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Fandom: Batfamilia

Criado: 01/07/2026

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Sangue e Sombras sob o Luar de Gotham

A Mansão Wayne sempre teve um silêncio particular, um tipo de quietude pesada que parecia carregar o peso de décadas de segredos e tragédias. Mas naquela noite, o silêncio era diferente. Era o tipo de calmaria que precede uma tempestade de proporções catastróficas.

Timothée Wayne — ou Tim, como preferia ser chamada por quase todos, exceto por Alfred em seus momentos mais formais — cruzou o grande salão com a confiança de quem já tinha enfrentado deuses e monstros. Ela ainda usava o traje tático por baixo do sobretudo civil, o cansaço da patrulha pesando em seus ombros, mas sua mente estava afiada.

No centro da biblioteca, Bruce Wayne a esperava. Ele não estava de uniforme, mas a aura do Batman estava presente em cada linha rígida de seus ombros e no vinco profundo entre suas sobrancelhas. Sobre a mesa de carvalho, um tablet brilhava, exibindo uma imagem que já tinha viralizado nos tabloides de Gotham e nos fóruns de fofoca da elite.

A foto era granulada, tirada de um ângulo semi-distante em um beco próximo ao porto, mas a identidade dos dois era inegável. Tim, com seus cabelos escuros desalinhados, estava prensada contra uma parede de tijolos, suas mãos enterradas na jaqueta de couro de um homem cujos ombros largos e mecha branca no cabelo não deixavam dúvidas. Jason Todd a beijava com uma intensidade que sugeria que o resto do mundo poderia queimar, contanto que eles tivessem aquele momento.

— Você queria me ver, Bruce? — Tim perguntou, sua voz calma, quase desafiadora, enquanto ela se aproximava da mesa.

Bruce não respondeu de imediato. Ele deslizou o tablet em direção a ela, o brilho da tela refletindo em seus olhos azuis severos.

— Isso foi tirado há três horas — disse Bruce, o tom de voz baixo e perigoso. — No Distrito de Diamond.

Tim mal olhou para a tela. Ela já sabia exatamente qual era o gosto dos lábios de Jason e como o frio da noite desaparecia quando ele a tocava.

— A composição está boa, embora o fotógrafo pudesse ter trabalhado melhor o foco — comentou ela, cruzando os braços sobre o peito. — O que foi? Vai me dar um sermão sobre segurança operacional ou sobre como isso afeta as ações da Wayne Enterprises?

Bruce se levantou, contornando a mesa. Ele parecia uma sombra física projetada contra os livros antigos.

— Jason é instável, Tim. Ele é perigoso, e a relação de vocês dois é um desastre anunciado para a dinâmica desta família e para a sua segurança pessoal.

Tim soltou uma risada curta e seca, um som que raramente escapava dela diante do pai.

— Minha segurança? — Ela deu um passo à frente, diminuindo a distância entre eles. — Eu sou a sua filha biológica, Bruce. Eu cresci em laboratórios e campos de treinamento. Eu fui treinada pelos assassinos mais perigosos do mundo e por você. Eu não sou uma donzela que precisa ser protegida do "lobo mau", especialmente quando o lobo é o homem que morreu e voltou por esta família.

— Ele não é o mesmo homem que era antes — rebateu Bruce, a voz subindo um oitavo. — Ele tem métodos que eu não aprovo. Ele é movido por uma raiva que ele mal consegue controlar.

— E você é movido por quê? — Tim retrucou, os olhos brilhando com uma fúria fria. — Pela culpa? Pelo luto? Pelo controle absoluto? Jason entende partes de mim que você se recusa a ver. Ele não me olha como se eu fosse um projeto a ser aperfeiçoado ou um soldado a ser movido em um tabuleiro de xadrez. Ele me olha como uma pessoa.

Bruce parou, o rosto endurecendo ainda mais.

— Ele é seu irmão, Tim. Pelo menos, legalmente.

