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A vida é um romance
Fandom: A vida de Giovanna
Criado: 01/07/2026
Tags
RomanceFatias de VidaFofuraRealismoEstudo de PersonagemCenário Canônico
Entre Cachos, Ondas e o Brilho do Pôr do Sol
O pátio da escola já estava quase vazio, mergulhado naquele tom alaranjado e nostálgico que só o final de tarde consegue proporcionar. Giovanna estava sentada em um dos bancos de cimento, com as pernas balançando levemente, nervosa. Ela segurava um caderno de desenho no colo, mas seus olhos não estavam focados nos traços de grafite. Seus dedos brincavam com uma mecha de seus cabelos cacheados, enrolando-a e soltando-a em um ritmo frenético que denunciava sua ansiedade.
Ela sempre foi assim: o tipo de garota que prefere ouvir a falar, que observa o mundo com uma gentileza silenciosa. Giovanna não era a primeira da classe — os livros de física e química não eram exatamente seus melhores amigos —, mas tinha uma inteligência emocional que poucos possuíam. E, naquele momento, toda essa inteligência parecia ter fugido pela janela, deixando apenas um coração batendo forte contra as costelas.
— Ei, Gio! Desculpa a demora, o professor de história resolveu dar um sermão de última hora sobre a Revolução Francesa — uma voz vibrante ecoou pelo corredor.
Giovanna levantou o olhar e sentiu aquele frio na barriga de sempre. Hadassa vinha em sua direção, com a mochila pendurada em um ombro só e um sorriso que parecia iluminar o pátio mais do que o próprio sol. Seus cabelos ondulados e pardos balançavam conforme ela caminhava, e suas bochechas estavam levemente coradas pelo esforço da corrida.
Hadassa era o oposto e, ao mesmo tempo, o complemento perfeito de Giovanna. Extrovertida, falante e dona de uma energia contagiante, ela tinha o dom de fazer Giovanna se sentir a pessoa mais importante do mundo. Mas, por trás daquela fachada de confiança, Hadassa também guardava seus próprios segredos e uma timidez que só aparecia quando o assunto era o que ela sentia pela melhor amiga.
— Tudo bem, Hadassa — disse Giovanna, com a voz um pouco mais baixa do que o normal. — Eu acabei de chegar também.
— Mentirosa — Hadassa riu, sentando-se ao lado dela, tão perto que seus ombros se tocaram. — Suas mãos estão geladas, sinal de que você está aqui fora no vento faz tempo.
Giovanna sentiu o rosto esquentar instantaneamente. Ela abaixou a cabeça, tentando esconder o sorriso tímido atrás da cortina de cachos negros.
— Tá bom, você me pegou. Eu só... queria garantir que a gente tivesse tempo de conversar antes de escurecer.
Hadassa inclinou a cabeça, observando a amiga. Ela adorava o jeito que Giovanna ficava quando estava com vergonha; era como se ela se tornasse ainda mais delicada, mais preciosa.
— Conversar sobre o quê? — perguntou Hadassa, sua voz perdendo um pouco da animação e ganhando um tom mais suave, quase um sussurro.
Giovanna apertou o caderno contra o peito. Ela tinha ensaiado aquilo mil vezes no espelho do banheiro, mas agora as palavras pareciam presas na garganta.
— Sobre a gente — respondeu Giovanna, finalmente criando coragem para olhar nos olhos de Hadassa. — Sobre como as coisas estão... diferentes.
O silêncio caiu entre as duas, mas não era um silêncio desconfortável. Era carregado de expectativa. Hadassa sentiu seu próprio coração acelerar. Ela sabia exatamente do que Giovanna estava falando, porque ela sentia a mesma coisa. Cada toque acidental, cada troca de olhares prolongada, cada mensagem de "boa noite" que demorava horas para ser escrita e apagada.
— Diferentes como? — Hadassa insistiu, embora já soubesse a resposta. Ela queria ouvir. Precisava ouvir.
Giovanna desviou o olhar para o horizonte, onde o sol estava prestes a desaparecer. Ela respirou fundo, o cheiro do perfume de baunilha de Hadassa invadindo seus sentidos.
— Eu não sou muito boa com as palavras, você sabe — começou Giovanna, a voz trêmula. — Eu não sou tipo você, que chega e fala tudo o que pensa. Eu fico nervosa, eu me atrapalho...
— Gio, você é perfeita do seu jeito — interrompeu Hadassa, tocando gentilmente a mão de Giovanna que estava sobre o banco.
