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You are my destiny.
Fandom: autoral
Criado: 02/07/2026
Tags
RomanceDramaFantasiaAçãoAventuraDivergênciaRecontarSombrioSuspenseViolência Gráfica
O Sangue da Coroa e o Perfume das Rosas Brancas
O salão de audiências do Reino de Astris parecia mais estreito a cada dia, como se as paredes de pedra polida estivessem se fechando sobre Kasha. O cheiro de incenso caro e o murmúrio constante dos conselheiros eram ruídos que ela aprendera a ignorar com uma disciplina férrea. No centro de tudo, sentado no trono de carvalho e ouro, seu pai, o Rei Valerius, encarava-a com uma expectativa que beirava a impaciência.
Kasha mantinha a postura impecável. Seus cabelos pretos, longos e lisos como a seda mais fina das terras do leste, caíam em cascata sobre a armadura leve de couro e prata. Ela não era apenas uma princesa; era a general que havia repelido as incursões do norte e a estrategista que mantinha a economia do reino estável. No entanto, para o rei e para a corte, ela ainda era uma peça de tabuleiro que precisava de um par.
— O Príncipe Julian de Oakhaven é um homem de posses, Kasha — declarou o rei, sua voz ecoando pelo salão. — Ele traria a frota que precisamos para consolidar nossa rota comercial. Por que o desprezo?
Kasha deu um passo à frente, o som de suas botas de montaria ecoando com firmeza.
— Julian não sabe a diferença entre uma estratégia de cerco e um jogo de cartas, meu pai. Eu não governarei ao lado de um homem que precisa ser ensinado a segurar uma espada, muito menos um que não entende a complexidade do povo que pretendemos liderar.
— Você não precisa de um guerreiro, precisa de um herdeiro! — rebateu Valerius, perdendo a paciência. — Como não tive um filho homem, o peso da linhagem recai sobre seus ombros. Se não escolher um marido entre os pretendentes que convidei para o baile de amanhã, o Conselho terá o direito de intervir.
Kasha sentiu um frio gélido percorrer sua espinha, mas seu rosto permaneceu uma máscara de determinação inabalável. Ela já tinha um plano, um que nenhum daqueles homens velhos e gananciosos poderia prever.
— Eu escolherei, pai — disse ela, sua voz baixa e perigosa. — Mas a escolha será minha, e as consequências também.
Ao sair do salão, Kasha não se dirigiu aos seus aposentos. Em vez disso, ela atravessou as passagens laterais do castelo, evitando os olhares curiosos das damas de companhia e dos guardas. Ela precisava de ar, mas, acima de tudo, precisava de Dalilah.
O Reino de Elara, vizinho a Astris, era conhecido por suas colinas suaves e sua produção de conhecimento e arte. Era lá que Dalilah vivia, a filha do Rei Elian. Aos olhos do mundo, Dalilah era uma flor delicada: cabelos loiros ondulados que pareciam capturar a luz do sol, olhos grandes e expressivos, e uma voz que raramente se elevava acima de um sussurro gentil. Muitos a viam como frágil, uma princesa que passava horas na biblioteca ou cuidando dos jardins.
Kasha sabia a verdade. Kasha vira a inteligência afiada de Dalilah ao decifrar códigos antigos que os estudiosos haviam abandonado. Vira a coragem silenciosa da loira ao enfrentar uma peste que assolara as aldeias de fronteira, cuidando dos doentes quando ninguém mais ousava se aproximar.
O encontro secreto estava marcado nos limites dos dois reinos, um bosque de carvalhos onde as sombras eram densas o suficiente para esconder duas mulheres que carregavam o destino de nações em suas mãos.
Quando Kasha avistou a silhueta de Dalilah sob o luar, seu coração, geralmente frio e calculista, acelerou. Dalilah usava um manto azul-escuro, os cachos loiros escapando pelo capuz.
— Você veio — disse Kasha, aproximando-se com passos rápidos.
Dalilah virou-se, um sorriso suave iluminando seu rosto. Ela estendeu as mãos, e Kasha as segurou com força, sentindo a maciez da pele contra a calosidade de suas próprias palmas.
— Eu sempre venho, Kasha. Você parece... tensa. O baile de amanhã?
— Meu pai está perdendo a paciência — Kasha suspirou, puxando Dalilah para mais perto. — Ele quer que eu escolha um dos idiotas que ele reuniu. Ele quer um rei para Astris, Dalilah. Mas eu não quero um rei. Eu quero uma rainha.
