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O Cheiro da Traição
Fandom: Stray Kids
Criado: 04/07/2026
Tags
DramaAngústiaOmegaversoCiúmesTragédiaEstudo de PersonagemRomanceHistória DomésticaDor/Conforto
O Eco de uma Promessa Esquecida
O peso da pequena caixa de veludo preto no bolso de sua jaqueta parecia maior do que os seus quase dois metros de altura podiam suportar. Aaron Malik caminhava pelos corredores da JYP Entertainment com uma elegância inerente, seus ombros largos e postura imponente atraindo olhares, como sempre acontecia. Ele era uma anomalia fascinante: um ômega dominante, com músculos esculpidos e um aroma que desafiava as convenções. Em vez do doce enjoativo de baunilha ou do frescor das flores, Aaron exalava o ardor do gengibre e a acidez vibrante das frutas cítricas.
Ele era o porto seguro de Bang Chan há quase dez anos. Eles haviam crescido juntos, enfrentado os dias de trainee, a incerteza do debut e o estrelato global. Aaron tinha sido o alicerce sobre o qual Chan construiu seu império, o abraço que curava a exaustão do líder após noites em claro no estúdio.
No entanto, nos últimos meses, o alicerce começara a tremer.
Aaron sentia o distanciamento em cada toque evitado, em cada olhar que Chan desviava. O alfa, antes tão devoto, parecia agora uma sombra presente apenas fisicamente. O coração de Aaron, embora envolto em uma armadura de músculos e confiança externa, era frágil. Ele se perguntava se seus olhos verdes não eram mais brilhantes o suficiente, se sua mandíbula marcada era bruta demais, se sua estatura de gigante intimidava o homem que ele amava.
Hoje, porém, ele decidira lutar. A caixinha no seu bolso continha um anel de compromisso renovado, um símbolo de que ele estava pronto para ser marcado, para finalmente selar o vínculo que eles haviam adiado por tanto tempo devido às carreiras.
Ao chegar à porta do dormitório que dividia com os outros membros do Stray Kids, Aaron respirou fundo. O cheiro de gengibre e limão ao seu redor tornou-se mais intenso, uma manifestação de seu nervosismo. Ele usou sua chave e entrou silenciosamente, querendo fazer uma surpresa.
O silêncio que esperava encontrar, contudo, foi substituído por um coro de risadas e exclamações alegres vindas da sala de estar.
— Finalmente! Eu já não aguentava mais esse clima de romance no ar sem vocês assumirem — a voz de Jisung ecoou, carregada de entusiasmo.
Aaron parou no corredor, a poucos passos da entrada da sala. Seu coração deu um solavanco doloroso.
— Eles ficam tão bem juntos, não acham? — comentou Felix, com aquele tom doce que costumava reservar para momentos especiais.
Aaron deu o passo final, revelando-se para o grupo. A cena que encontrou congelou o sangue em suas veias.
Lá, no centro do sofá, estava Christopher. Bang Chan, o seu Chan, tinha os braços envolvidos firmemente na cintura de Hyunjin. O ômega mais novo estava sentado no colo do líder, com as mãos delicadas entrelaçadas no pescoço de Chan. Eles haviam acabado de se separar de um beijo, as respirações ainda próximas, os olhos brilhando com uma luz que Aaron não via direcionada a si há meses.
O mundo pareceu perder o som por alguns segundos. Aaron ficou parado, a figura imponente de 1,98m parecendo subitamente minúscula diante da traição. Hyunjin era a personificação da delicadeza: traços finos, pele de porcelana, um ômega que se encaixava perfeitamente nos braços de um alfa, que cheirava a flores e doçura. O oposto exato de Aaron.
O primeiro a notar a presença dele foi Seungmin, cujo sorriso desapareceu instantaneamente, substituído por uma expressão de puro horror.
— Aaron... — sussurrou Seungmin, a voz falhando.
Chan virou a cabeça rapidamente, e o brilho em seus olhos se transformou em uma culpa avassaladora ao encontrar o olhar verde e penetrante de Aaron. O líder tentou se levantar, mas Hyunjin, percebendo a tensão, apenas se encolheu levemente, ainda nos braços do alfa.
— Aaron, eu... eu posso explicar — começou Chan, a voz trêmula, mas ele não soltou Hyunjin.
