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D57
Fandom: Record of ragnarok
Criado: 30/06/2026
Tags
RomanceFantasiaHistória DomésticaFofuraEstudo de PersonagemCenário CanônicoSandalpunk
O Trono de Marfim e Carmesim
A luz pálida de Helheim filtrava-se através das cortinas de seda pesada, banhando o quarto real em tons de ametista e prata. O silêncio no palácio de Hades era absoluto, uma reverência necessária ao descanso do Rei do Submundo. Hades abriu os olhos lentamente, sentindo o peso reconfortante da imortalidade em seus ombros, mas, acima de tudo, sentindo o calor do homem que ocupava o lado esquerdo de sua cama — e de sua vida.
Hades sentou-se devagar, os fios platinados caindo sobre o rosto sereno. Ele olhou para o lado e não pôde evitar que um sorriso discreto, quase imperceptível para qualquer um que não fosse de sua família, surgisse em seus lábios. Qin Shi Huang, o Primeiro Imperador da China, o homem que desafiou deuses com um sorriso arrogante, estava ali, completamente entregue ao sono.
Qin estava vestindo apenas uma das camisas de seda negra de Hades. A peça, claramente grande demais para o humano, havia subido durante a noite de sono inquieta que o imperador costumava ter. O tecido fino terminava pouco acima da cintura, deixando as pernas torneadas e a curva de suas nádegas completamente expostas ao ar frio do quarto.
Hades observou a cena por alguns instantes. Havia algo de magnético na forma como Qin se portava, mesmo dormindo. Ele não era apenas um amante; era um igual. Alguém que exigia respeito e que, no entanto, encontrava paz nos braços do Senhor dos Mortos.
Movido por um impulso súbito, uma mistura de possessividade e uma brincadeira silenciosa que raramente se permitia, Hades ergueu a mão. Com a palma firme, ele desferiu um tapa sonoro e certeiro na nádega exposta de Qin.
O som ecoou pelo quarto silencioso. *Plaft!*
Hades congelou por um milésimo de segundo, esperando a reação imediata. Ele esperava que Qin saltasse da cama, fizesse alguma pose dramática de artes marciais ou, no mínimo, começasse um discurso sobre como o "Rei de Onde Ele se Senta" não deveria ser acordado de forma tão rude.
Mas Qin não acordou.
O corpo do imperador estremeceu levemente com o impacto. A pele alva começou a ganhar uma tonalidade avermelhada, desenhando perfeitamente o contorno dos dedos longos de Hades. Em vez de despertar com raiva, Qin soltou um suspiro baixo e manhoso, e os cantos de seus lábios se curvaram em um sorrisinho satisfeito, quase travesso, enquanto ele se aninhava mais profundamente nos travesseiros de seda.
Hades piscou, genuinamente em choque. Ele recolheu a mão, olhando para Qin como se estivesse tentando decifrar uma estratégia de batalha complexa.
— Mas o que... — sussurrou Hades para si mesmo, a voz carregada de uma confusão aristocrática. — Ele nem sequer abriu os olhos.
O deus permaneceu em silêncio por mais alguns minutos, observando a respiração rítmica do marido. Qin Shi Huang era um mistério constante. O homem que sentia a dor dos outros através de sua sinestesia toque-espelho, que usava uma venda para se proteger do mundo, agora parecia encontrar um prazer estranho em ser marcado pelo seu rei.
Passou-se cerca de meia hora até que Qin finalmente começasse a despertar. Ele se espreguiçou como um felino, os braços estendidos acima da cabeça, a camisa subindo ainda mais. Ele se sentou devagar, bocejando de forma audaciosa, e levou uma mão à nuca, ajeitando a franja rebelde.
— Bom dia, meu grande rei — disse Qin, a voz rouca pelo sono, mas mantendo aquele tom de superioridade carismática que o definia. — O sol já nasceu ou eu decidi que ainda é noite?
Hades, que já estava devidamente recomposto e sentado na beira da cama, observou-o com um olhar penetrante.
