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Amor reverente
Fandom: Off campus
Criado: 30/06/2026
Tags
RomanceDramaAngústiaDor/ConfortoDismorfia CorporalEstudo de PersonagemCenário Canônico
O Eco do Que Não Foi Dito
A Briar University parecia a mesma, mas para Clara, o ar estava mais pesado naquela noite. O inverno na Nova Inglaterra não perdoava, e o vento cortante que soprava pelo campus parecia atravessar as camadas de seu casaco de lã, alcançando diretamente as inseguranças que ela tentava, a todo custo, manter enterradas.
Ela caminhava em direção à casa dos jogadores de hóquei, o lugar que costumava ser seu refúgio e que agora parecia um campo minado de memórias. Clara ajustou o cachecol, sentindo-se desconfortável em sua própria pele. Suas curvas, que Garrett costumava chamar de "perfeição esculpida", hoje pareciam apenas obstáculos em seu caminho para a invisibilidade. Ela se sentia grande demais, errada demais, e a voz em sua cabeça sussurrava que ela não deveria estar ali.
Mas o telefone havia tocado dez minutos atrás. Era Logan. A voz dele estava tensa, o som de algo quebrando ao fundo servindo como trilha sonora. "Clara, é o G. Ele perdeu o controle de novo. Ninguém consegue chegar perto. Por favor."
Ela nunca dizia não. Não importava que ele tivesse partido seu coração no final do primeiro ano sem uma explicação real, apenas um adeus frio e apressado que a deixou em pedaços. Não importava que, para o resto da faculdade, eles fossem apenas conhecidos distantes. Clara sabia a verdade por trás da fachada de capitão de hóquei inabalável. Ela conhecia os demônios de Garrett Graham porque ele os havia entregue a ela, em noites sussurradas entre lençóis, muito antes de seu pai, o infame Phil Graham, descobrir sobre eles e ameaçar destruir a única coisa que Garrett realmente amava.
Ao entrar na casa, o cheiro de cerveja e testosterona foi substituído pelo silêncio tenso que pairava no corredor superior. Dean e Logan estavam parados do lado de fora da porta do quarto de Garrett.
— Ele não deixa ninguém entrar — disse Dean, seu rosto geralmente brincalhão agora marcado pela preocupação. — Ele está destruindo o quarto, Clara.
— Ele se machucou? — perguntou ela, a voz saindo mais firme do que se sentia.
— Os nós dos dedos estão sangrando — respondeu Logan, dando um passo para o lado para dar passagem a ela. — Ele só fala que quer ficar sozinho, mas a gente sabe onde isso termina.
Clara respirou fundo, tentando conter a própria ansiedade que começava a subir por sua garganta como uma maré alta. Suas mãos tremiam, mas ela as escondeu nos bolsos. Seus problemas não importavam agora. Garrett estava sofrendo, e a dor dele sempre seria mais urgente que a dela. Pelo menos, era nisso que ela se forçava a acreditar para não desmoronar.
Ela girou a maçaneta e entrou.
O quarto estava na penumbra, iluminado apenas pela luz da lua que entrava pela janela aberta. O frio era intenso. Garrett estava sentado no chão, encostado na base da cama, a respiração pesada e errática. Havia um porta-retratos quebrado perto de seus pés e a cadeira da escrivaninha estava virada.
Clara fechou a porta suavemente atrás de si, bloqueando o mundo lá fora.
— Vá embora, Logan — rosnou Garrett, a voz rouca de raiva e exaustão.
— Não é o Logan — disse ela, baixinho.
Garrett congelou. Ele levantou a cabeça lentamente, e Clara sentiu aquele aperto familiar no peito. Ele parecia exausto. O cabelo loiro estava bagunçado e os olhos, geralmente tão focados, pareciam perdidos em uma tempestade interna.
— Clara? — O nome dela saiu como um suspiro quebrado. — O que você está fazendo aqui? Eles te ligaram, não foi? Eu vou matar aqueles idiotas.
— Eles estão preocupados, Garrett. Eu também estou.
Ela se aproximou com cuidado, como se estivesse diante de um animal ferido. Clara se sentou no chão, a uma distância segura, cruzando as pernas. Ela sentiu a dobra de sua barriga sobre o jeans e, por um segundo, o impulso de se cobrir com o casaco foi quase insuportável. Ela se sentia exposta, pequena diante da intensidade dele, mas forçou-se a ficar presente.
— Você não deveria estar aqui — disse ele, embora não fizesse menção de se afastar. — Se o meu pai souber que você ainda se envolve com os meus problemas...