Dalilah baixou o olhar por um momento, a luz da lua refletindo em seus olhos claros.
— Você sabe o que eles dirão. O escândalo, a quebra de tradição... Meu pai nunca permitiria que eu me casasse com outra herdeira, especialmente se isso significasse que eu deixaria Elara sem sucessão direta.
— Deixe que falem — Kasha disse, sua voz ganhando uma cadência autoritária. — Eu não sou apenas uma princesa, Dalilah. Eu sou a herdeira do trono mais forte deste continente. Eu passei meses estudando os tratados de união. Existe uma brecha, uma antiga lei de soberania compartilhada que não é usada há séculos. Se eu te reivindicar como minha consorte por direito de conquista diplomática, e se você aceitar...
— Você quer dominar o meu reino? — Dalilah perguntou, mas não havia medo em sua voz, apenas uma curiosidade inteligente.
— Eu quero unir os reinos. Quero que governemos juntas. Primeiro, eu garantirei minha coroa em Astris. Depois, usarei minha força para proteger Elara de qualquer um que se oponha à nossa união. Eu vou tornar você minha rainha, Dalilah. Não uma rainha consorte que fica à sombra, mas uma governante ao meu lado.
Dalilah soltou uma das mãos de Kasha e tocou o rosto da guerreira, o polegar acariciando a linha do maxilar firme.
— Todos pensam que sou fraca, Kasha. Pensam que sou apenas um adorno. Se eu for com você, se eu aceitar esse plano, serei vista como uma traidora pelo meu próprio povo no início.
— Você é a mulher mais corajosa que eu conheço — afirmou Kasha com fervor. — Sua coragem não está na espada, mas na sua mente e no seu coração. Deixe que pensem o que quiserem. Quando virem o que construiremos juntas, eles se ajoelharão.
Dalilah respirou fundo, o perfume de rosas brancas que sempre a acompanhava envolvendo Kasha.
— O que você precisa que eu faça?
Kasha sorriu, um sorriso que enviaria calafrios aos seus inimigos.
— Amanhã, no baile, eu farei o anúncio oficial. Eu rejeitarei todos os pretendentes. O Rei Elian estará lá, não estará?
— Sim, meu pai pretende formalizar um novo acordo de exportação de grãos.
— Perfeito — Kasha disse, seus olhos brilhando com estratégia. — Eu vou interromper as negociações. Vou declarar que a única aliança que interessa a Astris é a união de sangue e trono com a linhagem de Elara. Vou exigir sua mão.
— E se eles tentarem nos impedir? — Dalilah perguntou, embora já soubesse a resposta.
— Meus guardas de elite já me juraram lealdade, não ao meu pai, mas a mim. Se houver resistência, eu tomarei o trono de Astris antes do amanhecer. Eu não queria que fosse assim, mas não permitirei que ninguém nos separe.
Dalilah aproximou-se mais, selando a promessa com um beijo. Foi um beijo que misturava a urgência da guerra e a doçura da esperança. Quando se afastaram, a determinação nos olhos de Dalilah era igual à de Kasha.
— Estarei lá — prometeu a loira. — E não se preocupe com o meu pai. Eu já comecei a mover as peças em Elara. Os generais dele me respeitam mais do que ele imagina. Se você atacar por fora, eu garantirei que as portas se abram por dentro.
Kasha sentiu um orgulho imenso. Era por isso que a amava. Dalilah não era apenas o seu coração; era a sua melhor aliada.
No dia seguinte, o Grande Salão de Astris estava decorado com estandartes de ouro e carmesim. Nobres de todas as partes do continente exibiam suas melhores sedas e joias. O Rei Valerius estava sentado em seu trono, observando Kasha, que vestia um traje de gala preto com detalhes em prata, sua espada cerimonial pendurada no quadril — um lembrete silencioso de seu poder.
Os pretendentes foram apresentados um a um. Julian de Oakhaven falou sobre suas frotas. O Duque de Veridia falou sobre suas terras. Kasha ouvia a todos com uma expressão de tédio educado, seus olhos constantemente buscando a entrada do salão.
Finalmente, a comitiva de Elara foi anunciada. O Rei Elian entrou, seguido por Dalilah. Ela estava deslumbrante em um vestido de seda branca que ondulava como água, seus cabelos loiros presos por uma tiara de safiras. Ela não olhou para Kasha de imediato, mas a tensão entre as duas era quase palpável.