Aaron sentiu a primeira lágrima queimar o canto do olho, mas ele se recusou a deixá-la cair ali. Um sorriso triste, carregado de uma melancolia devastadora, surgiu em seus lábios carnudos. Ele soltou uma risada curta, seca, que cortou o ar como uma lâmina.
— Eu deveria ter esperado por isso — disse Aaron, sua voz soando estranhamente calma, embora suas mãos tremessem dentro dos bolsos. — Eu realmente deveria ter previsto.
— Aaron, não é o que você está pensando — tentou intervir Changbin, dando um passo à frente, com o rosto contorcido em preocupação.
— É exatamente o que eu estou vendo, Changbin — interrompeu Aaron, mantendo os olhos fixos em Chan. — É lógico, não é? Quem iria querer um ômega que parece um alfa? Alguém grande demais, forte demais, que cheira a especiarias em vez de flores?
Ele caminhou em direção ao centro da sala. Os outros membros recuaram, sentindo a aura de Aaron vacilar entre a dominância e a completa quebra emocional. Ele parou diante de Chan, que agora estava de pé, mas ainda mantinha uma mão protetora no ombro de Hyunjin.
Aaron tirou a pequena caixa de veludo preto do bolso e a estendeu.
— Eu passei na joalheria hoje — disse ele, a voz começando a falhar pela primeira vez. — Eu achei que, depois de dez anos, você finalmente estaria pronto para me marcar. Achei que o seu distanciamento era medo da responsabilidade, não... não que você estivesse procurando meu substituto em alguém mais delicado. Alguém que se encaixa na norma.
Chan olhou para a caixa como se fosse uma sentença de morte.
— Aaron, me escute... — Chan tentou tocar o braço dele, mas Aaron recuou como se tivesse sido queimado.
— Não — Aaron balançou a cabeça, forçando o sorriso a permanecer no rosto, embora seus olhos estivessem agora inundados. — Não estrague o momento de vocês. Os anos que passei com você... eles foram os melhores da minha vida, Chris. Eu realmente achei que éramos para sempre.
Ele pegou a mão de Chan e forçou a caixinha na palma do alfa.
— Eu espero que vocês sejam felizes. De verdade — Aaron olhou para Hyunjin por um segundo, sem ódio, apenas com uma inveja profunda e dolorosa. — Ele é lindo, Chan. Ele é tudo o que um ômega deveria ser.
Minho, que normalmente era o mais contido, deu um passo à frente, com os olhos úmidos.
— Aaron, por favor, vamos conversar... você faz parte da nossa família.
— Família? — Aaron riu novamente, o som quebrando no final. — Eu sou o erro de percurso que durou tempo demais.
Ele deu as costas para o grupo. A imagem de Aaron, com seus ombros largos e estatura poderosa, sempre passara a ideia de invencibilidade. Mas, enquanto ele caminhava em direção à porta, todos puderam ver seus ombros tremendo violentamente. O cheiro de gengibre e frutas cítricas, antes vibrante, tornou-se amargo, sufocante com o aroma da tristeza profunda.
— Aaron! — Chan gritou, o desespero finalmente atingindo sua voz.
Aaron parou no portal, mas não olhou para trás.
— Não venha atrás de mim, Christopher — disse ele, a voz agora um sussurro rouco pelo choro que ele não conseguia mais conter. — Fique com o seu ômega perfeito. Eu cansei de tentar caber em um lugar onde eu claramente não pertenço.
Ele saiu, fechando a porta atrás de si com um clique suave, que soou como um tiro no silêncio mortal que se abateu sobre o dormitório.
Lá dentro, o silêncio era pesado. Chan olhou para a caixa em sua mão, abrindo-a para encontrar um anel de platina com uma gravação interna que ele nem precisava ler para saber o que dizia: *“Meu alfa, meu lar”*.
Hyunjin desviou o olhar, a culpa começando a nublar a alegria de seu novo relacionamento. Os outros membros olhavam para Chan com uma mistura de decepção e choque. Eles tinham visto o pilar do grupo, o homem que sempre cuidou de todos com um sorriso gentil, quebrar em mil pedaços e, ainda assim, desejar felicidade a quem o destruiu.
Do lado de fora, no corredor frio, Aaron Malik encostou as costas na parede e escorregou até o chão. Ele abraçou os próprios joelhos, escondendo o rosto entre os braços musculosos. O choro que ele segurou explodiu em soluços que sacudiam todo o seu corpo.
