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Amor de infância
Fandom: Cristiano Ronaldo Júnior
Criado: 04/07/2026
Tags
RomanceFatias de VidaFofuraUA (Universo Alternativo)Cenário CanônicoDramaHistória DomésticaRealismoEstudo de PersonagemDor/ConfortoCiúmesAngústiaHumorFilme de Amigos
Além do Oceano e de Surpresa
O calor do Rio de Janeiro estava sufocante, mas eu mal conseguia sentir o mormaço da tarde enquanto terminava de fechar o zíper da minha mala de mão. Meu irmão mais velho, Lucas, estava encostado no batente da porta do meu quarto, balançando as chaves do carro com um sorriso conspirador no rosto. Morar no Brasil com nossos avós maternos nos últimos meses tinha sido uma experiência incrível para nos conectarmos com nossas raízes brasileiras, mas meu coração ainda batia no ritmo de Portugal e, especificamente, no ritmo daquela amizade que definia a minha vida desde que eu me entendia por gente.
— Tem certeza de que ele não desconfia de nada, Clara? — perguntou Lucas, ajeitando o boné. — O Júnior é esperto. Se ele sentir um pingo de hesitação na sua voz durante as chamadas de vídeo, o plano vai por água abaixo.
— Eu já disse a ele mil vezes que não vou poder ir — respondi, conferindo meu passaporte pela décima vez. — Disse que as passagens estavam caras, que o vovô precisava de ajuda com os negócios aqui e que a gente só se veria na Copa. Ele ficou arrasado, mas acreditou.
A história da minha família era entrelaçada com a de Cristiano Ronaldo de uma forma que pouca gente entenderia. Meu pai e o Cris cresceram chutando bola nas ruas da Madeira. Foram juntos para Lisboa, enfrentaram a saudade de casa juntos, e enquanto um se tornava o maior jogador do mundo, o outro encontrava o amor da sua vida — minha mãe, uma brasileira que cruzou o oceano para ser modelo e acabou conquistando o coração do melhor amigo do craque. Crescer sendo a "sobrinha" de consideração do CR7 e a melhor amiga do Júnior era a minha normalidade. Mas, aos 18 anos, as coisas pareciam estar mudando de tom. A amizade com o Júnior não era mais apenas sobre brincar de pega-pega nos jardins de Madrid ou Turim; era algo mais profundo, algo que o oceano Atlântico não conseguia apagar.
— Então vamos logo — apressou Lucas. — O voo para a Arábia Saudita não espera.
A viagem foi longa, mas a adrenalina me manteve acordada. Quando finalmente pousei e fui recebida por um motorista enviado discretamente pela Georgina, meu estômago deu um nó. Gio era a única que sabia de tudo. Ela e meu pai tinham planejado cada detalhe para que eu pudesse aparecer na festa de aniversário do Júnior sem que ele tivesse a menor pista.
Chegamos à mansão sob o céu estrelado do deserto. O som de música baixa e risadas vinha da área externa e da sala principal. Entrei pela porta de serviço, onde Gio já me esperava com um sorriso radiante e um dedo sobre os lábios, pedindo silêncio.
— Ele está na sala com os amigos da academia e alguns primos — sussurrou ela, me dando um abraço apertado. — Ele passou o dia inteiro olhando para o celular, tenho certeza de que estava esperando uma mensagem sua dizendo que estava no aeroporto.
— Coitado, Gio! — eu ri baixinho, sentindo uma pontada de culpa. — Mas vai valer a pena. Cadê o bolo?
— Está na cozinha. Vamos fazer assim: eu entro primeiro, eles vão cantar os parabéns, e você vem logo atrás, segurando as velas extras.
Meu coração parecia uma bateria de escola de samba. Eu me olhei no espelho do corredor, ajeitando meu cabelo e tentando controlar a respiração. Eu estava com saudade de tudo nele: do jeito que ele levava o futebol a sério, das piadas internas que só nós entendíamos e da forma como ele sempre parecia me entender sem que eu precisasse dizer uma única palavra.
Lá dentro, ouvi o início do coro de "Parabéns pra Você". Era a minha deixa.
