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Problemas de Ron Weasley

Fandom: Harry Potter

Criado: 01/07/2026

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O Aroma de Cedro e Obsessão

O Grande Salão de Hogwarts nunca pareceu tão sufocante para Ron Weasley. O cheiro de centenas de alunos, uma mistura caótica de ansiedade, excitação e hormônios, normalmente seria apenas um ruído de fundo. Mas, desde a sua apresentação tardia como ômega, cada odor parecia uma agressão aos seus sentidos. Ele era uma anomalia na linhagem Weasley, uma família composta por Alphas dominantes como Gui e Charlie, ou Betas resilientes como seus pais. Ser o único ômega em uma casa de leões era um fardo que Ron carregava com os ombros curvados e a cabeça baixa.

Ele tentou se concentrar em seu purê de batatas, mas o gosto parecia cinza em sua boca. O motivo de sua náusea não era a comida, mas o peso de um olhar que queimava a nuca de seu pescoço. Ele não precisava se virar para saber quem era. O ar ao seu redor já estava saturado com o aroma opressor de sândalo, couro caro e o frio metálico de uma tempestade iminente.

Draco Malfoy.

Malfoy não era apenas um Alpha. Ele era um Alpha Prime, uma raridade genética que o colocava no topo absoluto da cadeia alimentar mágica. Primes eram seres de instintos primitivos revestidos por seda e arrogância. Eles não pediam; eles tomavam. Eles não namoravam; eles reivindicavam. E, por alguma razão cruel do destino, os olhos cinzentos e predatórios de Malfoy haviam se fixado em Ron desde o momento em que o cheiro de baunilha e canela de Ron floresceu pela primeira vez nos corredores.

— Ron, você está pálido — comentou Hermione, a voz carregada de preocupação. — Talvez deva ir à ala hospitalar. Madame Pomfrey pode ter um supressor mais forte.

— Eu estou bem, Mione — mentiu Ron, sua voz saindo mais trêmula do que pretendia.

— Ele não vai parar de olhar, não é? — Harry sussurrou, sua mão fechando-se em volta do cabo da colher. Como um Alpha comum, Harry sentia a agressividade emanando da mesa da Sonserina, uma declaração de guerra silenciosa que fazia os pelos de seus braços se arrepiarem.

— Deixe para lá, Harry. Só... vamos sair daqui — pediu Ron, levantando-se apressadamente.

Ron quase correu para fora do Salão, mas o corredor de pedra parecia se esticar infinitamente. Ele tentou se perder entre os alunos que seguiam para as aulas, mas o instinto de ômega em seu peito gritava um aviso. O predador estava em movimento.

Ele dobrou uma esquina deserta perto da Torre de Astronomia, esperando cortar caminho, quando uma mão fria e firme disparou da escuridão e o agarrou pelo pulso, prensando-o contra a parede fria. O impacto expulsou o ar de seus pulmões.

— Onde pensa que vai, Weasley? — A voz de Draco Malfoy era um rosnado baixo, vibrando com uma autoridade que fez as pernas de Ron fraquejarem instantaneamente.

— Me solta, Malfoy! — Ron tentou empurrá-lo, mas era como tentar mover uma montanha de puro músculo e intenção.

Draco se inclinou para frente, invadindo o espaço pessoal de Ron até que seus narizes quase se tocassem. Ele não parecia o garoto magricela e pálido dos primeiros anos; ele era uma força da natureza, os ombros largos bloqueando qualquer luz, os olhos tempestuosos brilhando com uma fome que Ron não entendia e temia profundamente.

— Você cheira a medo — murmurou Draco, aproximando o nariz do pescoço de Ron, inalando profundamente onde a glândula de odor pulsava freneticamente. — E a desejo reprimido. É patético como tenta se esconder atrás de Potter e da sangue-ruim.

— Eu não sou sua propriedade — sibilou Ron, embora seu corpo estivesse traindo-o, o calor subindo por sua espinha diante da proximidade do Alpha Prime. — Vá encontrar uma ômega da Sonserina que suporte seu ego.

Draco soltou uma risada sombria, um som sem alegria que arrepiou a espinha de Ron. Ele moveu a mão do pulso de Ron para o seu pescoço, não apertando, mas envolvendo-o em uma posse possessiva, o polegar acariciando a pele sensível logo abaixo da orelha.

