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Patricio sardelli
Fandom: Airbag
Criado: 03/07/2026
Tags
RomanceFatias de VidaFofuraHumorHistória DomésticaRealismoEstudo de Personagem
Temperos e Confissões ao Vivo
O brilho das luzes do estúdio era quase cegante, mas, como modelo, eu já estava acostumada a manter o queixo erguido e o sorriso no lugar, mesmo quando sentia que ia tropeçar a qualquer momento. O problema ali não era o salto agulha de doze centímetros, mas sim o avental branco imaculado que contrastava com a minha pele retinta e o fato de que eu segurava uma faca de chef como se fosse um artefato alienígena.
Eu, Karen, brasileira radicada em Buenos Aires há quase uma década, noiva de Patricio Sardelli — o homem que fazia estádios inteiros vibrarem com sua voz e sua guitarra —, estava prestes a passar vergonha nacional em um programa culinário ao vivo.
— Estamos de volta com "La Mesa de Hoy"! — exclamou o apresentador, o carismático e levemente intrusivo Santiago, voltando-se para a câmera com um sorriso largo. — E hoje, a cozinha está mais bela do que nunca. Estou aqui com a deslumbrante Karen, a mulher que roubou o coração do nosso rockstar favorito, Pato Sardelli. Karen, querida, como estão os nervos?
Eu ri, ajeitando uma mecha do meu cabelo cacheado que teimava em cair sobre o rosto.
— Santiago, vou ser sincera: eu sei desfilar em uma passarela de Paris, mas não sei a diferença entre coentro e salsa se eles não estiverem com etiqueta — confessei, fazendo a plateia rir. — O Pato sabe que, se depender de mim para o jantar, vamos viver de delivery de empanadas.
— Pois hoje isso muda! — Santiago bateu as mãos na bancada. — Vamos preparar um Risoto de Açafrão. Enquanto cortamos a cebola, vamos conversar. Porque a Argentina quer saber: como é ser a musa da Airbag?
Comecei a descascar a cebola com uma lentidão quase cômica. Eu sabia que, naquele momento, em nossa casa em Nordelta, Patricio devia estar jogado no sofá, provavelmente com uma guitarra desligada no colo, rindo da minha cara. Ele, Guido e Gastón tinham esse humor ácido, e eu era o alvo favorito.
— É intenso — comecei, concentrada em não perder um dedo. — A família Sardelli é um furacão. Quando nos conhecemos, eu não tinha dimensão do que era o fanatismo pela banda. Mas eles são as pessoas mais leais que já conheci. O Pato, especialmente... ele tem esse jeito de "bad boy" no palco, mas em casa ele é quem faz o café da manhã e reclama se eu deixo a toalha molhada na cama.
Santiago soltou uma gargalhada, mexendo em uma panela com maestria.
— E como foi o começo? Porque você é brasileira, negra, veio de uma cultura vibrante e caiu no meio do rock and roll argentino, que às vezes é um pouco fechado. Houve choque?
— No começo, sim — admiti, sentindo o ardor da cebola nos olhos. — Mas a música une tudo, não é? E o amor também. O Pato nunca me viu como uma "estrangeira", ele me viu como a pessoa dele. E os irmãos dele, o Gastón e o Guido, me receberam como uma irmã. Embora o Guido ainda tente me convencer de que o rock argentino é melhor que o samba, o que é uma mentira deslavada.
— Cuidado, que o Guido vai te ligar para reclamar! — brincou Santiago. — Mas falando em passado e em comparações... a internet é um lugar difícil, Karen. O Pato teve relacionamentos muito públicos antes de você. Como você lida com as comparações constantes com as ex-namoradas dele, especialmente aquelas que também eram do meio artístico?
O estúdio ficou um pouco mais silencioso. Era a pergunta que todos queriam fazer. Respirei fundo, deixando a faca de lado por um momento e olhando diretamente para a câmera, imaginando que estava falando com o próprio Pato.
— Olha, Santiago, eu não vivo no passado. O Pato teve a história dele, e eu respeito isso. As mulheres que passaram pela vida dele fazem parte do que ele é hoje — respondi com calma. — Mas eu não tento competir com fantasmas. Eu sou a Karen. Eu trago o meu tempero, a minha história. Se as pessoas esperavam que ele ficasse com um certo "padrão" de mulher argentina, sinto muito, mas ele escolheu a mistura. Ele escolheu o dendê com o doce de leite.