— O seu pai não está aqui, Garrett — interrompeu ela, com a voz suave. — E ele não manda no que eu sinto. Por que você está assim? O que aconteceu hoje?
Garrett riu, um som seco e sem humor.
— Ele ligou. Quer que eu assine um contrato de representação com um dos amigos dele. Ele disse que, se eu não fizer o que ele quer, ele vai garantir que a minha carreira profissional morra antes de começar. E ele mencionou você, Clara. Ele disse que "aquela garota brasileira" ainda era uma distração que ele poderia remover permanentemente da minha vida.
Clara sentiu o sangue fugir do rosto. O medo de Garrett não era por si mesmo; era por ela. O término repentino, o afastamento, a frieza... tudo fazia sentido da maneira mais dolorosa possível. Ele a estava protegendo de um monstro.
— Garrett, olhe para mim — pediu ela.
Ele hesitou, mas finalmente encontrou os olhos dela.
— Você não pode carregar o mundo inteiro nos ombros — continuou Clara, sentindo a própria ansiedade pinicar sua pele, mas empurrando-a para baixo. — Você terminou comigo para me salvar, mas você se perdeu no processo.
— Eu não podia deixar ele encostar em você — sussurrou Garrett, a raiva dando lugar a uma vulnerabilidade crua. — Você é a única coisa pura que eu já tive, Clara. Ver você, o jeito que você cuida de todo mundo, o jeito que você se esconde porque acha que não é o suficiente... Eu não podia deixar ele destruir isso.
Clara sentiu as lágrimas arderem. Ela queria gritar que ela já estava destruída, que o silêncio dele a havia machucado mais do que qualquer ameaça de Phil Graham jamais faria. Mas ela viu o sangue nos nós dos dedos dele e a dor em seu olhar, e novamente, guardou tudo para si.
— Vem aqui — disse ela, estendendo a mão.
Garrett não hesitou. Ele se arrastou pelo chão e deitou a cabeça no colo dela. Clara começou a passar os dedos pelos cabelos dele, um gesto que era tão natural quanto respirar. Ela sentiu a tensão começar a deixar o corpo dele, centímetro por centímetro.
— Sua respiração está curta, Clara — murmurou ele contra o tecido da calça dela.
Ela travou. Ela achava que estava disfarçando bem.
— Estou bem, Garrett. Só o frio.
— Não minta para mim — disse ele, levantando-se um pouco para olhar o rosto dela. — Eu conheço esse olhar. Você está guardando tudo de novo. Está tentando ser a rocha para todo mundo enquanto está se afogando.
— Meus problemas não são nada perto do que você passa com o seu pai — disse ela, desviando o olhar, envergonhada. — Eu sou apenas... eu sou apenas insegura e boba.
Garrett pegou o rosto dela com as mãos ásperas, forçando-a a olhá-lo.
— Nunca mais diga isso. O que você sente importa. O fato de você se sentir pequena nesse mundo é a maior injustiça que existe, porque você é a pessoa mais grandiosa que eu conheço.
— Garrett, eu sou... — Ela hesitou, a palavra "gorda" presa na garganta, a imagem de si mesma no espelho sempre parecendo errada.
— Você é linda — interrompeu ele, como se pudesse ler a mente dela. — E você é minha, mesmo que a gente esteja fingindo que não. Eu sinto falta de você todos os segundos do meu dia. Eu sinto falta de como você me acalma, mas eu odeio que, para me acalmar, você se anule.
Clara soltou um soluço que tentava segurar há meses. A barreira que ela construiu em volta de seu coração começou a rachar.
— Dói muito — confessou ela, as lágrimas finalmente caindo. — Dói fingir que não te conheço. Dói ver você passar pelos corredores e não poder te tocar. E dói ainda mais achar que eu não sou boa o suficiente para você lutar por mim contra ele.
Garrett fechou os olhos, uma expressão de agonia cruzando seu rosto.
— Eu não achei que você não valia a luta. Eu achei que eu não valia o sacrifício que você teria que fazer.
Eles ficaram em silêncio por um longo tempo, apenas o som da respiração um do outro preenchendo o quarto frio. Lá fora, Dean e Logan provavelmente ainda montavam guarda, os melhores amigos que sabiam o segredo, mas respeitavam o espaço. Jules, em algum lugar do campus, provavelmente estava esperando por uma mensagem de Clara, pronta para defendê-la de qualquer um, até de Garrett.
