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Beginning
Fandom: One piece
Criado: 02/07/2026
Tags
RomanceFatias de VidaFofuraHumorCenário CanônicoAbuso de Álcool
Ressaca, Arrependimento e Lâminas Afiadas
O sol do meio-dia castigava o convés do Thousand Sunny com uma intensidade impiedosa. Para Usopp, cada raio de luz parecia um prego sendo martelado diretamente em seu crânio. Ela estava sentada em um banco na sombra da cozinha, segurando uma caneca de chá medicinal que Chopper a forçara a beber, enquanto Nami a encarava com os braços cruzados e uma expressão que alternava entre a fúria e a diversão contida.
— Eu não consigo acreditar que você fez isso, Usopp — disse Nami, balançando a cabeça. — Beijar dois estranhos em um bar? E depois ser carregada pelo Zoro como um saco de batatas sujo?
Usopp gemeu, escondendo o rosto entre as mãos. Seus cabelos pretos cacheados estavam presos em um coque desleixado, e seu nariz comprido parecia pontuar sua vergonha.
— Por favor, Nami, fale mais baixo... — implorou ela com a voz rouca. — Eu me lembro de flashes. Luzes, música alta e... e de um cara com um sorriso muito esquisito me oferecendo um drink. Depois disso, tudo é um borrão de cores e cheiro de rum barato.
— Aquele "sorriso esquisito" ia te drogar se o Zoro não tivesse chegado a tempo — Nami comentou, suavizando o tom, mas ainda firme. — Você deu sorte. Se não fosse pelo senso de direção terrível dele, que por milagre o levou ao bar certo, as coisas teriam terminado muito mal.
Usopp estremeceu. A ideia de ter sido salva por Zoro não era o que a incomodava — eles eram companheiros, afinal. O problema era a sensação incômoda de que algo mais tinha acontecido. Uma memória específica, quente e embaraçosa, cutucava o fundo de sua mente.
— Nami... — Usopp hesitou, olhando para a navegadora por entre os dedos. — O Zoro disse alguma coisa? Sobre o caminho de volta?
Nami soltou um risinho curto e deu de ombros.
— Ele estava agindo de forma mais estranha que o normal. Ficou vermelho quando a Robin fez uma piada e sumiu para treinar antes mesmo do café da manhã. Por quê? Você fez mais alguma coisa além de vomitar nas botas dele?
Usopp sentiu o rosto esquentar instantaneamente.
— Eu vomitei nas botas dele?! — gritou ela, esquecendo a dor de cabeça por um segundo.
— E no chão. E provavelmente na camisa dele — confirmou Nami, levantando-se para verificar seus mapas. — Boa sorte pedindo desculpas. Ele está na gávea desde o amanhecer.
Usopp ficou sozinha com seu chá amargo e sua consciência pesada. Ela se lembrava de braços fortes. Lembrava-se de uma sensação de segurança absoluta enquanto era carregada, o cheiro de metal e saquê que sempre acompanhava o espadachim. E então, a imagem dela puxando o rosto dele... o elogio... o toque rápido dos lábios.
— Não, não, não... — sussurrou ela para si mesma, batendo levemente a testa na mesa. — Eu não chamei o Zoro de bonito. Eu não beijei o Zoro. Foi um delírio da febre alcoólica. É isso.
Determinada a limpar sua barra (e talvez confirmar que nada daquilo fora real), Usopp se levantou. Suas pernas ainda estavam um pouco bambas, mas ela precisava enfrentar o "monstro" de cabelos verdes.
Ela atravessou o convés, evitando o olhar curioso de Sanji, que preparava o almoço, e começou a subir as cordas em direção à gávea. O vento marítimo ajudou a afastar a última névoa da ressaca, mas a ansiedade em seu peito só aumentava.
Quando sua cabeça ultrapassou a borda da gávea, ela o viu. Zoro estava sem camisa, o suor brilhando sobre seus músculos potentes enquanto ele levantava um peso que parecia pesar várias toneladas. O cabelo verde, curto como grama, estava úmido, e a expressão em seu rosto era de pura concentração.
Usopp engoliu em seco. Ele era, de fato, enorme.
— Hum... Zoro? — chamou ela, sua voz saindo mais fina do que pretendia.
