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Crossover Ben 10 e To aru

Fandom: Ben 10 e To aru majutsu no index

Criado: 04/07/2026

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CrossoverIsekai / Fantasia PortalAçãoAventuraFicção CientíficaDor/ConfortoConsertoExperimentação HumanaDivergência
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O Relógio que Para o Destino

A Cidade Acadêmica era um lugar de maravilhas tecnológicas, mas para Ben Tennyson, parecia apenas mais um dia estranho em um universo que não era o seu. O céu estava tingido por um pôr do sol alaranjado, refletindo-se nos moinhos de vento gigantes que pontuavam a paisagem urbana. Ben caminhava pelas ruas, coçando a nuca e tentando entender como o Omnitrix o havia jogado ali após um mau funcionamento durante uma batalha contra o Dr. Psychobos.

— Ótimo, Ben. Mais um mundo onde ninguém sabe o que é um Smoothie de Batata — resmungou ele para si mesmo.

Foi quando ele a viu. Uma garota com uniforme escolar, cabelos castanhos curtos e olhos que pareciam estranhamente desprovidos de brilho emocional. Ela estava parada perto de um beco, segurando um pequeno gato preto.

— Olá. O espécime biológico conhecido como gato parece estar com fome, diz Misaka enquanto observa o movimento das orelhas do felino — disse a garota, com uma voz monótona e referindo-se a si mesma na terceira pessoa.

Ben piscou, confuso.

— Er... oi? Você está bem? E por que fala assim? É algum tipo de gíria local?

— A unidade 10032 comunica-se desta forma para manter a sincronia com a Rede Misaka, explica Misaka enquanto inclina a cabeça em um ângulo de trinta graus — respondeu ela, sem mudar a expressão.

Ben passou a tarde com ela. Havia algo de profundamente triste naquela garota, embora ela não demonstrasse. Ele comprou comida para ela, ajudou-a a cuidar do gato e contou histórias sobre suas aventuras espaciais. Misaka 10032 ouvia tudo em silêncio, processando as informações com uma lógica fria, mas Ben podia jurar que, por um breve momento, viu um lampejo de curiosidade naqueles olhos sem vida.

Quando a noite caiu, ela se levantou subitamente.

— O horário do experimento se aproxima. Misaka deve cumprir seu papel designado, diz Misaka enquanto se despede do estranho prestativo.

— Experimento? Espera, que tipo de experimento? — Ben perguntou, mas ela já havia desaparecido nas sombras dos becos.

Minutos depois, Ben notou algo no chão. O pequeno gato preto que ela carregava estava miando, abandonado perto de um hidrante.

— Ei, gatinho. Ela esqueceu você — Ben pegou o animal. — É melhor eu devolver isso. Ela parecia gostar de você.

Ben seguiu o rastro da garota, usando as funções de rastreamento do Omnitrix para localizar a assinatura de energia eletromagnética que ela emitia. O caminho o levou a um pátio de triagem ferroviária, um lugar desolado cheio de contêineres e trilhos de trem enferrujados.

O som de metal sendo estraçalhado ecoou pelo ar, seguido por uma risada maníaca que fez os pelos do braço de Ben se arrepiarem.

— O quê? Só isso? — Uma voz estridente e cruel ecoou. — Você é apenas a número 10032. Eu já matei dez mil de vocês, e nenhuma conseguiu me dar um pingo de diversão!

Ben correu e dobrou a esquina de um contêiner. O que ele viu fez seu sangue ferver. Misaka 10032 estava caída no chão, sangrando, com a perna quebrada em um ângulo antinatural. Diante dela estava um rapaz magro, de cabelos brancos e olhos vermelhos, com um sorriso de escárnio que exalava pura maldade. Era Accelerator, o Esper de Nível 5 mais forte da cidade.

— Ei! Afaste-se dela! — gritou Ben, batendo no Omnitrix enquanto corria.

Uma luz verde cegante iluminou o local. Quando a luz se dissipou, um humanóide de quatro braços e pele vermelha estava no lugar de Ben.

