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O Nono Membro do Stray Kids

Fandom: Stray Kids

Criado: 04/07/2026

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OmegaversoAngústiaDramaDor/ConfortoCiúmesEstudo de PersonagemRomanceSongficDiscriminação
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O Eco do Silêncio entre Acordes e Traição

A penumbra da sala de produção da JYP Entertainment era quebrada apenas pelo brilho azulado de três monitores e pela luz âmbar fraca de um abajur no canto. O ar estava saturado com o cheiro de café frio, eletrônicos aquecidos e, predominantemente, o aroma amadeirado e reconfortante de sândalo e chuva — o cheiro de Bang Chan. Para Nicholas Kaufman, aquele era o cheiro de "casa".

Nick empurrou a porta pesada silenciosamente. Seus 198 centímetros de altura geralmente o tornavam o centro das atenções em qualquer lugar, mas ali, ele se movia com a graça felina de um dançarino experiente. Seus ombros largos, moldados por anos de treinamento intenso, estavam tensos. Ele vestia um moletom preto oversized que, mesmo nele, parecia grande, e seus cabelos escuros estavam levemente bagunçados pelo suor do ensaio que terminara há pouco.

— Channie... — Nick murmurou, sua voz um barítono profundo que vibrava suavemente no ar.

Chan girou na cadeira, os olhos cansados se iluminando por um breve segundo ao ver o ômega.

— Nick. Ainda acordado? Já passa das três da manhã.

Nick não respondeu com palavras. Ele se aproximou, o aroma de gengibre fresco e tangerina emanando de sua nuca de forma suave, buscando o conforto que só seu alfa poderia prover. Ele se inclinou, envolvendo os braços largos ao redor dos ombros de Chan, enterrando o rosto na curva do pescoço do mais velho. Ele inalou profundamente, sentindo o lobo em seu peito soltar um suspiro de contentamento.

— Estou exausto — confessou Nick, a voz abafada contra a pele de Chan. — O ensaio de vocal foi difícil hoje. Eu sinto que minha voz está... demais. Alta demais, potente demais para a música que estamos montando.

— Você nunca é "demais", Nick — Chan respondeu, retribuindo o abraço e acariciando as costas musculosas do namorado. — Você é exatamente o que precisamos.

Nick sorriu contra o pescoço dele, embora uma pequena semente de dúvida sempre residisse em seu coração. Ele era um ômega dominante, uma anomalia na sociedade coreana e na indústria do K-pop. Ele era mais alto que todos os alfas que conhecia, mais forte que a maioria e possuía uma presença que muitas vezes intimidava. Mas, nos braços de Chan, ele se sentia apenas Nicholas.

Eles ficaram assim por longos minutos, um momento de paz pura que Nick guardaria em sua memória como um tesouro antes que tudo começasse a desmoronar.

Nos dias seguintes, a atmosfera mudou. O corpo de Nick começou a reagir aos ciclos naturais; seu pré-cio estava chegando. Sua temperatura subiu, sua pele tornou-se hipersensível e seu cheiro de frutas cítricas tornou-se mais doce, quase enjoativo, como tangerinas maduras sob o sol. Ele precisava de Chan. Precisava do toque, do aninhamento, da afirmação de seu alfa.

No entanto, Chan começou a recuar.

As mensagens de "bom dia" tornaram-se monossílabas. Os encontros noturnos na sala de produção cessaram. Quando Nick tentava tocá-lo no corredor, Chan se esquivava com uma desculpa sobre "trabalho acumulado" ou "reuniões com a gerência".

A primeira rachadura real no coração de Nick aconteceu na tarde de terça-feira. Ele estava voltando da sala de prática quando ouviu vozes familiares vindas da sala de reuniões entreaberta. Eram os membros do 4racha: Chan, Changbin e Han.

— ...não acho que a imagem dele funcione para o grupo final, Hyung — era a voz de Han, soando hesitante.