Gio entrou com um bolo enorme e iluminado. Eu respirei fundo e caminhei logo atrás dela, tentando me esconder o máximo possível atrás de sua silhueta elegante. O Júnior estava sentado no sofá central, cercado por garotos da idade dele. Ele sorria, mas era um sorriso contido, aquele que ele usava quando estava sendo educado, mas sua mente estava em outro lugar.
— Parabéns, meu amor! — exclamou Gio, colocando o bolo na mesa de centro à frente dele.
— Obrigado, Gio — disse o Júnior, levantando-se para abraçá-la.
— Mas acho que faltou um presente que não coube na caixa — disse ela, dando um passo para o lado e me revelando.
O tempo pareceu congelar. O Júnior travou no lugar, os olhos castanhos arregalados, piscando várias vezes como se estivesse vendo uma miragem causada pelo calor do deserto.
— Não é possível... — sussurrou ele, a voz falhando.
— Eu disse que a gente só ia se ver na Copa — eu disse, abrindo um sorriso de orelha a orelha —, mas eu nunca fui muito boa em cumprir promessas que me mantêm longe de você.
— Clara! — Ele deu dois passos rápidos e me envolveu em um abraço tão apertado que meus pés quase saíram do chão.
O cheiro dele era o mesmo de sempre, uma mistura de perfume caro e algo que me lembrava casa. Senti o calor do seu corpo e a força dos seus braços, e naquele momento, os milhares de quilômetros que nos separaram nos últimos meses sumiram.
— Você é uma mentirosa — disse ele contra o meu cabelo, rindo, mas sem me soltar. — Uma mentirosa profissional. Eu estava quase jogando meu celular na piscina porque você não me respondia desde ontem.
— Era parte do plano! — Eu me afastei um pouco para olhar o rosto dele. Ele estava mais alto, com as feições mais maduras, mas o brilho no olhar era o mesmo do menino que dividia os lanches comigo nos intervalos dos treinos. — Feliz aniversário, Júnior.
— Agora sim é um feliz aniversário — respondeu ele, ignorando completamente os amigos que começaram a assobiar e a fazer piadinhas ao redor.
— Ei, Cris! — gritou um dos amigos dele. — Vai apresentar a "amiga" ou vai ficar só no abraço o resto da noite?
Júnior revirou os olhos, mas não soltou minha mão. Ele me puxou para o lado dele no sofá, como se tivesse medo de que, se me soltasse, eu voasse de volta para o Brasil.
— Pessoal, essa é a Clara. A pessoa que mais me dá trabalho no mundo — apresentou ele, com um tom de orgulho que não conseguiu esconder.
— E a pessoa que conhece todos os segredos dele, então tenham cuidado comigo — brinquei, cumprimentando os rapazes.
A noite seguiu leve. Georgina trouxe mais comida, e logo o próprio Cristiano apareceu na sala. Quando ele me viu, abriu aquele sorriso icônico e veio me dar um beijo na testa.
— Sabia que seu pai quase estragou tudo? — disse o CR7, rindo. — Ele quase mandou uma foto sua no aeroporto para o grupo da família por engano. Tive que ligar para ele às pressas.
— Meu pai não consegue guardar segredo, tio Cris — respondi, rindo. — Ainda bem que o senhor interviu.
— Que bom que você veio, Clara. Esse garoto estava insuportável de mau humor hoje — brincou Cristiano, dando um tapinha no ombro do filho antes de se retirar para dar espaço aos jovens.
Mais tarde, quando a festa começou a se acalmar e os amigos do Júnior foram para a área de jogos, nós dois escapamos para a varanda que dava vista para o jardim iluminado. O silêncio da noite era confortável, quebrado apenas pelo som distante da água da piscina.
— Eu realmente achei que você não viria — disse ele, encostado no parapeito, olhando para o horizonte. — O Brasil parece tão longe daqui.
— E é longe — concordei, aproximando-me dele. — Mas morar lá me fez perceber uma coisa.
— O quê? — Ele se virou para me encarar.
