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Improvável
Fandom: Off campus
Criado: 01/07/2026
Tags
RomanceDramaAngústiaDor/ConfortoCiúmesDismorfia CorporalLinguagem Explícita
O Eco do Silêncio e o Gosto do Erro
A fumaça do cigarro de alguém na varanda da casa de Briar se misturava ao cheiro de cerveja barata e suor, criando aquela atmosfera típica de sexta-feira à noite que Clara costumava amar, mas que agora só a fazia querer desaparecer. Ela ajustou o vestido preto, sentindo o tecido marcar suas curvas de um jeito que, em seus dias ruins — que eram quase todos —, a fazia se sentir exposta e inadequada.
Ela sabia que era bonita, ou pelo menos tentava acreditar nisso quando olhava no espelho e via o rosto que herdara dos Tucker, mas a insegurança era um monstro silencioso que morava em suas dobras e sussurrava que ela nunca seria o suficiente para um cara como Dean Di Laurentis.
Dean, que estava do outro lado da sala, rindo alto enquanto uma loira de pernas intermináveis pendurava-se em seu pescoço.
Clara desviou o olhar, sentindo o estômago revirar. O problema não era apenas ele estar com outra. O problema era a forma como ele fazia questão de que ela visse. Desde aquela noite, meses atrás, Dean havia se tornado um mestre em exibir suas conquistas como troféus, enquanto para ela, ele reservava apenas o silêncio cortante ou as farpas públicas.
— Beber sozinha é sinal de depressão, maninha. Ou de falta de pretendentes. — A voz de Tucker surgiu ao seu lado, trazendo um conforto imediato.
Clara forçou um sorriso, dando um gole em seu ponche.
— Engraçadinho. Só estou observando o zoológico. A fauna de Briar está particularmente agitada hoje.
Tucker riu, passando o braço pelos ombros dela. Ele era seu porto seguro, o irmão protetor que a amava incondicionalmente. E era exatamente por causa dele que o segredo que ela carregava pesava tanto. Se Tucker soubesse que o melhor amigo tinha levado sua irmã para a cama e depois a descartado como se fosse nada, o time de hóquei perderia dois jogadores: um morto e outro na cadeia.
— Onde está o Beau? — Tucker perguntou, referindo-se a um colega de curso de Clara que andava cercando-a.
— Não sei, John. E não me importo.
— Ele parece ser um cara legal. — Tucker deu de ombros. — Melhor que a maioria desses idiotas aqui.
— Ei! — Uma voz confiante e levemente rouca interrompeu a conversa. Dean se aproximou, a loira já não estava mais com ele, substituída por um copo vermelho e aquele sorriso de lado que costumava fazer os joelhos de Clara tremerem. — Falando de idiotas? Espero que não estejam falando de mim.
— Estávamos falando de caras para a Clara — Tucker respondeu, sem notar a tensão súbita que eletrificou o ar.
O olhar de Dean caiu sobre Clara, percorrendo-a de cima a baixo com uma intensidade que ela não conseguia decifrar. Não era o olhar de um amigo. Era algo mais escuro, mais possessivo, e que logo se transformou naquela máscara de deboche que ele usava como armadura.
— Caras para a Clara? — Dean soltou uma risada seca. — Cuidado, Tucker. Sua irmã é exigente. Ou talvez ninguém consiga dar conta do que ela esconde por baixo dessa carinha de santa.
Clara sentiu o sangue subir pelo pescoço.
— Pelo menos eu tenho algo a esconder, Dean. Você é tão transparente quanto esse copo plástico. E tão descartável quanto ele também.
Tucker franziu o cenho, olhando de um para o outro.
— Por que vocês dois não conseguem passar cinco minutos sem se atacarem? Parece que se odeiam desde o jardim de infância.
— É porque ele é um idiota egocêntrico — Clara disparou, virando as costas.
— E ela é uma mimada que acha que o mundo gira em torno do próprio umbigo — Dean rebateu, mas seus olhos não saíram das costas dela enquanto ela se afastava.
Clara caminhou em direção à cozinha, precisando de ar, de água, de qualquer coisa que não fosse a presença sufocante de Dean. Ela se sentia pequena. Cada vez que ele mencionava, mesmo que por metáforas, o que aconteceu entre eles, era como se estivesse esfregando na cara dela que aquela noite não significou nada para ele. Na cabeça dela, o motivo era óbvio: ele teve o que queria, viu que o corpo dela não era o padrão das modelos que ele costumava levar para o quarto, e fugiu.
Ela entrou na despensa da cozinha, procurando por um copo limpo, quando a porta atrás dela se fechou com um estalo.
