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Ainden parker
Fandom: Livro o segredo que me destriu
Criado: 04/07/2026
Tags
RomanceDramaAngústiaDor/ConfortoFatias de VidaCiúmesEstudo de Personagem
Entre o Rosa-Choque e o Cinza do Silêncio
O aroma de perfume importado e gloss de morango parecia flutuar ao redor de Karen antes mesmo de ela entrar no recinto. Ela ajustou a saia plissada rosa-bebê, garantindo que cada cacho loiro estivesse perfeitamente posicionado sobre seus ombros. Karen era a personificação de uma boneca de porcelana, mas, por dentro, sentia-se como se tivesse engolido cacos de vidro.
O grupo de amigos já estava reunido na mesa central da cafeteria, o refúgio habitual deles. O clima, que costumava ser repleto de risadas e fofocas, tornara-se uma zona de guerra fria desde que ela e Aiden haviam decidido — ou melhor, implodido — o relacionamento.
— Ela chegou — sussurrou Beatriz, cutucando Lucas com o cotovelo.
Karen caminhou com a cabeça erguida, o salto agulha batendo ruidosamente contra o piso de madeira. Ela se sentou na ponta oposta de onde Aiden estava. Ele nem sequer levantou os olhos do celular, mas Karen notou o modo como os nós dos dedos dele ficaram brancos ao apertar o aparelho.
— Oi, gente — disse ela, forçando um tom leve que não enganava ninguém.
— Oi, Karen — respondeu o grupo em uníssono, com um entusiasmo tão falso quanto uma nota de três reais.
O silêncio que se seguiu foi sufocante. Aiden finalmente ergueu o olhar. Seus olhos, que antes brilhavam apenas para ela, agora pareciam dois blocos de gelo. Ele vestia uma jaqueta escura que contrastava violentamente com o brilho ensolarado de Karen. Eram os opostos que, por tanto tempo, se atraíram até a exaustão.
— Alguém vai pedir alguma coisa ou vamos apenas ficar aqui sentados esperando o apocalipse? — Aiden perguntou, sua voz carregada de uma ironia cortante.
— Credo, Aiden, que bicho te mordeu? — rebateu Karen, cruzando os braços e fazendo as pulseiras de ouro tilintarem.
— Talvez o bicho da falta de paciência para teatros, Karen. — Ele se inclinou para frente, apoiando os cotovelos na mesa. — Você sabe que esse clima é ridículo.
— Eu sei? — Ela soltou uma risada anasalada, sem humor. — Você é quem começou com as crises de ciúmes porque eu respirei perto do instrutor da academia. Você é quem tornou tudo impossível.
— Ah, claro! — Aiden exclamou, atraindo olhares de outras mesas. — E a sua mania de querer controlar cada passo meu? De vasculhar minhas curtidas como se fosse uma investigadora do FBI? Isso é o quê? Amor?
— É cuidado! — gritou ela, sentindo o rosto esquentar, o rosa das suas bochechas agora vindo da raiva, não do blush.
— Pessoal, por favor... — Lucas tentou intervir, mas foi ignorado solenemente.
— Cuidado não sufoca, Karen. Cuidado protege. Você me sufocou até eu não ter mais ar — disse Aiden, sua voz caindo para um sussurro perigoso.
Karen sentiu uma pontada no peito. Ela queria gritar que ele também a havia machucado com sua frieza repentina, com a forma como ele se afastava toda vez que ela tentava se aproximar. Mas as palavras ficaram presas na garganta.
— Eu vou embora — disse ela, levantando-se bruscamente. — Não vim aqui para ser humilhada na frente de todo mundo.
— Karen, espera! — Beatriz tentou segurar sua mão, mas a loira já estava a caminho da porta.
Aiden ficou parado por alguns segundos, a mandíbula travada. Ele olhou para os amigos, que o encaravam com expressões que misturavam pena e julgamento.
— Vai atrás dela, cara — disse Lucas, seriamente. — Todo mundo sabe que vocês se amam. Esse orgulho vai acabar destruindo o que sobrou de vocês.