— Em Helheim não há sol, Qin. Mas você já dormiu o suficiente para três imperadores.
Qin riu, um som cristalino e confiante. No entanto, ao tentar se mover para sair da cama, ele sentiu um ardor agudo. Ele franziu a testa e levou a mão à nádega, massageando o local com uma expressão de surpresa.
— Ai... — resmungou ele, fazendo um biquinho dramático. — Por que meu traseiro está latejando tanto? Hades, você me chutou durante a noite enquanto sonhava com seus irmãos?
Hades apenas apontou com o queixo para o grande espelho de moldura dourada que ficava no canto do quarto.
— Veja você mesmo.
Qin levantou-se, caminhando com a elegância de quem desfila em um palácio de jade, embora a blusa de Hades mal cobrisse o necessário. Ele parou diante do espelho e virou-se de costas, olhando por cima do ombro.
Lá estava. Uma marca de mão perfeita, vívida e vermelha, contrastando com sua pele pálida.
Qin ficou em silêncio por um longo momento. Hades esperou a reclamação. Esperou que ele dissesse que aquilo era uma ofensa à sua dignidade imperial. Mas, para a surpresa total do Deus do Submundo, o rosto de Qin começou a esquentar, e um rubor intenso subiu por seu pescoço até as bochechas.
Ele tocou a marca com as pontas dos dedos, os olhos brilhando por trás da venda leve que ele costumava colocar ao acordar.
— Isso... isso foi você? — perguntou Qin, a voz subindo um tom, mas não de raiva.
— Foi — respondeu Hades, cruzando os braços, mantendo sua postura nobre. — Você estava muito exposto. Foi um impulso.
Qin virou-se para ele, os olhos fixos em Hades. Ele não parecia ofendido. Pelo contrário, havia uma luz de desafio e desejo em seu olhar.
— Hades... — Qin caminhou de volta para a cama, parando bem na frente do deus. — Você é o Rei do Submundo, o governante de bilhões de almas, o pilar do Olimpo... e é só isso que você consegue fazer?
Hades arqueou uma sobrancelha, pego de surpresa pela audácia.
— Como disse?
— Essa marca — Qin apontou para trás, com um sorriso petulante. — É uma marca de amador. Você é um deus, não é? Poderia ter batido muito mais forte. Onde está a força que derrubou titãs? Onde está o vigor do homem que me desposou?
Hades sentiu um calor diferente subir pelo peito. Qin estava desafiando-o, como sempre fazia, mas desta vez o campo de batalha era a intimidade do quarto. O imperador se inclinou para frente, apoiando as mãos nos joelhos de Hades, deixando a blusa escorregar levemente pelo ombro.
— Um imperador exige o melhor de seus aliados — provocou Qin, sussurrando perto do ouvido de Hades. — E você, meu rei, está sendo muito gentil. Eu esperava mais de você.
Hades não era um homem de perder desafios. Ele segurou a cintura de Qin com firmeza, puxando-o para mais perto. A calma habitual do deus foi substituída por um brilho de intensidade predatória.
— Você quer mais, Qin Shi Huang? — perguntou Hades, a voz baixa e vibrante. — Tem certeza de que seu corpo humano aguenta o que um deus pode oferecer quando decide não ser gentil?
Qin soltou uma risadinha atrevida, jogando a cabeça para trás.
— Eu unifiquei a China. Eu lutei contra deuses e venci a dor desde o dia em que nasci. Você acha que um tapa vai me quebrar? Eu sou o Rei. E um rei gosta de saber a quem pertence quando as luzes se apagam.
Sem dizer mais uma palavra, Hades o virou com agilidade, fazendo-o deitar de bruços no colchão de penas. Qin não resistiu; ele apenas soltou um suspiro de antecipação.
*Plaft!*
Desta vez, Hades não segurou a força. O som foi muito mais alto, e a marca anterior foi sobreposta por uma nova, ainda mais escura.
