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Mordidas e segredos

Fandom: Sem fandom

Criado: 02/07/2026

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O Nó do Possessivo

O dormitório 302 sempre fora o refúgio silencioso de Noah. Era um espaço pequeno, mas aconchegante, preenchido pelo cheiro suave de amaciante de roupas e pelos livros de botânica espalhados pela escrivaninha. Noah, com seus 1,67m de altura, parecia pertencer perfeitamente àquela delicadeza. Ele terminava de ajeitar a gola da sua camisa polo azul clara diante do espelho, passando a mão pelos cabelos marrons rebeldes, tentando domá-los. Seus olhos castanhos brilhavam com uma ansiedade ingênua; ele finalmente tinha um encontro.

A porta do quarto se abriu com um estrondo controlado, mas pesado. O ar no ambiente pareceu esfriar instantaneamente.

Kael entrou. Ele era uma presença imponente, com seus 1,84m de altura e uma aura que afastava qualquer um que ousasse cruzar seu caminho. Seus cabelos negros caíam desalinhados sobre a testa, contrastando com a pele excessivamente clara, e seus olhos, de um vermelho escuro profundo como vinho envelhecido, varreram o quarto até pousarem em Noah.

Kael era conhecido na escola por seu temperamento gélido. Ele era o tipo de pessoa que respondia com monossílabos e olhares que prometiam violência psicológica a quem o incomodasse. Mas com Noah, e apenas com Noah, aquela camada de gelo costumava ter rachaduras.

— Onde você pensa que vai vestido assim? — a voz de Kael saiu baixa, rouca, carregada de uma autoridade que Noah nunca soube questionar.

Noah deu um pequeno pulo, surpreso, e virou-se com um sorriso tímido, sem perceber a tempestade que se formava nos olhos do colega de quarto.

— Ah, oi, Kael! Eu... eu vou sair. A Lúcia, da aula de literatura, me convidou para ir ao cinema. Ela disse que quer me mostrar um café novo depois. — Noah ajeitou os óculos, as bochechas corando levemente. — Eu estou bem? Acha que essa camisa combina?

Kael não respondeu de imediato. Ele fechou a porta atrás de si e girou a chave. O clique da tranca ecoou no silêncio repentino. Ele caminhou lentamente em direção a Noah, cada passo parecendo calculado, como um predador encurralando uma presa que ainda não entendeu que está em perigo.

— Você não vai — sentenciou Kael.

Noah franziu a testa, confuso.

— Como assim? Eu já prometi a ela, Kael. Não seja bobo, eu volto antes do toque de recolher, eu prometo...

Antes que Noah pudesse terminar a frase, Kael avançou. Em um movimento rápido e fluido, ele agarrou Noah pelos ombros e o empurrou contra a parede de alvenaria. O impacto não foi doloroso, mas a firmeza do gesto deixou Noah sem fôlego. O garoto maior inclinou-se, usando sua altura para sombrear completamente o corpo menor de Noah, prendendo-o entre seus braços esticados.

— Kael? O que... o que você está fazendo? — Noah gaguejou, o coração começando a acelerar contra as costelas. — Você está me assustando.

— Você não vai sair com ela, Noah. Você não vai sair com ninguém — rosnou Kael, o rosto a poucos centímetros do dele. A obsessão que ele escondia sob camadas de indiferença estava, pela primeira vez, transbordando.

— Mas por que? Ela é legal, e eu... — Noah tentou protestar, abrindo a boca para explicar que era apenas um encontro casual.

Kael não o deixou terminar. Ele não queria ouvir nomes de outras pessoas saindo dos lábios de Noah. Ele não queria imaginar Noah sorrindo para outra pessoa sob as luzes de um cinema. Em um impulso possessivo, Kael selou a boca de Noah com a sua.

O beijo foi um choque térmico. Foi quente, urgente e avassalador. Noah arregalou os olhos, as mãos perdidas no ar por um segundo antes de pousarem timidamente no peito de Kael, tentando, sem sucesso, criar algum espaço. Mas Kael era uma parede de músculos e determinação. Ele aprofundou o beijo, a língua invadindo o espaço de Noah com uma fome que parecia acumulada há anos.

