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Brasil
Fandom: Airbag
Criado: 03/07/2026
Tags
RomanceDramaFatias de VidaCiúmesRealismoDor/ConfortoHumor
Sal e Pimenta: O Verão que Incendiou o Atlântico
O sol do Rio de Janeiro não pedia licença; ele reivindicava a pele. Karen sentia o calor abraçar seus ombros enquanto a brisa salgada do Arpoador bagunçava seus cabelos, agora mais claros devido à exposição constante ao meio-dia carioca. Ela ajeitou as alças do biquíni de fita, uma peça minúscula que gritava "verão brasileiro", e sorriu para a lente da câmera.
— Isso, Karen! Agora olha por cima do ombro, como se você fosse a dona dessa praia inteira — gritou o fotógrafo, animado com a luz dourada do fim de tarde.
Ela obedeceu com a naturalidade de quem dominava as passarelas da Europa, mas com um brilho no olhar que só o Brasil conseguia despertar. Estar ali, longe da intensidade de Buenos Aires e da rotina frenética da banda Airbag, era o oxigênio que ela precisava. O relacionamento com Patricio Sardelli tinha atingido um ponto de ebulição perigoso. Entre as turnês dele e a agenda dela, o ciúme dele havia se tornado uma sombra constante, uma nota dissonante em uma melodia que costumava ser perfeita. "Precisamos de um tempo", ela dissera, antes de pegar o primeiro voo para o Galeão.
Assim que o ensaio terminou, Karen pegou seu celular na bolsa de palha. Havia trinta e duas chamadas perdidas e uma sucessão de mensagens que faziam a tela vibrar sem parar.
— Pelo amor de Deus, Pato... — sussurrou ela, revirando os olhos, mas sentindo aquele frio familiar no estômago.
Ela abriu o Instagram e viu que a última foto que postara — um close estratégico de suas curvas sob o sol, anunciando a nova coleção de moda praia — já tinha milhares de curtidas e um comentário fixado que fazia seu coração acelerar.
*“¿Qué carajo estás haciendo, Karen? ¿Es necesario mostrar tanto?”*
Ela bloqueou a tela. Não responderia. O combinado era espaço. E espaço, no dicionário de Karen, significava caipirinha, samba e a liberdade de usar o biquíni que bem entendesse sem ter que ouvir sermão sobre "olhares alheios".
Duas noites depois, Karen estava em um quiosque na Barra da Tijuca com algumas amigas modelos. O som do pagode ao fundo era o pano de fundo perfeito para a noite quente. Ela usava um vestido de rede por cima do biquíni, a pele brilhando com óleo de coco.
— Amiga, você viu que o Patricio postou um story no aeroporto? — perguntou Marcella, bebendo seu drink.
Karen riu, balançando a cabeça.
— Ele deve estar indo para algum show no interior da Argentina. O Pato não vive sem o palco e sem os irmãos. O Guido e o Gaston devem estar segurando a onda dele.
— Não parecia o aeroporto de Ezeiza, não... — insistiu a amiga, mas Karen a cortou com um gesto.
— Chega de falar dele. Hoje eu só quero ser a Karen, não a "namorada do guitarrista".
O destino, porém, tinha um senso de humor peculiar e uma queda pelo drama digna de um tango argentino.
Enquanto Karen se levantava para ir ao balcão pedir mais uma rodada, uma silhueta alta, vestindo uma jaqueta de couro preta que parecia um crime naquele calor de trinta graus, bloqueou seu caminho. O cheiro do perfume dele — madeira e tabaco — a atingiu antes mesmo que ela visse seu rosto.
— Você não atende a porra do telefone, Karen.
A voz era rouca, carregada de um sotaque portenho que sempre a fazia estremecer, mas que agora vinha carregado de irritação. Karen estacou, os olhos arregalados.
— Patricio? O que você está fazendo aqui? — Ela cruzou os braços, tentando manter a postura. — Você atravessou a fronteira para me vigiar?
Patricio Sardelli tirou os óculos escuros, revelando olhos que queimavam mais que o sol do meio-dia. Ele ignorou a pergunta, seus olhos percorrendo o corpo dela, detendo-se no vestido transparente.
— Eu vi as fotos. Eu vi os comentários de metade dos homens do Brasil naquela foto de biquíni azul. E agora te encontro aqui, vestida... ou melhor, desvestida desse jeito? — Ele deu um passo à frente, invadindo o espaço pessoal dela. — Viemos dar um tempo, não um show para o mundo inteiro.
Karen soltou uma risada sarcástica, atraindo a atenção de algumas pessoas nas mesas próximas.
— "Viemos"? Não, Pato. Eu vim. Você ficou. E se eu quiser postar uma foto nua no Cristo Redentor, o problema é meu. Nós estamos em um tempo, lembra?
