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Fernando torres e eu

Fandom: Fernando torres, jogador espanhol de futebol

Criado: 02/07/2026

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Sinfonia Vermelha em Madri

O som abafado do reggaeton misturado ao pop internacional vibrava através das paredes de vidro da área VIP, mas para Ana Avelar, o mundo parecia estar em câmera lenta. Apenas alguns meses atrás, ela era uma desconhecida confinada em uma casa vigiada por câmeras 24 horas por dia. Hoje, seu rosto estampava outdoors na Gran Vía e seu álbum de estreia, gravado despretensiosamente entre uma entrevista e outra, ocupava o topo das paradas no Spotify Global.

Ela segurava uma taça de champanhe, sentindo o peso do vestido de seda esmeralda que moldava seu corpo. A festa pós-Copa do Mundo em Madri era o epicentro do glamour esportivo e do entretenimento. Jogadores, modelos e artistas circulavam pelo salão, mas Ana sentia-se, pela primeira vez, como se pertencesse àquele caos dourado.

— Você sabe que metade dos fotógrafos lá fora está esperando apenas um deslize seu, não sabe? — A voz de sua empresária soou perto de seu ouvido, mas Ana mal ouviu.

Seus olhos estavam fixos em um ponto específico do camarote oposto.

Lá estava ele. Fernando Torres. "El Niño".

Ele não era apenas um jogador de futebol; era um fenômeno. Tinha acabado de consolidar sua lenda no Atlético de Madrid e a transferência para o Liverpool já era o assunto mais comentado nos tabloides esportivos da Europa. Fernando exalava uma aura de juventude e poder, os cabelos loiros levemente bagunçados e as sardas que lhe davam um ar quase inocente, contrastando com o físico atlético e o terno sob medida que ele parecia ansioso para tirar.

Fernando sentiu o peso do olhar dela antes mesmo de localizá-la. Quando seus olhos finalmente encontraram os de Ana, o barulho da festa pareceu desaparecer. Ele conhecia aquele rosto. Tinha visto o reality, claro — quem não tinha? —, mas as câmeras de TV não faziam justiça à intensidade dos olhos castanhos de Ana ou à forma como ela carregava uma melancolia doce em seu sorriso.

Ele se afastou do grupo de companheiros de seleção, ignorando as piadas de Sergio Ramos, e caminhou em direção ao bar onde ela estava encostada.

— Eu ouvi sua música no rádio enquanto vinha para cá — disse Fernando, parando a uma distância que era, ao mesmo tempo, respeitosa e perigosamente próxima.

Ana sentiu um calafrio percorrer sua espinha. A voz dele era mais profunda do que ela imaginava.

— E o que achou? — perguntou ela, arqueando uma sobrancelha. — Seja sincero, "Niño". Eu sei que o seu negócio é balançar redes, não analisar composições.

Fernando sorriu, um sorriso de lado que fez o coração de Ana errar uma batida.

— Achei que você canta como quem tem um segredo que não quer contar para ninguém — respondeu ele, aproximando-se mais um passo. — É honesto. É raro ver algo honesto por aqui hoje em dia.

Ana deixou uma risada curta escapar, desviando o olhar por um segundo antes de focar novamente naqueles olhos azuis acinzentados.

— Honestidade é um artigo de luxo quando se ganha um reality show e um contrato milionário — comentou ela, brincando com a haste da taça. — Mas eu faço música pelo amor à coisa. O sucesso... o sucesso é um acidente estranho que eu ainda estou tentando entender.

— Eu entendo — disse Fernando, o tom de voz ficando mais sério. — Quando eu comecei no Atleti, eu só queria jogar bola. De repente, eu era o capitão e o rosto de um clube inteiro. O mundo decide quem você é antes mesmo de você descobrir.

Houve um silêncio entre eles, mas não era desconfortável. Era uma tensão elétrica, uma gravidade que puxava um para o outro enquanto a festa continuava em um borrão ao redor.

— Então, Liverpool, hein? — Ana tentou quebrar o transe. — As fãs inglesas vão enlouquecer com você.

— E os críticos também, se eu não marcar gols — ele brincou, embora houvesse um brilho de determinação em seu olhar. — Mas e você? Ouvi dizer que sua turnê vai passar pelo Reino Unido.

— Talvez — ela sorriu de forma enigmática. — Se eu sobreviver à pressão de Madri primeiro.

Fernando inclinou-se, o perfume amadeirado dele invadindo o espaço pessoal de Ana. Ele colocou a mão no balcão, logo ao lado da dela, sem chegar a tocá-la, mas a proximidade era o suficiente para que ela sentisse o calor de sua pele.

— Madri é pequena demais para nós dois agora, Ana — sussurrou ele. — Eu sinto que você está prestes a explodir para o mundo, e eu estou tentando não ser deixado para trás.

Ana sentiu o rosto esquentar. A fama trouxera muitos homens interessados, mas nenhum deles falava com aquela mistura de vulnerabilidade e confiança.

— Você nunca seria deixado para trás, Fernando — disse ela, a voz baixa e rouca. — Você é o tipo de pessoa que as pessoas param para assistir.

— E você é o tipo de pessoa que me faz querer parar de jogar só para ouvir — retrucou ele.