Santiago levantou as sobrancelhas, impressionado com a minha segurança.
— E o futuro? O casamento está chegando. O que podemos esperar da festa? Vai ser um evento rock and roll ou algo mais clássico?
— Vai ser uma confusão maravilhosa — ri, voltando a prestar atenção no arroz que agora fritava na panela. — Queremos algo que seja a nossa cara. Vai ter churrasco argentino, claro, mas eu exigi uma mesa de doces brasileiros. E sobre a música... bem, se eu deixar, os três irmãos sobem no palco e transformam o meu casamento em um show da Airbag. Eu já avisei ao Pato: se ele tocar mais de três músicas, eu peço o divórcio antes mesmo de assinar o papel.
— E filhos? — Santiago perguntou, jogando o açafrão na água fervente. — Vocês já conversam sobre isso?
Senti meu rosto esquentar, e não era pelo calor do fogão.
— Conversamos. Queremos muito. O Pato é louco por crianças, ele é um tio maravilhoso. Eu quero que nossos filhos tenham essa mistura, que falem português e espanhol, que amem futebol e rock. Mas, por enquanto, o nosso "filho" é o novo álbum que eles estão gravando, que dá tanto trabalho quanto um recém-nascido.
O programa continuou entre risadas e quase desastres culinários. Eu queimei um pouco o fundo do alho, mas Santiago salvou o prato. Enquanto o risoto descansava, ele me mostrou algumas fotos nossas que passavam no telão: fotos de turnês, fotos na praia no Brasil, e uma foto íntima, tirada por Gastón, onde Pato e eu dormíamos abraçados no fundo do ônibus da banda.
— Você parece ser a âncora dele, Karen — disse Santiago, com um tom mais suave. — O Pato parece mais calmo, mais focado desde que você chegou.
— Eu acho que nós nos equilibramos — respondi, sentindo uma pontada de saudade dele, mesmo tendo saído de casa há apenas duas horas. — Ele me deu raízes aqui na Argentina, e eu dei a ele um pouco de caos e cor.
Quando o programa terminou e as luzes se apagaram, eu estava exausta. O cheiro de açafrão impregnava meu cabelo e minhas mãos estavam levemente pegajosas, mas eu me sentia vitoriosa. Eu não tinha cortado nenhum dedo e tinha defendido o meu lugar com a dignidade de quem sabia exatamente quem era.
No camarim, enquanto eu trocava o avental pelo meu casaco de grife, meu celular vibrou. Era uma mensagem de vídeo no WhatsApp.
Abri o vídeo e sorri imediatamente. A imagem mostrava a sala da nossa casa. Pato estava sentado no chão, com o cabelo bagunçado e os olhos brilhando. Ao lado dele, Gastón e Guido faziam caretas.
— — Você foi incrível, mi amor! — disse Pato no vídeo, com aquele sorriso de lado que ainda fazia minhas pernas tremerem. — Mas, por favor, não tente fazer aquele risoto aqui em casa. Eu vi o que você fez com o alho. Eu já pedi pizza.
— — Ela quase incendiou o estúdio, Pato! — gritou Guido ao fundo, rindo. — Mas a parte do samba foi golpe baixo! O rock nacional é sagrado!
— — Você estava linda, Karen — acrescentou Gastón, empurrando o ombro de Guido. — Estamos orgulhosos. Vem logo para casa, a pizza chega em vinte minutos.
Pato voltou a focar a câmera apenas nele e soprou um beijo.
— — Te amo, rainha. Vem logo.
Guardei o celular na bolsa, sentindo um calor no peito que nada tinha a ver com a temperatura da cozinha. Eu podia não saber cozinhar, podia ser de outro país e de outra cultura, mas ali, naquele caos entre guitarras, estádios e pizzas de domingo, eu tinha encontrado o meu verdadeiro lar.
Caminhei em direção à saída, cumprimentando os produtores. Na calçada, o ar frio de Buenos Aires me atingiu, mas eu estava aquecida. Eu era Karen, a modelo brasileira, a noiva do rockstar, a mulher que desafiava padrões. E, acima de tudo, eu era a mulher que, mesmo queimando o alho, tinha o amor dos irmãos Sardelli e o coração do homem que o mundo inteiro admirava.