— Quatro Braços! — exclamou o herói, saltando sobre Accelerator com os punhos cerrados.

Accelerator nem se deu ao trabalho de desviar. Ele apenas permaneceu parado, o sorriso aumentando.

— Mais um lixo querendo brincar de herói? — Accelerator estendeu a mão.

O soco de Quatro Braços atingiu uma barreira invisível. No instante do impacto, a força do golpe foi revertida instantaneamente. Ben sentiu seus próprios ossos estalarem quando a pressão de seu soco voltou contra ele, arremessando-o contra um vagão de trem com a força de um meteoro.

— O que... o que foi isso? — Ben gemeu, voltando à forma humana devido ao choque.

— Vetores, idiota — Accelerator caminhou calmamente, chutando uma pedra que, ao toque de seu pé, acelerou como uma bala de canhão, perfurando o metal ao lado da cabeça de Ben. — Eu controlo a direção de tudo o que toca a minha pele. Você não pode me tocar. Você não pode me ferir. Você é apenas um vetor que eu posso apagar.

Ben tentou novamente. Transformou-se em Chama, disparando rajadas de fogo intensas, mas as chamas simplesmente faziam meia-volta no ar e o perseguiam. Transformou-se em Enormossauro, tentando esmagar o chão para desequilibrar o vilão, mas Accelerator apenas tocou o solo, e a onda de choque se voltou contra Ben, enterrando-o nos escombros.

Enquanto isso, em uma ponte não muito longe dali, o drama atingia seu ápice. Misaka Mikoto, a Railgun original, estava em prantos diante de Kamijou Touma.

— Não há outra saída! — gritava Mikoto, as faíscas elétricas saltando de seu corpo. — Se eu morrer no experimento, os cálculos vão provar que eu sou fraca demais e que os clones não servem para nada! É a única forma de salvar as outras!

— Isso é estúpido! — Touma rebateu, segurando-a pelos ombros. — Eu não vou deixar você se jogar no lixo por causa de um bando de cientistas malucos. Eu vou derrotar o Accelerator. Eu vou provar que esse sistema está errado!

— Você? Você é um Nível 0! Ele vai te matar em um segundo! — Mikoto soluçou.

— Minha mão direita pode negar qualquer poder — Touma olhou para o horizonte, onde flashes de luz verde e explosões podiam ser vistos. — E parece que alguém já começou a briga por mim. Vamos!

Quando Touma e Mikoto chegaram ao pátio ferroviário, a cena era de devastação. Ben estava de pé, ofegante, com o Omnitrix piscando em vermelho. Accelerator parecia entediado, brincando com um redemoinho de vento que ele havia criado apenas manipulando as correntes de ar.

— Você é persistente, garoto do relógio — Accelerator riu. — Mas já deu. Vou esmagar você e a boneca de uma vez só.

Misaka 10032 olhava para Ben com os olhos arregalados.

— Por que você continua lutando? As chances de vitória são de 0,00001%, diz Misaka enquanto expressa confusão lógica.

Ben limpou o sangue do lábio e sorriu. O Omnitrix emitiu um bipe agudo e mudou para uma cor amarela metálica.

— Porque um herói não se importa com as chances — Ben olhou para o relógio. — Eu tentei força bruta, tentei energia... mas se você controla os vetores, eu preciso de algo que não dependa de movimento ou direção. Algo que aconteça antes do movimento existir.

Ele girou o disco do Omnitrix. Uma silhueta de um robô com engrenagens apareceu.

— Por favor, não falhe agora — Ben pressionou o núcleo.

A transformação foi diferente. O corpo de Ben se tornou metálico, dourado e arredondado. Uma grande chave de corda surgiu em suas costas e um visor de vidro revelou engrenagens girando em seu peito.

— Clockwork! — A voz do alienígena era lenta e profunda, ecoando com um tique-taque rítmico.

Accelerator franziu a testa.

— Outra fantasia? Não importa. Morra!

Accelerator avançou, preparando-se para tocar o solo e criar um terremoto vetorial que rasgaria Clockwork ao meio.

— Parado — disse Clockwork.