O espadachim não parou imediatamente. Ele completou a série, soltando o peso com um estrondo que fez a gávea vibrar, e só então se virou. Ao ver Usopp, seus olhos se estreitaram por um breve segundo, e ela jurou ter visto as pontas de suas orelhas ficarem vermelhas.
— Você acordou — disse ele, a voz grossa e monótona. Ele pegou uma toalha e começou a secar o pescoço, sem olhar diretamente para ela.
— É... o Chopper me deu um remédio milagroso. Sabor horrível, mas funcional — Usopp subiu completamente e sentou-se no chão de madeira, mantendo uma distância segura. — Eu queria... bem, eu queria agradecer. Nami me contou que você me tirou de uma enrascada.
Zoro deu de ombros, finalmente sentando-se no banco de madeira, as três espadas descansando ao seu lado.
— Era o meu trabalho. Você foi descuidada.
— Eu sei, eu sei! — Usopp levantou as mãos em sinal de rendição. — A Grande Capitã Usopp teve um momento de fraqueza. Aqueles caras pareciam legais no começo, mas acho que a ilha tem um rum muito mais forte do que eu estou acostumada. E... o Franky me disse que eu sujei suas roupas. Eu posso lavá-las para você! Ou consertar qualquer coisa que tenha quebrado!
Zoro soltou um suspiro pesado, cruzando os braços sobre o peito musculoso.
— Esqueça as roupas. Já lavei.
O silêncio que se seguiu foi denso. Usopp brincava com as tiras de sua sandália, o coração martelando contra as costelas. Ela precisava saber.
— Zoro — começou ela, a voz baixa —, eu disse muitas bobagens ontem à noite?
Zoro ficou rígido. Ele olhou para o horizonte, para o mar azul infinito, e por um longo tempo não respondeu.
— Você não parava de falar — disse ele finalmente. — Sobre suas mentiras, sobre o mar... e sobre como eu era um ogro por estar te tirando da festa.
Usopp soltou um suspiro de alívio.
— Ah, menos mal. Só o normal, então. Eu tive um sonho esquisito de que tinha dito que você era bonito ou algo assim. Imagina só? — Ela riu, uma risada nervosa e aguda. — Que loucura a bebida faz com a gente, não é?
Zoro virou a cabeça lentamente para encará-la. O olhar dele era intenso, o tipo de olhar que ele usava antes de cortar o aço. Usopp parou de rir imediatamente.
— Não foi um sonho — disse ele, a voz baixa e perigosamente calma.
O mundo de Usopp pareceu parar.
— O quê?
— Você me chamou de bonito — repetiu Zoro, inclinando-se um pouco para a frente, a proximidade fazendo Usopp se encolher contra a parede da gávea. — E você me beijou. Antes de vomitar.
Usopp sentiu que poderia desmaiar ali mesmo. A vergonha era um peso físico, sufocante.
— Eu... eu... Zoro, eu sinto muito! — gritou ela, cobrindo o rosto com a capa. — Eu estava fora de mim! Eu beijei dois caras no bar, eu devia estar achando que você era um deles, ou talvez eu tenha batido a cabeça, ou...
— Você sabia exatamente quem eu era — interrompeu ele. — Você disse meu nome.
Usopp parou de balbuciar. Ela olhou para ele, os olhos grandes e úmidos. A morena pequena parecia ainda menor diante da imponência dele, mas havia uma sinceridade crua no ar que ela não conseguia evitar.
— Eu disse?
— Disse — Zoro desviou o olhar, parecendo subitamente interessado em uma cicatriz em sua mão. — E você não me comparou com aqueles idiotas do bar.
Houve outro silêncio, mas este era diferente. Não era carregado de vergonha, mas de uma tensão elétrica que Usopp nunca tinha sentido com nenhum outro companheiro. Ela observou o perfil de Zoro, a mandíbula forte, a determinação em cada linha de seu corpo.
— Bem... — sussurrou ela, reunindo uma coragem que não vinha de suas histórias de bravura, mas de algum lugar profundo em seu peito. — Eu posso ter estado bêbada, Zoro. Mas eu não costumo mentir sobre o que eu sinto quando estou com o coração aberto. Mesmo que o meu coração estivesse cheio de rum.