— E então, minha filha? — o Rei Valerius levantou-se, sua voz silenciando a música. — O dia chegou ao fim. Qual desses nobres senhores terá a honra de governar ao seu lado?
Kasha caminhou até o centro do salão. O silêncio era absoluto. Ela olhou para o pai, depois para os pretendentes, e finalmente voltou-se para Dalilah.
— Nenhum deles — disse Kasha, sua voz clara e potente, alcançando cada canto do salão.
Um murmúrio de choque percorreu a multidão. O Rei Valerius ficou vermelho de raiva.
— Kasha! O que significa isso? Você deu sua palavra!
— Eu disse que escolheria, e eu escolhi — Kasha caminhou em direção a Dalilah. O Rei Elian tentou intervir, mas Kasha colocou a mão no punho de sua espada, um gesto que fez os guardas de Elara recuarem um passo. — Eu escolho a Princesa Dalilah de Elara.
O salão explodiu em caos. Gritos de "impossível" e "blasfêmia" ecoaram. O Rei Valerius desceu os degraus do trono, tremendo de fúria.
— Você enlouqueceu? Duas mulheres? Dois reinos sem herdeiros homens? Isso é o fim da nossa linhagem!
Kasha não recuou. Ela estendeu a mão para Dalilah.
— Isso é o começo de um império — declarou Kasha. — Pai, você sempre disse que eu deveria agir pelo bem de Astris. Uma aliança com Elara através de Dalilah nos torna a maior potência do continente. E quanto à linhagem... o sangue que corre em nossas veias é mais forte do que qualquer tradição obsoleta.
Dalilah deu um passo à frente, sua voz suave, mas carregada de uma autoridade que surpreendeu a todos os presentes.
— Meu pai — disse ela, olhando para o Rei Elian —, você sabe que Astris tem o poder militar que nos falta, e nós temos os recursos e o conhecimento que eles precisam. Esta união não é apenas um desejo do coração, é a decisão estratégica mais inteligente que qualquer um de nós poderia tomar. Eu aceito a proposta da Princesa Kasha.
— Eu não permitirei! — gritou Valerius. — Guardas, prendam a princesa por traição!
Mas ninguém se moveu. Os guardas de Astris, liderados pelo Capitão da Guarda que Kasha mesma treinara, permaneceram imóveis, com as mãos nos punhos de suas espadas, mas seus olhos fixos no chão ou na própria Kasha.
— Os guardas respondem a mim, pai — disse Kasha calmamente. — Eu liderei esses homens em batalhas onde você era apenas um nome em um selo de cera. Eles sabem quem é a verdadeira governante deste reino.
Ela virou-se para a multidão, sua presença dominando o espaço.
— Hoje, Astris e Elara se tornam um só sob o comando de duas rainhas. Aqueles que desejam prosperar sob nossa proteção, ajoelhem-se. Aqueles que desejam se opor... — ela desembainhou a espada de prata em um movimento fluido — ...que se preparem para enfrentar as consequências.
Houve um momento de hesitação. O Rei Elian olhou para a filha, vendo nela uma força que ele nunca se dera ao trabalho de notar. O Rei Valerius, percebendo que perdera o controle de seu próprio exército, caiu de volta em seu trono, derrotado pela própria filha que ele subestimara.
Um por um, os nobres começaram a se ajoelhar. Julian de Oakhaven foi o primeiro, percebendo que era melhor ser um aliado de Kasha do que seu inimigo. Logo, o salão era um mar de cabeças baixas.
Kasha guardou a espada e voltou-se para Dalilah. Ela não precisava mais se esconder nas sombras de um bosque.
— Eu prometi a você — sussurrou Kasha, apenas para que ela ouvisse. — Eu faria de você minha rainha.
Dalilah sorriu, a coragem brilhando em seus olhos ondulados.
— E eu prometi que as portas se abririam.
Kasha pegou a mão de Dalilah e, juntas, elas subiram os degraus em direção aos tronos. O caminho à frente seria difícil; haveria rebeliões, tentativas de assassinato e o desafio constante de mudar mentalidades seculares. Mas, enquanto Kasha olhava para Dalilah, ela sabia que nenhuma estratégia seria impossível e nenhum reino seria grande demais para elas dominarem.