— Ah! — Qin soltou um arquejo alto, as mãos agarrando os lençóis com força.
Hades não parou. Ele desferiu outro, e mais outro, ritmados e firmes, marcando o território que ele tanto amava. A cada impacto, o corpo de Qin estremecia, mas em vez de choro ou reclamação, o que saía de seus lábios eram risos entrecortados e gemidos de puro contentamento.
Para Qin, aquela dor não era como a dor que ele sentia através de sua sinestesia. Aquela não era a dor do sofrimento alheio, da tristeza ou do desespero que o assombraram na infância. Aquela era a dor do toque de Hades. Era sólida, era real, e era dada com um propósito. Era uma forma de conexão que o fazia se sentir vivo, tirando-o do pedestal de isolamento que a coroa muitas vezes impunha.
Após alguns minutos, Hades parou, respirando um pouco mais rápido do que o normal. Ele observou o trabalho de suas mãos. As nádegas de Qin estavam agora em um tom de carmesim profundo, cobertas por marcas de dedos cruzadas.
Qin virou o rosto para o lado, o cabelo bagunçado e os olhos brilhando de uma forma que Hades raramente via. Ele parecia... radiante.
— Melhor? — perguntou Hades, passando a mão levemente sobre a pele quente e dolorida, em um gesto de carinho imediato após a severidade.
Qin se virou na cama com esforço, sentando-se no colo de Hades. Ele parecia uma criança que acabara de ganhar o maior tesouro do mundo, mas mantendo a aura de um monarca.
— Muito melhor — disse Qin, passando os braços em volta do pescoço de Hades. — Agora sim eu sinto que acordei.
Hades balançou a cabeça, soltando um suspiro que era metade risada, metade rendição.
— Você é impossível, Qin. Qualquer outro humano estaria me amaldiçoando ou fugindo para as montanhas.
— Mas eu não sou qualquer outro humano — Qin aproximou o rosto do de Hades, a ponta de seus narizes se tocando. — Eu sou o seu imperador. E você é o meu deus.
Qin começou a distribuir beijinhos por todo o rosto de Hades. Beijou sua testa, suas bochechas, a ponta de seu nariz e, finalmente, seus lábios. Eram beijos suaves, carregados de uma gratidão silenciosa e de um afeto profundo que apenas os dois compreendiam.
Hades fechou os olhos, aproveitando o carinho. Ele sabia que, lá fora, o mundo dos deuses e dos homens estava em constante conflito. Ele sabia que suas responsabilidades como Rei do Submundo eram pesadas. Mas ali, naquele quarto, com Qin Shi Huang cobrindo-o de beijos e ostentando as marcas de sua afeição bruta, Hades sentia que o equilíbrio estava mantido.
— Você está muito carinhoso hoje — comentou Hades, abraçando a cintura de Qin e trazendo-o para um beijo mais profundo e lento.
— É o meu jeito de dizer obrigado — murmurou Qin contra os lábios dele. — E também de garantir que você não esqueça que, embora eu seja o Rei, eu não me importo de me ajoelhar para você... de vez em quando.
Hades riu, uma risada rica e genuína que raramente ecoava pelos corredores de Helheim.
— De vez em quando? Você é o ser mais teimoso que já cruzou os portões do meu reino.
— E é por isso que você me ama — Qin piscou, saindo do colo de Hades e caminhando em direção ao banheiro, ostentando orgulhosamente as marcas vermelhas que apareciam por baixo da camisa negra. — Agora, prepare o café da manhã. O Imperador está com fome!
Hades observou-o ir, admirando a confiança inabalável daquele homem. Qin Shi Huang era um paradoxo: um rei arrogante e um homem empático; um guerreiro indomável e um amante que encontrava prazer na entrega.
Hades levantou-se, ajeitando sua própria túnica. Ele era o Rei do Submundo, mas tinha que admitir: servir àquele imperador era, sem dúvida, o papel mais interessante que ele já desempenhara em toda a eternidade.