— Um tempo não é um passe livre para você se expor desse jeito! — rebateu ele, a voz subindo um tom. — Eu não conseguia dormir, Karen. Cada vez que eu atualizava o feed, tinha uma foto nova sua, mais provocante que a anterior. Você está fazendo isso para me provocar, não está?
— Eu estou trabalhando! — exclamou ela, indignada. — Eu sou modelo, Patricio. O que você queria? Que eu fizesse fotos de inverno em pleno Rio de Janeiro? Que eu posasse de poncho na areia?
Patricio passou a mão pelo cabelo comprido, visivelmente frustrado e suado sob a jaqueta desnecessária.
— Eu não suporto a ideia de outros caras te olhando assim. De você estar aqui, solta, enquanto eu estou morrendo em Buenos Aires.
— O nome disso é ciúme doentio, e foi exatamente por isso que eu fugi — disse Karen, a voz agora mais baixa, porém firme. — Você quer controlar até o ângulo da minha câmera. Você não veio aqui porque sentiu minha falta, você veio porque sentiu que perdeu a posse.
— Isso não é verdade! — Ele segurou o braço dela suavemente, mas com urgência. — Eu sinto sua falta até quando você vai à cozinha. A casa está silenciosa demais. O Guido e o Gaston não aguentam mais me ouvir reclamar. Eu vim porque eu te amo e porque eu estava enlouquecendo.
Karen sentiu o muro que construíra começar a rachar. O olhar de Patricio tinha uma vulnerabilidade que ele raramente mostrava fora de suas composições.
— Se você me ama, você tem que confiar em mim — disse ela, sentindo o calor da mão dele em sua pele. — E tem que tirar essa jaqueta, Pato. Você vai ter uma insolação. Estamos no Brasil, não na Patagônia.
Patricio soltou um suspiro pesado, a tensão nos ombros diminuindo um pouco.
— Eu não trouxe roupas de verão. Eu saí de casa com a roupa do corpo assim que vi a foto que você postou com aquele surfista loiro.
— Aquele era o assistente de iluminação, seu bobo! — Karen riu, não conseguindo mais conter a diversão diante do absurdo da situação. — Ele tem dezenove anos!
— Não importa. Ele estava perto demais — resmungou o músico, embora um meio sorriso começasse a surgir em seus lábios.
— Vem — disse ela, puxando-o pela mão em direção à saída da praia. — Vamos sair daqui antes que alguém te reconheça e comece um tumulto.
Eles caminharam pela areia escura da noite, o som das ondas quebrando servindo de trégua. Patricio finalmente tirou a jaqueta, jogando-a sobre o ombro, e desabotoou os primeiros botões da camisa preta.
— Onde vamos? — perguntou ele.
— Para o meu hotel. Você precisa de um banho frio e de uma lição sobre como se comportar no Rio de Janeiro — respondeu Karen, parando e virando-se para ele. — Mas escuta bem, Patricio Sardelli. Se você começar com outra crise por causa das fotos de amanhã, eu te mando de volta para a Argentina no próximo voo de carga. Entendido?
Patricio a puxou pela cintura, colando seus corpos. O calor entre eles era diferente do calor do clima; era elétrico, familiar e perigoso.
— Eu não prometo não sentir ciúmes — sussurrou ele, aproximando o rosto do dela. — Mas prometo tentar focar mais em você e menos no que os outros pensam. Só que aquela foto de biquíni vermelho... aquela você tem que deletar.
Karen deu um tapa leve no peito dele, rindo.
— Nem pensar. Aquela é a minha favorita.
— Você é impossível, Karen.
— E você está perdidamente apaixonado por essa impossibilidade.
Patricio não discutiu. Ele a calou com um beijo que carregava toda a saudade e a possessividade que o haviam trazido até ali. No meio da praia da Barra, sob o luar brasileiro, o guitarrista argentino finalmente entendeu que, para ter Karen, ele teria que aprender a dividir sua beleza com o mundo, contanto que, ao final do dia, fosse para os braços dele que ela voltasse.
— Amanhã eu vou com você para o ensaio — declarou ele, entre beijos no pescoço dela.
— Ah, não vai não! — protestou ela, embora estivesse sorrindo.
— Vou sim. Vou levar uma cadeira, um chapéu e ficar lá, garantindo que o "assistente de iluminação" mantenha a distância regulamentar.
Karen revirou os olhos, mas o abraçou forte. O verão estava apenas começando, e se Patricio achava que o calor de Buenos Aires era intenso, ele não tinha ideia do incêndio que o Rio de Janeiro, e uma modelo brasileira decidida, podiam causar em seu coração.
— Vamos, Pato — disse ela, puxando-o. — Temos muito o que conversar... e você tem muito o que compensar por ter invadido minhas férias.