Noah soltou um som abafado, uma mistura de surpresa e submissão. O beijo de Kael não era gentil; era uma reivindicação. Para intensificar o contato, Kael pressionou uma de suas pernas entre as pernas de Noah, forçando o corpo do garoto menor a se arquear contra o dele. A fricção e a proximidade súbita fizeram a mente de Noah girar.

— Hum... — um gemido baixo e involuntário escapou da garganta de Noah contra os lábios de Kael.

Aquele som foi o combustível que Kael precisava. Ele segurou a nuca de Noah com uma mão, os dedos se embrenhando nos fios marrons, enquanto a outra mão apertava a cintura fina do garoto, puxando-o para ainda mais perto, se é que isso era possível. O beijo se tornou mais longo, mais úmido, um diálogo silencioso onde Kael dizia claramente: "Você é meu".

Quando finalmente se separaram para buscar ar, Noah estava ofegante, com os lábios vermelhos e inchados, os olhos castanhos nublados pelo desejo e pela confusão.

— Kael... por que...? — Noah sussurrou, a voz trêmula.

Kael não respondeu com palavras. Seus olhos vermelhos brilhavam com uma intensidade predatória. Ele desceu o rosto para o pescoço de Noah, onde a pele era clara e exalava aquele perfume de sabonete neutro que o levava à loucura todas as noites.

Noah era extremamente sensível naquela região. Assim que sentiu o hálito quente de Kael contra sua pele, um arrepio percorreu toda a sua espinha.

— K-Kael, espera... aí não... — Noah tentou dizer, mas sua cabeça pendeu para o lado, dando mais acesso ao outro.

Kael ignorou o fraco protesto. Ele começou a morder levemente o ombro de Noah, subindo com beijos molhados pela linha da mandíbula até encontrar o ponto exato onde a pulsação de Noah batia freneticamente. Ele sugou a pele ali, deixando uma marca arroxeada que seria impossível de esconder.

— Ah! — Noah soltou um gemido mais alto, as mãos agora agarrando os ombros de Kael para se sustentar. Suas pernas pareciam ter virado gelatina.

— Você não vai a lugar nenhum — murmurou Kael contra a pele dele, a voz vibrando diretamente no pescoço de Noah, causando mais ondas de prazer e pavor doce. — Você é meu, Noah. Entendeu? Só meu.

Noah não conseguia processar a gravidade daquelas palavras, não quando Kael continuava a chupar e morder seu pescoço com tanta possessividade. A inocência de Noah o impedia de ver a escuridão da obsessão de Kael, mas seu corpo respondia a cada toque, a cada marca que o garoto mais alto deixava nele como um selo de propriedade.

— Diga — ordenou Kael, parando por um segundo para olhar Noah nos olhos, embora ainda mantivesse seus corpos colados. — Diga que você não vai sair.

Noah olhou para Kael, vendo a vulnerabilidade disfarçada de raiva nos olhos vermelhos. Ele nunca tinha visto Kael assim. O Kael frio e distante tinha desaparecido, dando lugar a alguém que parecia precisar de Noah para respirar.

— Eu... eu não vou — sussurrou Noah, rendendo-se completamente. — Eu fico com você, Kael.

Um sorriso sombrio e satisfeito cruzou os lábios de Kael. Ele voltou a esconder o rosto no pescoço de Noah, desta vez com uma ternura quase assustadora, enquanto suas mãos deslizavam para baixo da camisa polo de Noah, reivindicando cada centímetro de pele que agora, ele tinha certeza, pertencia apenas a ele.

Lá fora, o mundo continuava seu curso, mas dentro do quarto 302, o tempo havia parado. Noah, em sua doçura, não percebia que acabara de entrar em uma gaiola de ouro. E Kael, em sua frieza, finalmente sentia que seu mundo estava completo, trancado entre quatro paredes e em seus braços.
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