— Como desejar, meu imperador — disse Hades em voz baixa, seguindo-o, com o coração mais leve do que qualquer alma que ele já tivesse julgado.
O dia em Helheim estava apenas começando, e para aqueles dois governantes, o trono mais importante não era feito de ouro ou osso, mas sim da união improvável entre um deus que tudo via e um homem que sentia tudo.
Hades sentou-se devagar, os fios platinados caindo sobre o rosto sereno. Ele olhou para o lado e não pôde evitar que um sorriso discreto, quase imperceptível para qualquer um que não fosse de sua família, surgisse em seus lábios. Qin Shi Huang, o Primeiro Imperador da China, o homem que desafiou deuses com um sorriso arrogante, estava ali, completamente entregue ao sono.
Qin estava vestindo apenas uma das camisas de seda negra de Hades. A peça, claramente grande demais para o humano, havia subido durante a noite de sono inquieta que o imperador costumava ter. O tecido fino terminava pouco acima da cintura, deixando as pernas torneadas e a curva de suas nádegas completamente expostas ao ar frio do quarto.
Hades observou a cena por alguns instantes. Havia algo de magnético na forma como Qin se portava, mesmo dormindo. Ele não era apenas um amante; era um igual. Alguém que exigia respeito e que, no entanto, encontrava paz nos braços do Senhor dos Mortos.
Movido por um impulso súbito, uma mistura de possessividade e uma brincadeira silenciosa que raramente se permitia, Hades ergueu a mão. Com a palma firme, ele desferiu um tapa sonoro e certeiro na nádega exposta de Qin.
O som ecoou pelo quarto silencioso. *Plaft!*
Hades congelou por um milésimo de segundo, esperando a reação imediata. Ele esperava que Qin saltasse da cama, fizesse alguma pose dramática de artes marciais ou, no mínimo, começasse um discurso sobre como o "Rei de Onde Ele se Senta" não deveria ser acordado de forma tão rude.
Mas Qin não acordou.
O corpo do imperador estremeceu levemente com o impacto. A pele alva começou a ganhar uma tonalidade avermelhada, desenhando perfeitamente o contorno dos dedos longos de Hades. Em vez de despertar com raiva, Qin soltou um suspiro baixo e manhoso, e os cantos de seus lábios se curvaram em um sorrisinho satisfeito, quase travesso, enquanto ele se aninhava mais profundamente nos travesseiros de seda.
Hades piscou, genuinamente em choque. Ele recolheu a mão, olhando para Qin como se estivesse tentando decifrar uma estratégia de batalha complexa.
— Mas o que... — sussurrou Hades para si mesmo, a voz carregada de uma confusão aristocrática. — Ele nem sequer abriu os olhos.
O deus permaneceu em silêncio por mais alguns minutos, observando a respiração rítmica do marido. Qin Shi Huang era um mistério constante. O homem que sentia a dor dos outros através de sua sinestesia toque-espelho, que usava uma venda para se proteger do mundo, agora parecia encontrar um prazer estranho em ser marcado pelo seu rei.
Passou-se cerca de meia hora até que Qin finalmente começasse a despertar. Ele se espreguiçou como um felino, os braços estendidos acima da cabeça, a camisa subindo ainda mais. Ele se sentou devagar, bocejando de forma audaciosa, e levou uma mão à nuca, ajeitando a franja rebelde.
— Bom dia, meu grande rei — disse Qin, a voz rouca pelo sono, mas mantendo aquele tom de superioridade carismática que o definia. — O sol já nasceu ou eu decidi que ainda é noite?
Hades, que já estava devidamente recomposto e sentado na beira da cama, observou-o com um olhar penetrante.
— Em Helheim não há sol, Qin. Mas você já dormiu o suficiente para três imperadores.
Qin riu, um som cristalino e confiante. No entanto, ao tentar se mover para sair da cama, ele sentiu um ardor agudo. Ele franziu a testa e levou a mão à nádega, massageando o local com uma expressão de surpresa.