Ela não precisou se virar para saber quem era. O perfume dele — uma mistura de hortelã, carvalho e pecado — preencheu o espaço minúsculo.
— O que você quer, Dean? Vá voltar para a sua loira.
— Ela foi embora. Ficou entediada — disse ele, a voz agora muito mais baixa, vibrando perto do ouvido dela.
Clara se virou, ficando prensada entre a prateleira de cereais e o peito largo de Dean.
— E você veio procurar o quê? Um lanche de fim de noite?
Dean apoiou as mãos na prateleira, cercando-a. O deboche tinha sumido, substituído por uma frustração crua.
— Você estava flertando com aquele idiota do Beau hoje cedo na biblioteca. Eu vi.
— E o que você tem com isso? — Clara arqueou a sobrancelha, tentando manter a voz firme, apesar do coração martelar contra as costelas. — Você dorme com metade do campus, Dean. Eu beijo quem eu quiser.
— Você não vai beijar aquele cara — ele rosnou, aproximando o rosto do dela. — Ele não sabe o que fazer com você. Ele ia se perder antes mesmo de tirar o seu vestido.
— E você sabe, não é? — Ela riu, uma risada amarga e sem humor. — Você fugiu, Dean. No dia seguinte àquela noite, você nem olhou na minha cara. Passou semanas me ignorando e depois começou a desfilar com todas as vadias de Briar na minha frente. Se eu sou tão ruim assim na cama, ou se meu corpo te deu tanto nojo, por que você ainda se importa com quem eu saio?
O rosto de Dean empalideceu por um segundo, antes de uma expressão de puro choque atravessar suas feições.
— Nojo? Do que você está falando, Clara?
— Não se faça de sonso! — Ela o empurrou, mas ele não se moveu um milímetro. — Eu sei que eu não sou o tipo de garota que você costuma pegar. Eu sei que eu sou gordinha, que eu tenho estrias, que eu não sou uma Barbie de Michigan. Você conseguiu o que queria, percebeu que foi um erro e agora tenta me humilhar toda vez que abre a boca para não ter que admitir que transou com a irmã do seu melhor amigo e odiou!
Houve um silêncio pesado na despensa, quebrado apenas pelo som da música abafada vindo da sala. Dean a encarava como se ela tivesse acabado de falar em outra língua.
— Você realmente acha isso? — ele perguntou, a voz falhando por um breve momento.
— É a única explicação lógica, Dean!
— A explicação lógica — ele começou, dando um passo ainda mais próximo, forçando-a a olhar para cima — é que eu sou um covarde, Clara. Eu não fugi porque foi ruim. Eu fugi porque foi bom demais. Eu fugi porque, quando eu acordei e vi você ali, eu percebi que se eu ficasse mais cinco minutos, eu nunca mais ia querer sair. E o Tucker me mataria. Eu ia perder meu melhor amigo, ia estragar a dinâmica da casa, e eu não sabia como lidar com o fato de que uma garota como você me faz sentir coisas que eu passei a vida inteira tentando evitar.
Clara piscou, as lágrimas começando a arder em seus olhos.
— Você está mentindo.
— Eu nunca menti sobre o que acontece entre quatro paredes, Clara. — Ele baixou o tom de voz, tornando-o perigosamente sedutor, o tom que ele só usava quando estavam sozinhos. — Você se lembra de como você gritou meu nome? De como sua pele é macia e de como eu não conseguia parar de te tocar? Eu saio com aquelas garotas para tentar tirar o seu gosto da minha boca, mas não funciona. Nenhuma delas é você. Nenhuma delas tem esse seu jeito de me desafiar e depois se entregar como se o mundo fosse acabar.
Ele levou a mão ao rosto dela, o polegar acariciando o lábio inferior de Clara.
— Você me odeia por eu ter fugido — ele sussurrou —, e eu me odeio por não conseguir ficar longe. Eu odeio que outros caras te olhem porque eu sinto vontade de quebrar a cara de cada um deles. Só o Logan e o Garrett podem chegar perto, porque eu sei que eles te respeitam. Mas aquele Beau? Se ele encostar um dedo em você, eu não respondo por mim.
Clara sentiu a insegurança lutar contra o desejo que sempre esteve ali, latente.
— Você é um idiota, Dean Di Laurentis.
— Eu sei. — Ele deu um sorriso torto, aquele que ela secretamente amava. — Mas eu sou o idiota que sabe exatamente onde te tocar para te fazer perder o fôlego. E eu sei que, por mais que você diga que me odeia, você ainda sente falta disso.