O toque enviou uma descarga elétrica pelo corpo de Giovanna. Ela olhou para as mãos unidas — a pele negra de seus dedos contrastando suavemente com o tom pardo da pele de Hadassa.
— Eu ando pensando muito em você — continuou Giovanna, a vergonha agora tingindo suas bochechas de um tom profundo. — Mais do que o normal para melhores amigas. Eu sinto que, quando você não está por perto, falta uma parte de mim. E quando você está... eu fico com medo de fazer alguma bobagem e estragar tudo.
Hadassa sentiu uma onda de alívio e ternura. Ela apertou a mão de Giovanna, entrelaçando seus dedos.
— Você nunca estragaria nada, Gio. — Hadassa se aproximou mais, diminuindo a distância entre seus rostos. — Porque eu sinto exatamente a mesma coisa. Eu fico contando os minutos para a aula acabar só para poder te ver.
Giovanna arregalou os olhos, a surpresa superando a timidez por um momento.
— Sério?
— Sério — Hadassa sorriu, mas dessa vez era um sorriso mais contido, mais íntimo. — Eu achei que era óbvio. Eu sou péssima em esconder as coisas, mas com você... eu tive medo. Medo de você não querer a mesma coisa.
— Eu quero — sussurrou Giovanna, tão baixo que Hadassa quase não ouviu. — Eu quero muito.
Hadassa sentiu seu coração transbordar. A timidez que ela raramente mostrava aos outros floresceu ali, naquele momento a sós com Giovanna. Ela sentiu o rosto queimar, mas não desviou o olhar.
— Então... o que a gente faz agora? — perguntou Hadassa, com uma ponta de diversão na voz, apesar do nervosismo.
Giovanna olhou para os lábios de Hadassa e depois voltou para seus olhos. A luz do crepúsculo refletia nas ondas do cabelo da amiga, criando uma aura quase mágica ao redor dela. A timidez de Giovanna ainda estava lá, mas o desejo de estar mais perto era maior.
— Acho que a gente pode começar com isso — disse Giovanna.
Ela tomou a iniciativa, movendo-se lentamente, dando a Hadassa todo o tempo do mundo para recuar. Mas Hadassa não recuou. Pelo contrário, ela inclinou o corpo para frente, fechando os olhos.
Quando seus lábios finalmente se encontraram, o mundo ao redor pareceu desaparecer. Foi um beijo calmo, doce e carregado de todas as palavras que elas não tinham dito nos últimos meses. Tinha gosto de descoberta e de alívio. Giovanna sentiu a mão de Hadassa subir para sua nuca, os dedos se perdendo entre seus cachos, enquanto ela mesma segurava o rosto de Hadassa com uma delicadeza infinita.
Era como se todas as peças do quebra-cabeça tivessem finalmente se encaixado.
Quando se afastaram, apenas alguns centímetros, ambas estavam sem fôlego e com sorrisos bobos nos rostos. Giovanna escondeu o rosto no ombro de Hadassa, a vergonha voltando com força total agora que o momento de coragem tinha passado.
— Ai meu Deus, eu não acredito que fiz isso — murmurou Giovanna contra o casaco de Hadassa.
Hadassa soltou uma risada cristalina, abraçando-a apertado.
— Pois eu acredito. E foi a melhor coisa que aconteceu nesse pátio desde que a escola foi construída.
Giovanna levantou a cabeça, ainda vermelha, mas com os olhos brilhando de felicidade.
— Você é muito convencida, Hadassa.
— E você é muito fofa quando está com vergonha — rebateu Hadassa, dando um selinho rápido na ponta do nariz de Giovanna. — O que a gente faz agora?
Giovanna olhou para o caderno em seu colo e depois para a garota que amava.
— Agora? Acho que podemos ir tomar um sorvete. Mas você paga, porque me fez esperar no frio.
— Justo — Hadassa levantou-se, puxando Giovanna pela mão. — Mas só se você prometer que vai me deixar ver o que você desenhou nesse caderno hoje.
Giovanna sentiu o rosto esquentar novamente, sabendo que as páginas estavam cheias de esboços do perfil de Hadassa.
— Talvez um dia — disse ela, começando a caminhar ao lado da amiga, as mãos ainda firmemente entrelaçadas.
— Ah, qual é, Gio! — reclamou Hadassa, fazendo um biquinho adorável.
— Quem sabe depois do sorvete? — Giovanna cedeu, rindo.