— Ai... — resmungou ele, fazendo um biquinho dramático. — Por que meu traseiro está latejando tanto? Hades, você me chutou durante a noite enquanto sonhava com seus irmãos?
Hades apenas apontou com o queixo para o grande espelho de moldura dourada que ficava no canto do quarto.
— Veja você mesmo.
Qin levantou-se, caminhando com a elegância de quem desfila em um palácio de jade, embora a blusa de Hades mal cobrisse o necessário. Ele parou diante do espelho e virou-se de costas, olhando por cima do ombro.
Lá estava. Uma marca de mão perfeita, vívida e vermelha, contrastando com sua pele pálida.
Qin ficou em silêncio por um longo momento. Hades esperou a reclamação. Esperou que ele dissesse que aquilo era uma ofensa à sua dignidade imperial. Mas, para a surpresa total do Deus do Submundo, o rosto de Qin começou a esquentar, e um rubor intenso subiu por seu pescoço até as bochechas.
Ele tocou a marca com as pontas dos dedos, os olhos brilhando por trás da venda leve que ele costumava colocar ao acordar.
— Isso... isso foi você? — perguntou Qin, a voz subindo um tom, mas não de raiva.
— Foi — respondeu Hades, cruzando os braços, mantendo sua postura nobre. — Você estava muito exposto. Foi um impulso.
Qin virou-se para ele, os olhos fixos em Hades. Ele não parecia ofendido. Pelo contrário, havia uma luz de desafio e desejo em seu olhar.
— Hades... — Qin caminhou de volta para a cama, parando bem na frente do deus. — Você é o Rei do Submundo, o governante de bilhões de almas, o pilar do Olimpo... e é só isso que você consegue fazer?
Hades arqueou uma sobrancelha, pego de surpresa pela audácia.
— Como disse?
— Essa marca — Qin apontou para trás, com um sorriso petulante. — É uma marca de amador. Você é um deus, não é? Poderia ter batido muito mais forte. Onde está a força que derrubou titãs? Onde está o vigor do homem que me desposou?
Hades sentiu um calor diferente subir pelo peito. Qin estava desafiando-o, como sempre fazia, mas desta vez o campo de batalha era a intimidade do quarto. O imperador se inclinou para frente, apoiando as mãos nos joelhos de Hades, deixando a blusa escorregar levemente pelo ombro.
— Um imperador exige o melhor de seus aliados — provocou Qin, sussurrando perto do ouvido de Hades. — E você, meu rei, está sendo muito gentil. Eu esperava mais de você.
Hades não era um homem de perder desafios. Ele segurou a cintura de Qin com firmeza, puxando-o para mais perto. A calma habitual do deus foi substituída por um brilho de intensidade predatória.
— Você quer mais, Qin Shi Huang? — perguntou Hades, a voz baixa e vibrante. — Tem certeza de que seu corpo humano aguenta o que um deus pode oferecer quando decide não ser gentil?
Qin soltou uma risadinha atrevida, jogando a cabeça para trás.
— Eu unifiquei a China. Eu lutei contra deuses e venci a dor desde o dia em que nasci. Você acha que um tapa vai me quebrar? Eu sou o Rei. E um rei gosta de saber a quem pertence quando as luzes se apagam.
Sem dizer mais uma palavra, Hades o virou com agilidade, fazendo-o deitar de bruços no colchão de penas. Qin não resistiu; ele apenas soltou um suspiro de antecipação.
*Plaft!*
Desta vez, Hades não segurou a força. O som foi muito mais alto, e a marca anterior foi sobreposta por uma nova, ainda mais escura.
— Ah! — Qin soltou um arquejo alto, as mãos agarrando os lençóis com força.
Hades não parou. Ele desferiu outro, e mais outro, ritmados e firmes, marcando o território que ele tanto amava. A cada impacto, o corpo de Qin estremecia, mas em vez de choro ou reclamação, o que saía de seus lábios eram risos entrecortados e gemidos de puro contentamento.