— Sinto falta de te bater, isso sim — ela retrucou, embora sua mão já estivesse subindo para o peito dele, agarrando a gola de sua camisa.
— Então me bate — ele provocou, encostando a testa na dela. — Ou me beija e me diz que eu sou o único que você quer. Porque nós dois sabemos que nenhum desses caras vai chegar aos meus pés.
— Você é tão convencido — ela murmurou, fechando os olhos.
— É um dos meus charmes.
Sem esperar por mais nenhuma palavra, Dean selou os lábios nos dela. Não foi um beijo gentil. Foi um embate de frustrações, meses de desejo reprimido e raiva transformados em uma necessidade faminta. Clara passou os braços pelo pescoço dele, puxando-o para mais perto, sentindo o calor do corpo dele contra o seu. Naquele momento, as inseguranças sobre seu corpo pareciam desaparecer sob a pressão das mãos de Dean, que a apertavam com uma urgência que não deixava dúvidas: ele a queria. Cada curva, cada centímetro.
Ele a ergueu, sentando-a em uma das prateleiras baixas, e Clara entrelaçou as pernas na cintura dele.
— Se o Tucker entrar aqui... — ela ofegou entre os beijos.
— Ele não vai entrar — Dean murmurou contra o pescoço dela, deixando uma marca que ela teria dificuldade em esconder no dia seguinte. — E se entrar, que se dane. Eu cansei de fingir que não fico louco toda vez que você entra em uma sala.
— Você ainda vai ser um idiota amanhã na frente de todo mundo? — ela perguntou, afastando-se apenas o suficiente para olhá-lo nos olhos.
Dean suspirou, encostando a cabeça no ombro dela.
— Provavelmente. É o meu mecanismo de defesa. Mas aqui dentro... — ele olhou para ela com uma sinceridade que a desarmou — aqui dentro é só você e eu. E eu não vou a lugar nenhum desta vez.
Clara sentiu um pequeno pedaço do seu coração se curar. Ela sabia que as coisas não seriam fáceis. Sabia que sua insegurança não sumiria da noite para o dia e que Dean ainda tinha muito o que provar. Mas, enquanto ele a segurava daquele jeito, como se ela fosse a coisa mais preciosa e desejada do mundo, ela se permitiu acreditar que, talvez, o "gordinha" que ela via no espelho fosse, para Dean, apenas a definição de perfeição.
— É bom mesmo — ela disse, recuperando seu tom debochado. — Porque se você fugir de novo, eu mesma te mato antes do Tucker.
Dean riu, um som rico e genuíno, antes de puxá-la para outro beijo.
— Combinado, Tucker. Agora cala a boca e me deixa lembrar por que eu não consigo te esquecer.
Ela sabia que era bonita, ou pelo menos tentava acreditar nisso quando olhava no espelho e via o rosto que herdara dos Tucker, mas a insegurança era um monstro silencioso que morava em suas dobras e sussurrava que ela nunca seria o suficiente para um cara como Dean Di Laurentis.
Dean, que estava do outro lado da sala, rindo alto enquanto uma loira de pernas intermináveis pendurava-se em seu pescoço.
Clara desviou o olhar, sentindo o estômago revirar. O problema não era apenas ele estar com outra. O problema era a forma como ele fazia questão de que ela visse. Desde aquela noite, meses atrás, Dean havia se tornado um mestre em exibir suas conquistas como troféus, enquanto para ela, ele reservava apenas o silêncio cortante ou as farpas públicas.
— Beber sozinha é sinal de depressão, maninha. Ou de falta de pretendentes. — A voz de Tucker surgiu ao seu lado, trazendo um conforto imediato.
Clara forçou um sorriso, dando um gole em seu ponche.
— Engraçadinho. Só estou observando o zoológico. A fauna de Briar está particularmente agitada hoje.
Tucker riu, passando o braço pelos ombros dela. Ele era seu porto seguro, o irmão protetor que a amava incondicionalmente. E era exatamente por causa dele que o segredo que ela carregava pesava tanto. Se Tucker soubesse que o melhor amigo tinha levado sua irmã para a cama e depois a descartado como se fosse nada, o time de hóquei perderia dois jogadores: um morto e outro na cadeia.
— Onde está o Beau? — Tucker perguntou, referindo-se a um colega de curso de Clara que andava cercando-a.
— Não sei, John. E não me importo.
— Ele parece ser um cara legal. — Tucker deu de ombros. — Melhor que a maioria desses idiotas aqui.
— Ei! — Uma voz confiante e levemente rouca interrompeu a conversa. Dean se aproximou, a loira já não estava mais com ele, substituída por um copo vermelho e aquele sorriso de lado que costumava fazer os joelhos de Clara tremerem. — Falando de idiotas? Espero que não estejam falando de mim.