— Que a distância é só um detalhe quando a gente tem alguém que vale a pena a viagem de trinta horas — eu disse, sentindo meu rosto esquentar. — Eu senti sua falta, Júnior. Mais do que eu achei que sentiria.
Ele ficou em silêncio por um momento, apenas me observando. O vento leve balançava seus cachos, e havia uma intensidade em seu olhar que eu nunca tinha notado antes, ou talvez eu estivesse apenas começando a entender agora que éramos adultos.
— Eu também senti a sua — admitiu ele, a voz baixa e rouca. — A casa parece vazia sem você por perto para me irritar ou para criticar meu gosto musical. As conquistas não têm o mesmo gosto quando eu não posso te contar primeiro.
— Agora eu estou aqui — eu disse, sorrindo. — E tenho dezoito anos agora, sabia? Sou uma mulher independente.
Ele soltou uma risada curta e balançou a cabeça.
— Uma mulher independente que precisou da ajuda da minha madrasta e do meu pai para fazer uma surpresa.
— Detalhes, Júnior! Puros detalhes.
Ele deu um passo à frente, diminuindo o espaço entre nós. A atmosfera mudou de repente, tornando-se carregada de algo que ia além da amizade de infância.
— Obrigado por vir, Clara. De verdade. Foi o melhor presente que eu poderia ganhar.
— Eu sei — brinquei, tentando manter o clima leve, embora meu coração estivesse disparado. — Eu sou incrível.
— É sim — disse ele, e dessa vez não havia tom de brincadeira em sua voz. — Você é incrível.
Ficamos ali, sob o céu da Arábia, dois jovens cujas vidas foram moldadas pela fama de seus pais, mas que encontraram um no outro um refúgio de normalidade. Eu não sabia o que o futuro nos reservava, ou como seria quando eu tivesse que voltar para o Brasil, mas naquela noite, o mundo era pequeno o suficiente para caber apenas nós dois.
— Vamos entrar? — perguntei depois de um tempo. — Acho que o Lucas deve estar tentando ensinar gírias brasileiras para os seus primos e isso pode terminar em desastre.
Júnior riu e estendeu a mão para mim.
— Vamos. Mas você não vai embora tão cedo, ok? Vou confiscar seu passaporte.
— Tente a sorte, Júnior — respondi, entrelaçando meus dedos nos dele. — Tente a sorte.
Enquanto caminhávamos de volta para a luz da sala, eu soube que aquela surpresa era apenas o começo de um novo capítulo. Um capítulo onde as fronteiras entre amizade e algo mais estavam começando a desaparecer, tão suavemente quanto as pegadas na areia do deserto.
— Tem certeza de que ele não desconfia de nada, Clara? — perguntou Lucas, ajeitando o boné. — O Júnior é esperto. Se ele sentir um pingo de hesitação na sua voz durante as chamadas de vídeo, o plano vai por água abaixo.
— Eu já disse a ele mil vezes que não vou poder ir — respondi, conferindo meu passaporte pela décima vez. — Disse que as passagens estavam caras, que o vovô precisava de ajuda com os negócios aqui e que a gente só se veria na Copa. Ele ficou arrasado, mas acreditou.
A história da minha família era entrelaçada com a de Cristiano Ronaldo de uma forma que pouca gente entenderia. Meu pai e o Cris cresceram chutando bola nas ruas da Madeira. Foram juntos para Lisboa, enfrentaram a saudade de casa juntos, e enquanto um se tornava o maior jogador do mundo, o outro encontrava o amor da sua vida — minha mãe, uma brasileira que cruzou o oceano para ser modelo e acabou conquistando o coração do melhor amigo do craque. Crescer sendo a "sobrinha" de consideração do CR7 e a melhor amiga do Júnior era a minha normalidade. Mas, aos 18 anos, as coisas pareciam estar mudando de tom. A amizade com o Júnior não era mais apenas sobre brincar de pega-pega nos jardins de Madrid ou Turim; era algo mais profundo, algo que o oceano Atlântico não conseguia apagar.
— Então vamos logo — apressou Lucas. — O voo para a Arábia Saudita não espera.