Entrei no carro e dei a partida. O rádio ligou automaticamente em uma estação local. A introdução de "Cae el Sol" começou a tocar. Aumentei o volume e cantei junto, em um espanhol com sotaque brasileiro, enquanto dirigia pelas ruas iluminadas de uma cidade que agora era, irrevogavelmente, minha.
Eu, Karen, brasileira radicada em Buenos Aires há quase uma década, noiva de Patricio Sardelli — o homem que fazia estádios inteiros vibrarem com sua voz e sua guitarra —, estava prestes a passar vergonha nacional em um programa culinário ao vivo.
— Estamos de volta com "La Mesa de Hoy"! — exclamou o apresentador, o carismático e levemente intrusivo Santiago, voltando-se para a câmera com um sorriso largo. — E hoje, a cozinha está mais bela do que nunca. Estou aqui com a deslumbrante Karen, a mulher que roubou o coração do nosso rockstar favorito, Pato Sardelli. Karen, querida, como estão os nervos?
Eu ri, ajeitando uma mecha do meu cabelo cacheado que teimava em cair sobre o rosto.
— Santiago, vou ser sincera: eu sei desfilar em uma passarela de Paris, mas não sei a diferença entre coentro e salsa se eles não estiverem com etiqueta — confessei, fazendo a plateia rir. — O Pato sabe que, se depender de mim para o jantar, vamos viver de delivery de empanadas.
— Pois hoje isso muda! — Santiago bateu as mãos na bancada. — Vamos preparar um Risoto de Açafrão. Enquanto cortamos a cebola, vamos conversar. Porque a Argentina quer saber: como é ser a musa da Airbag?
Comecei a descascar a cebola com uma lentidão quase cômica. Eu sabia que, naquele momento, em nossa casa em Nordelta, Patricio devia estar jogado no sofá, provavelmente com uma guitarra desligada no colo, rindo da minha cara. Ele, Guido e Gastón tinham esse humor ácido, e eu era o alvo favorito.
— É intenso — comecei, concentrada em não perder um dedo. — A família Sardelli é um furacão. Quando nos conhecemos, eu não tinha dimensão do que era o fanatismo pela banda. Mas eles são as pessoas mais leais que já conheci. O Pato, especialmente... ele tem esse jeito de "bad boy" no palco, mas em casa ele é quem faz o café da manhã e reclama se eu deixo a toalha molhada na cama.
Santiago soltou uma gargalhada, mexendo em uma panela com maestria.
— E como foi o começo? Porque você é brasileira, negra, veio de uma cultura vibrante e caiu no meio do rock and roll argentino, que às vezes é um pouco fechado. Houve choque?
— No começo, sim — admiti, sentindo o ardor da cebola nos olhos. — Mas a música une tudo, não é? E o amor também. O Pato nunca me viu como uma "estrangeira", ele me viu como a pessoa dele. E os irmãos dele, o Gastón e o Guido, me receberam como uma irmã. Embora o Guido ainda tente me convencer de que o rock argentino é melhor que o samba, o que é uma mentira deslavada.
— Cuidado, que o Guido vai te ligar para reclamar! — brincou Santiago. — Mas falando em passado e em comparações... a internet é um lugar difícil, Karen. O Pato teve relacionamentos muito públicos antes de você. Como você lida com as comparações constantes com as ex-namoradas dele, especialmente aquelas que também eram do meio artístico?
O estúdio ficou um pouco mais silencioso. Era a pergunta que todos queriam fazer. Respirei fundo, deixando a faca de lado por um momento e olhando diretamente para a câmera, imaginando que estava falando com o próprio Pato.
— Olha, Santiago, eu não vivo no passado. O Pato teve a história dele, e eu respeito isso. As mulheres que passaram pela vida dele fazem parte do que ele é hoje — respondi com calma. — Mas eu não tento competir com fantasmas. Eu sou a Karen. Eu trago o meu tempero, a minha história. Se as pessoas esperavam que ele ficasse com um certo "padrão" de mulher argentina, sinto muito, mas ele escolheu a mistura. Ele escolheu o dendê com o doce de leite.
Santiago levantou as sobrancelhas, impressionado com a minha segurança.
— E o futuro? O casamento está chegando. O que podemos esperar da festa? Vai ser um evento rock and roll ou algo mais clássico?