A herdeira de Astris finalmente encontrara o que procurava. Não um marido para lhe dar um herdeiro, mas uma parceira para construir um legado que o tempo jamais apagaria. O reinado das duas rainhas estava apenas começando, e o mundo logo aprenderia que a união entre a força da espada e a inteligência do espírito era uma força impossível de ser detida.
Kasha mantinha a postura impecável. Seus cabelos pretos, longos e lisos como a seda mais fina das terras do leste, caíam em cascata sobre a armadura leve de couro e prata. Ela não era apenas uma princesa; era a general que havia repelido as incursões do norte e a estrategista que mantinha a economia do reino estável. No entanto, para o rei e para a corte, ela ainda era uma peça de tabuleiro que precisava de um par.
— O Príncipe Julian de Oakhaven é um homem de posses, Kasha — declarou o rei, sua voz ecoando pelo salão. — Ele traria a frota que precisamos para consolidar nossa rota comercial. Por que o desprezo?
Kasha deu um passo à frente, o som de suas botas de montaria ecoando com firmeza.
— Julian não sabe a diferença entre uma estratégia de cerco e um jogo de cartas, meu pai. Eu não governarei ao lado de um homem que precisa ser ensinado a segurar uma espada, muito menos um que não entende a complexidade do povo que pretendemos liderar.
— Você não precisa de um guerreiro, precisa de um herdeiro! — rebateu Valerius, perdendo a paciência. — Como não tive um filho homem, o peso da linhagem recai sobre seus ombros. Se não escolher um marido entre os pretendentes que convidei para o baile de amanhã, o Conselho terá o direito de intervir.
Kasha sentiu um frio gélido percorrer sua espinha, mas seu rosto permaneceu uma máscara de determinação inabalável. Ela já tinha um plano, um que nenhum daqueles homens velhos e gananciosos poderia prever.
— Eu escolherei, pai — disse ela, sua voz baixa e perigosa. — Mas a escolha será minha, e as consequências também.
Ao sair do salão, Kasha não se dirigiu aos seus aposentos. Em vez disso, ela atravessou as passagens laterais do castelo, evitando os olhares curiosos das damas de companhia e dos guardas. Ela precisava de ar, mas, acima de tudo, precisava de Dalilah.
O Reino de Elara, vizinho a Astris, era conhecido por suas colinas suaves e sua produção de conhecimento e arte. Era lá que Dalilah vivia, a filha do Rei Elian. Aos olhos do mundo, Dalilah era uma flor delicada: cabelos loiros ondulados que pareciam capturar a luz do sol, olhos grandes e expressivos, e uma voz que raramente se elevava acima de um sussurro gentil. Muitos a viam como frágil, uma princesa que passava horas na biblioteca ou cuidando dos jardins.
Kasha sabia a verdade. Kasha vira a inteligência afiada de Dalilah ao decifrar códigos antigos que os estudiosos haviam abandonado. Vira a coragem silenciosa da loira ao enfrentar uma peste que assolara as aldeias de fronteira, cuidando dos doentes quando ninguém mais ousava se aproximar.
O encontro secreto estava marcado nos limites dos dois reinos, um bosque de carvalhos onde as sombras eram densas o suficiente para esconder duas mulheres que carregavam o destino de nações em suas mãos.
Quando Kasha avistou a silhueta de Dalilah sob o luar, seu coração, geralmente frio e calculista, acelerou. Dalilah usava um manto azul-escuro, os cachos loiros escapando pelo capuz.
— Você veio — disse Kasha, aproximando-se com passos rápidos.
Dalilah virou-se, um sorriso suave iluminando seu rosto. Ela estendeu as mãos, e Kasha as segurou com força, sentindo a maciez da pele contra a calosidade de suas próprias palmas.
— Eu sempre venho, Kasha. Você parece... tensa. O baile de amanhã?
— Meu pai está perdendo a paciência — Kasha suspirou, puxando Dalilah para mais perto. — Ele quer que eu escolha um dos idiotas que ele reuniu. Ele quer um rei para Astris, Dalilah. Mas eu não quero um rei. Eu quero uma rainha.
Dalilah baixou o olhar por um momento, a luz da lua refletindo em seus olhos claros.
— Você sabe o que eles dirão. O escândalo, a quebra de tradição... Meu pai nunca permitiria que eu me casasse com outra herdeira, especialmente se isso significasse que eu deixaria Elara sem sucessão direta.
