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A escola pode ser boa

Fandom: Faculdade

Criado: 30/06/2026

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Entre Provas e Paixões: O Segredo do Estacionamento

O sol da tarde batia implacável contra os vidros da lanchonete universitária, mas o calor lá fora não era nada comparado ao clima que pairava entre as mesas do pátio central. Miguel Santos, com seu cabelo descolorido brilhando sob a luz forte, não parecia nem um pouco preocupado com a lista de exercícios de Cálculo que repousava, intocada, sobre a mesa de plástico. Com seus 1,75m de altura e um sorriso que Lívia sempre descrevia como "perigosamente bobo", ele estava mais ocupado tentando roubar um beijo de Mariah do que em entender derivadas.

Mariah, por sua vez, era o par perfeito para o desleixo acadêmico de Miguel. Com seus 1,60m e o cabelo castanho médio caindo em ondas suaves sobre os ombros, ela mal olhava para o caderno aberto. Para os dois, a faculdade era apenas o cenário onde a vida real — a vida deles — acontecia entre um intervalo e outro.

— Miguel, para! — Mariah riu, empurrando levemente o ombro do namorado enquanto ele sussurrava algo no seu ouvido. — Todo mundo está olhando.

— Deixa olharem — rebateu Miguel, passando a mão pelos fios platinados e exibindo aquele ar de quem não tinha uma única preocupação no mundo. — Eles estão com inveja porque a gente é o casal mais bonito desse campus.

A poucos metros dali, escondidas atrás de seus próprios livros de Psicologia Social, Lívia e Alice observavam a cena com um entusiasmo que beirava a obsessão.

— Olha só para eles, Alice — sussurrou Lívia, ajeitando uma mecha de seu cabelo ondulado castanho. — Eles são, literalmente, a definição de "metas de relacionamento".

Alice, cujos cachos volumosos e super definidos emolduravam um rosto iluminado por um sorriso cúmplice, concordou imediatamente com a cabeça.

— Eu não aguento a química desses dois — disse Alice, fechando o livro com um estalo. — Eles nem tentam disfarçar. Você viu como ele olha para ela? Como se a prova de amanhã não valesse nada perto de um sorriso da Mariah.

— E não vale mesmo — brincou Lívia. — Se eu fosse a Mariah, também não estaria nem aí para as aulas.

O sinal para o início da próxima aula ecoou pelo pátio, mas Miguel e Mariah não fizeram menção de se levantar. Pelo contrário, Miguel guardou o material de qualquer jeito na mochila e deu uma piscadela para a namorada.

— Vamos sair daqui? — perguntou ele, a voz baixa e carregada de uma intenção que Mariah entendeu no mesmo instante.

— Mas a aula do professor Ricardo é agora — ela ponderou, embora já estivesse fechando a própria bolsa.

— O Ricardo nunca faz chamada na primeira meia hora — Miguel insistiu, levantando-se e estendendo a mão para ela. — E o meu carro está parado naquele cantinho sossegado perto do bloco de Engenharia, longe de todo esse barulho.

Mariah mordeu o lábio inferior, um gesto que sempre desarmava Miguel, e aceitou a mão dele. Os dois saíram apressados, cruzando o pátio em direção ao estacionamento externo, sem perceberem que dois pares de olhos atentos seguiam cada passo deles.

— Eles estão fugindo — Alice constatou, os olhos brilhando de empolgação. — Lívia, eles estão matando aula juntos!

— Ai meu Deus, eu shipo tanto que dói — Lívia suspirou, apoiando o queixo nas mãos. — Imagina o que eles vão fazer? É tão romântico e rebelde ao mesmo tempo.

Enquanto as amigas criavam teorias sobre o futuro do casal, Miguel e Mariah já estavam longe dos olhares curiosos. O estacionamento daquela área da faculdade era cercado por árvores altas e raramente recebia visitas durante o horário das aulas vespertinas. O carro de Miguel, um modelo antigo mas bem cuidado, parecia um refúgio seguro.

Assim que as portas se fecharam e o motor permaneceu desligado, o silêncio do interior do veículo foi preenchido apenas pela respiração pesada de ambos. Miguel não perdeu tempo. Ele puxou Mariah para perto, eliminando o espaço entre os bancos, e a beijou com uma urgência que vinha se acumulando durante toda a manhã.

— Você é louco, Santos — Mariah murmurou entre os beijos, as mãos perdidas no cabelo descolorido dele.

— Sou louco por você, isso sim — respondeu ele, a voz rouca. — A faculdade pode esperar. O mundo pode esperar.