— Vai ser uma confusão maravilhosa — ri, voltando a prestar atenção no arroz que agora fritava na panela. — Queremos algo que seja a nossa cara. Vai ter churrasco argentino, claro, mas eu exigi uma mesa de doces brasileiros. E sobre a música... bem, se eu deixar, os três irmãos sobem no palco e transformam o meu casamento em um show da Airbag. Eu já avisei ao Pato: se ele tocar mais de três músicas, eu peço o divórcio antes mesmo de assinar o papel.
— E filhos? — Santiago perguntou, jogando o açafrão na água fervente. — Vocês já conversam sobre isso?
Senti meu rosto esquentar, e não era pelo calor do fogão.
— Conversamos. Queremos muito. O Pato é louco por crianças, ele é um tio maravilhoso. Eu quero que nossos filhos tenham essa mistura, que falem português e espanhol, que amem futebol e rock. Mas, por enquanto, o nosso "filho" é o novo álbum que eles estão gravando, que dá tanto trabalho quanto um recém-nascido.
O programa continuou entre risadas e quase desastres culinários. Eu queimei um pouco o fundo do alho, mas Santiago salvou o prato. Enquanto o risoto descansava, ele me mostrou algumas fotos nossas que passavam no telão: fotos de turnês, fotos na praia no Brasil, e uma foto íntima, tirada por Gastón, onde Pato e eu dormíamos abraçados no fundo do ônibus da banda.
— Você parece ser a âncora dele, Karen — disse Santiago, com um tom mais suave. — O Pato parece mais calmo, mais focado desde que você chegou.
— Eu acho que nós nos equilibramos — respondi, sentindo uma pontada de saudade dele, mesmo tendo saído de casa há apenas duas horas. — Ele me deu raízes aqui na Argentina, e eu dei a ele um pouco de caos e cor.
Quando o programa terminou e as luzes se apagaram, eu estava exausta. O cheiro de açafrão impregnava meu cabelo e minhas mãos estavam levemente pegajosas, mas eu me sentia vitoriosa. Eu não tinha cortado nenhum dedo e tinha defendido o meu lugar com a dignidade de quem sabia exatamente quem era.
No camarim, enquanto eu trocava o avental pelo meu casaco de grife, meu celular vibrou. Era uma mensagem de vídeo no WhatsApp.
Abri o vídeo e sorri imediatamente. A imagem mostrava a sala da nossa casa. Pato estava sentado no chão, com o cabelo bagunçado e os olhos brilhando. Ao lado dele, Gastón e Guido faziam caretas.
— — Você foi incrível, mi amor! — disse Pato no vídeo, com aquele sorriso de lado que ainda fazia minhas pernas tremerem. — Mas, por favor, não tente fazer aquele risoto aqui em casa. Eu vi o que você fez com o alho. Eu já pedi pizza.
— — Ela quase incendiou o estúdio, Pato! — gritou Guido ao fundo, rindo. — Mas a parte do samba foi golpe baixo! O rock nacional é sagrado!
— — Você estava linda, Karen — acrescentou Gastón, empurrando o ombro de Guido. — Estamos orgulhosos. Vem logo para casa, a pizza chega em vinte minutos.
Pato voltou a focar a câmera apenas nele e soprou um beijo.
— — Te amo, rainha. Vem logo.
Guardei o celular na bolsa, sentindo um calor no peito que nada tinha a ver com a temperatura da cozinha. Eu podia não saber cozinhar, podia ser de outro país e de outra cultura, mas ali, naquele caos entre guitarras, estádios e pizzas de domingo, eu tinha encontrado o meu verdadeiro lar.
Caminhei em direção à saída, cumprimentando os produtores. Na calçada, o ar frio de Buenos Aires me atingiu, mas eu estava aquecida. Eu era Karen, a modelo brasileira, a noiva do rockstar, a mulher que desafiava padrões. E, acima de tudo, eu era a mulher que, mesmo queimando o alho, tinha o amor dos irmãos Sardelli e o coração do homem que o mundo inteiro admirava.
Entrei no carro e dei a partida. O rádio ligou automaticamente em uma estação local. A introdução de "Cae el Sol" começou a tocar. Aumentei o volume e cantei junto, em um espanhol com sotaque brasileiro, enquanto dirigia pelas ruas iluminadas de uma cidade que agora era, irrevogavelmente, minha.
