoço.
Milim levantou o dedo, triunfante.
— DEZ!
Ramiris anotou freneticamente.
— Dez! Estamos no caminho para um novo recorde!
Leon olhou para Guy, genuinamente curioso agora.
— Você preparou essa frase? Foi excessivamente meloso, até para você.
Guy deu de ombros, sem tirar os olhos de Rimuru.
— Não. Só falei a verdade. É um hábito.
Rimuru cobriu metade do rosto com uma das mãos, tentando se esconder atrás de seus cabelos longos.
— Você faz isso sem pensar... É perigoso para o meu coração, Guy.
— Sim — ele respondeu, inclinando-se um pouco mais para perto dela.
Dagruel, o gigante que normalmente permanecia em silêncio durante essas bobagens, decidiu testar a profundidade daquele poço.
— Outro — comandou ele com sua voz de trovão.
Guy nem esperou. Ele parecia estar gostando da atenção, ou talvez apenas da reação de Rimuru. Ele olhou novamente para ela, seus olhos vermelhos suavizando de uma forma que pouquíssimas pessoas no mundo já haviam visto.
— Quando você sorri para mim... — Sua voz ficou ainda mais baixa, quase um sussurro destinado apenas a ela, embora todos estivessem ouvindo. — Sempre lembro por que me apaixonei.
Rimuru respirou fundo. Muito fundo. Ela sentiu que poderia evaporar ali mesmo.
Milim levantou outro dedo, pulando na cadeira.
— ONZE!
Ramiris anotou rapidamente, quase rasgando o papel de tanta pressa. Luminas ficou genuinamente impressonada, cruzando as pernas e observando Guy como se ele fosse uma nova espécie de monstro.
— Ele realmente não para... É um ataque contínuo.
Leon, sentindo que a dignidade da reunião já havia descido pelo ralo, resolveu entrar na brincadeira, talvez esperando ver até onde Guy iria antes de se tornar ridículo.
— Mais um. Vamos ver se você consegue manter o nível.
Guy sorriu.
— Com prazer.
Rimuru já estava escondendo o rosto completamente agora, os ombros tremendo levemente. Guy inclinou-se apenas um pouco na direção dela. Sem exageros dramáticos, sem provocação barata. Ele falou com a certeza de quem enuncia uma lei universal.
— Ainda fico feliz toda vez que você fica em cima de mim enquanto dorme ou antes de dormir. Gosto do seu peso sobre mim.
Rimuru baixou lentamente a mão do rosto, revelando olhos arregalados e uma expressão de puro choque. Ela olhou para Guy, que mantinha um sorriso pequeno, mas extremamente carinhoso.
— Você... você percebe isso? Eu achei que você estivesse dormindo profundamente — ela murmurou, a voz falhando.
Guy respondeu baixinho, esticando a mão para tocar uma mecha do cabelo dela.
— Percebo tudo, Rimuru. Cada movimento seu.
Milim simplesmente caiu para trás da cadeira, as pernas para o ar.
— DOZE!
Ramiris olhou para Rimuru, os olhos brilhando de malícia.
— Agora você, Rimuru! Não pode deixar ele ganhar todas!
Rimuru piscou, saindo do transe.
— Eu?
— Sim! Elogia ele! — gritou a fada.
Rimuru ficou pensativa por um momento. O salão ficou em silêncio novamente, todos esperando para ver como a "esperança das nações monstras" responderia ao Rei das Trevas. Guy sorriu e esperou, parecendo uma criança prestes a ganhar um presente.
Ela respirou fundo, recuperando um pouco de sua dignidade de lorde demônio. Depois, falou calmamente, olhando nos olhos dele.
— O Guy... — Ela fez uma pausa. — É um homem muito gentil. Por trás de toda essa fachada de destruição, ele tem o coração mais protetor que já conheci.
Guy abriu um sorriso enorme, um brilho de orgulho genuíno em seu rosto. Milim arregalou os olhos, parecendo decepcionada com a simplicidade.
— Só isso?! "Gentil"? Isso é tudo o que você tem?
Guy respondeu imediatamente, cortando a reclamação de Milim.
