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Improvavel

Fandom: Harry potter

Criado: 02/07/2026

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O Eco do Passado no Ventre

As masmorras da Sonserina sempre foram frias, mas naquele inverno de 1992, o gelo parecia ter se infiltrado nos próprios ossos de Clara Weasley. Ela se olhou no espelho embaçado do banheiro feminino, sentindo o aperto desconfortável das vestes escolares. Clara nunca fora uma garota magra; suas curvas e o corpo mais cheio sempre foram motivo de sua insegurança, uma Weasley "fora do padrão" que, para completar o desastre familiar, fora selecionada para a casa das serpentes. Mas agora, havia algo diferente. Não era apenas o peso das tortas de melaço do Salão Principal. Havia uma rigidez em seu ventre, uma pulsação estranha que a acompanhava desde que acordara de volta em seu tempo original.

A viagem no tempo fora um acidente catastrófico. Meses vivendo na década de 1940, tentando desesperadamente dobrar a vontade de ferro de Tom Riddle, o monitor perfeito e cruel. Ela falhara. Ela tentara salvá-lo com amor, entregando-se a ele em noites de uma paixão doentia e possessiva, mas Tom apenas usara aquele sentimento para alimentar sua própria escuridão. Quando o vira-tempo quebrado finalmente a puxou de volta para 1992, Clara acreditou que deixaria o monstro para trás.

— Você está pálida, Clara. Mais do que o normal.

Clara deu um pulo, virando-se para encontrar sua irmã caçula, Gina, parada à porta do banheiro. A menina parecia abatida, com olheiras profundas e as mãos tremendo levemente enquanto abraçava um pequeno caderno de capa de couro preta contra o peito.

— Estou bem, Gina. Só... o café da manhã não caiu muito bem — mentiu Clara, ajeitando a gravata verde e prata.

— Ele diz que você esconde segredos — sussurrou Gina, os olhos perdidos em algum ponto atrás de Clara.

Clara franziu a testa, aproximando-se da irmã. O comportamento de Gina vinha piorando desde o início do ano letivo. Sendo uma Weasley na Sonserina, Clara já tinha problemas suficientes com o desprezo de Draco Malfoy e a indiferença de seus próprios irmãos, mas o estado de Gina a preocupava genuinamente.

— "Ele"? De quem você está falando, Gina? Do Harry? Do Ron?

Gina apertou o diário com mais força.

— Do Tom. Ele é meu único amigo de verdade aqui. Ele me entende. Ele diz que sente uma presença familiar em Hogwarts... algo que ele perdeu há muito tempo.

O coração de Clara parou por um segundo. "Tom". O nome ecoou como um chicote em sua mente.

— Que Tom, Gina? Deixe-me ver esse livro.

— Não! — Gina recuou, os olhos brilhando com uma intensidade febril. — Ele disse que você voltaria. Ele disse que uma garota com o seu cheiro e o seu rosto tinha quebrado o coração dele, e que ele nunca mais deixaria ninguém fazer isso de novo.

Clara sentiu uma tontura avassaladora. Ela cambaleou e precisou se apoiar na pia de mármore. O Tom que ela conhecera em 1944 era calculista, mas o que Gina descrevia parecia algo muito mais perverso, uma consciência preservada que estava se alimentando da força vital de sua irmãzinha.

— Gina, me escute bem — disse Clara, a voz falhando. — Esse diário... você precisa se livrar dele. Ele não é quem você pensa.

— Você não sabe de nada! — gritou Gina, antes de sair correndo do banheiro, deixando Clara sozinha com o silêncio das masmorras e uma náusea que não tinha nada a ver com a comida de Hogwarts.

Durante as aulas de Poções daquela tarde, Clara mal conseguia se concentrar. Snape pairava sobre ela como um morcego gigante, mas nem mesmo o terror que ele inspirava era maior do que a percepção que começava a florescer em sua mente. Ela contou os dias. Contou as semanas. Desde que voltara da década de 40, sua menstruação não viera. Ela achou que fosse o estresse da viagem temporal, o choque mágico de saltar cinquenta anos em um piscar de olhos.

Mas, ao tocar o próprio ventre, sentiu um calor que não era dela. Era uma magia negra, densa e familiar. Uma magia que cheirava a sândalo, pergaminho velho e morte.

— Senhorita Weasley — a voz arrastada de Snape a trouxe de volta. — Se o seu caldeirão explodir porque você está ocupada demais acariciando a própria barriga, eu pessoalmente garantirei que sua detenção dure até o fim do século.

— Desculpe, professor — murmurou ela, baixando a cabeça, sentindo o rosto queimar.

Enquanto isso, no fundo do Diário de Tom Riddle, o fragmento de alma que ali residia estava em êxtase. Através dos olhos de Gina, ele vira Clara. Ele a reconhecera instantaneamente. A garota que ousara amá-lo e depois desaparecera no ar, deixando-o com um vazio que ele transformara em ódio puro. Mas havia algo mais. Através da conexão psíquica que ele estava estabelecendo com o castelo, ele sentiu.

