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Childhood Ties

Fandom: EngLot FayeLotte

Criado: 03/07/2026

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RomanceDramaFatias de VidaHistória DomésticaCiúmesLinguagem Explícita
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Entre Marcas e Segredos

O silêncio na mansão dos Austin era absoluto, exceto pelo som suave da chuva batendo contra as janelas de vidro do quarto de Charlotte. Para qualquer observador externo, os Austin eram o epítome da perfeição: controladores, exigentes e defensores ferrenhos de uma etiqueta impecável. No entanto, assim que o motor do carro dos pais de Charlotte sumiu na esquina, rumo a mais uma viagem internacional de negócios, a fachada de "boa menina" desmoronou.

No centro do quarto, Engfa Waraha estava jogada na poltrona de veludo, a jaqueta de Fórmula 1 aberta sobre uma camiseta branca simples. Seus óculos de grau estavam levemente caídos no nariz enquanto ela acariciava Kiew, seu cachorrinho, que dormia em seu colo. O cheiro de cigarro que sempre a acompanhava misturava-se ao perfume de morango que impregnava o quarto.

— Elas finalmente foram — comentou Engfa, a voz rouca e carregada de um sarcasmo ácido. — Achei que seu pai ia dar um sermão sobre "investimentos futuros" até o amanhecer.

Faye Malisorn, sentada no tapete felpudo ao lado de Sunny, seu próprio cachorro, soltou uma risada vibrante. O piercing no canto de sua boca brilhou sob a luz âmbar do abajur. Ela jogou uma carta de baralho na mesa de centro, provocando Engfa com o olhar.

— Ele só estava garantindo que a "filhinha perfeita" ficasse em boas mãos — Faye piscou para Charlotte, que estava sentada na beira da cama, observando as duas com um sorriso sereno. — Mal sabe ele que as mãos são as nossas.

Charlotte soltou um suspiro de alívio, soltando o cabelo castanho-claro ondulado que antes estava preso em um coque rígido. Ela adorava o caos que aquelas duas traziam para sua vida milimetricamente planejada.

— Vocês são terríveis — Charlotte disse, levantando-se e caminhando até Engfa. Ela se inclinou e depositou um beijo suave na bochecha da morena, sentindo a pele quente de Engfa arrepiar-se instantaneamente. — Mas é por isso que eu amo vocês.

Engfa largou o cachorrinho no chão e puxou Charlotte pela cintura, trazendo-a para seu colo. A possessividade era evidente no modo como seus dedos se fecharam na cintura da menor. Ela olhou para Faye, que as observava com uma sobrancelha erguida e um sorriso provocador.

— O que foi, Malisorn? — Engfa provocou. — Invejosa?

— Talvez um pouco — Faye se levantou com uma agilidade predatória, caminhando até elas. — Mas eu sei que você não aguenta cinco minutos sem que eu morda esse seu pescoço, Waraha.

Faye se inclinou, ignorando o espaço pessoal, e depositou um beijo úmido e demorado no pescoço de Engfa, exatamente onde a pulsação era mais forte. Engfa soltou um grunhido baixo, fechando os olhos por um segundo. A adrenalina que ela buscava nas corridas ilegais era nada comparada à eletricidade que corria entre as três.

Charlotte, observadora como sempre, notou a tensão crescendo. Ela adorava ver a dinâmica entre a introversão sarcástica de Engfa e a extroversão explosiva de Faye.

— Sabe, Engfa — Charlotte começou, passando a mão pelo cabelo castanho-escuro da namorada —, você vive dizendo que é a mais forte aqui por causa das suas brigas de rua. Mas duvido que tenha coragem de deixar sua marca na Faye.

Engfa abriu um dos olhos, ajustando os óculos.

— Está me desafiando, Char? — perguntou ela, um sorriso de lado surgindo em seus lábios.

— Estou — Charlotte desafiou, os olhos brilhando de diversão. — Marque-a. Quero ver se você consegue ser tão intensa quanto diz ser.

Faye soltou uma risada curta, puxando a gola da própria camisa para o lado, expondo a pele clara do ombro e da clavícula.

— É, Waraha. Mostra o que você sabe fazer além de acelerar carros e se meter em confusão.

Engfa não precisou de um segundo convite. Com um movimento rápido, ela se levantou da poltrona, ainda segurando Charlotte pela mão, e empurrou Faye levemente contra a parede de livros de Charlotte. O contraste era poético: a rebeldia de Engfa e Faye cercada pela literatura clássica e pelas telas que Charlotte pintava com tanto esmero.

— Você fala demais, Malisorn — sussurrou Engfa, aproximando o rosto do pescoço de Faye.

— E você demora demais para agir — rebateu Faye, embora sua respiração estivesse visivelmente acelerada.

Engfa não mordeu de imediato. Ela primeiro usou a ponta do nariz para trilhar o caminho da mandíbula de Faye até o ombro, deixando beijos castos que faziam Faye estremecer. Então, sem aviso, ela cravou os dentes na pele macia do ombro de Faye.