— Estávamos falando de caras para a Clara — Tucker respondeu, sem notar a tensão súbita que eletrificou o ar.
O olhar de Dean caiu sobre Clara, percorrendo-a de cima a baixo com uma intensidade que ela não conseguia decifrar. Não era o olhar de um amigo. Era algo mais escuro, mais possessivo, e que logo se transformou naquela máscara de deboche que ele usava como armadura.
— Caras para a Clara? — Dean soltou uma risada seca. — Cuidado, Tucker. Sua irmã é exigente. Ou talvez ninguém consiga dar conta do que ela esconde por baixo dessa carinha de santa.
Clara sentiu o sangue subir pelo pescoço.
— Pelo menos eu tenho algo a esconder, Dean. Você é tão transparente quanto esse copo plástico. E tão descartável quanto ele também.
Tucker franziu o cenho, olhando de um para o outro.
— Por que vocês dois não conseguem passar cinco minutos sem se atacarem? Parece que se odeiam desde o jardim de infância.
— É porque ele é um idiota egocêntrico — Clara disparou, virando as costas.
— E ela é uma mimada que acha que o mundo gira em torno do próprio umbigo — Dean rebateu, mas seus olhos não saíram das costas dela enquanto ela se afastava.
Clara caminhou em direção à cozinha, precisando de ar, de água, de qualquer coisa que não fosse a presença sufocante de Dean. Ela se sentia pequena. Cada vez que ele mencionava, mesmo que por metáforas, o que aconteceu entre eles, era como se estivesse esfregando na cara dela que aquela noite não significou nada para ele. Na cabeça dela, o motivo era óbvio: ele teve o que queria, viu que o corpo dela não era o padrão das modelos que ele costumava levar para o quarto, e fugiu.
Ela entrou na despensa da cozinha, procurando por um copo limpo, quando a porta atrás dela se fechou com um estalo.
Ela não precisou se virar para saber quem era. O perfume dele — uma mistura de hortelã, carvalho e pecado — preencheu o espaço minúsculo.
— O que você quer, Dean? Vá voltar para a sua loira.
— Ela foi embora. Ficou entediada — disse ele, a voz agora muito mais baixa, vibrando perto do ouvido dela.
Clara se virou, ficando prensada entre a prateleira de cereais e o peito largo de Dean.
— E você veio procurar o quê? Um lanche de fim de noite?
Dean apoiou as mãos na prateleira, cercando-a. O deboche tinha sumido, substituído por uma frustração crua.
— Você estava flertando com aquele idiota do Beau hoje cedo na biblioteca. Eu vi.
— E o que você tem com isso? — Clara arqueou a sobrancelha, tentando manter a voz firme, apesar do coração martelar contra as costelas. — Você dorme com metade do campus, Dean. Eu beijo quem eu quiser.
— Você não vai beijar aquele cara — ele rosnou, aproximando o rosto do dela. — Ele não sabe o que fazer com você. Ele ia se perder antes mesmo de tirar o seu vestido.
— E você sabe, não é? — Ela riu, uma risada amarga e sem humor. — Você fugiu, Dean. No dia seguinte àquela noite, você nem olhou na minha cara. Passou semanas me ignorando e depois começou a desfilar com todas as vadias de Briar na minha frente. Se eu sou tão ruim assim na cama, ou se meu corpo te deu tanto nojo, por que você ainda se importa com quem eu saio?
O rosto de Dean empalideceu por um segundo, antes de uma expressão de puro choque atravessar suas feições.
— Nojo? Do que você está falando, Clara?
— Não se faça de sonso! — Ela o empurrou, mas ele não se moveu um milímetro. — Eu sei que eu não sou o tipo de garota que você costuma pegar. Eu sei que eu sou gordinha, que eu tenho estrias, que eu não sou uma Barbie de Michigan. Você conseguiu o que queria, percebeu que foi um erro e agora tenta me humilhar toda vez que abre a boca para não ter que admitir que transou com a irmã do seu melhor amigo e odiou!
Houve um silêncio pesado na despensa, quebrado apenas pelo som da música abafada vindo da sala. Dean a encarava como se ela tivesse acabado de falar em outra língua.
— Você realmente acha isso? — ele perguntou, a voz falhando por um breve momento.
— É a única explicação lógica, Dean!