Ele era grande, ele era forte, ele era um ômega dominante. Mas, naquele momento, ele era apenas um homem cujo coração de dez anos havia sido descartado por não ser delicado o suficiente para ser amado. E, enquanto o cheiro amargo de sua dor preenchia o corredor, Aaron soube que a marca que ele tanto desejava nunca viria de Chan. A única marca que ele carregaria agora era a da ausência.
Ele era o porto seguro de Bang Chan há quase dez anos. Eles haviam crescido juntos, enfrentado os dias de trainee, a incerteza do debut e o estrelato global. Aaron tinha sido o alicerce sobre o qual Chan construiu seu império, o abraço que curava a exaustão do líder após noites em claro no estúdio.
No entanto, nos últimos meses, o alicerce começara a tremer.
Aaron sentia o distanciamento em cada toque evitado, em cada olhar que Chan desviava. O alfa, antes tão devoto, parecia agora uma sombra presente apenas fisicamente. O coração de Aaron, embora envolto em uma armadura de músculos e confiança externa, era frágil. Ele se perguntava se seus olhos verdes não eram mais brilhantes o suficiente, se sua mandíbula marcada era bruta demais, se sua estatura de gigante intimidava o homem que ele amava.
Hoje, porém, ele decidira lutar. A caixinha no seu bolso continha um anel de compromisso renovado, um símbolo de que ele estava pronto para ser marcado, para finalmente selar o vínculo que eles haviam adiado por tanto tempo devido às carreiras.
Ao chegar à porta do dormitório que dividia com os outros membros do Stray Kids, Aaron respirou fundo. O cheiro de gengibre e limão ao seu redor tornou-se mais intenso, uma manifestação de seu nervosismo. Ele usou sua chave e entrou silenciosamente, querendo fazer uma surpresa.
O silêncio que esperava encontrar, contudo, foi substituído por um coro de risadas e exclamações alegres vindas da sala de estar.
— Finalmente! Eu já não aguentava mais esse clima de romance no ar sem vocês assumirem — a voz de Jisung ecoou, carregada de entusiasmo.
Aaron parou no corredor, a poucos passos da entrada da sala. Seu coração deu um solavanco doloroso.
— Eles ficam tão bem juntos, não acham? — comentou Felix, com aquele tom doce que costumava reservar para momentos especiais.
Aaron deu o passo final, revelando-se para o grupo. A cena que encontrou congelou o sangue em suas veias.
Lá, no centro do sofá, estava Christopher. Bang Chan, o seu Chan, tinha os braços envolvidos firmemente na cintura de Hyunjin. O ômega mais novo estava sentado no colo do líder, com as mãos delicadas entrelaçadas no pescoço de Chan. Eles haviam acabado de se separar de um beijo, as respirações ainda próximas, os olhos brilhando com uma luz que Aaron não via direcionada a si há meses.
O mundo pareceu perder o som por alguns segundos. Aaron ficou parado, a figura imponente de 1,98m parecendo subitamente minúscula diante da traição. Hyunjin era a personificação da delicadeza: traços finos, pele de porcelana, um ômega que se encaixava perfeitamente nos braços de um alfa, que cheirava a flores e doçura. O oposto exato de Aaron.
O primeiro a notar a presença dele foi Seungmin, cujo sorriso desapareceu instantaneamente, substituído por uma expressão de puro horror.
— Aaron... — sussurrou Seungmin, a voz falhando.
Chan virou a cabeça rapidamente, e o brilho em seus olhos se transformou em uma culpa avassaladora ao encontrar o olhar verde e penetrante de Aaron. O líder tentou se levantar, mas Hyunjin, percebendo a tensão, apenas se encolheu levemente, ainda nos braços do alfa.
— Aaron, eu... eu posso explicar — começou Chan, a voz trêmula, mas ele não soltou Hyunjin.
Aaron sentiu a primeira lágrima queimar o canto do olho, mas ele se recusou a deixá-la cair ali. Um sorriso triste, carregado de uma melancolia devastadora, surgiu em seus lábios carnudos. Ele soltou uma risada curta, seca, que cortou o ar como uma lâmina.
— Eu deveria ter esperado por isso — disse Aaron, sua voz soando estranhamente calma, embora suas mãos tremessem dentro dos bolsos. — Eu realmente deveria ter previsto.
