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Apenas entre Nós

Fandom: Boku no hero academia

Criado: 30/06/2026

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RomanceOmegaversoDor/ConfortoHistória DomésticaCiúmesCenário CanônicoDrama
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Cinzas e Penas sob o Luar de Inverno

O vento frio da noite cortava as frestas da janela mal vedada do esconderijo, mas o interior do quarto estava impregnado com um calor que não vinha de aquecedores. O cheiro de sândalo queimado e fumaça, característico de Dabi, misturava-se ao aroma doce e levemente cítrico de Hawks, criando uma fragrância que apenas os dois conheciam na intimidade.

Hawks estava esparramado sobre o colchão gasto, as grandes asas vermelhas ocupando quase todo o espaço disponível, algumas penas eriçadas pelo frio que insistia em entrar. Ele observava Dabi, que estava de pé junto à janela, vigiando a rua deserta com aquele olhar felino e distante que sempre parecia esconder mil segredos.

— Sabe, para um vilão procurado, você passa tempo demais encarando o nada — comentou Hawks, quebrando o silêncio com seu tom vibrante e provocador. — Se está tentando parecer misterioso para me impressionar, saiba que já funcionou há meses. Pode vir aqui me esquentar agora.

Dabi não se virou de imediato. Soltou uma lufada de fumaça — um hábito que ele mantinha apenas para irritar os pulmões sensíveis do herói — e soltou um riso anasalado, carregado de sarcasmo.

— Você fala demais, passarinho. Às vezes me pergunto se sua individualidade não é, na verdade, deixar as pessoas surdas com esse seu tagarelar incessante.

— Oh, que cruel! — Hawks levou a mão ao peito, fingindo uma mágoa profunda, enquanto suas bochechas ganhavam um tom rosado que ele odiava não conseguir controlar. — Eu me infiltro na Liga, arrisco minha carreira e minha vida, e é assim que sou tratado? Por um alfa que nem sequer me dá um "boa noite" decente?

Dabi finalmente se moveu. Ele caminhou com passos lentos e pesados, a luz da lua refletindo nos grampos metálicos que seguravam sua pele queimada. Ele se sentou na beirada da cama, a presença opressora e quente de um alfa fazendo o instinto ômega de Hawks vibrar em uma mistura de submissão e desejo.

— Você não está aqui como herói agora, Hawks — disse Dabi, a voz baixando para um tom rouco e perigoso. Ele estendeu a mão, tocando levemente a ponta de uma das penas vermelhas, sentindo a vibração que percorreu o corpo do loiro. — E sabe muito bem que, se estivesse, eu já teria incinerado essas suas asas lindas há muito tempo.

Hawks engoliu em seco, o rosto queimando ainda mais. Ele adorava como Dabi conseguia ser intimidador e, ao mesmo tempo, ter um controle absoluto sobre suas reações.

— Mas você não incinerou — rebateu Hawks, recuperando o sorriso audacioso. Ele se arrastou pelo colchão até apoiar a cabeça no colo de Dabi, olhando-o de baixo para cima. — Em vez disso, você decidiu me manter por perto. Por que será, hein? Será que o grande e mau Dabi tem um ponto fraco por pássaros?

Dabi inclinou-se, o rosto a centímetros do de Hawks. O calor que emanava de sua pele era quase insuportável para qualquer outra pessoa, mas para Hawks, era o seu porto seguro.

— Tenho um ponto fraco por coisas que brilham demais antes de serem destruídas — murmurou Dabi, os olhos azuis brilhando com uma intensidade que fazia o coração de Hawks falhar uma batida. — E você brilha irritantemente, Keigo.

O uso de seu nome real foi como um choque elétrico. Hawks sentiu o ar escapar de seus pulmões. Dabi raramente usava seu nome, guardando-o para momentos de extrema proximidade ou quando queria desarmá-lo completamente.

— Você é um trapaceiro — sussurrou Hawks, fechando os olhos quando sentiu os dedos ásperos de Dabi acariciarem sua mandíbula. — Usar meu nome é golpe baixo.

— O herói número dois está reclamando de jogo sujo? — Dabi soltou um riso baixo, uma vibração que Hawks sentiu contra sua própria pele. — Que irônico.

O silêncio voltou a reinar, mas desta vez era confortável. Dabi continuou o carinho, seus dedos traçando as linhas do rosto de Hawks com uma delicadeza que ninguém no mundo exterior acreditaria que ele possuía. Por trás da fachada de vilão niilista e frio, havia um homem que guardava aquele ômega com uma possessividade feroz.

Dabi era observador. Ele notava cada vez que Hawks chegava aos encontros com pequenos hematomas novos de patrulhas, ou quando o brilho nos olhos dourados estava opaco devido ao cansaço de viver uma vida dupla. Ele odiava a Comissão de Heróis por sobrecarregar seu passarinho, e odiava ainda mais o fato de que, por enquanto, eles tinham que se encontrar nas sombras.