— Você ainda não entendeu, não é? — Draco inclinou a cabeça, os lábios roçando a orelha de Ron. — Primes não escolhem. Nós reconhecemos. Desde o momento em que seu cheiro mudou, o meu mundo parou. Eu não quero uma ômega qualquer. Eu quero o ômega que o destino colocou no meu caminho.

— O destino cometeu um erro — Ron cuspiu, tentando manter a voz firme.

— O destino nunca erra, ruivo — Draco rebateu, sua voz tornando-se perigosamente suave. — Errado é você lutar contra o que já está escrito. Você sente isso, não sente? O modo como seu sangue ferve quando eu chego perto? O modo como seu ômega quer se curvar para mim?

— Nunca — Ron rosnou, embora lágrimas de frustração começassem a arder em seus olhos.

Draco rosnou de volta, um som gutural e dominante que fez Ron estremecer violentamente. O Alpha Prime pressionou seu corpo contra o de Ron, prendendo-o completamente. A dominância de Draco era como uma onda pesada, esmagando a resistência de Ron.

— Você é meu, Ronald. Cada fibra desse seu corpo teimoso pertence a mim. Eu vou deixar você brincar de rebelde por mais um tempo, se isso te diverte. Mas saiba disso...

Draco desceu a mão para a cintura de Ron, puxando-o para mais perto, eliminando qualquer milímetro de espaço entre eles.

— ...eu não vou descansar até que você esteja no meu ninho, coberto pelo meu cheiro, implorando pela minha marca no seu pescoço. Eu vou destruir qualquer um que se atravesse entre nós. Até mesmo seus preciosos amigos.

— Você é louco — sussurrou Ron, o coração martelando contra as costelas como um pássaro enjaulado.

— Eu sou um Prime — corrigiu Draco, seus olhos fixos nos lábios de Ron com uma intensidade predatória. — E você é o meu companheiro. Você pode correr, mas só vai acabar cansado nos meus braços.

Draco soltou-o abruptamente, dando um passo para trás com uma elegância letal. Ele ajustou as vestes da Sonserina, o sorriso de lado voltando ao seu rosto, mas os olhos permanecendo frios e possessivos.

— Vá para a aula, Weasley. Tente se concentrar. Mas lembre-se: eu posso sentir o seu cheiro de qualquer lugar deste castelo. Eu sempre sei onde você está.

Ron ficou parado ali, tremendo, as costas ainda pressionadas contra a pedra fria, enquanto observava Draco se afastar com a confiança de quem já havia vencido a guerra. O ar parecia mais leve agora que o Alpha se fora, mas o cheiro de Draco permanecia impregnado em suas roupas, em sua pele, como uma promessa sombria que ele não sabia se conseguiria escapar.

Ele levou a mão ao pescoço, onde os dedos de Draco haviam tocado. A pele ali parecia queimar. Ron sabia o que diziam sobre os Alphas Primes: eles eram insaciáveis e implacáveis. E Malfoy, o príncipe mimado da Sonserina, havia se tornado o monstro mais perigoso de todos: um monstro apaixonado.

Ao voltar para a Sala Comunal da Grifinória mais tarde naquela noite, Ron não conseguiu comer nada. Ele se sentou em frente à lareira, observando as chamas, sentindo-se mais vulnerável do que nunca.

— Ron? — Harry sentou-se ao lado dele, observando-o com cautela. — Você está com o cheiro dele.

Ron fechou os olhos, apertando os punhos.

— Ele me pegou no corredor.

— O que ele queria? — Harry perguntou, a voz subindo de tom, o instinto protetor de Alpha começando a aflorar.

— O que ele sempre quer — respondeu Ron, a voz oca. — Ele acha que eu sou dele. Ele acha que pode simplesmente decidir que eu sou o seu companheiro e que o resto do mundo não importa.

— Nós vamos falar com o Professor Dumbledore, ou com a McGonagall — disse Hermione, que se aproximava com um livro nos braços. — Isso é assédio, Ron. Mesmo para os padrões de Alphas Primes, há leis...

— Leis não se aplicam a eles, Mione — Ron interrompeu, olhando para as próprias mãos. — Você viu como os professores olham para ele. Eles têm medo. Um Prime furioso pode destruir metade do castelo se sentir que seu companheiro está sendo ameaçado ou escondido.