— Deixe que falem — Kasha disse, sua voz ganhando uma cadência autoritária. — Eu não sou apenas uma princesa, Dalilah. Eu sou a herdeira do trono mais forte deste continente. Eu passei meses estudando os tratados de união. Existe uma brecha, uma antiga lei de soberania compartilhada que não é usada há séculos. Se eu te reivindicar como minha consorte por direito de conquista diplomática, e se você aceitar...
— Você quer dominar o meu reino? — Dalilah perguntou, mas não havia medo em sua voz, apenas uma curiosidade inteligente.
— Eu quero unir os reinos. Quero que governemos juntas. Primeiro, eu garantirei minha coroa em Astris. Depois, usarei minha força para proteger Elara de qualquer um que se oponha à nossa união. Eu vou tornar você minha rainha, Dalilah. Não uma rainha consorte que fica à sombra, mas uma governante ao meu lado.
Dalilah soltou uma das mãos de Kasha e tocou o rosto da guerreira, o polegar acariciando a linha do maxilar firme.
— Todos pensam que sou fraca, Kasha. Pensam que sou apenas um adorno. Se eu for com você, se eu aceitar esse plano, serei vista como uma traidora pelo meu próprio povo no início.
— Você é a mulher mais corajosa que eu conheço — afirmou Kasha com fervor. — Sua coragem não está na espada, mas na sua mente e no seu coração. Deixe que pensem o que quiserem. Quando virem o que construiremos juntas, eles se ajoelharão.
Dalilah respirou fundo, o perfume de rosas brancas que sempre a acompanhava envolvendo Kasha.
— O que você precisa que eu faça?
Kasha sorriu, um sorriso que enviaria calafrios aos seus inimigos.
— Amanhã, no baile, eu farei o anúncio oficial. Eu rejeitarei todos os pretendentes. O Rei Elian estará lá, não estará?
— Sim, meu pai pretende formalizar um novo acordo de exportação de grãos.
— Perfeito — Kasha disse, seus olhos brilhando com estratégia. — Eu vou interromper as negociações. Vou declarar que a única aliança que interessa a Astris é a união de sangue e trono com a linhagem de Elara. Vou exigir sua mão.
— E se eles tentarem nos impedir? — Dalilah perguntou, embora já soubesse a resposta.
— Meus guardas de elite já me juraram lealdade, não ao meu pai, mas a mim. Se houver resistência, eu tomarei o trono de Astris antes do amanhecer. Eu não queria que fosse assim, mas não permitirei que ninguém nos separe.
Dalilah aproximou-se mais, selando a promessa com um beijo. Foi um beijo que misturava a urgência da guerra e a doçura da esperança. Quando se afastaram, a determinação nos olhos de Dalilah era igual à de Kasha.
— Estarei lá — prometeu a loira. — E não se preocupe com o meu pai. Eu já comecei a mover as peças em Elara. Os generais dele me respeitam mais do que ele imagina. Se você atacar por fora, eu garantirei que as portas se abram por dentro.
Kasha sentiu um orgulho imenso. Era por isso que a amava. Dalilah não era apenas o seu coração; era a sua melhor aliada.
No dia seguinte, o Grande Salão de Astris estava decorado com estandartes de ouro e carmesim. Nobres de todas as partes do continente exibiam suas melhores sedas e joias. O Rei Valerius estava sentado em seu trono, observando Kasha, que vestia um traje de gala preto com detalhes em prata, sua espada cerimonial pendurada no quadril — um lembrete silencioso de seu poder.
Os pretendentes foram apresentados um a um. Julian de Oakhaven falou sobre suas frotas. O Duque de Veridia falou sobre suas terras. Kasha ouvia a todos com uma expressão de tédio educado, seus olhos constantemente buscando a entrada do salão.
Finalmente, a comitiva de Elara foi anunciada. O Rei Elian entrou, seguido por Dalilah. Ela estava deslumbrante em um vestido de seda branca que ondulava como água, seus cabelos loiros presos por uma tiara de safiras. Ela não olhou para Kasha de imediato, mas a tensão entre as duas era quase palpável.
— E então, minha filha? — o Rei Valerius levantou-se, sua voz silenciando a música. — O dia chegou ao fim. Qual desses nobres senhores terá a honra de governar ao seu lado?