— Ah, por favor, não use a carta da moralidade familiar agora — disse ela, gesticulando com desdém. — Dick é meu irmão. Damian é meu irmão, por mais que ele tente me esfaquear dia sim, dia não. Mas Jason? Jason sempre foi outra coisa. Nós dois somos as ovelhas negras que você tentou moldar e não conseguiu. Ele foi o Robin que morreu, e eu fui a substituta que teve que provar o valor cada segundo da vida. Nós nos encontramos no meio dos destroços que você deixou.

Um silêncio tenso se instalou na sala. Tim podia ouvir o tique-taque do relógio de pêndulo, cada segundo parecendo uma batida de coração.

— Eu não vou proibir você de vê-lo — disse Bruce, finalmente, embora suas palavras soassem como se estivessem sendo arrancadas de sua garganta. — Mas não espere que eu aceite isso. Não espere que eu ignore o risco que ele representa para a sua estabilidade.

— Estabilidade? — Tim riu novamente, desta vez com mais amargura. — Bruce, eu sou uma Wayne. Eu passo minhas noites pulando de prédios e lutando contra psicopatas fantasiados. A única estabilidade que eu tenho é o fato de que Jason estará lá para limpar o meu sangue se eu cair, e eu estarei lá para fazer o mesmo por ele.

Ela se virou para sair, mas parou na porta, olhando por cima do ombro.

— E só para constar, ele não me beija porque é instável. Ele me beija porque ele me ama. Algo que talvez você devesse tentar expressar com mais frequência antes de criticar como os outros o fazem.

Tim saiu da biblioteca e caminhou pelos corredores escuros da mansão até chegar à varanda do segundo andar. O ar da noite estava fresco, e o cheiro de chuva iminente pairava no ar. Ela não precisou olhar para o lado para saber que não estava sozinha.

— Você foi dura com o velho — disse uma voz vinda das sombras.

Jason Todd saiu da escuridão, recostando-se contra a balaustrada de pedra. Ele ainda usava a jaqueta de couro da foto, e o capacete vermelho estava depositado no chão ao lado de seus pés. Seus olhos verdes, outrora brilhantes com o poço de Lázaro, agora tinham uma suavidade que ele reservava apenas para ela.

— Ele precisava ouvir — respondeu Tim, aproximando-se dele. — Ele acha que pode controlar o caos de Gotham, mas surta quando não consegue controlar o que acontece dentro da própria casa.

Jason esticou o braço, puxando-a para perto pela cintura. Tim relaxou instantaneamente contra o peito dele, sentindo o calor que emanava de seu corpo.

— Você sabe que isso vai ser um problema, certo? — Jason murmurou, enterrando o rosto no pescoço dela. — Dick vai querer fazer um jantar de comemoração ridículo, e Damian provavelmente vai tentar me desafiar para um duelo até a morte pela "honra da linhagem".

— Deixe que tentem — disse Tim, sorrindo contra o ombro dele. — Eu já lidei com o Batman hoje. O resto é fácil.

Jason se afastou apenas o suficiente para olhar nos olhos dela. Ele passou o polegar pela bochecha de Tim, um gesto carregado de uma ternura que poucos em Gotham acreditariam que o Capuz Vermelho possuía.

— Eu não quero ser o motivo da sua briga com ele, Timmy.

— Você não é o motivo, Jay. Você é a minha escolha. Existe uma diferença enorme.

Ela o puxou para baixo, selando seus lábios em um beijo que era, ao mesmo tempo, uma promessa e um desafio. Se o mundo ou Bruce Wayne queriam julgar o que eles tinham, que julgassem. Nas sombras de Gotham, onde a linhagem dos Wayne se misturava com o sangue dos justiceiros, Tim e Jason tinham encontrado algo que era puramente deles.

— Sabe — disse Jason, quando eles finalmente se separaram, um sorriso torto brincando em seus lábios —, aquela foto no tablet... eu saí muito bem nela.

Tim deu um tapa leve no peito dele, rindo.

— Você é impossível.

— E você é uma Wayne — ele retrucou, puxando-a de volta para seus braços. — Acho que estamos quites.

Acima deles, as nuvens se abriram por um momento, revelando uma lua pálida que observava os dois herdeiros de um legado quebrado, tentando construir algo novo a partir dos cacos. Bruce podia ser o cavaleiro das trevas, mas naquela noite, Tim e Jason eram os donos da luz que restava.
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