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S + G
Fandom: Samuel,Gabriel,Mônica
Criado: 02/07/2026
Tags
RomanceDramaAngústiaDor/ConfortoPsicológicoRealismoGótico SulistaCiúmesLinguagem Explícita
O Calor da Traição e o Sangue da Verdade
O sol do Piauí não pedia licença; ele agredia. O telhado de zinco sobre o quarto de Monica parecia um forno industrial, transformando o ar em uma massa densa e vibrante que dificultava a respiração. Gabriel sentia o suor escorrer como uma agulha quente pelas suas costas, fazendo a camiseta de algodão grudar de forma incômoda em seu corpo magro. O ambiente estava saturado: o cheiro de um perfume doce e barato misturava-se ao incenso de sândalo que queimava em um canto, criando uma atmosfera pesada, quase narcótica.
Sentada na beira da cama, Monica era a personificação do deboche. Suas pernas morenas estavam cruzadas, e o movimento rítmico de seu pé parecia contar os segundos da hesitação de Gabriel. Os cabelos curtos emolduravam um rosto que ele conhecia desde a infância, mas os olhos castanhos agora brilhavam com uma malícia predatória.
— Você vai ficar aí parado com essa cara de santo, Gabriel? — provocou ela, com a voz carregada de desdém. — Ou vai admitir que está querendo isso desde que a gente se viu na praça?
Gabriel engoliu em seco, sentindo a garganta arranhar. Naquele instante, a imagem de Samuel surgiu em sua mente como um flash doloroso. Samuel, seu melhor amigo, o homem que era praticamente seu irmão. Ele conseguia ouvir o eco do choro de Samuel em seu ombro, meses atrás, quando Monica o deixou. Lembrava-se da lentidão com que o amigo processava a dor, daquela névoa que o TDH por vezes trazia, tornando cada sofrimento mais longo e profundo.
A lealdade gritava em seus ouvidos, mas Monica se levantou. Ela caminhou com uma languidez calculada, o quadril balançando sob o tecido leve do vestido. Quando ela deslizou a mão pelo peito dele, Gabriel sentiu o próprio coração disparar, traindo sua moral.
— Eu não posso, Monica — sussurrou ele, embora não recuasse. — Você sabe o que o Samuel passou. Ele é meu irmão.
Monica soltou uma risada anasalada, um som que Gabriel sempre achou tóxico, mas que agora o envolvia.
— O Samuel é um lerdo, Gabriel. Ele não sabe nem o que fazer com a própria vida, quanto mais com uma mulher como eu. Ele não merece você, e você não merece ficar passando vontade por causa de um sentimento de culpa idiota.
Com um movimento brusco, ela puxou a gola da camisa dele e desabotoou o próprio sutiã. Quando os seios saltaram para fora, a resistência de Gabriel desmoronou. O desejo, alimentado por anos de repressão e pela agressividade de Monica, venceu. Ele a beijou com urgência, uma batalha de línguas que ignorava qualquer rastro de decência.
— Viu? — disse ela, ofegante, enquanto o empurrava para o colchão rangente. — Você é tão atrevido quanto eu.
O ato foi rápido, bruto e desprovido de qualquer carinho. Enquanto Monica se movia sobre ele, guiando-o para dentro de si com um suspiro de satisfação, Gabriel tentava fechar os olhos para o mundo exterior. O atrito era quente, úmido e desesperado. Cada gemido de Monica soava como uma afronta à memória da amizade dele com Samuel.
— Isso... mostra para mim que você é mais homem que aquele coitado do Samuel — ela sibilou.
Aquelas palavras foram o gatilho. Gabriel gozou rapidamente, um jato quente que pareceu levar consigo sua integridade. Quando o silêncio retornou ao quarto, ele era ensurdecedor. Monica se afastou com um sorriso cínico nos lábios, limpando-se com descaso.
— Agora você sabe o gosto da traição, Gabriel. É delicioso, não é?