— Não é sobre o talento dele, Chan — Changbin interveio, a voz séria. — O Nick é o melhor produtor e vocalista que temos, mas ele é... imponente. Um ômega dominante daquele tamanho? O público pode não entender.

O coração de Nick disparou. Ele se encostou na parede, a respiração curta.

— Eu já tomei a decisão — a voz de Chan soou fria, profissional, desprovida de qualquer calor que costumava dedicar a Nick. — Eu tirei o nome do Nicholas da lista final de debut que apresentarei aos executivos. Ele não se encaixa na estética que quero para o Stray Kids. Ele é... demais para o conceito.

As palavras foram como lâminas de gelo. *Demais.* A insegurança que Nick carregava desde a infância, de ser um gigante em um mundo de pessoas pequenas, de ser um ômega que não parecia um ômega, fora confirmada pela pessoa que ele mais amava.

Naquela noite, o cio de Nick atingiu seu ápice. Ele estava sozinho no ninho que construíra com camisetas de Chan e lençóis limpos, o corpo queimando em uma febre agonizante. O *slick* molhava suas coxas, e seu lobo uivava por seu parceiro. Ele enviou dezenas de mensagens. Ele implorou.

Chan só apareceu nas primeiras horas da manhã. Ele parecia exausto e culpado. Sem dizer muito, ele se despiu e entrou na cama. O ato que se seguiu foi carregado de uma intensidade desesperada por parte de Nick. Ele se entregou completamente, sentindo o nó de Chan preenchê-lo, um momento de união biológica que deveria significar eternidade.

— Channie... por favor — Nick soluçou, as mãos grandes cravadas nas costas de Chan enquanto o pico do prazer os atingia. — Me marca. Por favor, me marca agora. Eu não quero mais ser só seu namorado, eu quero ser seu companheiro.

Chan congelou. O silêncio que se seguiu foi mais doloroso do que qualquer rejeição verbal. Ele se afastou lentamente, limpando-se com uma frieza que quebrou o que restava do espírito de Nick.

— Não posso, Nick — disse Chan, sem olhar nos olhos dele. — Não agora.

A rejeição da marca durante o cio é o trauma mais profundo que um ômega pode sofrer. Nick sentiu seu lobo interior se encolher, murchando em agonia.

Os dias seguintes foram um borrão de dor e negação. Nick tentava agir normalmente, mas via Chan passar cada vez mais tempo com Hyunjin, um ômega que era o oposto de Nick: delicado, etéreo, visualmente "perfeito" para os padrões da indústria. Ele via as risadas, os toques discretos, o modo como Chan olhava para Hyunjin com uma admiração que não direcionava mais a Nick.

O confronto final aconteceu na sala de ensaio, após Nick ouvir, através da porta, a confissão que selou seu destino.

— Eu não sinto mais a mesma coisa, Bin — Chan dizia a Changbin. — O Nick é maravilhoso, mas é cansativo. Ele é intenso demais, protetor demais. Com o Hyunjin... é leve. Eu me sinto um alfa protetor com ele. Com o Nick, eu sinto que estou sempre competindo por espaço. Eu estou apaixonado pelo Hyunjin, mas não sei como terminar com o Nicholas sem destruí-lo.

Nick fechou os olhos por um segundo, respirando fundo. O cheiro de gengibre e limão na sala tornou-se ácido, carregado de mágoa. Ele abriu a porta com calma.

Changbin e Han pularam de susto, a culpa estampada em seus rostos. Chan empalideceu, levantando-se imediatamente.

— Nick... há quanto tempo você está aí?

Nick ignorou a pergunta. Ele olhou para Changbin e Han e forçou um sorriso pequeno, embora seus olhos estivessem vermelhos e úmidos.

— Bin, Jisung... vocês poderiam nos dar um momento? — Sua voz estava estável, uma cortesia que ele mantinha mesmo enquanto seu mundo desmoronava. — Prometo que não vai demorar.

Os dois saíram rapidamente, lançando olhares de pena para Nick, o que o machucou ainda mais. Ele não queria pena.