A viagem foi longa, mas a adrenalina me manteve acordada. Quando finalmente pousei e fui recebida por um motorista enviado discretamente pela Georgina, meu estômago deu um nó. Gio era a única que sabia de tudo. Ela e meu pai tinham planejado cada detalhe para que eu pudesse aparecer na festa de aniversário do Júnior sem que ele tivesse a menor pista.
Chegamos à mansão sob o céu estrelado do deserto. O som de música baixa e risadas vinha da área externa e da sala principal. Entrei pela porta de serviço, onde Gio já me esperava com um sorriso radiante e um dedo sobre os lábios, pedindo silêncio.
— Ele está na sala com os amigos da academia e alguns primos — sussurrou ela, me dando um abraço apertado. — Ele passou o dia inteiro olhando para o celular, tenho certeza de que estava esperando uma mensagem sua dizendo que estava no aeroporto.
— Coitado, Gio! — eu ri baixinho, sentindo uma pontada de culpa. — Mas vai valer a pena. Cadê o bolo?
— Está na cozinha. Vamos fazer assim: eu entro primeiro, eles vão cantar os parabéns, e você vem logo atrás, segurando as velas extras.
Meu coração parecia uma bateria de escola de samba. Eu me olhei no espelho do corredor, ajeitando meu cabelo e tentando controlar a respiração. Eu estava com saudade de tudo nele: do jeito que ele levava o futebol a sério, das piadas internas que só nós entendíamos e da forma como ele sempre parecia me entender sem que eu precisasse dizer uma única palavra.
Lá dentro, ouvi o início do coro de "Parabéns pra Você". Era a minha deixa.
Gio entrou com um bolo enorme e iluminado. Eu respirei fundo e caminhei logo atrás dela, tentando me esconder o máximo possível atrás de sua silhueta elegante. O Júnior estava sentado no sofá central, cercado por garotos da idade dele. Ele sorria, mas era um sorriso contido, aquele que ele usava quando estava sendo educado, mas sua mente estava em outro lugar.
— Parabéns, meu amor! — exclamou Gio, colocando o bolo na mesa de centro à frente dele.
— Obrigado, Gio — disse o Júnior, levantando-se para abraçá-la.
— Mas acho que faltou um presente que não coube na caixa — disse ela, dando um passo para o lado e me revelando.
O tempo pareceu congelar. O Júnior travou no lugar, os olhos castanhos arregalados, piscando várias vezes como se estivesse vendo uma miragem causada pelo calor do deserto.
— Não é possível... — sussurrou ele, a voz falhando.
— Eu disse que a gente só ia se ver na Copa — eu disse, abrindo um sorriso de orelha a orelha —, mas eu nunca fui muito boa em cumprir promessas que me mantêm longe de você.
— Clara! — Ele deu dois passos rápidos e me envolveu em um abraço tão apertado que meus pés quase saíram do chão.
O cheiro dele era o mesmo de sempre, uma mistura de perfume caro e algo que me lembrava casa. Senti o calor do seu corpo e a força dos seus braços, e naquele momento, os milhares de quilômetros que nos separaram nos últimos meses sumiram.
— Você é uma mentirosa — disse ele contra o meu cabelo, rindo, mas sem me soltar. — Uma mentirosa profissional. Eu estava quase jogando meu celular na piscina porque você não me respondia desde ontem.
— Era parte do plano! — Eu me afastei um pouco para olhar o rosto dele. Ele estava mais alto, com as feições mais maduras, mas o brilho no olhar era o mesmo do menino que dividia os lanches comigo nos intervalos dos treinos. — Feliz aniversário, Júnior.
— Agora sim é um feliz aniversário — respondeu ele, ignorando completamente os amigos que começaram a assobiar e a fazer piadinhas ao redor.
— Ei, Cris! — gritou um dos amigos dele. — Vai apresentar a "amiga" ou vai ficar só no abraço o resto da noite?
Júnior revirou os olhos, mas não soltou minha mão. Ele me puxou para o lado dele no sofá, como se tivesse medo de que, se me soltasse, eu voasse de volta para o Brasil.