O contato visual era tão intenso que as pessoas ao redor começaram a notar. Sussurros começaram a circular. "É ela?", "O Torres com a Avelar?". Mas nenhum dos dois se importava. Era como se estivessem em uma bolha de oxigênio em um ambiente sem ar.

— Essa música que está tocando agora... é horrível — Fernando disse de repente, fazendo um gesto para a pista de dança.

— É péssima — concordou Ana, rindo.

— Tem um terraço no andar de cima. Longe das câmeras, longe dessa playlist duvidosa. Quer ir até lá?

Ana olhou para sua empresária, que fazia sinais frenéticos para que ela voltasse para o círculo de investidores, e depois olhou para Fernando. A escolha era óbvia.

— Achei que você nunca fosse perguntar.

Eles subiram as escadas de mármore com uma pressa quase infantil, esquivando-se de seguranças e convidados embriagados. Quando chegaram ao terraço, o ar fresco da noite madrilenha os atingiu como uma benção. A cidade brilhava abaixo deles, um tapete de luzes que parecia infinito.

Fernando encostou-se no parapeito, desabotoando o primeiro botão da camisa e soltando um suspiro de alívio.

— Finalmente — disse ele. — Eu não sou muito bom com essas festas oficiais. Prefiro o campo.

Ana caminhou até ele, deixando que o vento bagunçasse seus cabelos escuros.

— E eu prefiro o meu estúdio. Mas aqui estamos nós. Os novos "astros" da Espanha.

Fernando virou-se para ela, a expressão suavizada pela luz da lua.

— Você não parece uma estrela de reality show para mim, Ana. Você parece... real. E isso é assustador.

— Por que assustador? — perguntou ela, dando um passo à frente.

— Porque eu vou para a Inglaterra em duas semanas — disse ele, a voz carregada de uma frustração súbita. — E eu acabei de encontrar a única pessoa em Madri com quem eu realmente queria conversar por horas.

Ana sentiu um aperto no peito. A atração era imediata, visceral, o tipo de conexão que não acontecia duas vezes na vida.

— Duas semanas é muito tempo, Fernando — disse ela, estendendo a mão e, finalmente, tocando o braço dele. A pele dele era firme e quente. — E aviões existem para isso. Liverpool não é o fim do mundo.

Fernando cobriu a mão dela com a sua, entrelaçando seus dedos. O toque foi como um choque elétrico que percorreu ambos.

— Prometa que não vai deixar a fama mudar esse seu jeito de falar o que pensa — pediu ele, a voz quase um sussurro.

— Só se você prometer que vai marcar um gol para mim na sua estreia — desafiou ela, com um brilho travesso nos olhos.

Fernando riu, um som rico e genuíno.

— Um gol? Ana, por você, eu ganharia a Premier League inteira.

Ele se aproximou mais, eliminando a última barreira de espaço entre eles. A respiração de Ana falhou quando sentiu a mão dele subir para sua nuca, os dedos se perdendo em seus fios de cabelo.

— Eu vi você na televisão e pensei que era apenas marketing — confessou ele, o rosto a centímetros do dela. — Mas agora, aqui... eu sinto que te conheço de algum outro lugar.

— Talvez em outra vida eu fosse a jogadora e você o cantor — brincou ela, embora seu coração estivesse martelando contra as costelas.

— Nesse caso, eu teria sido um cantor terrível, só para poder ser seu fã — respondeu ele.

E então, Fernando diminuiu a distância final. O beijo foi lento, começando com uma hesitação doce que logo se transformou em uma urgência ardente. Tinha gosto de champanhe e de algo novo, algo que nenhum dos dois sabia que estava procurando. Era a colisão de dois mundos que, em teoria, não deveriam se misturar, mas que, naquele momento, faziam todo o sentido.

Quando se separaram, ambos estavam sem fôlego. Fernando encostou a testa na dela, mantendo-os unidos.

— Isso vai ser um problema, não vai? — perguntou ele, sorrindo contra os lábios dela.

— O maior de todos — respondeu Ana, retribuindo o sorriso. — A imprensa vai nos devorar vivos.

— Deixe que tentem — disse Fernando com a confiança de quem já tinha enfrentado as maiores defesas do mundo. — Eles não têm a menor chance contra nós.

Lá embaixo, a festa continuava, mas no terraço, sob o céu de Madri, Ana Avelar e Fernando Torres tinham acabado de escrever o primeiro verso de uma música que, sabiam bem, seria um sucesso mundial. Não por causa do marketing ou dos gols, mas pela verdade crua que brilhava entre eles.

— Você tem um violão no seu apartamento? — perguntou Fernando, relutante em soltá-la.

— Tenho — ela respondeu. — E você tem uma bola de futebol no porta-malas do carro?

Fernando soltou uma gargalhada e a puxou para mais um beijo.

— Tenho três.

— Então acho que a noite está apenas começando, "Niño".

Eles saíram da festa pelos fundos, escapando dos flashes e das perguntas, correndo em direção ao carro dele como dois fugitivos. Naquela noite, Madri não pertencia aos reis ou aos campeões, mas a dois jovens que, no auge de suas carreiras, descobriram que a maior vitória não estava nos palcos ou nos estádios, mas no banco de couro de um carro veloz, rumo a um destino que eles mesmos iriam criar.
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