Para Qin, aquela dor não era como a dor que ele sentia através de sua sinestesia. Aquela não era a dor do sofrimento alheio, da tristeza ou do desespero que o assombraram na infância. Aquela era a dor do toque de Hades. Era sólida, era real, e era dada com um propósito. Era uma forma de conexão que o fazia se sentir vivo, tirando-o do pedestal de isolamento que a coroa muitas vezes impunha.
Após alguns minutos, Hades parou, respirando um pouco mais rápido do que o normal. Ele observou o trabalho de suas mãos. As nádegas de Qin estavam agora em um tom de carmesim profundo, cobertas por marcas de dedos cruzadas.
Qin virou o rosto para o lado, o cabelo bagunçado e os olhos brilhando de uma forma que Hades raramente via. Ele parecia... radiante.
— Melhor? — perguntou Hades, passando a mão levemente sobre a pele quente e dolorida, em um gesto de carinho imediato após a severidade.
Qin se virou na cama com esforço, sentando-se no colo de Hades. Ele parecia uma criança que acabara de ganhar o maior tesouro do mundo, mas mantendo a aura de um monarca.
— Muito melhor — disse Qin, passando os braços em volta do pescoço de Hades. — Agora sim eu sinto que acordei.
Hades balançou a cabeça, soltando um suspiro que era metade risada, metade rendição.
— Você é impossível, Qin. Qualquer outro humano estaria me amaldiçoando ou fugindo para as montanhas.
— Mas eu não sou qualquer outro humano — Qin aproximou o rosto do de Hades, a ponta de seus narizes se tocando. — Eu sou o seu imperador. E você é o meu deus.
Qin começou a distribuir beijinhos por todo o rosto de Hades. Beijou sua testa, suas bochechas, a ponta de seu nariz e, finalmente, seus lábios. Eram beijos suaves, carregados de uma gratidão silenciosa e de um afeto profundo que apenas os dois compreendiam.
Hades fechou os olhos, aproveitando o carinho. Ele sabia que, lá fora, o mundo dos deuses e dos homens estava em constante conflito. Ele sabia que suas responsabilidades como Rei do Submundo eram pesadas. Mas ali, naquele quarto, com Qin Shi Huang cobrindo-o de beijos e ostentando as marcas de sua afeição bruta, Hades sentia que o equilíbrio estava mantido.
— Você está muito carinhoso hoje — comentou Hades, abraçando a cintura de Qin e trazendo-o para um beijo mais profundo e lento.
— É o meu jeito de dizer obrigado — murmurou Qin contra os lábios dele. — E também de garantir que você não esqueça que, embora eu seja o Rei, eu não me importo de me ajoelhar para você... de vez em quando.
Hades riu, uma risada rica e genuína que raramente ecoava pelos corredores de Helheim.
— De vez em quando? Você é o ser mais teimoso que já cruzou os portões do meu reino.
— E é por isso que você me ama — Qin piscou, saindo do colo de Hades e caminhando em direção ao banheiro, ostentando orgulhosamente as marcas vermelhas que apareciam por baixo da camisa negra. — Agora, prepare o café da manhã. O Imperador está com fome!
Hades observou-o ir, admirando a confiança inabalável daquele homem. Qin Shi Huang era um paradoxo: um rei arrogante e um homem empático; um guerreiro indomável e um amante que encontrava prazer na entrega.
Hades levantou-se, ajeitando sua própria túnica. Ele era o Rei do Submundo, mas tinha que admitir: servir àquele imperador era, sem dúvida, o papel mais interessante que ele já desempenhara em toda a eternidade.
— Como desejar, meu imperador — disse Hades em voz baixa, seguindo-o, com o coração mais leve do que qualquer alma que ele já tivesse julgado.
O dia em Helheim estava apenas começando, e para aqueles dois governantes, o trono mais importante não era feito de ouro ou osso, mas sim da união improvável entre um deus que tudo via e um homem que sentia tudo.