— É perfeito.
Leon franziu a testa, confuso.
— Perfeito? Guy, ela praticamente chamou você de "bonzinho". Onde está o seu orgulho como o demônio mais forte?
Guy assentiu, sem se importar com o comentário de Leon.
— Ela não costuma fazer muitos elogios públicos. Ela prefere ações a palavras. Então, cada elogio que ela me dá vale ouro.
Rimuru sorriu, um pouco envergonhada pela sinceridade dele.
— Você exagera as coisas, Guy.
— Não — respondeu ele com firmeza. — Eu guardo todos.
Luminas arqueou uma sobrancelha, cética.
— Guarda? Você tem uma coleção mental ou algo assim?
Guy respondeu naturalmente, como se estivesse listando itens de um inventário.
— Claro. Eu me lembro de cada um.
Rimuru arregalou os olhos.
— Você realmente lembra? Todos eles?
Guy começou a contar nos dedos, sua expressão tornando-se provocadora novamente.
— Vejamos... Você disse que eu era confiável durante a crise com os anjos. Depois, em uma noite particularmente quente, você disse que eu beijava muito bem.
— Guy! — Rimuru tentou interromper, mas ele continuou.
— Também falou que eu te deixava com marcas bonitas no pescoço e que odiava quando elas sumiam rápido demais. Que gostava quando eu te abraçava forte o suficiente para deixar sua perna tremendo... E...
Rimuru levantou-se da cadeira, as mãos sobre a mesa, o rosto agora de um tom de vermelho que rivalizava com o cabelo de Guy.
— CHEGA! JÁ ENTENDEMOS!
Milim explodiu em gargalhadas, rolando no chão. Ramiris estava perdendo o fôlego de tanto rir. Até Luminas tinha um sorriso de canto de boca, e Leon parecia querer desaparecer da existência para não ouvir mais detalhes da vida íntima do casal.
Rimuru respirou fundo, tentando acalmar o coração que martelava em seu peito. Ela olhou para os outros Lordes Demônios e percebeu que a curiosidade deles estava no ápice. Era hora de uma pequena vingança. Ela sorriu de forma inocente, o que fez Guy estreitar os olhos, instintivamente em guarda.
— Posso contar uma história também? — perguntou Rimuru.
Guy imediatamente desconfiou.
— Rimuru... o que você está planejando?
— Pode? — insistiram Milim e Ramiris em coro.
— CONTA! CONTA TUDO! — gritou a fada.
Rimuru apoiou o queixo na mão, relaxando em sua cadeira.
— Certo. Um dia, há alguns meses, o Guy estava doente.
Guy fechou os olhos, soltando um suspiro de derrota.
— Não... essa história não.
— Sim, essa história — disse Rimuru com um brilho travesso nos olhos.
Leon ficou curioso, cruzando os braços.
— O que aconteceu? Um demônio primordial doente? Isso é fisicamente possível?
Rimuru sorriu.
— Era só uma febre leve, causada por um excesso de processamento de mana após uma batalha experimental. Eu pedi que ele descansasse, mas ele é teimoso.
— Eu estava descansando! — protestou Guy.
— Não estava. Você estava tentando ler relatórios de inteligência debaixo das cobertas. Eu tive que tirar todos os documentos dele, fiz uma sopa especial e mandei ele ficar quieto na cama.
Leon perguntou, quase rindo:
— E depois? O Rei das Trevas obedeceu?
Rimuru começou a rir, lembrando-se da cena.
— Quando fui ver como ele estava, cerca de uma hora depois... ele fingiu que estava dormindo pesadamente. Eu achei estranho, porque a respiração dele estava muito controlada. Então, resolvi fazer um carinho na cabeça dele. No momento em que toquei seu cabelo, ele se virou e se deitou com a cabeça diretamente no meu peito, me prendendo na cama.
Guy tossiu discretamente, desviando o olhar para o teto do salão. Rimuru continuou, imitando perfeitamente a voz manhosa e baixa que Guy usava na intimidade:
— E cinco segundos depois, ele murmurou: "Rimuru... não para... continua..."
