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A difícil vida de Ron Weasley

Fandom: Harry Potter

Criado: 01/07/2026

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RomanceOmegaversoAlmas GêmeasFantasiaCenário CanônicoDor/ConfortoDramaCiúmes
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O Aroma de Sândalo e o Som da Fuga

Rony Weasley sempre soube que o destino tinha um senso de humor peculiar e, honestamente, bastante cruel. Ser o sexto filho de uma linhagem de ruivos já era um desafio por si só. Ser o sexto filho de uma família sangue puro que mal conseguia manter os caldeirões sem furos era um teste de paciência. Mas ser o único ômega em uma árvore genealógica repleta de alfas dominantes e betas resilientes era, no mínimo, uma piada de mau gosto do universo.

Naquela manhã nublada em Hogwarts, Rony não estava pensando em suas notas de Poções ou no próximo treino de Quadribol. Ele estava focado apenas em uma coisa: a queimação na base de sua nuca e o cheiro avassalador de sândalo e tempestade que parecia impregnar as paredes de pedra do castelo.

Ele dobrou o corredor do terceiro andar com uma pressa que beirava o pânico, os livros de Feitiços pesando em sua mochila, mas nada pesava tanto quanto a sensação de estar sendo caçado.

— Rony! Espere! — A voz de Hermione ecoou atrás dele.

Ele parou por um segundo, os pulmões ardendo, e olhou para trás. Hermione vinha apressada, com o cenho franzido de preocupação. Ela era uma beta, o que a tornava imune às pressões hormonais que estavam transformando a vida de Rony em um inferno, mas ela era inteligente o suficiente para ler os sinais.

— Você está pálido — disse ela, alcançando-o e colocando uma mão em seu ombro. — E o seu cheiro... Rony, você tomou os supressores hoje?

— Tomei — sibilou Rony, olhando nervosamente para os lados. — Mas acho que eles não estão funcionando. Ou talvez ele seja forte demais.

— Ele quem? — Hermione perguntou, embora o brilho de compreensão em seus olhos sugerisse que ela já sabia a resposta.

Rony não teve tempo de responder. O ar ao redor deles pareceu mudar de densidade. O burburinho normal dos alunos indo para as aulas foi substituído por um silêncio reverente e tenso. O instinto de ômega de Rony gritou, uma vibração na base de sua espinha que dizia apenas uma coisa: *perigo e proteção*.

— Ele está vindo — sussurrou Rony, a voz falhando. — Eu preciso ir, Mione. Se ele me encurralar agora, eu não vou conseguir resistir.

— Mas Rony, é o Harry! — Hermione exclamou, confusa. — Ele é seu melhor amigo. Ele nunca faria nada para te machucar.

— Você não entende — disse Rony, começando a andar de costas. — Ele não é apenas o Harry agora. Ele é um Alpha Prime, Hermione. O despertar dele foi... agressivo. E, por algum motivo, ele decidiu que eu sou o que ele quer.

Rony virou-se e disparou pelo corredor, ignorando os protestos da amiga. Ele sabia que Harry Potter, o Menino Que Sobreviveu e agora o Alpha Prime mais cobiçado da Grã-Bretanha bruxa, não era uma pessoa má. Mas o instinto de um Prime era possessivo, territorial e absoluto. E, desde que Harry completara seu ciclo de maturação no verão passado, o olhar dele sobre Rony havia mudado. Não era mais o olhar de um irmão de armas; era o olhar de um predador que finalmente havia encontrado seu par.

Ele desceu as escadarias móveis, torcendo para que elas mudassem de direção e atrasassem seu perseguidor. Rony entrou em uma passagem secreta atrás da tapeçaria de Barnabás, o Barnabé, ofegante. O espaço era apertado e escuro, cheirando a poeira e magia antiga.

— Pense, Rony, pense — murmurou para si mesmo, encostando a testa na parede fria. — Se você chegar ao Corujal, pode enviar uma carta para Gui. Ele vai saber o que fazer.

— Você não vai para o Corujal, Rony.

A voz era baixa, rica e carregada de uma autoridade que fez as pernas de Rony fraquejarem. Ele congelou. Harry estava ali. Não na passagem com ele, mas do outro lado da tapeçaria. O poder dele vazava pelas frestas, uma aura dourada e pesada de dominância.

— Harry, vá embora — disse Rony, tentando manter a voz firme, embora seu pescoço estivesse formigando. — Eu tenho aula de Transfiguração. A McGonagall vai me dar uma detenção.

— Eu já avisei a ela que você não se sente bem — a voz de Harry estava mais próxima agora. — E eu me ofereci para levar você até a ala hospitalar. Ou para o meu dormitório.

— Eu não vou para o seu dormitório! — Rony exclamou, sentindo o rosto esquentar. — Harry, pare com isso. Você está agindo como um... um...

— Como um alfa? — Harry completou. O som de passos lentos indicava que ele estava circulando a entrada da passagem. — Eu sou um alfa, Rony. E você é o meu ômega. Por que continua fugindo?

— Eu não sou "seu" nada! — Rony rebateu, embora seu próprio corpo estivesse traindo suas palavras, o seu aroma de canela e baunilha se tornando mais doce, um sinal claro de submissão que ele tentava desesperadamente suprimir. — Eu sou um Weasley. Nós somos independentes. Não aceitamos coleiras.