— Aaron, não é o que você está pensando — tentou intervir Changbin, dando um passo à frente, com o rosto contorcido em preocupação.
— É exatamente o que eu estou vendo, Changbin — interrompeu Aaron, mantendo os olhos fixos em Chan. — É lógico, não é? Quem iria querer um ômega que parece um alfa? Alguém grande demais, forte demais, que cheira a especiarias em vez de flores?
Ele caminhou em direção ao centro da sala. Os outros membros recuaram, sentindo a aura de Aaron vacilar entre a dominância e a completa quebra emocional. Ele parou diante de Chan, que agora estava de pé, mas ainda mantinha uma mão protetora no ombro de Hyunjin.
Aaron tirou a pequena caixa de veludo preto do bolso e a estendeu.
— Eu passei na joalheria hoje — disse ele, a voz começando a falhar pela primeira vez. — Eu achei que, depois de dez anos, você finalmente estaria pronto para me marcar. Achei que o seu distanciamento era medo da responsabilidade, não... não que você estivesse procurando meu substituto em alguém mais delicado. Alguém que se encaixa na norma.
Chan olhou para a caixa como se fosse uma sentença de morte.
— Aaron, me escute... — Chan tentou tocar o braço dele, mas Aaron recuou como se tivesse sido queimado.
— Não — Aaron balançou a cabeça, forçando o sorriso a permanecer no rosto, embora seus olhos estivessem agora inundados. — Não estrague o momento de vocês. Os anos que passei com você... eles foram os melhores da minha vida, Chris. Eu realmente achei que éramos para sempre.
Ele pegou a mão de Chan e forçou a caixinha na palma do alfa.
— Eu espero que vocês sejam felizes. De verdade — Aaron olhou para Hyunjin por um segundo, sem ódio, apenas com uma inveja profunda e dolorosa. — Ele é lindo, Chan. Ele é tudo o que um ômega deveria ser.
Minho, que normalmente era o mais contido, deu um passo à frente, com os olhos úmidos.
— Aaron, por favor, vamos conversar... você faz parte da nossa família.
— Família? — Aaron riu novamente, o som quebrando no final. — Eu sou o erro de percurso que durou tempo demais.
Ele deu as costas para o grupo. A imagem de Aaron, com seus ombros largos e estatura poderosa, sempre passara a ideia de invencibilidade. Mas, enquanto ele caminhava em direção à porta, todos puderam ver seus ombros tremendo violentamente. O cheiro de gengibre e frutas cítricas, antes vibrante, tornou-se amargo, sufocante com o aroma da tristeza profunda.
— Aaron! — Chan gritou, o desespero finalmente atingindo sua voz.
Aaron parou no portal, mas não olhou para trás.
— Não venha atrás de mim, Christopher — disse ele, a voz agora um sussurro rouco pelo choro que ele não conseguia mais conter. — Fique com o seu ômega perfeito. Eu cansei de tentar caber em um lugar onde eu claramente não pertenço.
Ele saiu, fechando a porta atrás de si com um clique suave, que soou como um tiro no silêncio mortal que se abateu sobre o dormitório.
Lá dentro, o silêncio era pesado. Chan olhou para a caixa em sua mão, abrindo-a para encontrar um anel de platina com uma gravação interna que ele nem precisava ler para saber o que dizia: *“Meu alfa, meu lar”*.
Hyunjin desviou o olhar, a culpa começando a nublar a alegria de seu novo relacionamento. Os outros membros olhavam para Chan com uma mistura de decepção e choque. Eles tinham visto o pilar do grupo, o homem que sempre cuidou de todos com um sorriso gentil, quebrar em mil pedaços e, ainda assim, desejar felicidade a quem o destruiu.
Do lado de fora, no corredor frio, Aaron Malik encostou as costas na parede e escorregou até o chão. Ele abraçou os próprios joelhos, escondendo o rosto entre os braços musculosos. O choro que ele segurou explodiu em soluços que sacudiam todo o seu corpo.
Ele era grande, ele era forte, ele era um ômega dominante. Mas, naquele momento, ele era apenas um homem cujo coração de dez anos havia sido descartado por não ser delicado o suficiente para ser amado. E, enquanto o cheiro amargo de sua dor preenchia o corredor, Aaron soube que a marca que ele tanto desejava nunca viria de Chan. A única marca que ele carregaria agora era a da ausência.