Zoro soltou um ruído que parecia uma risada abafada, ou talvez um rosnado de frustração.
— Você é uma idiota, Usopp.
— E você é um brutamontes sem senso de direção — rebateu ela, um pequeno sorriso surgindo em seus lábios.
Zoro finalmente a olhou nos olhos. A irritação que ele sentira durante a noite, o desconforto de ser pego de surpresa por um gesto de afeto, parecia ter se transformado em algo mais calmo.
— Da próxima vez que quiser testar se eu sou bonito — disse ele, levantando-se e pegando suas espadas —, faça isso sóbria. E sem vomitar em mim.
Ele passou por ela para descer da gávea, mas antes de sumir de vista, sua mão grande e calejada descansou por um segundo sobre a cabeça de Usopp, bagunçando seus cachos pretos de forma quase carinhosa.
Usopp ficou sentada ali por muito tempo depois que ele saiu. Suas bochechas ainda ardiam, e seu coração não tinha voltado ao ritmo normal. Ela olhou para as próprias mãos, sorrindo como uma boba.
— Sóbria, hein? — murmurou ela para o céu. — Isso soa como um desafio, Sr. Espadachim.
Lá embaixo, no convés, Robin observava Zoro descer. O espadachim caminhava com uma pressa incomum em direção à proa, o rosto ainda levemente tingido de vermelho.
— O sol está muito forte hoje, não acha, Zoro-kun? — comentou Robin, passando por ele com um livro na mão.
— Cale a boca, Robin — resmungou ele, embora não houvesse nenhuma agressividade real em sua voz.
Naquela tarde, o Thousand Sunny seguiu seu curso pelo Grand Line. Usopp não contou a Nami o que realmente aconteceu na gávea, e Zoro treinou com o triplo da intensidade habitual. Mas, durante o jantar, quando Sanji serviu a comida, seus olhos se encontraram por um breve momento sobre a mesa.
Usopp não desviou o olhar. Ela apenas sorriu, um sorriso pequeno, real e sem nenhuma mentira envolvida. E Zoro, o temido caçador de piratas, apenas bufou e voltou a comer, mas não conseguiu esconder o fato de que, pela primeira vez em muito tempo, ele não estava pensando em espadas, mas sim em uma pequena atiradora de nariz comprido que tinha a audácia de chamá-lo de bonito.
Afinal, em um mar cheio de monstros e perigos, talvez a coisa mais assustadora — e fascinante — fosse a verdade dita em um momento de embriaguez.
— Eu não consigo acreditar que você fez isso, Usopp — disse Nami, balançando a cabeça. — Beijar dois estranhos em um bar? E depois ser carregada pelo Zoro como um saco de batatas sujo?
Usopp gemeu, escondendo o rosto entre as mãos. Seus cabelos pretos cacheados estavam presos em um coque desleixado, e seu nariz comprido parecia pontuar sua vergonha.
— Por favor, Nami, fale mais baixo... — implorou ela com a voz rouca. — Eu me lembro de flashes. Luzes, música alta e... e de um cara com um sorriso muito esquisito me oferecendo um drink. Depois disso, tudo é um borrão de cores e cheiro de rum barato.
— Aquele "sorriso esquisito" ia te drogar se o Zoro não tivesse chegado a tempo — Nami comentou, suavizando o tom, mas ainda firme. — Você deu sorte. Se não fosse pelo senso de direção terrível dele, que por milagre o levou ao bar certo, as coisas teriam terminado muito mal.
Usopp estremeceu. A ideia de ter sido salva por Zoro não era o que a incomodava — eles eram companheiros, afinal. O problema era a sensação incômoda de que algo mais tinha acontecido. Uma memória específica, quente e embaraçosa, cutucava o fundo de sua mente.
— Nami... — Usopp hesitou, olhando para a navegadora por entre os dedos. — O Zoro disse alguma coisa? Sobre o caminho de volta?
Nami soltou um risinho curto e deu de ombros.
— Ele estava agindo de forma mais estranha que o normal. Ficou vermelho quando a Robin fez uma piada e sumiu para treinar antes mesmo do café da manhã. Por quê? Você fez mais alguma coisa além de vomitar nas botas dele?
Usopp sentiu o rosto esquentar instantaneamente.