Houve um silêncio do outro lado. Então, o som de tecido sendo afastado. A luz do corredor penetrou na passagem escura quando Harry puxou a tapeçaria.

Lá estava ele. Harry não parecia mais o garoto magricela de óculos remendados. Ele estava mais alto, os ombros largos, os olhos verdes brilhando com uma intensidade lupina que parecia enxergar através da alma de Rony. O uniforme da Grifinória estava impecável, mas a energia que ele emanava era selvagem.

— Não é sobre coleiras, Rony — disse Harry, dando um passo para dentro do espaço apertado.

Rony recuou até suas costas baterem na parede de pedra.

— É sobre pertencimento. — Harry estendeu a mão, mas não tocou em Rony. Ele apenas a manteve ali, deixando que o calor de sua pele irradiasse. — Você está exausto de lutar contra isso. Eu sinto o seu cansaço. Eu sinto o seu medo. Mas, acima de tudo, eu sinto o quanto você me quer por perto.

— Isso é apenas a biologia falando — sussurrou Rony, desviando o olhar. — É o vínculo. Não é real.

— É a coisa mais real que eu já senti na minha vida — Harry rebateu, sua voz vibrando no peito de Rony. — Você acha que eu escolhi isso? Eu tentei me afastar, Rony. Tentei ignorar o cheiro de canela que me persegue em todos os sonhos. Mas eu sou um Prime. E o meu instinto diz que você é a minha casa.

Rony sentiu uma lágrima trapaceira escorrer pelo rosto. Era difícil. Era tão difícil ser o ômega "pobre e indesejado" e, de repente, ser o centro das atenções do ser mais poderoso da escola. Ele tinha medo de ser apenas um troféu, ou pior, uma necessidade biológica.

— Por que eu? — perguntou Rony com a voz embargada. — Há tantas ômegas bonitas. Garotas de famílias ricas. Por que o sexto filho de uma família que mal tem onde cair morta?

Harry finalmente encurtou a distância. Ele colocou as mãos na cintura de Rony, puxando-o para perto com uma firmeza que não permitia protestos, mas com uma doçura que desarmou todas as defesas do ruivo. Harry enterrou o rosto no pescoço de Rony, inspirando profundamente.

— Porque ninguém mais tem o seu riso — murmurou Harry contra a pele de Rony, fazendo-o estremecer. — Ninguém mais ficou ao meu lado quando o mundo inteiro me chamava de louco. Ninguém mais me faz sentir que eu sou apenas o Harry, e não o "Eleito".

Rony sentiu suas mãos subirem involuntariamente para os ombros de Harry, os dedos enterrando-se no tecido da capa preta. O cheiro de Harry — aquele sândalo terroso misturado com o frescor de uma chuva de verão — envolveu-o como um cobertor quente. Pela primeira vez em semanas, a ansiedade constante no peito de Rony silenciou.

— Você está me marcando — acusou Rony, embora não houvesse raiva em sua voz, apenas uma aceitação resignada enquanto Harry esfregava o rosto em sua glândula de odor.

— Estou — admitiu Harry, afastando-se apenas o suficiente para olhar nos olhos azuis de Rony. — Quero que todos saibam. Quero que Malfoy pare de olhar para você. Quero que o mundo saiba que você está sob a minha proteção.

— Eu sei me cuidar, sabe? — Rony tentou manter um pouco de dignidade.

— Eu sei que sabe — Harry sorriu, e foi o sorriso antigo dele, o sorriso do garoto que dividia sapos de chocolate no trem. — Mas você não precisa fazer tudo sozinho. Deixe-me cuidar de você, Rony.

Rony suspirou, deixando a cabeça cair no ombro de Harry. A fuga tinha acabado. Não porque ele fora capturado, mas porque, naquele abraço, ele percebeu que não estava fugindo de Harry. Ele estava fugindo de si mesmo e da possibilidade de ser verdadeiramente amado por quem ele era, e não pelo que ele representava.

— Se o Fred e o Jorge virem isso, eu nunca mais vou ter paz — murmurou Rony.

Harry soltou uma risada baixa e rouca, apertando-o mais forte.

— Deixe que eles falem. Se tentarem algo, eu sou o Alfa deles agora, tecnicamente.

— Você é um idiota arrogante, Harry Potter.

— Mas eu sou o *seu* idiota arrogante.

Rony não respondeu, mas quando Harry o conduziu para fora da passagem secreta, ele não tentou soltar sua mão. Pelo contrário, entrelaçou seus dedos nos dele, deixando que o mundo visse que o ômega dos Weasley tinha encontrado, finalmente, o seu lugar. E, enquanto caminhavam pelos corredores, o aroma de canela e sândalo se misturava perfeitamente, criando uma nova fragrância que Hogwarts jamais esqueceria.

No topo da escadaria, Hermione observava os dois se afastarem com um sorriso satisfeito. Ela ajustou a alça da mochila e voltou para a biblioteca. Afinal, o destino podia ter um senso de humor peculiar, mas às vezes, ele acertava em cheio.

— Finalmente — murmurou ela para si mesma. — Agora talvez o Harry pare de rosnar para qualquer um que peça um pergaminho emprestado ao Rony.

A paz, de certa forma, havia retornado a Hogwarts. Ou, pelo menos, uma nova e intensa forma de equilíbrio. Rony Weasley não era mais apenas o sexto filho; ele era o coração do Prime, e ninguém ousaria desafiar essa união.
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