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crossover Ben 10 e Isshou senkin

Fandom: Isshou senkin e Ben 10

Criado: 04/07/2026

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O Peso da Coroa e o Brilho do Caos

O encanador-chefe Max Tennyson sempre dizia que a jurisdição de um herói termina onde a burocracia começa, mas para Ben Tennyson, as regras costumavam ser meras sugestões quando o destino do mundo estava em jogo. No entanto, desta vez, o cenário era diferente. Não havia naves espaciais pairando sobre Tóquio ou invasões de DNAliens. O problema era puramente humano, e por isso mesmo, muito mais traiçoeiro.

Ben estava sentado em um pequeno café em uma rua lateral de Setagaya, ajustando o Omnitrix no pulso por puro hábito. O Superintendente da base local dos Encanadores fora claro: o "Exército de Deus", um culto fanático agora dissolvido, havia desenvolvido armas químicas de última geração antes de seu colapso. O estoque principal desapareceu. A inteligência apontava para uma única pessoa: Hongou Hina, a filha adotiva do falecido líder do culto. O problema? Uma ordem vinda diretamente de altos escalões do governo japonês impedia qualquer investigação oficial sobre ela.

— "Ordens de cima", Ben — repetiu ele para si mesmo, imitando a voz grave do Superintendente. — Como se isso algum dia tivesse me impedido.

Ben levantou-se, jogando algumas moedas na mesa. Ele sabia onde encontrá-la. Hina não se escondia; pelo contrário, ela brilhava sob os holofotes da Valkyria como a nova estrela das lutas underground.

O ginásio onde a Valkyria operava cheirava a suor, adrenalina e dinheiro. Ben caminhou pelos corredores dos bastidores com a confiança de quem já enfrentou conquistadores intergalácticos. Ele parou diante de uma porta de metal onde o nome "Hina" estava escrito com uma caneta hidrográfica rosa e cercado por corações desenhados de forma quase infantil.

Ele bateu três vezes.

— Está aberto! — Uma voz melódica e estranhamente alegre respondeu de dentro.

Ben entrou. O quarto era simples, mas o que chamava a atenção era a figura sentada em um banco de academia. Hina estava enrolando bandagens em suas mãos. Ela usava o uniforme de treino, e seu olhar, inicialmente focado na tarefa, subiu lentamente para Ben. Seus olhos brilharam com uma intensidade que o fez sentir um calafrio na espinha — um instinto de sobrevivência que raramente disparava diante de humanos.

— Você não parece um fã — disse ela, inclinando a cabeça para o lado. — E você definitivamente não é um dos seguranças da Nozomi.

— Meu nome é Ben Tennyson — ele começou, mantendo uma distância segura. — E eu acho que você sabe por que estou aqui.

Hina congelou por um milésimo de segundo antes de um sorriso largo e genuíno se espalhar por seu rosto.

— Ben Tennyson? O garoto do relógio? O herói que salvou o universo de... como era mesmo? Highbreed? Vilgax? — Ela se levantou, caminhando em direção a ele com uma leveza predatória. — Eu li sobre você. Eles dizem que você pode se transformar em mil deuses diferentes.

— Eu só quero o que sobrou do arsenal do seu pai, Hina — disse Ben, tentando manter o foco profissional. — Aquelas armas químicas são perigosas demais para estarem por aí. Me diga onde estão e eu vou embora.

Hina parou a poucos centímetros dele. Ela era menor que Ben, mas a aura de violência que emanava dela era palpável. Ela esticou a mão, mas não para atacar; ela tocou suavemente o Omnitrix no pulso dele.

— Tão pequeno para tanto poder — sussurrou ela. — Sabe, Ben... eu não me importo com as armas. Elas eram brinquedos do meu pai. Coisas para pessoas fracas que precisam de veneno para vencer.

— Então me dê a localização — pediu Ben.

— Hum... não — respondeu ela, os olhos fixos nos dele. — Eu tenho uma proposta melhor. Eu sinto isso em você. Você é forte. Não como essas lutadoras que enfrento, que quebram como vidro. Você é... especial. Se você me vencer em uma luta, eu te conto tudo.

Ben suspirou, passando a mão pelo cabelo.

— Hina, eu não luto com civis. E eu certamente não vou usar o Omnitrix contra uma garota em um ginásio. Não é assim que eu trabalho.

A expressão de Hina mudou instantaneamente. A alegria desapareceu, substituída por uma frieza que parecia drenar o calor do quarto.

— "Civil"? "Garota"? — Ela riu, um som seco e sem humor. — Você está cometendo um erro terrível, herói.

Antes que Ben pudesse reagir, Hina se moveu. Não foi um movimento humano comum. Foi um borrão de velocidade e precisão. Ela desferiu um chute lateral que Ben bloqueou com o antebraço por puro reflexo. O impacto foi como ser atingido por um caminhão em alta velocidade. Ben foi arremessado contra a parede de concreto, o impacto tirando o fôlego de seus pulmões.

— O que... o que é você? — Ben tossiu, tentando se levantar enquanto sua visão girava.

— Eu sou o que acontece quando o potencial humano é levado ao limite absoluto — disse Hina, avançando novamente. — Lute comigo, Ben! Mostre-me o poder que assusta as estrelas!

Ben tentou agarrar o Omnitrix, mas hesitou. Transformar-se em um Tetramand ou em um Vaxasauriano contra ela seria como usar uma marreta para matar uma formiga. Ele poderia matá-la sem querer. Ele tentou usar suas habilidades de combate corpo a corpo treinadas por seu avô Max e por Gwen, mas Hina era um prodígio do Rikudou.