— Então — começou Nick, cruzando os braços sobre o peito largo, sentindo-se mais alto do que nunca naquela sala pequena. — Eu sou "demais" para você agora, Christopher?

— Nick, não é assim... eu ia te contar...

— Ia? Quando? Depois que o debut fosse anunciado e eu ficasse para trás? Ou depois que você marcasse o Hyunjin pelas minhas costas? — Nick riu, um som seco e sem alegria. — Eu ouvi tudo. Sobre a lista, sobre os seus sentimentos. Sobre como minha altura e minha força te incomodam tanto que você esqueceu quem eu sou por dentro.

— Eu nunca quis te machucar — Chan deu um passo à frente, mas Nick recuou.

— Mas machucou. Você me usou durante o meu cio sabendo que já não me amava. Você me negou a marca porque já tinha outra pessoa em mente. — Lágrimas finalmente escaparam, escorrendo pelo rosto esculpido de Nick. — Eu sempre tive medo de ser demais para as pessoas, Chan. Mas eu achei que, para você, eu seria o suficiente.

— Nicholas...

— *Ich verstehe* — Nick sussurrou em alemão, a língua de seu pai surgindo quando a dor era grande demais para o coreano. — Eu entendo. Você quer algo que possa proteger, algo que se encaixe na sua caixa perfeita de "ídolo". Eu sou um ômega dominante, eu sou um compositor, eu sou um homem de quase dois metros de altura que fala nove línguas e sabe o que quer. Eu nunca caberia na sua caixa.

Nick limpou o rosto com as costas da mão, recuperando sua dignidade.

— Acabou, Chan. Eu vou devolver suas coisas que estão no meu dormitório hoje à noite. Não me procure a menos que seja para falar de trabalho... se é que a empresa ainda me quer aqui depois que você me cortou da sua lista.

Ele saiu da sala sem olhar para trás, deixando o cheiro de sândalo para trás para sempre.

Horas depois, no silêncio do dormitório que compartilhava com os outros trainees, Nick estava sentado no chão, rodeado por caixas. Ele dobrava cuidadosamente os moletons de Chan, os cadernos de notas que haviam compartilhado, os pequenos presentes de aniversários passados.

Cada objeto era uma memória. O relógio que Chan lhe deu quando completaram seis meses. A palheta de violino que Nick usava e que Chan insistira em comprar em Londres.

Ele sentia um vazio imenso onde seu lobo costumava vibrar de amor. Agora, havia apenas um silêncio frio.

*Eu sou demais?* — ele se perguntou, olhando para suas mãos grandes.

*Talvez eu seja* — ele pensou, fechando a última caixa. — *Mas talvez o mundo precise de "demais". Talvez eu não precise de um alfa que tenha medo da minha força. Talvez eu precise ser o meu próprio alfa por um tempo.*

Ele se levantou, a coluna ereta, os olhos fixos no espelho. Ele ainda era Nicholas Kaufman. Ele ainda era o melhor trainee daquela empresa. Ele ainda tinha sua música, seus cães e sua força.

Se Bang Chan não conseguia lidar com a imensidão de quem ele era, Nick encontraria alguém que conseguisse. Ou, melhor ainda, ele provaria que um ômega dominante não precisava ser diminuído para brilhar no palco.

Ele pegou seu telefone e discou o número de um dos instrutores seniores da JYP.

— Olá, senhor. É o Nicholas. Eu gostaria de agendar uma audição individual para o departamento de solistas ou para a revisão da lista de grupos. Eu tenho novas composições que gostaria de apresentar. Sim... eu entendo. Não, eu não faço mais parte do projeto do Chan. Eu seguirei meu próprio caminho agora.

Ao desligar, Nick sentiu um peso sair de seus ombros. A dor ainda estava lá, profunda e lancinante, mas sob ela, uma nova chama de determinação começava a arder. Ele não seria a sombra de ninguém. Ele seria o sol, mesmo que seu brilho fosse "demais" para os olhos daqueles que preferiam a escuridão.
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