Aiden soltou um suspiro pesado, uma mistura de frustração e derrota. Sem dizer uma palavra, ele se levantou e saiu apressado, ignorando os protestos do garçom que trazia os pedidos.
Lá fora, a tarde estava caindo, e o céu ganhava tons de laranja e violeta. Karen estava parada perto do estacionamento, tentando inutilmente abrir a bolsa com as mãos trêmulas. Uma lágrima solitária escorreu, ameaçando estragar a maquiagem impecável.
— Karen! — chamou Aiden, aproximando-se.
— Vá embora, Aiden. Vá respirar o seu ar puro longe de mim — disse ela, sem se virar.
Ele parou a poucos centímetros dela. O cheiro dela, aquele mix de flores e doçura, o atingiu como um soco. Era o cheiro da sua maior felicidade e da sua maior dor.
— Eu não consigo — confessou ele, a voz falhando. — Eu tentei, Karen. Juro que tentei ficar longe, agir como se você fosse apenas mais uma pessoa no grupo. Mas dói demais.
Karen finalmente se virou. Seus olhos azuis estavam nublados pelas lágrimas.
— Então por que você faz isso? Por que a gente se ataca toda vez que se vê?
— Porque eu tenho medo — disse Aiden, dando um passo cauteloso em direção a ela. — Tenho medo de quanto poder você tem sobre mim. De como um sorriso seu muda meu dia e um olhar de desprezo acaba com ele. O ciúme... é só o medo de perder isso.
Karen sentiu o coração acelerar. Ela deixou a bolsa cair no chão, sem se importar com o conteúdo espalhado.
— Eu também tenho medo, Aiden. Tenho medo de não ser o suficiente para você. Por isso eu tento controlar tudo, para garantir que você não vá a lugar nenhum. Eu sei que sou difícil. Eu sei que eu exagero no rosa, no brilho, no barulho... para ver se você ainda nota que eu estou aqui.
Aiden estendeu a mão e tocou um dos cachos loiros dela, enrolando-o no dedo.
— Eu sempre noto você, Karen. Mesmo no escuro, eu saberia onde você está.
— A gente é um desastre, não é? — perguntou ela, com um sorriso triste, permitindo que ele limpasse a lágrima em seu rosto.
— O desastre mais bonito que eu já vi — respondeu ele, aproximando o rosto do dela. — Eu sinto sua falta. Sinto falta de brigar por qual filme assistir e depois acabar dormindo nos seus braços. Sinto falta de como você fica brava quando eu bagunço seu cabelo.
— Não ouse bagunçar agora — ela avisou, mas já estava se inclinando para ele.
— Prometo tentar ser menos idiota se você prometer confiar um pouco mais em mim — disse Aiden, encostando a testa na dela.
— Eu prometo — sussurrou ela. — Mas só se você me levar para jantar agora, porque eu perdi o apetite naquela cafeteria e agora estou faminta.
Aiden riu, um som que Karen não ouvia há semanas e que aqueceu seu peito instantaneamente.
— O que a minha patricinha favorita quiser.
— Ótimo. E eu quero comida tailandesa.
— Tailandesa? Você odeia pimenta, Karen.
— Eu sei, mas combina com o nosso relacionamento — brincou ela, prendendo o braço no dele. — Quente, intenso e às vezes faz a gente querer chorar, mas a gente sempre volta para repetir.
Aiden a puxou para um beijo calmo, um selar de paz que parecia apagar as semanas de silêncio e as trocas de farpas na frente dos amigos. O clima pesado que pairava sobre o grupo certamente desapareceria quando eles voltassem de mãos dadas, mas, por enquanto, o mundo era apenas deles dois.
— Aiden? — chamou ela, enquanto caminhavam para o carro.
— Oi?
— Eu te amo. Mesmo quando eu te odeio por cinco minutos.
Ele sorriu, abrindo a porta do carro para ela com uma reverência exagerada.
— Eu também te amo, Karen. Com cachos, rosa e tudo o mais.