***
As ruas de terra de Capitão de Campo pareciam diferentes à tarde. A poeira subia a cada passo de Gabriel, sujando seus sapatos e impregnando sua pele. O céu, de um azul tão pálido que chegava a ser branco, parecia julgá-lo. Ele sentia um peso no peito que não tinha relação com o calor sufocante do Piauí; era a culpa, uma substância corrosiva que devorava suas entranhas.
Cada vizinho que acenava, cada conhecido que passava, parecia carregar no olhar a ciência do seu pecado. Ele olhava para as próprias mãos — as mesmas mãos que tocaram a mulher que destruiu seu melhor amigo — e sentia um nojo profundo.
Ele precisava ver Samuel. Precisava da punição. A doçura de Samuel, sua calma e a forma como ele se perdia em pensamentos eram tesouros que Gabriel havia jogado no lixo. Ele queria que Samuel o odiasse. Era a única forma de equilibrar a balança.
Ao chegar à casa de paredes creme descascadas, Gabriel entrou sem bater. O interior era mais fresco, com redes balançando suavemente no corredor. Samuel estava no sofá, o olhar perdido em algum ponto fixo na parede, uma característica comum de seu TDH. Ele estava sem camisa, vestindo apenas uma bermuda de tactel, o corpo magro exibindo os músculos definidos pelo trabalho no campo.
— Oi, Biel — disse Samuel, piscando lentamente, como se estivesse voltando de uma viagem astral. — Você demorou hoje. Quer água? Tá um calor do cão lá fora.
Gabriel sentiu a garganta fechar. A bondade de Samuel era o pior dos castigos.
— Samuel... eu preciso te contar uma coisa — começou Gabriel, a voz trêmula. — E eu não quero que você me perdoe. Eu só... eu não consigo viver com isso.
Samuel inclinou a cabeça, a expressão mudando da confusão para uma preocupação genuína.
— O que foi? Você tá pálido. Aconteceu alguma coisa com a sua família?
— Não é isso. É sobre a Monica.
O ar na sala pareceu congelar. Samuel tensionou cada músculo.
— Eu fiz sexo com ela, Samuel. Ontem. Ela me seduziu, mas eu deixei. Eu sei o quanto você sofreu, eu sei das cicatrizes que ela deixou em você... e eu fui um merda. Eu traí a nossa amizade da pior forma possível.
O silêncio que se seguiu foi visceral. Gabriel esperava gritos, choro ou que Samuel simplesmente o expulsasse. Em vez disso, viu as pupilas do amigo dilatarem. Samuel se levantou com uma agilidade que Gabriel nunca vira nele e, sem aviso, desferiu um soco violento em seu rosto.
O impacto jogou Gabriel no chão. O gosto metálico do sangue inundou sua boca instantaneamente. Ele ficou ali, esperando o próximo golpe, desejando que a dor física apagasse a queimação em sua alma. Mas o golpe não veio.
Ao abrir os olhos, Gabriel viu Samuel ofegante, com lágrimas transbordando dos olhos castanhos. Mas não era apenas tristeza; era uma fome desesperada.
— Você acha que eu dou a mínima para a Monica? — rugiu Samuel.
Gabriel piscou, confuso, enquanto limpava o sangue do lábio.
— O quê? Mas... ela é sua ex... você sofreu tanto...
— Eu sofri porque eu queria que você fosse o homem que ela queria! — Samuel se ajoelhou sobre ele, prendendo seus pulsos contra o cimento frio. — Eu passei anos fingindo que a amava só para ter um motivo para falar de você com ela! Para saber se você notava ela, para imaginar se você sentia o mesmo que eu sinto por você!
O coração de Gabriel martelou contra as costelas. A revelação foi como um raio que iluminou anos de sombras. Os toques "acidentais", os olhares prolongados, a proteção excessiva... tudo fazia sentido.
— Eu não sinto raiva dela, Gabriel — continuou Samuel, a respiração quente contra o pescoço do amigo. — Eu sinto raiva de você por ser tão cego. Por ser tão gentil com todo mundo, menos comigo. Eu queria que você me olhasse do jeito que olhou para ela.
— Samuel... — sussurrou Gabriel, a voz embargada. — Eu também sinto isso. Eu sempre quis você.