— Eu vomitei nas botas dele?! — gritou ela, esquecendo a dor de cabeça por um segundo.
— E no chão. E provavelmente na camisa dele — confirmou Nami, levantando-se para verificar seus mapas. — Boa sorte pedindo desculpas. Ele está na gávea desde o amanhecer.
Usopp ficou sozinha com seu chá amargo e sua consciência pesada. Ela se lembrava de braços fortes. Lembrava-se de uma sensação de segurança absoluta enquanto era carregada, o cheiro de metal e saquê que sempre acompanhava o espadachim. E então, a imagem dela puxando o rosto dele... o elogio... o toque rápido dos lábios.
— Não, não, não... — sussurrou ela para si mesma, batendo levemente a testa na mesa. — Eu não chamei o Zoro de bonito. Eu não beijei o Zoro. Foi um delírio da febre alcoólica. É isso.
Determinada a limpar sua barra (e talvez confirmar que nada daquilo fora real), Usopp se levantou. Suas pernas ainda estavam um pouco bambas, mas ela precisava enfrentar o "monstro" de cabelos verdes.
Ela atravessou o convés, evitando o olhar curioso de Sanji, que preparava o almoço, e começou a subir as cordas em direção à gávea. O vento marítimo ajudou a afastar a última névoa da ressaca, mas a ansiedade em seu peito só aumentava.
Quando sua cabeça ultrapassou a borda da gávea, ela o viu. Zoro estava sem camisa, o suor brilhando sobre seus músculos potentes enquanto ele levantava um peso que parecia pesar várias toneladas. O cabelo verde, curto como grama, estava úmido, e a expressão em seu rosto era de pura concentração.
Usopp engoliu em seco. Ele era, de fato, enorme.
— Hum... Zoro? — chamou ela, sua voz saindo mais fina do que pretendia.
O espadachim não parou imediatamente. Ele completou a série, soltando o peso com um estrondo que fez a gávea vibrar, e só então se virou. Ao ver Usopp, seus olhos se estreitaram por um breve segundo, e ela jurou ter visto as pontas de suas orelhas ficarem vermelhas.
— Você acordou — disse ele, a voz grossa e monótona. Ele pegou uma toalha e começou a secar o pescoço, sem olhar diretamente para ela.
— É... o Chopper me deu um remédio milagroso. Sabor horrível, mas funcional — Usopp subiu completamente e sentou-se no chão de madeira, mantendo uma distância segura. — Eu queria... bem, eu queria agradecer. Nami me contou que você me tirou de uma enrascada.
Zoro deu de ombros, finalmente sentando-se no banco de madeira, as três espadas descansando ao seu lado.
— Era o meu trabalho. Você foi descuidada.
— Eu sei, eu sei! — Usopp levantou as mãos em sinal de rendição. — A Grande Capitã Usopp teve um momento de fraqueza. Aqueles caras pareciam legais no começo, mas acho que a ilha tem um rum muito mais forte do que eu estou acostumada. E... o Franky me disse que eu sujei suas roupas. Eu posso lavá-las para você! Ou consertar qualquer coisa que tenha quebrado!
Zoro soltou um suspiro pesado, cruzando os braços sobre o peito musculoso.
— Esqueça as roupas. Já lavei.
O silêncio que se seguiu foi denso. Usopp brincava com as tiras de sua sandália, o coração martelando contra as costelas. Ela precisava saber.
— Zoro — começou ela, a voz baixa —, eu disse muitas bobagens ontem à noite?
Zoro ficou rígido. Ele olhou para o horizonte, para o mar azul infinito, e por um longo tempo não respondeu.
— Você não parava de falar — disse ele finalmente. — Sobre suas mentiras, sobre o mar... e sobre como eu era um ogro por estar te tirando da festa.
Usopp soltou um suspiro de alívio.
— Ah, menos mal. Só o normal, então. Eu tive um sonho esquisito de que tinha dito que você era bonito ou algo assim. Imagina só? — Ela riu, uma risada nervosa e aguda. — Que loucura a bebida faz com a gente, não é?
Zoro virou a cabeça lentamente para encará-la. O olhar dele era intenso, o tipo de olhar que ele usava antes de cortar o aço. Usopp parou de rir imediatamente.
— Não foi um sonho — disse ele, a voz baixa e perigosamente calma.