— Ele não vai tocar em você — afirmou Harry, determinado. — Eu não vou deixar.

Ron olhou para o melhor amigo e sentiu uma pontada de medo. Ele se lembrou do que Draco dissera: "Eu vou destruir qualquer um que se atravesse entre nós". Malfoy não estava brincando. Havia uma escuridão naqueles olhos cinzentos que ia além da rivalidade escolar. Era algo ancestral, possessivo e violento.

Naquela noite, Ron teve dificuldade para dormir. Toda vez que fechava os olhos, via o rosto de Draco, sentia a pressão de suas mãos e o calor de seu corpo. E, no fundo de sua mente, em um lugar que ele tentava desesperadamente ignorar, seu ômega ronronava em resposta à lembrança da dominância do Alpha.

Ele acordou no meio da noite, suando frio. O dormitório estava silencioso, exceto pelo ronco de Neville e a respiração pesada de Seamus. Ron se levantou e foi até a janela, olhando para a Floresta Proibida e para o terreno de Hogwarts banhado pelo luar.

Lá embaixo, perto da cabana de Hagrid, ele viu uma figura solitária. Estava longe, mas Ron sabia, por puro instinto, quem era. A figura olhava diretamente para a janela do dormitório da Grifinória.

Draco Malfoy estava lá, parado na escuridão, vigiando o que considerava seu.

Ron fechou as cortinas rapidamente, o coração disparado. Ele se encolheu debaixo das cobertas, tentando se sentir seguro, mas o cheiro de sândalo e couro parecia ter se infiltrado nos lençóis.

Ele percebeu, com um pavor crescente, que Draco Malfoy não era apenas um Alpha irritante. Ele era uma obsessão personificada. E em um mundo onde os instintos muitas vezes superavam a razão, Ron Weasley estava começando a temer que as correntes que o ligavam ao Alpha Prime da Sonserina fossem impossíveis de quebrar.

Na manhã seguinte, Ron encontrou um pequeno embrulho sobre sua mesa no café da manhã. Não havia cartão, apenas uma fita de seda verde esmeralda prendendo o papel pardo.

Com as mãos trêmulas, ele abriu. Dentro, havia um frasco de poção de cor âmbar e um lenço de seda branca com as iniciais *D.M.* bordadas em prata.

— O que é isso? — perguntou Simas, curioso.

Ron não respondeu. Ele abriu o frasco e o cheiro o atingiu como um soco. Era um supressor de alta qualidade, algo que custaria centenas de galeões, misturado sutilmente com o aroma pessoal de Draco. Era uma marca. Qualquer Alpha que chegasse perto de Ron sentiria o cheiro de Draco no supressor e saberia que ele estava sob a proteção — e a posse — de um Prime.

— Ron, não use isso — advertiu Hermione, percebendo a natureza do presente. — Ele está tentando marcar você sem nem tocar em você.

Ron olhou para o lenço. Ele sabia que deveria jogá-lo fora. Deveria queimar o supressor e denunciar Malfoy. Mas, enquanto segurava o tecido macio, sentiu uma estranha calma descer sobre seus nervos antes tão agitados. O instinto de ômega, exausto de lutar contra a maré, ansiava pela segurança que aquele cheiro prometia.

— Ele não vai desistir — sussurrou Ron para si mesmo, guardando o lenço no bolso da calça.

— O que você disse? — perguntou Harry.

— Nada — Ron forçou um sorriso, mas seus olhos estavam distantes. — Eu só... preciso ir para a aula de Poções.

Ao sair do Salão, ele passou pela mesa da Sonserina. Draco Malfoy estava sentado lá, cercado por seus seguidores, mas seus olhos estavam fixos em Ron. Quando Ron levou a mão ao bolso onde o lenço estava escondido, Draco deu um sorriso lento e predatório.

A caçada estava apenas começando, e Ron Weasley, apesar de todo o seu medo, começava a sentir que a floresta estava se fechando ao seu redor. O Alpha Prime não queria apenas o seu corpo; ele queria sua alma, sua vontade e seu silêncio. E, pela primeira vez, Ron se perguntou se teria força suficiente para não se entregar voluntariamente à escuridão que Malfoy oferecia.
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