Samuel soltou um rosnado baixo e atacou a boca de Gabriel. Não havia nada de gentil naquele beijo. Era uma explosão de anos de repressão. As línguas se chocavam com fúria, e o gosto do sangue de Gabriel misturava-se à saliva de ambos.
***
O quarto de Samuel cheirava a sabão de coco e a algo puramente masculino. Quando foram para a cama, a luz do luar que entrava pela janela criava sombras dramáticas em seus corpos. Samuel estava possesso, uma intensidade que o TDH costumava esconder sob uma camada de calma.
— Eu vou tirar cada rastro daquela puta de você — declarou Samuel, a voz rouca.
Ele desceu pelo corpo de Gabriel, a língua traçando um caminho de fogo pelo abdômen dele. Quando Samuel o envolveu com a boca, Gabriel arqueou as costas, enterrando os dedos nos cachos escuros do amigo. O prazer era tão agudo que beirava a agonia.
— Ah, porra, Samuel... sim, assim... — gemeu Gabriel.
Sem lubrificante, usando apenas a urgência do momento e a própria saliva, Samuel se posicionou. Ele pressionou a entrada de Gabriel, testando a resistência, antes de empurrar com um impulso firme.
Gabriel soltou um grito abafado. A sensação de preenchimento era absoluta. O pau de Samuel era grosso, reivindicando cada centímetro de seu interior. Eles ficaram imóveis por um segundo, testas coladas, as respirações tentando encontrar um ritmo comum.
— Você é meu, Gabriel — disse Samuel, os olhos fixos nos dele. — Entendeu? Só meu.
O movimento começou lento, mas logo se transformou em uma cadência violenta e passional. O som da pele batendo contra a pele e o deslizar úmido do sexo preenchiam o quarto, abafando os sons da noite piauiense. Samuel agarrava os quadris de Gabriel com tanta força que deixaria marcas, mas Gabriel não se importava. Ele queria aquelas marcas.
— Mais... por favor, Samuel, vai mais fundo... — suplicou Gabriel, perdendo o sentido de si mesmo.
Samuel obedeceu, acelerando as estocadas. Ele virou Gabriel de quatro, buscando uma penetração ainda mais profunda, atingindo a próstata do amigo com uma precisão que fazia a visão de Gabriel escurecer em flashes de luz. A cada golpe, a conexão entre eles se fortalecia, transformando a traição de Monica em uma nota de rodapé irrelevante.
— Eu te amo... porra, Samuel, eu te amo! — gritou Gabriel, no auge do delírio.
Samuel soltou um grito gutural, o corpo esticado ao máximo, e gozou dentro de Gabriel. O jato quente foi sentido como uma marca definitiva. Quase ao mesmo tempo, Gabriel atingiu seu próprio ápice, o prazer irradiando de seu centro sem que ele precisasse de qualquer outro toque.
***
A madrugada trouxe uma brisa fresca que balançava as cortinas de algodão cru. Deitados e abraçados, o suor secando em suas peles, o silêncio agora era de paz, não de culpa. Samuel descansava a cabeça no peito de Gabriel, ouvindo as batidas do coração que agora lhe pertencia oficialmente.
— Você ainda está pensando nela? — perguntou Samuel baixinho.
Gabriel beijou o topo da cabeça dele, inalando o cheiro familiar e amado.
— Ela não existe mais para mim, Samuel. Nada mais importa além disso aqui.
Samuel soltou uma risada leve, um som que aqueceu a alma de Gabriel mais do que o sol da tarde.
— Eu demorei muito para conseguir te dizer, né? — comentou Samuel. — Meu cérebro às vezes parece que roda em outra velocidade, eu me perco no que é real e no que eu só imagino.
— Eu é que sou um idiota — retribuiu Gabriel, apertando-o mais forte. — Eu estava tão focado em ser o "amigo perfeito" que esqueci de olhar para o que a gente realmente era.
— A gente é um desastre, Gabriel — disse Samuel, levantando o rosto para encará-lo com ternura. — Mas é o meu desastre favorito.
Eles se beijaram novamente, desta vez com uma calma exploratória, saboreando a promessa de que não haveria mais segredos.
— O que a gente faz agora? — perguntou Gabriel.