O mundo de Usopp pareceu parar.
— O quê?
— Você me chamou de bonito — repetiu Zoro, inclinando-se um pouco para a frente, a proximidade fazendo Usopp se encolher contra a parede da gávea. — E você me beijou. Antes de vomitar.
Usopp sentiu que poderia desmaiar ali mesmo. A vergonha era um peso físico, sufocante.
— Eu... eu... Zoro, eu sinto muito! — gritou ela, cobrindo o rosto com a capa. — Eu estava fora de mim! Eu beijei dois caras no bar, eu devia estar achando que você era um deles, ou talvez eu tenha batido a cabeça, ou...
— Você sabia exatamente quem eu era — interrompeu ele. — Você disse meu nome.
Usopp parou de balbuciar. Ela olhou para ele, os olhos grandes e úmidos. A morena pequena parecia ainda menor diante da imponência dele, mas havia uma sinceridade crua no ar que ela não conseguia evitar.
— Eu disse?
— Disse — Zoro desviou o olhar, parecendo subitamente interessado em uma cicatriz em sua mão. — E você não me comparou com aqueles idiotas do bar.
Houve outro silêncio, mas este era diferente. Não era carregado de vergonha, mas de uma tensão elétrica que Usopp nunca tinha sentido com nenhum outro companheiro. Ela observou o perfil de Zoro, a mandíbula forte, a determinação em cada linha de seu corpo.
— Bem... — sussurrou ela, reunindo uma coragem que não vinha de suas histórias de bravura, mas de algum lugar profundo em seu peito. — Eu posso ter estado bêbada, Zoro. Mas eu não costumo mentir sobre o que eu sinto quando estou com o coração aberto. Mesmo que o meu coração estivesse cheio de rum.
Zoro soltou um ruído que parecia uma risada abafada, ou talvez um rosnado de frustração.
— Você é uma idiota, Usopp.
— E você é um brutamontes sem senso de direção — rebateu ela, um pequeno sorriso surgindo em seus lábios.
Zoro finalmente a olhou nos olhos. A irritação que ele sentira durante a noite, o desconforto de ser pego de surpresa por um gesto de afeto, parecia ter se transformado em algo mais calmo.
— Da próxima vez que quiser testar se eu sou bonito — disse ele, levantando-se e pegando suas espadas —, faça isso sóbria. E sem vomitar em mim.
Ele passou por ela para descer da gávea, mas antes de sumir de vista, sua mão grande e calejada descansou por um segundo sobre a cabeça de Usopp, bagunçando seus cachos pretos de forma quase carinhosa.
Usopp ficou sentada ali por muito tempo depois que ele saiu. Suas bochechas ainda ardiam, e seu coração não tinha voltado ao ritmo normal. Ela olhou para as próprias mãos, sorrindo como uma boba.
— Sóbria, hein? — murmurou ela para o céu. — Isso soa como um desafio, Sr. Espadachim.
Lá embaixo, no convés, Robin observava Zoro descer. O espadachim caminhava com uma pressa incomum em direção à proa, o rosto ainda levemente tingido de vermelho.
— O sol está muito forte hoje, não acha, Zoro-kun? — comentou Robin, passando por ele com um livro na mão.
— Cale a boca, Robin — resmungou ele, embora não houvesse nenhuma agressividade real em sua voz.
Naquela tarde, o Thousand Sunny seguiu seu curso pelo Grand Line. Usopp não contou a Nami o que realmente aconteceu na gávea, e Zoro treinou com o triplo da intensidade habitual. Mas, durante o jantar, quando Sanji serviu a comida, seus olhos se encontraram por um breve momento sobre a mesa.
Usopp não desviou o olhar. Ela apenas sorriu, um sorriso pequeno, real e sem nenhuma mentira envolvida. E Zoro, o temido caçador de piratas, apenas bufou e voltou a comer, mas não conseguiu esconder o fato de que, pela primeira vez em muito tempo, ele não estava pensando em espadas, mas sim em uma pequena atiradora de nariz comprido que tinha a audácia de chamá-lo de bonito.
Afinal, em um mar cheio de monstros e perigos, talvez a coisa mais assustadora — e fascinante — fosse a verdade dita em um momento de embriaguez.