Enquanto caminhavam para fora da escola, sob o céu que agora exibia as primeiras estrelas, Giovanna sentiu que, independentemente do que viesse a seguir, ela não precisava mais ter medo. Com Hadassa ao seu lado, até a timidez parecia uma aventura que valia a pena viver. E, pela primeira vez em muito tempo, ela não estava preocupada com os estudos ou com o que os outros pensariam. Ela estava apenas ali, presente, vivendo o seu próprio conto de fadas, um cacho e uma onda de cada vez.
Ela sempre foi assim: o tipo de garota que prefere ouvir a falar, que observa o mundo com uma gentileza silenciosa. Giovanna não era a primeira da classe — os livros de física e química não eram exatamente seus melhores amigos —, mas tinha uma inteligência emocional que poucos possuíam. E, naquele momento, toda essa inteligência parecia ter fugido pela janela, deixando apenas um coração batendo forte contra as costelas.
— Ei, Gio! Desculpa a demora, o professor de história resolveu dar um sermão de última hora sobre a Revolução Francesa — uma voz vibrante ecoou pelo corredor.
Giovanna levantou o olhar e sentiu aquele frio na barriga de sempre. Hadassa vinha em sua direção, com a mochila pendurada em um ombro só e um sorriso que parecia iluminar o pátio mais do que o próprio sol. Seus cabelos ondulados e pardos balançavam conforme ela caminhava, e suas bochechas estavam levemente coradas pelo esforço da corrida.
Hadassa era o oposto e, ao mesmo tempo, o complemento perfeito de Giovanna. Extrovertida, falante e dona de uma energia contagiante, ela tinha o dom de fazer Giovanna se sentir a pessoa mais importante do mundo. Mas, por trás daquela fachada de confiança, Hadassa também guardava seus próprios segredos e uma timidez que só aparecia quando o assunto era o que ela sentia pela melhor amiga.
— Tudo bem, Hadassa — disse Giovanna, com a voz um pouco mais baixa do que o normal. — Eu acabei de chegar também.
— Mentirosa — Hadassa riu, sentando-se ao lado dela, tão perto que seus ombros se tocaram. — Suas mãos estão geladas, sinal de que você está aqui fora no vento faz tempo.
Giovanna sentiu o rosto esquentar instantaneamente. Ela abaixou a cabeça, tentando esconder o sorriso tímido atrás da cortina de cachos negros.
— Tá bom, você me pegou. Eu só... queria garantir que a gente tivesse tempo de conversar antes de escurecer.
Hadassa inclinou a cabeça, observando a amiga. Ela adorava o jeito que Giovanna ficava quando estava com vergonha; era como se ela se tornasse ainda mais delicada, mais preciosa.
— Conversar sobre o quê? — perguntou Hadassa, sua voz perdendo um pouco da animação e ganhando um tom mais suave, quase um sussurro.
Giovanna apertou o caderno contra o peito. Ela tinha ensaiado aquilo mil vezes no espelho do banheiro, mas agora as palavras pareciam presas na garganta.
— Sobre a gente — respondeu Giovanna, finalmente criando coragem para olhar nos olhos de Hadassa. — Sobre como as coisas estão... diferentes.
O silêncio caiu entre as duas, mas não era um silêncio desconfortável. Era carregado de expectativa. Hadassa sentiu seu próprio coração acelerar. Ela sabia exatamente do que Giovanna estava falando, porque ela sentia a mesma coisa. Cada toque acidental, cada troca de olhares prolongada, cada mensagem de "boa noite" que demorava horas para ser escrita e apagada.
— Diferentes como? — Hadassa insistiu, embora já soubesse a resposta. Ela queria ouvir. Precisava ouvir.
Giovanna desviou o olhar para o horizonte, onde o sol estava prestes a desaparecer. Ela respirou fundo, o cheiro do perfume de baunilha de Hadassa invadindo seus sentidos.
— Eu não sou muito boa com as palavras, você sabe — começou Giovanna, a voz trêmula. — Eu não sou tipo você, que chega e fala tudo o que pensa. Eu fico nervosa, eu me atrapalho...
— Gio, você é perfeita do seu jeito — interrompeu Hadassa, tocando gentilmente a mão de Giovanna que estava sobre o banco.
O toque enviou uma descarga elétrica pelo corpo de Giovanna. Ela olhou para as mãos unidas — a pele negra de seus dedos contrastando suavemente com o tom pardo da pele de Hadassa.
— Eu ando pensando muito em você — continuou Giovanna, a vergonha agora tingindo suas bochechas de um tom profundo. — Mais do que o normal para melhores amigas. Eu sinto que, quando você não está por perto, falta uma parte de mim. E quando você está... eu fico com medo de fazer alguma bobagem e estragar tudo.