— Aquele herói novato... o tal do Crust — começou Dabi, o tom subitamente mais frio, as unhas roçando levemente a pele de Hawks. — Ele estava perto demais de você hoje na transmissão da tarde.

Hawks abriu um olho, um sorriso travesso surgindo em seus lábios.

— Está com ciúmes, Dabi? Ele só estava me agradecendo por ajudar com um vilão de nível baixo. É o que heróis fazem, sabia? Nós somos educados.

— Ele estava cheirando o seu pescoço, Hawks — rosnou Dabi, e uma pequena chama azul dançou na ponta de seu dedo indicador, iluminando o quarto com um brilho fantasmagórico. — Se eu vir aquele idiota tocando em você de novo, vou garantir que ele não tenha mãos para agradecer a ninguém.

Hawks riu abertamente, sentindo uma onda de satisfação aquecer seu peito. Ele adorava o ciúme silencioso de Dabi, a forma como o alfa se tornava ainda mais protetor quando sentia que seu território — ou seu parceiro — estava sendo ameaçado.

— Não precisa queimar ninguém, seu bobo — disse Hawks, sentando-se e passando os braços em volta do pescoço de Dabi, puxando-o para mais perto. — Eu sou todo seu, não sou? As penas, o coração e todo o resto.

Dabi estreitou os olhos, mas não se afastou. Em vez disso, ele envolveu a cintura de Hawks com um braço, puxando-o rudemente para o seu colo, ignorando o protesto das asas que ficaram amassadas entre eles.

— É bom que se lembre disso — disse Dabi, enterrando o rosto na curva do pescoço de Hawks, inspirando profundamente o aroma do ômega. — Se você me trair, passarinho, eu vou te caçar até o inferno.

— Eu nunca faria isso — respondeu Hawks, o tom subitamente sério e suave. Ele acariciou os cabelos negros e espetados de Dabi. — Você sabe que eu não consigo mais viver sem esse seu calor insuportável.

Dabi relaxou minimamente, sua guarda baixando apenas porque estavam sozinhos, apenas porque era Hawks. Ele deixou que o carinho continuasse, permitindo-se ser vulnerável por alguns instantes naquele refúgio secreto.

— Você é um idiota tagarela — murmurou Dabi, mas o insulto não tinha força. Ele depositou um beijo casto e quente na marca de união que ainda era invisível para o mundo, mas que ambos sentiam queimar em suas almas.

— E você é um vilão rabugento — rebateu Hawks, encostando a testa na de Dabi, o rosto iluminado por um sorriso genuíno. — Mas é o meu vilão.

Dabi não respondeu com palavras. Ele raramente o fazia. Em vez disso, ele selou os lábios de Hawks com os seus, em um beijo que começou lento e exploratório, mas logo se tornou faminto. Era ali, entre as sombras de um prédio abandonado e o calor de chamas que podiam destruir o mundo, que eles encontravam a única paz que lhes era permitida.

— Fica comigo esta noite? — pediu Hawks entre os beijos, a voz carregada de uma carência que ele só mostrava para Dabi. — Sem missões, sem Liga, sem Comissão. Só... nós.

Dabi olhou para o relógio de pulso quebrado sobre a mesa de cabeceira e depois voltou para os olhos dourados e suplicantes de Hawks. Ele poderia dizer que tinha planos com Shigaraki, ou que precisava patrulhar as redondezas. Mas, ao ver o leve tremor nas mãos do herói, seu instinto alfa falou mais alto.

— Onde mais eu iria, penas? — Dabi deitou-se, puxando Hawks para cima de si, cobrindo ambos com o cobertor pesado e com as próprias asas vermelhas do herói, que serviam como um casulo de penas. — Durma logo antes que eu mude de ideia e te jogue pela janela.

Hawks riu, aninhando-se no peito largo de Dabi, ouvindo as batidas ritmadas do coração do alfa.

— Eu te amo também, Dabi.

— Eu não disse que te amava.

— Não precisou. Eu sou perspicaz, lembra?

Dabi soltou um suspiro longo, fechando os olhos enquanto abraçava o corpo menor contra o seu. Ele não precisava dizer as palavras. Cada cicatriz em seu corpo, cada risco que corria ao se encontrar com o herói número dois, e a forma como ele segurava Hawks como se ele fosse a única coisa real em um mundo de mentiras, eram provas suficientes.

Lá fora, a neve começava a cair silenciosamente sobre a cidade de Musutafu. Mas ali dentro, o fogo e as penas estavam em perfeita harmonia, protegidos pela escuridão e pelo segredo que os unia.
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