Kasha caminhou até o centro do salão. O silêncio era absoluto. Ela olhou para o pai, depois para os pretendentes, e finalmente voltou-se para Dalilah.
— Nenhum deles — disse Kasha, sua voz clara e potente, alcançando cada canto do salão.
Um murmúrio de choque percorreu a multidão. O Rei Valerius ficou vermelho de raiva.
— Kasha! O que significa isso? Você deu sua palavra!
— Eu disse que escolheria, e eu escolhi — Kasha caminhou em direção a Dalilah. O Rei Elian tentou intervir, mas Kasha colocou a mão no punho de sua espada, um gesto que fez os guardas de Elara recuarem um passo. — Eu escolho a Princesa Dalilah de Elara.
O salão explodiu em caos. Gritos de "impossível" e "blasfêmia" ecoaram. O Rei Valerius desceu os degraus do trono, tremendo de fúria.
— Você enlouqueceu? Duas mulheres? Dois reinos sem herdeiros homens? Isso é o fim da nossa linhagem!
Kasha não recuou. Ela estendeu a mão para Dalilah.
— Isso é o começo de um império — declarou Kasha. — Pai, você sempre disse que eu deveria agir pelo bem de Astris. Uma aliança com Elara através de Dalilah nos torna a maior potência do continente. E quanto à linhagem... o sangue que corre em nossas veias é mais forte do que qualquer tradição obsoleta.
Dalilah deu um passo à frente, sua voz suave, mas carregada de uma autoridade que surpreendeu a todos os presentes.
— Meu pai — disse ela, olhando para o Rei Elian —, você sabe que Astris tem o poder militar que nos falta, e nós temos os recursos e o conhecimento que eles precisam. Esta união não é apenas um desejo do coração, é a decisão estratégica mais inteligente que qualquer um de nós poderia tomar. Eu aceito a proposta da Princesa Kasha.
— Eu não permitirei! — gritou Valerius. — Guardas, prendam a princesa por traição!
Mas ninguém se moveu. Os guardas de Astris, liderados pelo Capitão da Guarda que Kasha mesma treinara, permaneceram imóveis, com as mãos nos punhos de suas espadas, mas seus olhos fixos no chão ou na própria Kasha.
— Os guardas respondem a mim, pai — disse Kasha calmamente. — Eu liderei esses homens em batalhas onde você era apenas um nome em um selo de cera. Eles sabem quem é a verdadeira governante deste reino.
Ela virou-se para a multidão, sua presença dominando o espaço.
— Hoje, Astris e Elara se tornam um só sob o comando de duas rainhas. Aqueles que desejam prosperar sob nossa proteção, ajoelhem-se. Aqueles que desejam se opor... — ela desembainhou a espada de prata em um movimento fluido — ...que se preparem para enfrentar as consequências.
Houve um momento de hesitação. O Rei Elian olhou para a filha, vendo nela uma força que ele nunca se dera ao trabalho de notar. O Rei Valerius, percebendo que perdera o controle de seu próprio exército, caiu de volta em seu trono, derrotado pela própria filha que ele subestimara.
Um por um, os nobres começaram a se ajoelhar. Julian de Oakhaven foi o primeiro, percebendo que era melhor ser um aliado de Kasha do que seu inimigo. Logo, o salão era um mar de cabeças baixas.
Kasha guardou a espada e voltou-se para Dalilah. Ela não precisava mais se esconder nas sombras de um bosque.
— Eu prometi a você — sussurrou Kasha, apenas para que ela ouvisse. — Eu faria de você minha rainha.
Dalilah sorriu, a coragem brilhando em seus olhos ondulados.
— E eu prometi que as portas se abririam.
Kasha pegou a mão de Dalilah e, juntas, elas subiram os degraus em direção aos tronos. O caminho à frente seria difícil; haveria rebeliões, tentativas de assassinato e o desafio constante de mudar mentalidades seculares. Mas, enquanto Kasha olhava para Dalilah, ela sabia que nenhuma estratégia seria impossível e nenhum reino seria grande demais para elas dominarem.
A herdeira de Astris finalmente encontrara o que procurava. Não um marido para lhe dar um herdeiro, mas uma parceira para construir um legado que o tempo jamais apagaria. O reinado das duas rainhas estava apenas começando, e o mundo logo aprenderia que a união entre a força da espada e a inteligência do espírito era uma força impossível de ser detida.