— A gente não pode continuar assim — disse Clara, limpando as lágrimas com as costas das mãos. — Você tendo esses ataques e eu fingindo que não estou desmoronando por dentro.
Garrett pegou a mão dela e beijou os nós dos dedos, ignorando a dor nos seus próprios.
— Eu vou dar um jeito, Clara. Eu vou terminar esta temporada, assinar com quem eu quiser e mandar o meu pai para o inferno. Mas eu preciso saber... se eu fizer isso, se eu enfrentar ele de frente... você ainda vai estar aqui?
Clara olhou para ele, para o homem que conhecia seus segredos mais sombrios e que, mesmo em meio ao seu próprio caos, era o único que percebia quando ela não conseguia respirar.
— Eu nunca fui a lugar nenhum, Garrett.
Ele a puxou para um abraço apertado, escondendo o rosto no pescoço dela. Clara fechou os olhos, sentindo o calor dele. Por um momento, a insegurança sobre seu corpo desapareceu. Nos braços dele, ela não era "grande demais" ou "insuficiente". Ela era apenas Clara.
— Prometa que vai me contar quando a ansiedade bater — sussurrou Garrett contra a pele dela. — Não guarde para si. Não por mim.
— Eu vou tentar — prometeu ela, embora soubesse que seria uma batalha diária.
— E eu prometo que não vou deixar o medo dele nos afastar de novo.
Eles sabiam que o caminho à frente seria difícil. Phil Graham não era um homem que aceitava derrotas, e a pressão da faculdade e do hóquei só aumentaria. Mas, naquela noite, no chão frio de um quarto bagunçado, o silêncio entre eles finalmente foi preenchido por algo que nenhum dos dois conseguia mais esconder.
— Clara? — chamou ele, baixinho.
— Sim?
— Obrigado por vir me buscar.
— Eu sempre vou buscar você, Garrett. Só tente não se perder tão longe da próxima vez.
Ele sorriu, o primeiro sorriso verdadeiro que ela via em meses, e Clara sentiu que, talvez, pudesse finalmente começar a respirar de novo. Ela ainda tinha suas crises, ainda olhava no espelho e desejava ser diferente, mas ali, com a mão de Garrett entrelaçada na sua, o mundo parecia um pouco menos assustador.
Ela não precisava carregar a dor dele sozinha, e ele não precisava protegê-la do mundo se isso significasse perdê-la. Eles eram uma equipe, mesmo que o resto do mundo ainda não soubesse. E, no final das contas, era isso que importava na Briar University: encontrar alguém que visse através das suas máscaras e decidisse ficar, apesar de todo o caos.
Ela caminhava em direção à casa dos jogadores de hóquei, o lugar que costumava ser seu refúgio e que agora parecia um campo minado de memórias. Clara ajustou o cachecol, sentindo-se desconfortável em sua própria pele. Suas curvas, que Garrett costumava chamar de "perfeição esculpida", hoje pareciam apenas obstáculos em seu caminho para a invisibilidade. Ela se sentia grande demais, errada demais, e a voz em sua cabeça sussurrava que ela não deveria estar ali.
Mas o telefone havia tocado dez minutos atrás. Era Logan. A voz dele estava tensa, o som de algo quebrando ao fundo servindo como trilha sonora. "Clara, é o G. Ele perdeu o controle de novo. Ninguém consegue chegar perto. Por favor."
Ela nunca dizia não. Não importava que ele tivesse partido seu coração no final do primeiro ano sem uma explicação real, apenas um adeus frio e apressado que a deixou em pedaços. Não importava que, para o resto da faculdade, eles fossem apenas conhecidos distantes. Clara sabia a verdade por trás da fachada de capitão de hóquei inabalável. Ela conhecia os demônios de Garrett Graham porque ele os havia entregue a ela, em noites sussurradas entre lençóis, muito antes de seu pai, o infame Phil Graham, descobrir sobre eles e ameaçar destruir a única coisa que Garrett realmente amava.
Ao entrar na casa, o cheiro de cerveja e testosterona foi substituído pelo silêncio tenso que pairava no corredor superior. Dean e Logan estavam parados do lado de fora da porta do quarto de Garrett.
— Ele não deixa ninguém entrar — disse Dean, seu rosto geralmente brincalhão agora marcado pela preocupação. — Ele está destruindo o quarto, Clara.
— Ele se machucou? — perguntou ela, a voz saindo mais firme do que se sentia.
— Os nós dos dedos estão sangrando — respondeu Logan, dando um passo para o lado para dar passagem a ela. — Ele só fala que quer ficar sozinho, mas a gente sabe onde isso termina.