Faye soltou um suspiro audível, as mãos agarrando firmemente a jaqueta de Fórmula 1 de Engfa. Não era uma mordida leve; era uma marca de posse, um selo de que, apesar de todo o segredo perante o mundo, elas pertenciam uma à outra.

Charlotte assistia a tudo de perto, sentindo o calor subir por seu rosto. Ela se aproximou, envolvendo as duas em um abraço por trás, sentindo o perfume de ambas se misturar.

— Minha vez — sussurrou Charlotte, inclinando-se para beijar o queixo de Faye, que ainda recuperava o fôlego.

Faye virou o rosto para Charlotte, os olhos vermelhos de desejo e diversão.

— Você é muito calma, Char — Faye provocou, passando o dedo pelo piercing na boca. — Mas sei que adora o perigo. Por que não vem "brincar" também?

— Eu prefiro observar o estrago que vocês fazem — Charlotte respondeu com um sorriso doce, embora suas mãos estivessem firmes na cintura de Faye. — Mas aceito os beijos.

Engfa se afastou de Faye, observando a marca avermelhada que começava a se formar no ombro da ruiva. Um sentimento de satisfação possessiva brilhou em seus olhos castanhos. Ela se virou para Charlotte e, com a doçura que reservava apenas para as duas, segurou o rosto da namorada.

— Você é a nossa calmaria, Charlotte — disse Engfa, a voz suave. — Mas até a água mais calma esconde correntes perigosas.

Charlotte sorriu e selou seus lábios nos de Engfa, um beijo que começou lento e logo se tornou urgente, carregado de todo o sentimento que elas precisavam esconder do resto do mundo. Faye não ficou de fora, abraçando as duas por trás, o queixo apoiado no ombro de Engfa.

— Se os seus pais vissem isso agora — Faye comentou, a voz abafada pelo cabelo de Engfa —, eles teriam um colapso nervoso.

— Eles odeiam tudo o que vocês representam — Charlotte disse, afastando-se do beijo para olhar para as duas. — O barulho, as jaquetas, os piercings, o cheiro de cigarro da Fa... e o fato de que eu nunca fui tão feliz quanto sou agora.

Engfa tirou um cigarro de dentro do bolso da jaqueta, mas não o acendeu, apenas o girou entre os dedos, um hábito nervoso.

— Eles querem que você seja um troféu, Char. Nós só queremos que você seja você.

— E eu sou — Charlotte afirmou, puxando as duas para sentarem na cama espaçosa. — Com vocês, eu não preciso pintar apenas o que eles consideram "arte". Eu posso ser a bagunça que eu quiser.

Faye se jogou de costas nos travesseiros, puxando Charlotte para o seu lado.

— Então, que tal continuarmos com as mordidas? — Faye sugeriu, com um olhar malicioso. — Acho que a Engfa ainda tem muito o que provar.

Engfa soltou uma risada sarcástica, tirando os óculos e colocando-os no criado-mudo, ao lado do coelhinho Phalo, que observava tudo de seu cercadinho com indiferença.

— Eu não preciso provar nada, Malisorn. Você já está marcada.

— Mas eu quero mais — Faye insistiu, puxando Engfa para cima delas.

O quarto, que antes era um símbolo de opressão e regras rígidas, tornou-se um santuário de liberdade. Entre provocações físicas, flertes sussurrados e o som das risadas que preenchiam o vazio deixado pelos pais de Charlotte, as três se perdiam uma na outra.

Engfa era o fogo que queimava as expectativas; Faye era o vento que espalhava as chamas; e Charlotte era a terra que dava suporte e beleza a tudo aquilo.

— Eu amo vocês — Charlotte sussurrou, enquanto Engfa distribuía beijos por seu pescoço e Faye acariciava suas pernas.

— Nós sabemos, pequena — Engfa respondeu, parando por um momento para olhar Charlotte nos olhos. — E ninguém vai tirar você de nós. Nem seus pais, nem esse mundo perfeito deles.

Faye se inclinou e beijou o canto da boca de Charlotte, o piercing frio contrastando com a pele quente.

— Somos nós contra o resto, lembra?

Charlotte assentiu, sentindo-se protegida. Ela sabia que, lá fora, ela era a herdeira dos Austin, a garota que seguia as regras. Mas ali, naquele quarto, com o cheiro de cigarro de Engfa e a energia vibrante de Faye, ela era apenas Charlotte. E ela estava exatamente onde queria estar.

A noite estava apenas começando, e as marcas que elas deixariam umas nas outras — físicas ou não — seriam os únicos segredos que realmente importavam. Engfa mordeu o lábio inferior de Faye em um desafio silencioso, enquanto Charlotte as envolvia em um abraço possessivo, garantindo que, pelo menos por aquelas horas, o mundo exterior deixasse de existir.
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