Enquanto o carro se afastava, o grupo de amigos observava pela janela da cafeteria. Lucas levantou sua xícara de café em um brinde silencioso. A guerra havia acabado, pelo menos por aquela noite. O segredo que os destruía — a incapacidade de lidar com a intensidade do que sentiam — havia sido, finalmente, compartilhado e aceito. E no final das contas, entre o rosa-choque dela e o cinza dele, eles sempre encontravam uma cor nova para recomeçar.
O grupo de amigos já estava reunido na mesa central da cafeteria, o refúgio habitual deles. O clima, que costumava ser repleto de risadas e fofocas, tornara-se uma zona de guerra fria desde que ela e Aiden haviam decidido — ou melhor, implodido — o relacionamento.
— Ela chegou — sussurrou Beatriz, cutucando Lucas com o cotovelo.
Karen caminhou com a cabeça erguida, o salto agulha batendo ruidosamente contra o piso de madeira. Ela se sentou na ponta oposta de onde Aiden estava. Ele nem sequer levantou os olhos do celular, mas Karen notou o modo como os nós dos dedos dele ficaram brancos ao apertar o aparelho.
— Oi, gente — disse ela, forçando um tom leve que não enganava ninguém.
— Oi, Karen — respondeu o grupo em uníssono, com um entusiasmo tão falso quanto uma nota de três reais.
O silêncio que se seguiu foi sufocante. Aiden finalmente ergueu o olhar. Seus olhos, que antes brilhavam apenas para ela, agora pareciam dois blocos de gelo. Ele vestia uma jaqueta escura que contrastava violentamente com o brilho ensolarado de Karen. Eram os opostos que, por tanto tempo, se atraíram até a exaustão.
— Alguém vai pedir alguma coisa ou vamos apenas ficar aqui sentados esperando o apocalipse? — Aiden perguntou, sua voz carregada de uma ironia cortante.
— Credo, Aiden, que bicho te mordeu? — rebateu Karen, cruzando os braços e fazendo as pulseiras de ouro tilintarem.
— Talvez o bicho da falta de paciência para teatros, Karen. — Ele se inclinou para frente, apoiando os cotovelos na mesa. — Você sabe que esse clima é ridículo.
— Eu sei? — Ela soltou uma risada anasalada, sem humor. — Você é quem começou com as crises de ciúmes porque eu respirei perto do instrutor da academia. Você é quem tornou tudo impossível.
— Ah, claro! — Aiden exclamou, atraindo olhares de outras mesas. — E a sua mania de querer controlar cada passo meu? De vasculhar minhas curtidas como se fosse uma investigadora do FBI? Isso é o quê? Amor?
— É cuidado! — gritou ela, sentindo o rosto esquentar, o rosa das suas bochechas agora vindo da raiva, não do blush.
— Pessoal, por favor... — Lucas tentou intervir, mas foi ignorado solenemente.
— Cuidado não sufoca, Karen. Cuidado protege. Você me sufocou até eu não ter mais ar — disse Aiden, sua voz caindo para um sussurro perigoso.
Karen sentiu uma pontada no peito. Ela queria gritar que ele também a havia machucado com sua frieza repentina, com a forma como ele se afastava toda vez que ela tentava se aproximar. Mas as palavras ficaram presas na garganta.
— Eu vou embora — disse ela, levantando-se bruscamente. — Não vim aqui para ser humilhada na frente de todo mundo.
— Karen, espera! — Beatriz tentou segurar sua mão, mas a loira já estava a caminho da porta.
Aiden ficou parado por alguns segundos, a mandíbula travada. Ele olhou para os amigos, que o encaravam com expressões que misturavam pena e julgamento.
— Vai atrás dela, cara — disse Lucas, seriamente. — Todo mundo sabe que vocês se amam. Esse orgulho vai acabar destruindo o que sobrou de vocês.
Aiden soltou um suspiro pesado, uma mistura de frustração e derrota. Sem dizer uma palavra, ele se levantou e saiu apressado, ignorando os protestos do garçom que trazia os pedidos.
Lá fora, a tarde estava caindo, e o céu ganhava tons de laranja e violeta. Karen estava parada perto do estacionamento, tentando inutilmente abrir a bolsa com as mãos trêmulas. Uma lágrima solitária escorreu, ameaçando estragar a maquiagem impecável.