Hadassa sentiu uma onda de alívio e ternura. Ela apertou a mão de Giovanna, entrelaçando seus dedos.
— Você nunca estragaria nada, Gio. — Hadassa se aproximou mais, diminuindo a distância entre seus rostos. — Porque eu sinto exatamente a mesma coisa. Eu fico contando os minutos para a aula acabar só para poder te ver.
Giovanna arregalou os olhos, a surpresa superando a timidez por um momento.
— Sério?
— Sério — Hadassa sorriu, mas dessa vez era um sorriso mais contido, mais íntimo. — Eu achei que era óbvio. Eu sou péssima em esconder as coisas, mas com você... eu tive medo. Medo de você não querer a mesma coisa.
— Eu quero — sussurrou Giovanna, tão baixo que Hadassa quase não ouviu. — Eu quero muito.
Hadassa sentiu seu coração transbordar. A timidez que ela raramente mostrava aos outros floresceu ali, naquele momento a sós com Giovanna. Ela sentiu o rosto queimar, mas não desviou o olhar.
— Então... o que a gente faz agora? — perguntou Hadassa, com uma ponta de diversão na voz, apesar do nervosismo.
Giovanna olhou para os lábios de Hadassa e depois voltou para seus olhos. A luz do crepúsculo refletia nas ondas do cabelo da amiga, criando uma aura quase mágica ao redor dela. A timidez de Giovanna ainda estava lá, mas o desejo de estar mais perto era maior.
— Acho que a gente pode começar com isso — disse Giovanna.
Ela tomou a iniciativa, movendo-se lentamente, dando a Hadassa todo o tempo do mundo para recuar. Mas Hadassa não recuou. Pelo contrário, ela inclinou o corpo para frente, fechando os olhos.
Quando seus lábios finalmente se encontraram, o mundo ao redor pareceu desaparecer. Foi um beijo calmo, doce e carregado de todas as palavras que elas não tinham dito nos últimos meses. Tinha gosto de descoberta e de alívio. Giovanna sentiu a mão de Hadassa subir para sua nuca, os dedos se perdendo entre seus cachos, enquanto ela mesma segurava o rosto de Hadassa com uma delicadeza infinita.
Era como se todas as peças do quebra-cabeça tivessem finalmente se encaixado.
Quando se afastaram, apenas alguns centímetros, ambas estavam sem fôlego e com sorrisos bobos nos rostos. Giovanna escondeu o rosto no ombro de Hadassa, a vergonha voltando com força total agora que o momento de coragem tinha passado.
— Ai meu Deus, eu não acredito que fiz isso — murmurou Giovanna contra o casaco de Hadassa.
Hadassa soltou uma risada cristalina, abraçando-a apertado.
— Pois eu acredito. E foi a melhor coisa que aconteceu nesse pátio desde que a escola foi construída.
Giovanna levantou a cabeça, ainda vermelha, mas com os olhos brilhando de felicidade.
— Você é muito convencida, Hadassa.
— E você é muito fofa quando está com vergonha — rebateu Hadassa, dando um selinho rápido na ponta do nariz de Giovanna. — O que a gente faz agora?
Giovanna olhou para o caderno em seu colo e depois para a garota que amava.
— Agora? Acho que podemos ir tomar um sorvete. Mas você paga, porque me fez esperar no frio.
— Justo — Hadassa levantou-se, puxando Giovanna pela mão. — Mas só se você prometer que vai me deixar ver o que você desenhou nesse caderno hoje.
Giovanna sentiu o rosto esquentar novamente, sabendo que as páginas estavam cheias de esboços do perfil de Hadassa.
— Talvez um dia — disse ela, começando a caminhar ao lado da amiga, as mãos ainda firmemente entrelaçadas.
— Ah, qual é, Gio! — reclamou Hadassa, fazendo um biquinho adorável.
— Quem sabe depois do sorvete? — Giovanna cedeu, rindo.
Enquanto caminhavam para fora da escola, sob o céu que agora exibia as primeiras estrelas, Giovanna sentiu que, independentemente do que viesse a seguir, ela não precisava mais ter medo. Com Hadassa ao seu lado, até a timidez parecia uma aventura que valia a pena viver. E, pela primeira vez em muito tempo, ela não estava preocupada com os estudos ou com o que os outros pensariam. Ela estava apenas ali, presente, vivendo o seu próprio conto de fadas, um cacho e uma onda de cada vez.