Um herdeiro.

Naquela noite, na sala comunal da Grifinória, Gina Weasley sentou-se em um canto escuro e abriu o diário.

— Tom? — a pena dela tremeu sobre o papel. — Minha irmã, Clara... ela está agindo de forma estranha. Ela parece doente.

As palavras apareceram no papel, a caligrafia elegante e perfeita de um jovem de dezesseis anos.

— "Sua irmã é uma ladra, Gina. Ela tirou algo de mim que eu nem sabia que possuía. Diga-me... ela tem tido desejos? Ela parece mais... cheia de vida?"

— Ela está mais gordinha — escreveu Gina, sem entender. — E ela chora o tempo todo escondida.

— "Leve-a para a Câmara, Gina. Traga-a para mim. Eu preciso ver o que ela carrega. Eu preciso ver o que o tempo tentou me roubar."

Gina fechou o livro, seus olhos agora completamente vidrados, as pupilas dilatadas. Ela se levantou como uma marionete e caminhou em direção aos dormitórios das masmorras.

Clara estava deitada em sua cama de dossel, as cortinas verdes fechadas. Ela estava sem fôlego. O bebê — se é que aquilo poderia ser chamado de bebê — estava se movendo. Mas não eram chutes normais. Eram como ondas de poder que faziam as velas do quarto oscilarem. Era impossível. Biologicamente, magicamente, era uma aberração. Como ela poderia ter concebido um filho no passado e trazido a gestação para o futuro?

— A magia do tempo não segue as leis dos homens — sussurrou uma voz na escuridão do seu quarto.

Clara sentou-se bruscamente, puxando a varinha.

— Quem está aí?

As cortinas se abriram lentamente. Gina estava parada ali, mas não era a Gina. A postura era ereta demais, o sorriso era cruel e seguro.

— Olá, Clara — disse a voz de Gina, mas o tom era o barítono sedutor de Tom Riddle. — Você achou que poderia fugir de mim? Que poderia levar o que é meu para este tempo patético e me deixar para trás?

— Tom? — Clara deixou a varinha cair sobre os lençóis. — Como... através da Gina?

— Ela é tão fácil de manipular. Tão cheia de inseguranças, assim como você era — o "Tom-Gina" aproximou-se da cama, estendendo a mão pequena para tocar o ventre de Clara.

Clara recuou, horrorizada.

— Não toque nela! Ou nele!

— Ah, então você já sabe — o brilho nos olhos de Gina era aterrorizante. — Eu senti no momento em que você pisou de volta em Hogwarts. Uma semente minha, crescendo em um receptáculo Weasley. Que ironia deliciosa. O sangue puro mais pobre misturado com a linhagem de Slytherin.

— Isso é impossível, Tom. Eu viajei cinquenta anos!

— O tempo é uma ilusão para quem domina as Artes das Trevas, minha querida Clara — ele se inclinou, sussurrando no ouvido dela. — Eu fiquei pior depois que você partiu. Eu matei, eu rachei minha alma, eu me tornei o que o mundo agora teme chamar pelo nome. Mas este pequeno ser... ele é a ponte. Ele é a minha garantia de que, mesmo se eu cair, eu nunca deixarei de existir.

Clara sentiu uma lágrima descer pelo rosto. Ela amara aquele monstro. Ela se entregara a ele em 1944 esperando encontrar uma centelha de humanidade, e agora, em 1992, ela carregava a consequência física daquela loucura.

— O que você vai fazer? — perguntou ela, a voz quebrada.

— Vou levar vocês para casa — disse Tom através de Gina. — A Câmara está aberta. O Basilisco aguarda sua rainha e o herdeiro que o tempo não pôde apagar.

Clara tentou gritar, mas a magia de Tom, canalizada através do corpo de sua irmã, a silenciou instantaneamente. Ela sentiu seu corpo flutuar, sendo guiado para fora do dormitório, enquanto a consciência de Tom Riddle ria dentro da mente de Gina.

Enquanto atravessavam os corredores desertos, Clara olhou para baixo, para suas próprias mãos sobre o ventre. Ela sentiu um chute forte, um protesto de poder que quase a fez desmaiar. Não era apenas um bebê. Era uma força da natureza que não pertencia a nenhum século. E, pela primeira vez, Clara Weasley não sentiu medo por si mesma, mas por todo o mundo bruxo. Pois se Tom Riddle já era um monstro, o que nasceria da união entre um Lorde das Trevas e uma viajante do tempo perdida?

— Venha, Clara — murmurou Gina, abrindo a entrada do banheiro da Murta Que Geme. — O passado e o presente estão prestes a colidir.

E, com um empurrão frio, Clara Weasley foi levada para as profundezas da terra, carregando no ventre o segredo mais sombrio que Hogwarts já abrigara.
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