— Karen! — chamou Aiden, aproximando-se.
— Vá embora, Aiden. Vá respirar o seu ar puro longe de mim — disse ela, sem se virar.
Ele parou a poucos centímetros dela. O cheiro dela, aquele mix de flores e doçura, o atingiu como um soco. Era o cheiro da sua maior felicidade e da sua maior dor.
— Eu não consigo — confessou ele, a voz falhando. — Eu tentei, Karen. Juro que tentei ficar longe, agir como se você fosse apenas mais uma pessoa no grupo. Mas dói demais.
Karen finalmente se virou. Seus olhos azuis estavam nublados pelas lágrimas.
— Então por que você faz isso? Por que a gente se ataca toda vez que se vê?
— Porque eu tenho medo — disse Aiden, dando um passo cauteloso em direção a ela. — Tenho medo de quanto poder você tem sobre mim. De como um sorriso seu muda meu dia e um olhar de desprezo acaba com ele. O ciúme... é só o medo de perder isso.
Karen sentiu o coração acelerar. Ela deixou a bolsa cair no chão, sem se importar com o conteúdo espalhado.
— Eu também tenho medo, Aiden. Tenho medo de não ser o suficiente para você. Por isso eu tento controlar tudo, para garantir que você não vá a lugar nenhum. Eu sei que sou difícil. Eu sei que eu exagero no rosa, no brilho, no barulho... para ver se você ainda nota que eu estou aqui.
Aiden estendeu a mão e tocou um dos cachos loiros dela, enrolando-o no dedo.
— Eu sempre noto você, Karen. Mesmo no escuro, eu saberia onde você está.
— A gente é um desastre, não é? — perguntou ela, com um sorriso triste, permitindo que ele limpasse a lágrima em seu rosto.
— O desastre mais bonito que eu já vi — respondeu ele, aproximando o rosto do dela. — Eu sinto sua falta. Sinto falta de brigar por qual filme assistir e depois acabar dormindo nos seus braços. Sinto falta de como você fica brava quando eu bagunço seu cabelo.
— Não ouse bagunçar agora — ela avisou, mas já estava se inclinando para ele.
— Prometo tentar ser menos idiota se você prometer confiar um pouco mais em mim — disse Aiden, encostando a testa na dela.
— Eu prometo — sussurrou ela. — Mas só se você me levar para jantar agora, porque eu perdi o apetite naquela cafeteria e agora estou faminta.
Aiden riu, um som que Karen não ouvia há semanas e que aqueceu seu peito instantaneamente.
— O que a minha patricinha favorita quiser.
— Ótimo. E eu quero comida tailandesa.
— Tailandesa? Você odeia pimenta, Karen.
— Eu sei, mas combina com o nosso relacionamento — brincou ela, prendendo o braço no dele. — Quente, intenso e às vezes faz a gente querer chorar, mas a gente sempre volta para repetir.
Aiden a puxou para um beijo calmo, um selar de paz que parecia apagar as semanas de silêncio e as trocas de farpas na frente dos amigos. O clima pesado que pairava sobre o grupo certamente desapareceria quando eles voltassem de mãos dadas, mas, por enquanto, o mundo era apenas deles dois.
— Aiden? — chamou ela, enquanto caminhavam para o carro.
— Oi?
— Eu te amo. Mesmo quando eu te odeio por cinco minutos.
Ele sorriu, abrindo a porta do carro para ela com uma reverência exagerada.
— Eu também te amo, Karen. Com cachos, rosa e tudo o mais.
Enquanto o carro se afastava, o grupo de amigos observava pela janela da cafeteria. Lucas levantou sua xícara de café em um brinde silencioso. A guerra havia acabado, pelo menos por aquela noite. O segredo que os destruía — a incapacidade de lidar com a intensidade do que sentiam — havia sido, finalmente, compartilhado e aceito. E no final das contas, entre o rosa-choque dela e o cinza dele, eles sempre encontravam uma cor nova para recomeçar.