Clara respirou fundo, tentando conter a própria ansiedade que começava a subir por sua garganta como uma maré alta. Suas mãos tremiam, mas ela as escondeu nos bolsos. Seus problemas não importavam agora. Garrett estava sofrendo, e a dor dele sempre seria mais urgente que a dela. Pelo menos, era nisso que ela se forçava a acreditar para não desmoronar.
Ela girou a maçaneta e entrou.
O quarto estava na penumbra, iluminado apenas pela luz da lua que entrava pela janela aberta. O frio era intenso. Garrett estava sentado no chão, encostado na base da cama, a respiração pesada e errática. Havia um porta-retratos quebrado perto de seus pés e a cadeira da escrivaninha estava virada.
Clara fechou a porta suavemente atrás de si, bloqueando o mundo lá fora.
— Vá embora, Logan — rosnou Garrett, a voz rouca de raiva e exaustão.
— Não é o Logan — disse ela, baixinho.
Garrett congelou. Ele levantou a cabeça lentamente, e Clara sentiu aquele aperto familiar no peito. Ele parecia exausto. O cabelo loiro estava bagunçado e os olhos, geralmente tão focados, pareciam perdidos em uma tempestade interna.
— Clara? — O nome dela saiu como um suspiro quebrado. — O que você está fazendo aqui? Eles te ligaram, não foi? Eu vou matar aqueles idiotas.
— Eles estão preocupados, Garrett. Eu também estou.
Ela se aproximou com cuidado, como se estivesse diante de um animal ferido. Clara se sentou no chão, a uma distância segura, cruzando as pernas. Ela sentiu a dobra de sua barriga sobre o jeans e, por um segundo, o impulso de se cobrir com o casaco foi quase insuportável. Ela se sentia exposta, pequena diante da intensidade dele, mas forçou-se a ficar presente.
— Você não deveria estar aqui — disse ele, embora não fizesse menção de se afastar. — Se o meu pai souber que você ainda se envolve com os meus problemas...
— O seu pai não está aqui, Garrett — interrompeu ela, com a voz suave. — E ele não manda no que eu sinto. Por que você está assim? O que aconteceu hoje?
Garrett riu, um som seco e sem humor.
— Ele ligou. Quer que eu assine um contrato de representação com um dos amigos dele. Ele disse que, se eu não fizer o que ele quer, ele vai garantir que a minha carreira profissional morra antes de começar. E ele mencionou você, Clara. Ele disse que "aquela garota brasileira" ainda era uma distração que ele poderia remover permanentemente da minha vida.
Clara sentiu o sangue fugir do rosto. O medo de Garrett não era por si mesmo; era por ela. O término repentino, o afastamento, a frieza... tudo fazia sentido da maneira mais dolorosa possível. Ele a estava protegendo de um monstro.
— Garrett, olhe para mim — pediu ela.
Ele hesitou, mas finalmente encontrou os olhos dela.
— Você não pode carregar o mundo inteiro nos ombros — continuou Clara, sentindo a própria ansiedade pinicar sua pele, mas empurrando-a para baixo. — Você terminou comigo para me salvar, mas você se perdeu no processo.
— Eu não podia deixar ele encostar em você — sussurrou Garrett, a raiva dando lugar a uma vulnerabilidade crua. — Você é a única coisa pura que eu já tive, Clara. Ver você, o jeito que você cuida de todo mundo, o jeito que você se esconde porque acha que não é o suficiente... Eu não podia deixar ele destruir isso.
Clara sentiu as lágrimas arderem. Ela queria gritar que ela já estava destruída, que o silêncio dele a havia machucado mais do que qualquer ameaça de Phil Graham jamais faria. Mas ela viu o sangue nos nós dos dedos dele e a dor em seu olhar, e novamente, guardou tudo para si.
— Vem aqui — disse ela, estendendo a mão.
Garrett não hesitou. Ele se arrastou pelo chão e deitou a cabeça no colo dela. Clara começou a passar os dedos pelos cabelos dele, um gesto que era tão natural quanto respirar. Ela sentiu a tensão começar a deixar o corpo dele, centímetro por centímetro.
— Sua respiração está curta, Clara — murmurou ele contra o tecido da calça dela.
Ela travou. Ela achava que estava disfarçando bem.
— Estou bem, Garrett. Só o frio.
— Não minta para mim — disse ele, levantando-se um pouco para olhar o rosto dela. — Eu conheço esse olhar. Você está guardando tudo de novo. Está tentando ser a rocha para todo mundo enquanto está se afogando.