Longe dali, no corredor movimentado que levava às salas de aula, Lívia e Alice caminhavam devagar, ainda comentando sobre a saída estratégica do casal.

— Você acha que eles vão durar para sempre? — perguntou Alice, ajustando a alça da mochila.

— Com certeza — afirmou Lívia com convicção. — Eles se completam. Nenhum dos dois liga para as notas, os dois vivem o momento... É como se tivessem sido feitos um para o outro em um laboratório de romance.

— Eu só queria ter metade da coragem deles — Alice riu. — Imagina, sumir no meio da tarde só para ficar junto? É coisa de filme.

Enquanto as amigas entravam na sala de aula, o clima no carro de Miguel atingia o ápice. O calor dentro do veículo aumentava, e os vidros começavam a embaçar levemente devido à proximidade dos corpos. Para Miguel e Mariah, não existiam provas, prazos ou expectativas acadêmicas. Naquele momento, fora dos limites da sala de aula e dentro da bolha que criaram para si mesmos, o único "estudo" que importava era a descoberta um do outro.

As mãos de Miguel percorriam a silhueta de Mariah com uma familiaridade carinhosa, enquanto ela se perdia na sensação de ser o centro do universo dele. O mundo lá fora continuava girando, com estudantes correndo para não perderem o conteúdo, mas ali, naquele canto esquecido do estacionamento, o tempo havia parado.

— A gente vai se encrencar se alguém ver — Mariah sussurrou, embora seu tom não demonstrasse nenhuma preocupação real.

— Ninguém vem aqui, pequena — Miguel tranquilizou-a, beijando seu pescoço. — E se virem, que vejam. Eu não tenho vergonha de amar você.

Mariah sorriu, sentindo o coração acelerar. Ela sabia que Miguel era, muitas vezes, "besta" e pouco focado, mas era exatamente essa leveza que a fazia se apaixonar por ele todos os dias. Ele não exigia dela a perfeição que os professores e os pais cobravam; ele apenas queria a Mariah, exatamente como ela era.

Horas depois, quando o sol começou a baixar e as primeiras sombras da noite surgiram, o casal finalmente decidiu que era hora de voltar à realidade, ou pelo menos fingir que faziam parte dela. Eles se arrumaram rapidamente, rindo de como o cabelo de Miguel estava ainda mais bagunçado do que o normal.

Ao retornarem para o prédio principal para pegarem suas coisas, deram de cara com Lívia e Alice, que estavam saindo da última aula do dia.

— Olha só quem resolveu aparecer! — exclamou Lívia, com um sorriso de orelha a orelha que denunciava que ela sabia exatamente o que eles tinham feito.

— Perderam a matéria de Psicologia das Cores — Alice comentou, piscando para Mariah. — Mas parece que o dia de vocês foi bem mais interessante que o nosso.

Mariah sentiu o rosto esquentar, mas Miguel apenas passou o braço pelos ombros dela, exibindo seu sorriso mais convencido.

— Digamos que a gente teve uma aula prática de... anatomia — brincou ele, fazendo Mariah esconder o rosto no peito dele enquanto as amigas soltavam gritinhos de empolgação.

— Eu não disse? — Lívia sussurrou para Alice. — Eles são o melhor casal dessa faculdade.

— Sem dúvida — concordou Alice. — O ship é real e está mais vivo do que nunca.

Enquanto o grupo caminhava em direção à saída, Miguel e Mariah trocaram um olhar cúmplice. Eles podiam não ser os melhores alunos, podiam não ter as maiores notas, mas no que dizia respeito à felicidade, eles já tinham passado com distinção. E para Lívia e Alice, assistir àquela história de amor se desenrolar era melhor do que qualquer palestra ou seminário que a universidade pudesse oferecer.

— Ei, Miguel — chamou Lívia antes de se despedirem no portão. — Tenta não descolorir o cérebro junto com o cabelo, tá? A gente ainda precisa que você se forme para irmos ao casamento de vocês.

Miguel soltou uma gargalhada alta, contagiando a todos.

— Pode deixar, Lívia. Vou tentar manter pelo menos um neurônio funcionando. Mas não prometo nada se a Mariah continuar sendo tão linda assim.

O grupo se dispersou sob o céu arroxeado do fim de tarde. Miguel e Mariah seguiram de mãos dadas, prontos para enfrentar mais um semestre de desleixo acadêmico e paixão absoluta, enquanto suas maiores fãs já planejavam os próximos momentos épicos do casal que parava a faculdade sem nem precisar abrir um livro.
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