— Agora a gente dorme — respondeu Samuel, fechando os olhos. — E amanhã... amanhã a gente descobre como contar para a cidade inteira que você é meu.
Gabriel sorriu, sentindo-se finalmente em casa. Em Capitão de Campo, o sol sempre voltaria a queimar, mas ele sabia que, a partir de agora, não precisaria mais caminhar sozinho sob aquele calor.
Sentada na beira da cama, Monica era a personificação do deboche. Suas pernas morenas estavam cruzadas, e o movimento rítmico de seu pé parecia contar os segundos da hesitação de Gabriel. Os cabelos curtos emolduravam um rosto que ele conhecia desde a infância, mas os olhos castanhos agora brilhavam com uma malícia predatória.
— Você vai ficar aí parado com essa cara de santo, Gabriel? — provocou ela, com a voz carregada de desdém. — Ou vai admitir que está querendo isso desde que a gente se viu na praça?
Gabriel engoliu em seco, sentindo a garganta arranhar. Naquele instante, a imagem de Samuel surgiu em sua mente como um flash doloroso. Samuel, seu melhor amigo, o homem que era praticamente seu irmão. Ele conseguia ouvir o eco do choro de Samuel em seu ombro, meses atrás, quando Monica o deixou. Lembrava-se da lentidão com que o amigo processava a dor, daquela névoa que o TDH por vezes trazia, tornando cada sofrimento mais longo e profundo.
A lealdade gritava em seus ouvidos, mas Monica se levantou. Ela caminhou com uma languidez calculada, o quadril balançando sob o tecido leve do vestido. Quando ela deslizou a mão pelo peito dele, Gabriel sentiu o próprio coração disparar, traindo sua moral.
— Eu não posso, Monica — sussurrou ele, embora não recuasse. — Você sabe o que o Samuel passou. Ele é meu irmão.
Monica soltou uma risada anasalada, um som que Gabriel sempre achou tóxico, mas que agora o envolvia.
— O Samuel é um lerdo, Gabriel. Ele não sabe nem o que fazer com a própria vida, quanto mais com uma mulher como eu. Ele não merece você, e você não merece ficar passando vontade por causa de um sentimento de culpa idiota.
Com um movimento brusco, ela puxou a gola da camisa dele e desabotoou o próprio sutiã. Quando os seios saltaram para fora, a resistência de Gabriel desmoronou. O desejo, alimentado por anos de repressão e pela agressividade de Monica, venceu. Ele a beijou com urgência, uma batalha de línguas que ignorava qualquer rastro de decência.
— Viu? — disse ela, ofegante, enquanto o empurrava para o colchão rangente. — Você é tão atrevido quanto eu.
O ato foi rápido, bruto e desprovido de qualquer carinho. Enquanto Monica se movia sobre ele, guiando-o para dentro de si com um suspiro de satisfação, Gabriel tentava fechar os olhos para o mundo exterior. O atrito era quente, úmido e desesperado. Cada gemido de Monica soava como uma afronta à memória da amizade dele com Samuel.
— Isso... mostra para mim que você é mais homem que aquele coitado do Samuel — ela sibilou.
Aquelas palavras foram o gatilho. Gabriel gozou rapidamente, um jato quente que pareceu levar consigo sua integridade. Quando o silêncio retornou ao quarto, ele era ensurdecedor. Monica se afastou com um sorriso cínico nos lábios, limpando-se com descaso.
— Agora você sabe o gosto da traição, Gabriel. É delicioso, não é?
***
As ruas de terra de Capitão de Campo pareciam diferentes à tarde. A poeira subia a cada passo de Gabriel, sujando seus sapatos e impregnando sua pele. O céu, de um azul tão pálido que chegava a ser branco, parecia julgá-lo. Ele sentia um peso no peito que não tinha relação com o calor sufocante do Piauí; era a culpa, uma substância corrosiva que devorava suas entranhas.
Cada vizinho que acenava, cada conhecido que passava, parecia carregar no olhar a ciência do seu pecado. Ele olhava para as próprias mãos — as mesmas mãos que tocaram a mulher que destruiu seu melhor amigo — e sentia um nojo profundo.