— Meus problemas não são nada perto do que você passa com o seu pai — disse ela, desviando o olhar, envergonhada. — Eu sou apenas... eu sou apenas insegura e boba.
Garrett pegou o rosto dela com as mãos ásperas, forçando-a a olhá-lo.
— Nunca mais diga isso. O que você sente importa. O fato de você se sentir pequena nesse mundo é a maior injustiça que existe, porque você é a pessoa mais grandiosa que eu conheço.
— Garrett, eu sou... — Ela hesitou, a palavra "gorda" presa na garganta, a imagem de si mesma no espelho sempre parecendo errada.
— Você é linda — interrompeu ele, como se pudesse ler a mente dela. — E você é minha, mesmo que a gente esteja fingindo que não. Eu sinto falta de você todos os segundos do meu dia. Eu sinto falta de como você me acalma, mas eu odeio que, para me acalmar, você se anule.
Clara soltou um soluço que tentava segurar há meses. A barreira que ela construiu em volta de seu coração começou a rachar.
— Dói muito — confessou ela, as lágrimas finalmente caindo. — Dói fingir que não te conheço. Dói ver você passar pelos corredores e não poder te tocar. E dói ainda mais achar que eu não sou boa o suficiente para você lutar por mim contra ele.
Garrett fechou os olhos, uma expressão de agonia cruzando seu rosto.
— Eu não achei que você não valia a luta. Eu achei que eu não valia o sacrifício que você teria que fazer.
Eles ficaram em silêncio por um longo tempo, apenas o som da respiração um do outro preenchendo o quarto frio. Lá fora, Dean e Logan provavelmente ainda montavam guarda, os melhores amigos que sabiam o segredo, mas respeitavam o espaço. Jules, em algum lugar do campus, provavelmente estava esperando por uma mensagem de Clara, pronta para defendê-la de qualquer um, até de Garrett.
— A gente não pode continuar assim — disse Clara, limpando as lágrimas com as costas das mãos. — Você tendo esses ataques e eu fingindo que não estou desmoronando por dentro.
Garrett pegou a mão dela e beijou os nós dos dedos, ignorando a dor nos seus próprios.
— Eu vou dar um jeito, Clara. Eu vou terminar esta temporada, assinar com quem eu quiser e mandar o meu pai para o inferno. Mas eu preciso saber... se eu fizer isso, se eu enfrentar ele de frente... você ainda vai estar aqui?
Clara olhou para ele, para o homem que conhecia seus segredos mais sombrios e que, mesmo em meio ao seu próprio caos, era o único que percebia quando ela não conseguia respirar.
— Eu nunca fui a lugar nenhum, Garrett.
Ele a puxou para um abraço apertado, escondendo o rosto no pescoço dela. Clara fechou os olhos, sentindo o calor dele. Por um momento, a insegurança sobre seu corpo desapareceu. Nos braços dele, ela não era "grande demais" ou "insuficiente". Ela era apenas Clara.
— Prometa que vai me contar quando a ansiedade bater — sussurrou Garrett contra a pele dela. — Não guarde para si. Não por mim.
— Eu vou tentar — prometeu ela, embora soubesse que seria uma batalha diária.
— E eu prometo que não vou deixar o medo dele nos afastar de novo.
Eles sabiam que o caminho à frente seria difícil. Phil Graham não era um homem que aceitava derrotas, e a pressão da faculdade e do hóquei só aumentaria. Mas, naquela noite, no chão frio de um quarto bagunçado, o silêncio entre eles finalmente foi preenchido por algo que nenhum dos dois conseguia mais esconder.
— Clara? — chamou ele, baixinho.
— Sim?
— Obrigado por vir me buscar.
— Eu sempre vou buscar você, Garrett. Só tente não se perder tão longe da próxima vez.
Ele sorriu, o primeiro sorriso verdadeiro que ela via em meses, e Clara sentiu que, talvez, pudesse finalmente começar a respirar de novo. Ela ainda tinha suas crises, ainda olhava no espelho e desejava ser diferente, mas ali, com a mão de Garrett entrelaçada na sua, o mundo parecia um pouco menos assustador.
Ela não precisava carregar a dor dele sozinha, e ele não precisava protegê-la do mundo se isso significasse perdê-la. Eles eram uma equipe, mesmo que o resto do mundo ainda não soubesse. E, no final das contas, era isso que importava na Briar University: encontrar alguém que visse através das suas máscaras e decidisse ficar, apesar de todo o caos.