— Eu tenho a noite inteira — respondeu ele, com um brilho predatório e apaixonado nos olhos. — E o resto do verão, se você me deixar ficar.
Karen sorriu, sentindo que, apesar das crises e do ciúme, a música deles ainda era a sua favorita.
— Veremos, Sardelli. Veremos.
— Isso, Karen! Agora olha por cima do ombro, como se você fosse a dona dessa praia inteira — gritou o fotógrafo, animado com a luz dourada do fim de tarde.
Ela obedeceu com a naturalidade de quem dominava as passarelas da Europa, mas com um brilho no olhar que só o Brasil conseguia despertar. Estar ali, longe da intensidade de Buenos Aires e da rotina frenética da banda Airbag, era o oxigênio que ela precisava. O relacionamento com Patricio Sardelli tinha atingido um ponto de ebulição perigoso. Entre as turnês dele e a agenda dela, o ciúme dele havia se tornado uma sombra constante, uma nota dissonante em uma melodia que costumava ser perfeita. "Precisamos de um tempo", ela dissera, antes de pegar o primeiro voo para o Galeão.
Assim que o ensaio terminou, Karen pegou seu celular na bolsa de palha. Havia trinta e duas chamadas perdidas e uma sucessão de mensagens que faziam a tela vibrar sem parar.
— Pelo amor de Deus, Pato... — sussurrou ela, revirando os olhos, mas sentindo aquele frio familiar no estômago.
Ela abriu o Instagram e viu que a última foto que postara — um close estratégico de suas curvas sob o sol, anunciando a nova coleção de moda praia — já tinha milhares de curtidas e um comentário fixado que fazia seu coração acelerar.
*“¿Qué carajo estás haciendo, Karen? ¿Es necesario mostrar tanto?”*
Ela bloqueou a tela. Não responderia. O combinado era espaço. E espaço, no dicionário de Karen, significava caipirinha, samba e a liberdade de usar o biquíni que bem entendesse sem ter que ouvir sermão sobre "olhares alheios".
Duas noites depois, Karen estava em um quiosque na Barra da Tijuca com algumas amigas modelos. O som do pagode ao fundo era o pano de fundo perfeito para a noite quente. Ela usava um vestido de rede por cima do biquíni, a pele brilhando com óleo de coco.
— Amiga, você viu que o Patricio postou um story no aeroporto? — perguntou Marcella, bebendo seu drink.
Karen riu, balançando a cabeça.
— Ele deve estar indo para algum show no interior da Argentina. O Pato não vive sem o palco e sem os irmãos. O Guido e o Gaston devem estar segurando a onda dele.
— Não parecia o aeroporto de Ezeiza, não... — insistiu a amiga, mas Karen a cortou com um gesto.
— Chega de falar dele. Hoje eu só quero ser a Karen, não a "namorada do guitarrista".
O destino, porém, tinha um senso de humor peculiar e uma queda pelo drama digna de um tango argentino.
Enquanto Karen se levantava para ir ao balcão pedir mais uma rodada, uma silhueta alta, vestindo uma jaqueta de couro preta que parecia um crime naquele calor de trinta graus, bloqueou seu caminho. O cheiro do perfume dele — madeira e tabaco — a atingiu antes mesmo que ela visse seu rosto.
— Você não atende a porra do telefone, Karen.
A voz era rouca, carregada de um sotaque portenho que sempre a fazia estremecer, mas que agora vinha carregado de irritação. Karen estacou, os olhos arregalados.
— Patricio? O que você está fazendo aqui? — Ela cruzou os braços, tentando manter a postura. — Você atravessou a fronteira para me vigiar?
Patricio Sardelli tirou os óculos escuros, revelando olhos que queimavam mais que o sol do meio-dia. Ele ignorou a pergunta, seus olhos percorrendo o corpo dela, detendo-se no vestido transparente.
— Eu vi as fotos. Eu vi os comentários de metade dos homens do Brasil naquela foto de biquíni azul. E agora te encontro aqui, vestida... ou melhor, desvestida desse jeito? — Ele deu um passo à frente, invadindo o espaço pessoal dela. — Viemos dar um tempo, não um show para o mundo inteiro.
Karen soltou uma risada sarcástica, atraindo a atenção de algumas pessoas nas mesas próximas.
— "Viemos"? Não, Pato. Eu vim. Você ficou. E se eu quiser postar uma foto nua no Cristo Redentor, o problema é meu. Nós estamos em um tempo, lembra?
— Um tempo não é um passe livre para você se expor desse jeito! — rebateu ele, a voz subindo um tom. — Eu não conseguia dormir, Karen. Cada vez que eu atualizava o feed, tinha uma foto nova sua, mais provocante que a anterior. Você está fazendo isso para me provocar, não está?