Ele precisava ver Samuel. Precisava da punição. A doçura de Samuel, sua calma e a forma como ele se perdia em pensamentos eram tesouros que Gabriel havia jogado no lixo. Ele queria que Samuel o odiasse. Era a única forma de equilibrar a balança.
Ao chegar à casa de paredes creme descascadas, Gabriel entrou sem bater. O interior era mais fresco, com redes balançando suavemente no corredor. Samuel estava no sofá, o olhar perdido em algum ponto fixo na parede, uma característica comum de seu TDH. Ele estava sem camisa, vestindo apenas uma bermuda de tactel, o corpo magro exibindo os músculos definidos pelo trabalho no campo.
— Oi, Biel — disse Samuel, piscando lentamente, como se estivesse voltando de uma viagem astral. — Você demorou hoje. Quer água? Tá um calor do cão lá fora.
Gabriel sentiu a garganta fechar. A bondade de Samuel era o pior dos castigos.
— Samuel... eu preciso te contar uma coisa — começou Gabriel, a voz trêmula. — E eu não quero que você me perdoe. Eu só... eu não consigo viver com isso.
Samuel inclinou a cabeça, a expressão mudando da confusão para uma preocupação genuína.
— O que foi? Você tá pálido. Aconteceu alguma coisa com a sua família?
— Não é isso. É sobre a Monica.
O ar na sala pareceu congelar. Samuel tensionou cada músculo.
— Eu fiz sexo com ela, Samuel. Ontem. Ela me seduziu, mas eu deixei. Eu sei o quanto você sofreu, eu sei das cicatrizes que ela deixou em você... e eu fui um merda. Eu traí a nossa amizade da pior forma possível.
O silêncio que se seguiu foi visceral. Gabriel esperava gritos, choro ou que Samuel simplesmente o expulsasse. Em vez disso, viu as pupilas do amigo dilatarem. Samuel se levantou com uma agilidade que Gabriel nunca vira nele e, sem aviso, desferiu um soco violento em seu rosto.
O impacto jogou Gabriel no chão. O gosto metálico do sangue inundou sua boca instantaneamente. Ele ficou ali, esperando o próximo golpe, desejando que a dor física apagasse a queimação em sua alma. Mas o golpe não veio.
Ao abrir os olhos, Gabriel viu Samuel ofegante, com lágrimas transbordando dos olhos castanhos. Mas não era apenas tristeza; era uma fome desesperada.
— Você acha que eu dou a mínima para a Monica? — rugiu Samuel.
Gabriel piscou, confuso, enquanto limpava o sangue do lábio.
— O quê? Mas... ela é sua ex... você sofreu tanto...
— Eu sofri porque eu queria que você fosse o homem que ela queria! — Samuel se ajoelhou sobre ele, prendendo seus pulsos contra o cimento frio. — Eu passei anos fingindo que a amava só para ter um motivo para falar de você com ela! Para saber se você notava ela, para imaginar se você sentia o mesmo que eu sinto por você!
O coração de Gabriel martelou contra as costelas. A revelação foi como um raio que iluminou anos de sombras. Os toques "acidentais", os olhares prolongados, a proteção excessiva... tudo fazia sentido.
— Eu não sinto raiva dela, Gabriel — continuou Samuel, a respiração quente contra o pescoço do amigo. — Eu sinto raiva de você por ser tão cego. Por ser tão gentil com todo mundo, menos comigo. Eu queria que você me olhasse do jeito que olhou para ela.
— Samuel... — sussurrou Gabriel, a voz embargada. — Eu também sinto isso. Eu sempre quis você.
Samuel soltou um rosnado baixo e atacou a boca de Gabriel. Não havia nada de gentil naquele beijo. Era uma explosão de anos de repressão. As línguas se chocavam com fúria, e o gosto do sangue de Gabriel misturava-se à saliva de ambos.
***
O quarto de Samuel cheirava a sabão de coco e a algo puramente masculino. Quando foram para a cama, a luz do luar que entrava pela janela criava sombras dramáticas em seus corpos. Samuel estava possesso, uma intensidade que o TDH costumava esconder sob uma camada de calma.