— A explicação lógica — ele começou, dando um passo ainda mais próximo, forçando-a a olhar para cima — é que eu sou um covarde, Clara. Eu não fugi porque foi ruim. Eu fugi porque foi bom demais. Eu fugi porque, quando eu acordei e vi você ali, eu percebi que se eu ficasse mais cinco minutos, eu nunca mais ia querer sair. E o Tucker me mataria. Eu ia perder meu melhor amigo, ia estragar a dinâmica da casa, e eu não sabia como lidar com o fato de que uma garota como você me faz sentir coisas que eu passei a vida inteira tentando evitar.
Clara piscou, as lágrimas começando a arder em seus olhos.
— Você está mentindo.
— Eu nunca menti sobre o que acontece entre quatro paredes, Clara. — Ele baixou o tom de voz, tornando-o perigosamente sedutor, o tom que ele só usava quando estavam sozinhos. — Você se lembra de como você gritou meu nome? De como sua pele é macia e de como eu não conseguia parar de te tocar? Eu saio com aquelas garotas para tentar tirar o seu gosto da minha boca, mas não funciona. Nenhuma delas é você. Nenhuma delas tem esse seu jeito de me desafiar e depois se entregar como se o mundo fosse acabar.
Ele levou a mão ao rosto dela, o polegar acariciando o lábio inferior de Clara.
— Você me odeia por eu ter fugido — ele sussurrou —, e eu me odeio por não conseguir ficar longe. Eu odeio que outros caras te olhem porque eu sinto vontade de quebrar a cara de cada um deles. Só o Logan e o Garrett podem chegar perto, porque eu sei que eles te respeitam. Mas aquele Beau? Se ele encostar um dedo em você, eu não respondo por mim.
Clara sentiu a insegurança lutar contra o desejo que sempre esteve ali, latente.
— Você é um idiota, Dean Di Laurentis.
— Eu sei. — Ele deu um sorriso torto, aquele que ela secretamente amava. — Mas eu sou o idiota que sabe exatamente onde te tocar para te fazer perder o fôlego. E eu sei que, por mais que você diga que me odeia, você ainda sente falta disso.
— Sinto falta de te bater, isso sim — ela retrucou, embora sua mão já estivesse subindo para o peito dele, agarrando a gola de sua camisa.
— Então me bate — ele provocou, encostando a testa na dela. — Ou me beija e me diz que eu sou o único que você quer. Porque nós dois sabemos que nenhum desses caras vai chegar aos meus pés.
— Você é tão convencido — ela murmurou, fechando os olhos.
— É um dos meus charmes.
Sem esperar por mais nenhuma palavra, Dean selou os lábios nos dela. Não foi um beijo gentil. Foi um embate de frustrações, meses de desejo reprimido e raiva transformados em uma necessidade faminta. Clara passou os braços pelo pescoço dele, puxando-o para mais perto, sentindo o calor do corpo dele contra o seu. Naquele momento, as inseguranças sobre seu corpo pareciam desaparecer sob a pressão das mãos de Dean, que a apertavam com uma urgência que não deixava dúvidas: ele a queria. Cada curva, cada centímetro.
Ele a ergueu, sentando-a em uma das prateleiras baixas, e Clara entrelaçou as pernas na cintura dele.
— Se o Tucker entrar aqui... — ela ofegou entre os beijos.
— Ele não vai entrar — Dean murmurou contra o pescoço dela, deixando uma marca que ela teria dificuldade em esconder no dia seguinte. — E se entrar, que se dane. Eu cansei de fingir que não fico louco toda vez que você entra em uma sala.
— Você ainda vai ser um idiota amanhã na frente de todo mundo? — ela perguntou, afastando-se apenas o suficiente para olhá-lo nos olhos.
Dean suspirou, encostando a cabeça no ombro dela.
— Provavelmente. É o meu mecanismo de defesa. Mas aqui dentro... — ele olhou para ela com uma sinceridade que a desarmou — aqui dentro é só você e eu. E eu não vou a lugar nenhum desta vez.
Clara sentiu um pequeno pedaço do seu coração se curar. Ela sabia que as coisas não seriam fáceis. Sabia que sua insegurança não sumiria da noite para o dia e que Dean ainda tinha muito o que provar. Mas, enquanto ele a segurava daquele jeito, como se ela fosse a coisa mais preciosa e desejada do mundo, ela se permitiu acreditar que, talvez, o "gordinha" que ela via no espelho fosse, para Dean, apenas a definição de perfeição.
— É bom mesmo — ela disse, recuperando seu tom debochado. — Porque se você fugir de novo, eu mesma te mato antes do Tucker.
Dean riu, um som rico e genuíno, antes de puxá-la para outro beijo.
— Combinado, Tucker. Agora cala a boca e me deixa lembrar por que eu não consigo te esquecer.