— Eu estou trabalhando! — exclamou ela, indignada. — Eu sou modelo, Patricio. O que você queria? Que eu fizesse fotos de inverno em pleno Rio de Janeiro? Que eu posasse de poncho na areia?
Patricio passou a mão pelo cabelo comprido, visivelmente frustrado e suado sob a jaqueta desnecessária.
— Eu não suporto a ideia de outros caras te olhando assim. De você estar aqui, solta, enquanto eu estou morrendo em Buenos Aires.
— O nome disso é ciúme doentio, e foi exatamente por isso que eu fugi — disse Karen, a voz agora mais baixa, porém firme. — Você quer controlar até o ângulo da minha câmera. Você não veio aqui porque sentiu minha falta, você veio porque sentiu que perdeu a posse.
— Isso não é verdade! — Ele segurou o braço dela suavemente, mas com urgência. — Eu sinto sua falta até quando você vai à cozinha. A casa está silenciosa demais. O Guido e o Gaston não aguentam mais me ouvir reclamar. Eu vim porque eu te amo e porque eu estava enlouquecendo.
Karen sentiu o muro que construíra começar a rachar. O olhar de Patricio tinha uma vulnerabilidade que ele raramente mostrava fora de suas composições.
— Se você me ama, você tem que confiar em mim — disse ela, sentindo o calor da mão dele em sua pele. — E tem que tirar essa jaqueta, Pato. Você vai ter uma insolação. Estamos no Brasil, não na Patagônia.
Patricio soltou um suspiro pesado, a tensão nos ombros diminuindo um pouco.
— Eu não trouxe roupas de verão. Eu saí de casa com a roupa do corpo assim que vi a foto que você postou com aquele surfista loiro.
— Aquele era o assistente de iluminação, seu bobo! — Karen riu, não conseguindo mais conter a diversão diante do absurdo da situação. — Ele tem dezenove anos!
— Não importa. Ele estava perto demais — resmungou o músico, embora um meio sorriso começasse a surgir em seus lábios.
— Vem — disse ela, puxando-o pela mão em direção à saída da praia. — Vamos sair daqui antes que alguém te reconheça e comece um tumulto.
Eles caminharam pela areia escura da noite, o som das ondas quebrando servindo de trégua. Patricio finalmente tirou a jaqueta, jogando-a sobre o ombro, e desabotoou os primeiros botões da camisa preta.
— Onde vamos? — perguntou ele.
— Para o meu hotel. Você precisa de um banho frio e de uma lição sobre como se comportar no Rio de Janeiro — respondeu Karen, parando e virando-se para ele. — Mas escuta bem, Patricio Sardelli. Se você começar com outra crise por causa das fotos de amanhã, eu te mando de volta para a Argentina no próximo voo de carga. Entendido?
Patricio a puxou pela cintura, colando seus corpos. O calor entre eles era diferente do calor do clima; era elétrico, familiar e perigoso.
— Eu não prometo não sentir ciúmes — sussurrou ele, aproximando o rosto do dela. — Mas prometo tentar focar mais em você e menos no que os outros pensam. Só que aquela foto de biquíni vermelho... aquela você tem que deletar.
Karen deu um tapa leve no peito dele, rindo.
— Nem pensar. Aquela é a minha favorita.
— Você é impossível, Karen.
— E você está perdidamente apaixonado por essa impossibilidade.
Patricio não discutiu. Ele a calou com um beijo que carregava toda a saudade e a possessividade que o haviam trazido até ali. No meio da praia da Barra, sob o luar brasileiro, o guitarrista argentino finalmente entendeu que, para ter Karen, ele teria que aprender a dividir sua beleza com o mundo, contanto que, ao final do dia, fosse para os braços dele que ela voltasse.
— Amanhã eu vou com você para o ensaio — declarou ele, entre beijos no pescoço dela.
— Ah, não vai não! — protestou ela, embora estivesse sorrindo.
— Vou sim. Vou levar uma cadeira, um chapéu e ficar lá, garantindo que o "assistente de iluminação" mantenha a distância regulamentar.
Karen revirou os olhos, mas o abraçou forte. O verão estava apenas começando, e se Patricio achava que o calor de Buenos Aires era intenso, ele não tinha ideia do incêndio que o Rio de Janeiro, e uma modelo brasileira decidida, podiam causar em seu coração.
— Vamos, Pato — disse ela, puxando-o. — Temos muito o que conversar... e você tem muito o que compensar por ter invadido minhas férias.
— Eu tenho a noite inteira — respondeu ele, com um brilho predatório e apaixonado nos olhos. — E o resto do verão, se você me deixar ficar.
Karen sorriu, sentindo que, apesar das crises e do ciúme, a música deles ainda era a sua favorita.
— Veremos, Sardelli. Veremos.