— Pessoal, essa é a Clara. A pessoa que mais me dá trabalho no mundo — apresentou ele, com um tom de orgulho que não conseguiu esconder.
— E a pessoa que conhece todos os segredos dele, então tenham cuidado comigo — brinquei, cumprimentando os rapazes.
A noite seguiu leve. Georgina trouxe mais comida, e logo o próprio Cristiano apareceu na sala. Quando ele me viu, abriu aquele sorriso icônico e veio me dar um beijo na testa.
— Sabia que seu pai quase estragou tudo? — disse o CR7, rindo. — Ele quase mandou uma foto sua no aeroporto para o grupo da família por engano. Tive que ligar para ele às pressas.
— Meu pai não consegue guardar segredo, tio Cris — respondi, rindo. — Ainda bem que o senhor interviu.
— Que bom que você veio, Clara. Esse garoto estava insuportável de mau humor hoje — brincou Cristiano, dando um tapinha no ombro do filho antes de se retirar para dar espaço aos jovens.
Mais tarde, quando a festa começou a se acalmar e os amigos do Júnior foram para a área de jogos, nós dois escapamos para a varanda que dava vista para o jardim iluminado. O silêncio da noite era confortável, quebrado apenas pelo som distante da água da piscina.
— Eu realmente achei que você não viria — disse ele, encostado no parapeito, olhando para o horizonte. — O Brasil parece tão longe daqui.
— E é longe — concordei, aproximando-me dele. — Mas morar lá me fez perceber uma coisa.
— O quê? — Ele se virou para me encarar.
— Que a distância é só um detalhe quando a gente tem alguém que vale a pena a viagem de trinta horas — eu disse, sentindo meu rosto esquentar. — Eu senti sua falta, Júnior. Mais do que eu achei que sentiria.
Ele ficou em silêncio por um momento, apenas me observando. O vento leve balançava seus cachos, e havia uma intensidade em seu olhar que eu nunca tinha notado antes, ou talvez eu estivesse apenas começando a entender agora que éramos adultos.
— Eu também senti a sua — admitiu ele, a voz baixa e rouca. — A casa parece vazia sem você por perto para me irritar ou para criticar meu gosto musical. As conquistas não têm o mesmo gosto quando eu não posso te contar primeiro.
— Agora eu estou aqui — eu disse, sorrindo. — E tenho dezoito anos agora, sabia? Sou uma mulher independente.
Ele soltou uma risada curta e balançou a cabeça.
— Uma mulher independente que precisou da ajuda da minha madrasta e do meu pai para fazer uma surpresa.
— Detalhes, Júnior! Puros detalhes.
Ele deu um passo à frente, diminuindo o espaço entre nós. A atmosfera mudou de repente, tornando-se carregada de algo que ia além da amizade de infância.
— Obrigado por vir, Clara. De verdade. Foi o melhor presente que eu poderia ganhar.
— Eu sei — brinquei, tentando manter o clima leve, embora meu coração estivesse disparado. — Eu sou incrível.
— É sim — disse ele, e dessa vez não havia tom de brincadeira em sua voz. — Você é incrível.
Ficamos ali, sob o céu da Arábia, dois jovens cujas vidas foram moldadas pela fama de seus pais, mas que encontraram um no outro um refúgio de normalidade. Eu não sabia o que o futuro nos reservava, ou como seria quando eu tivesse que voltar para o Brasil, mas naquela noite, o mundo era pequeno o suficiente para caber apenas nós dois.
— Vamos entrar? — perguntei depois de um tempo. — Acho que o Lucas deve estar tentando ensinar gírias brasileiras para os seus primos e isso pode terminar em desastre.
Júnior riu e estendeu a mão para mim.
— Vamos. Mas você não vai embora tão cedo, ok? Vou confiscar seu passaporte.
— Tente a sorte, Júnior — respondi, entrelaçando meus dedos nos dele. — Tente a sorte.
Enquanto caminhávamos de volta para a luz da sala, eu soube que aquela surpresa era apenas o começo de um novo capítulo. Um capítulo onde as fronteiras entre amizade e algo mais estavam começando a desaparecer, tão suavemente quanto as pegadas na areia do deserto.