O salão inteiro explodiu em risadas. Milim batia na mesa com tanta força que rachaduras começaram a aparecer na pedra.
— ELE FINGIU! — gritava a dragoa entre gargalhadas. — O GRANDE GUY CRIMSON FINGIU ESTAR DORMINDO!
Ramiris gargalhava sem parar, quase caindo dentro do seu caderno.
— SÓ PRA GANHAR CAFUNÉ E FICAR COM O ROSTO NO PEITO DELA! EU NÃO CONSIGO ACREDITAR! O MITO CAIU!
Guy finalmente abriu os olhos, encarando os colegas com uma expressão de "eu vou matar todos vocês mais tarde". Ele suspirou, mas não parecia realmente arrependido.
— Em minha defesa... — Todos olharam para ele, esperando a desculpa esfarrapada. Ele respondeu com a maior naturalidade do mundo: — Funcionou perfeitamente. E o peito dela é o melhor travesseiro possível em todos os mundos conhecidos. Até o gosto da pele dela é bom, por que eu não aproveitaria?
Rimuru riu tanto que precisou apoiar a cabeça no ombro dele, a vergonha finalmente dando lugar ao divertimento. Guy sorriu satisfeito, a possessividade voltando à tona. Sem pensar, ele passou um braço ao redor da cintura dela, puxando-a para mais perto.
Luminas limpou uma lágrima de riso do canto do olho.
— Bem, acho que isso confirma os rumores que circulavam pelas sombras.
Leon levantou uma sobrancelha.
— Rumores?
— De que eles não são apenas aliados ou "amigos próximos" — disse Luminas, olhando para o anel discreto, mas poderosamente encantado, no dedo de Rimuru, que combinava com o de Guy. — Vocês dois são oficialmente casados, não são?
O silêncio voltou, mas desta vez era um silêncio de expectativa. Rimuru olhou para Guy, que apenas deu de ombros, deixando a decisão para ela.
— Sim — admitiu Rimuru, sorrindo docemente. — Já faz algum tempo. Nós só não queríamos o caos burocrático de anunciar isso para o mundo todo ainda.
Milim e Ramiris ficaram em choque por exatos três segundos antes de começarem a gritar de alegria.
— EU SABIA! — gritou Milim. — EU SOU A MADRINHA!
— NÓS SOMOS AS MADRINHAS! — corrigiu Ramiris.
Guy ignorou a celebração barulhenta. Ele se inclinou e, muito baixinho, apenas para Rimuru ouvir, murmurou no ouvido dela:
— Aproveitando que você já expôs minha dignidade para esses idiotas...
Rimuru levantou um olho desconfiado, sentindo o hálito quente dele arrepiar sua pele.
— O quê? Qual é o preço da sua dignidade ferida?
— Posso ganhar mais um cafuné e uma noite inteira com você em cima de mim quando essa reunião acabar? — pediu ele, os olhos brilhando com um desejo suave.
Rimuru tentou manter uma expressão séria. Ela realmente tentou. Durou exatos dois segundos antes de seu coração amolecer completamente. Ela sorriu e respondeu baixinho, deitando a cabeça no ombro dele:
— Pode. Mas você vai ter que me ajudar com a papelada de Tempest amanhã.
Guy sorriu como se tivesse acabado de conquistar a maior vitória de sua existência milenar. Ele a apertou um pouco mais, ignorando completamente as piadas de Milim e os olhares incrédulos de Leon.
Milim viu a expressão vitoriosa de Guy e apontou indignada para os outros:
— Olha a cara dele! Ele nem está mais ouvindo a gente!
Ramiris riu alto, fechando seu caderninho.
— Parece que ele ganhou uma guerra sozinho!
Guy respondeu calmamente, sem desviar o olhar de sua esposa, a voz cheia de um contentamento profundo que apenas Rimuru conseguia invocar:
— Melhor do que ganhar uma guerra. Eu ganhei o mundo inteiro em um abraço.
A reunião do Octagrama continuou, mas pela primeira vez na história, não se falou de território ou poder. Naquela noite, até os Lordes Demônios tiveram que admitir que o amor era a magia mais imprevisível de todas.