— Eu vou tirar cada rastro daquela puta de você — declarou Samuel, a voz rouca.
Ele desceu pelo corpo de Gabriel, a língua traçando um caminho de fogo pelo abdômen dele. Quando Samuel o envolveu com a boca, Gabriel arqueou as costas, enterrando os dedos nos cachos escuros do amigo. O prazer era tão agudo que beirava a agonia.
— Ah, porra, Samuel... sim, assim... — gemeu Gabriel.
Sem lubrificante, usando apenas a urgência do momento e a própria saliva, Samuel se posicionou. Ele pressionou a entrada de Gabriel, testando a resistência, antes de empurrar com um impulso firme.
Gabriel soltou um grito abafado. A sensação de preenchimento era absoluta. O pau de Samuel era grosso, reivindicando cada centímetro de seu interior. Eles ficaram imóveis por um segundo, testas coladas, as respirações tentando encontrar um ritmo comum.
— Você é meu, Gabriel — disse Samuel, os olhos fixos nos dele. — Entendeu? Só meu.
O movimento começou lento, mas logo se transformou em uma cadência violenta e passional. O som da pele batendo contra a pele e o deslizar úmido do sexo preenchiam o quarto, abafando os sons da noite piauiense. Samuel agarrava os quadris de Gabriel com tanta força que deixaria marcas, mas Gabriel não se importava. Ele queria aquelas marcas.
— Mais... por favor, Samuel, vai mais fundo... — suplicou Gabriel, perdendo o sentido de si mesmo.
Samuel obedeceu, acelerando as estocadas. Ele virou Gabriel de quatro, buscando uma penetração ainda mais profunda, atingindo a próstata do amigo com uma precisão que fazia a visão de Gabriel escurecer em flashes de luz. A cada golpe, a conexão entre eles se fortalecia, transformando a traição de Monica em uma nota de rodapé irrelevante.
— Eu te amo... porra, Samuel, eu te amo! — gritou Gabriel, no auge do delírio.
Samuel soltou um grito gutural, o corpo esticado ao máximo, e gozou dentro de Gabriel. O jato quente foi sentido como uma marca definitiva. Quase ao mesmo tempo, Gabriel atingiu seu próprio ápice, o prazer irradiando de seu centro sem que ele precisasse de qualquer outro toque.
***
A madrugada trouxe uma brisa fresca que balançava as cortinas de algodão cru. Deitados e abraçados, o suor secando em suas peles, o silêncio agora era de paz, não de culpa. Samuel descansava a cabeça no peito de Gabriel, ouvindo as batidas do coração que agora lhe pertencia oficialmente.
— Você ainda está pensando nela? — perguntou Samuel baixinho.
Gabriel beijou o topo da cabeça dele, inalando o cheiro familiar e amado.
— Ela não existe mais para mim, Samuel. Nada mais importa além disso aqui.
Samuel soltou uma risada leve, um som que aqueceu a alma de Gabriel mais do que o sol da tarde.
— Eu demorei muito para conseguir te dizer, né? — comentou Samuel. — Meu cérebro às vezes parece que roda em outra velocidade, eu me perco no que é real e no que eu só imagino.
— Eu é que sou um idiota — retribuiu Gabriel, apertando-o mais forte. — Eu estava tão focado em ser o "amigo perfeito" que esqueci de olhar para o que a gente realmente era.
— A gente é um desastre, Gabriel — disse Samuel, levantando o rosto para encará-lo com ternura. — Mas é o meu desastre favorito.
Eles se beijaram novamente, desta vez com uma calma exploratória, saboreando a promessa de que não haveria mais segredos.
— O que a gente faz agora? — perguntou Gabriel.
— Agora a gente dorme — respondeu Samuel, fechando os olhos. — E amanhã... amanhã a gente descobre como contar para a cidade inteira que você é meu.
Gabriel sorriu, sentindo-se finalmente em casa. Em Capitão de Campo, o sol sempre voltaria a queimar, mas ele sabia que, a partir de agora, não precisaria mais caminhar sozinho sob aquele calor.