Um pulso de luz verde emanou do peito do alienígena. No instante seguinte, o mundo perdeu a cor. O vento parou. As faíscas elétricas de Mikoto, que acabara de chegar com Touma, congelaram no ar. Accelerator ficou estátua, com um pé ligeiramente fora do chão, seu rosto congelado em uma expressão de fúria maníaca.

Ben, na forma de Clockwork, caminhou calmamente pelo cenário congelado. Para ele, o tempo havia parado completamente.

— Você controla vetores — disse Ben, embora ninguém pudesse ouvir. — Mas vetores precisam de tempo para existir. Velocidade é distância sobre tempo. Se o tempo é zero, sua velocidade é zero. Sua aceleração é zero. Seus vetores... não existem.

Clockwork aproximou-se de Accelerator. Ele não usou força bruta. Ele simplesmente tocou o peito do esper e disparou um raio de energia cronal, revertendo o estado físico de Accelerator para um momento antes de ele ativar seu campo de reflexão, e então, com um movimento lento, Ben desferiu um golpe carregado de energia temporal.

O tempo voltou a correr.

Accelerator não entendeu o que aconteceu. Em um milissegundo, ele estava prestes a atacar; no seguinte, ele foi arremessado para trás por uma força que ele não conseguiu refletir, porque quando o golpe foi desferido, sua habilidade não tinha "tempo" para processar a direção do impacto.

O Esper de Nível 1 atingiu um contêiner, tossindo sangue, seus olhos arregalados em puro choque.

— O que... o que você fez? — gaguejou Accelerator, tentando se levantar, mas sentindo uma fadiga extrema, como se seu corpo tivesse envelhecido horas em um segundo.

Touma e Mikoto pararam, boquiabertos.

— Ele... ele derrotou o Accelerator? — Mikoto sussurrou, caindo de joelhos, as lágrimas de desespero virando lágrimas de alívio.

Touma olhou para a mão direita e depois para a figura dourada de Clockwork.

— Parece que eu não fui o único a querer quebrar essa ilusão hoje — disse Touma com um sorriso de canto.

Clockwork brilhou e Ben voltou à forma humana. Ele caminhou até Misaka 10032 e estendeu a mão para ajudá-la a se levantar, enquanto usava o modo de cura do Omnitrix (uma função raramente usada, mas presente) para estabilizar os ferimentos dela.

— O experimento acabou — Ben disse com firmeza, olhando para Accelerator, que ainda tentava entender sua derrota. — Se você quiser continuar, eu tenho um alienígena para cada segundo do dia. Mas acho que você já teve o suficiente.

Accelerator rosnou, limpando o sangue do rosto. Ele olhou para Ben, depois para Touma que se aproximava, e finalmente para a Sister. Pela primeira vez em sua vida, o "mais forte" sentiu o peso da derrota e, estranhamente, um peso saindo de suas costas.

— Que seja — cuspiu Accelerator, virando as costas e mancando para longe. — Esse experimento era um tédio mesmo.

Mikoto correu para abraçar sua "irmã", chorando compulsivamente. Touma aproximou-se de Ben e estendeu a mão.

— Eu não sei de onde você veio, mas obrigado. Eu sou Kamijou Touma.

Ben apertou a mão dele, sentindo uma estranha sensação de anulação vinda da palma do rapaz, mas o Omnitrix apenas brilhou levemente em protesto, sem desativar.

— Ben Tennyson. E quanto a vir de algum lugar... digamos que eu peguei o caminho mais longo para casa.

Misaka 10032 olhou para os dois, o gato preto voltando para o seu colo.

— O experimento foi cancelado. A unidade 10032 registra um sentimento de gratidão que não estava nos manuais, diz Misaka enquanto sente o coração bater de forma irregular, mas agradável.

Ben olhou para o céu estrelado da Cidade Acadêmica. Ele ainda não sabia como voltaria para seu universo, mas vendo as duas irmãs Misaka juntas e em segurança, ele sabia que, não importa em qual realidade estivesse, ser um herói era sempre a escolha certa.
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