Ela evitou um soco de Ben com um movimento fluido de pescoço e contra-atacou com um golpe de palma no esterno dele. Ben sentiu as costelas reclamarem.

— Você está se segurando! — gritou ela, sua voz misturando raiva e uma excitação doentia. — Por que você me insulta assim? Use o relógio! Transforme-se!

— Eu não... vou... machucar você! — Ben exclamou, tentando imobilizá-la, mas a força física de Hina era sobre-humana. Ela torceu o braço dele com uma técnica de luxação que o fez cair de joelhos.

Hina montou sobre ele, mas em vez de desferir o golpe de misericórdia, ela simplesmente o encarou de cima. Suas bochechas estavam coradas, e sua respiração estava ofegante, mas não de cansaço. Era puro êxtase.

— Você é tão gentil, Ben-kun — disse ela, sua voz agora suave, quase carinhosa, enquanto passava os dedos pelo rosto dele. — Mesmo eu tentando quebrar seus ossos, você se preocupa em não me ferir. Isso é tão... nobre. Tão diferente de tudo que eu já conheci.

Ben tentou se desvencilhar, mas Hina pressionou um ponto de pressão em seu pescoço que o fez perder as forças momentaneamente.

— Eu mudei de ideia — continuou ela, com um brilho obsessivo nos olhos. — Eu não quero apenas lutar com você. Eu quero você. Alguém com o seu poder e o seu coração... você é o único que pode me completar.

— Hina, você está fora de si — murmurou Ben, recuperando os sentidos. — Isso não é um encontro, é uma investigação criminal.

— Para mim, é o começo de algo maravilhoso — ela disse, inclinando-se até que seus lábios estivessem quase tocando o ouvido dele. — Eu vou te dar as informações sobre as armas. Mas com uma condição: você vai ter que vir me visitar todos os dias. E se você tentar fugir de Tóquio... eu vou começar a quebrar as pessoas que você gosta.

Ben sentiu um calafrio diferente agora. Ele já enfrentou deuses, monstros e tiranos, mas a instabilidade de Hina era algo que ele não sabia como combater. Ela não queria dominar o mundo; ela queria possuí-lo como se ele fosse um troféu valioso.

— Você é louca — disse Ben, finalmente conseguindo empurrá-la para longe e se levantando, apoiando-se na parede.

Hina apenas sorriu, um sorriso que não chegava aos olhos, que permaneciam fixos nele com uma fome insaciável.

— Talvez. Mas eu sou a única que sabe onde o gás sarin do meu pai está escondido. E eu sou a única que pode te dar a luta que você secretamente deseja, Ben Tennyson. Você gasta sua vida protegendo os fracos... não deve ser exaustivo? Comigo, você não precisa ser o protetor. Você pode ser apenas o que você é: uma força da natureza.

Ben olhou para o Omnitrix. O símbolo verde brilhava fracamente, refletindo nos olhos de Hina. Ele percebeu que recuperar aquelas armas seria a parte fácil. O verdadeiro desafio seria sobreviver à atenção de Hongou Hina.

— Onde elas estão? — perguntou Ben, a voz firme apesar da dor no peito.

Hina caminhou até um quadro negro no canto da sala e escreveu uma coordenada geográfica com um giz rosa. Ela então se virou, fazendo uma reverência exagerada e graciosa.

— Estão em um bunker sob o antigo templo do Exército de Deus em Aogashima. Vá, herói. Salve o dia.

Ben começou a se retirar, mas parou na porta quando ouviu a voz dela uma última vez.

— Ben-kun?

Ele olhou por cima do ombro.

— Eu vou estar assistindo sua luta na televisão amanhã. Não se atreva a perder para ninguém que não seja eu. Você é meu "Oponente Digno" agora. E eu sempre cuido do que é meu.

Ben saiu do ginásio e respirou o ar frio da noite de Tóquio. Ele pegou seu comunicador e contatou Rook.

— Rook, consegui a localização. Mas temos um problema.

— "Um problema", Ben? — a voz do Revonnahgiano soou através do dispositivo. — O governo japonês desistiu da ordem de restrição?

— Não — respondeu Ben, olhando para a janela do vestiário de Hina, onde ele podia ver a silhueta dela observando-o. — Eu acho que acabei de ganhar uma stalker que pode derrubar um prédio com as mãos vazias. E ela acha que estamos namorando.

— Devo adicionar isso ao relatório oficial? — perguntou Rook, confuso.

— Deixa pra lá, Rook. Só... prepara o Protocolo de Contenção. Acho que vou passar muito tempo no Japão nos próximos meses.

Enquanto o carro de Ben se afastava, Hina permanecia na janela, traçando o contorno do veículo no vidro embaçado com o dedo. Ela nunca sentira nada parecido. O poder de Ben era como um sol, e ela era uma mariposa atraída pela chama. Mas Hina não pretendia se queimar; ela pretendia dominar o fogo.

— Rikudou: Destruir o Céu — sussurrou ela para o quarto vazio, lembrando-se da sensação de atingir Ben. — Sim... você vai ser o único que não vai quebrar, Ben-kun. Eu prometo.

O jogo para Ben Tennyson havia mudado. Ele não estava mais apenas caçando armas químicas; ele estava sendo caçado por algo muito mais perigoso: o interesse romântico de uma deusa do combate que não aceitava um "não" como resposta. E pela primeira vez em muito tempo, o portador do Omnitrix sentiu que talvez, apenas talvez, ele estivesse em desvantagem.
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