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Minha nenêm

Fandom: Renato Garcia

Criado: 04/07/2026

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Fatias de VidaFofuraAventuraHorrorHistória DomésticaMistérioDor/Conforto
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Uma Pequena Aventureira na Lenda do Apicultor

O quarto de Renato Garcia estava mergulhado em uma luz suave, mas o clima era de pura agitação. No centro da cama de casal, quase desaparecendo entre os lençóis, estava Hanna. Aos cinco anos, a menina era a definição de fofura: os cabelos pretos brilhavam sob a luz do teto, com a franjinha perfeitamente alinhada acima dos grandes olhos castanhos que observavam tudo com curiosidade.

Ela abraçava um urso de pelúcia gigante, um presente que era seis vezes o seu tamanho, lutando para fazer o brinquedo "sentar" ao seu lado. Hanna vestia um look que combinava perfeitamente com o estilo do pai: uma calça legging preta, uma blusinha da mesma cor e, nos pés, pequenos coturnos pretos que a faziam parecer uma mini caçadora de lendas. Um laço preto delicado prendia parte de seu cabelo, dando um toque gentil ao visual radical.

No canto do quarto, Renato ajustava a câmera no tripé. O ano era 2015, e o canal estava em plena ascensão. Ele respirou fundo, checando o equipamento, mas seu olhar sempre voltava para a pequena figura na cama. Desde que se tornara pai solteiro, sua rotina havia virado de cabeça para baixo, mas ele não trocaria aquilo por nada.

— E aí, galera! Beleza? Renato Garcia aqui — disse ele, projetando a voz para a câmera com a energia de sempre. — Hoje o vídeo é diferente. A gente está indo caçar a lenda do Apicultor, um lugar pesado, que muita gente pediu. Mas hoje eu tenho um problema... ou melhor, uma companhia especial.

Renato caminhou até a cama e, com um sorriso coruja, pegou Hanna no colo. A menina soltou o urso gigante e agarrou o pescoço do pai, mantendo a chupeta firme na boca.

— Galera, essa aqui é a Hanna, minha filha — apresentou Renato, beijando a bochecha da pequena. — Como não tive com quem deixar ela hoje, e a gente não cancela gravação, a pequena caçadora vai com o papai. Dá tchauzinho, filha.

Hanna tirou a mãozinha do ombro dele e acenou para a lente, os olhos brilhando de diversão. Ela era inteligente o suficiente para saber que milhares de pessoas a veriam ali, mas, para ela, era apenas o papai brincando com a "caixinha mágica".

— Ela está de bota, de preto, pronta para a aventura — continuou Renato, rindo enquanto a colocava no chão. — Mas antes de sair, cadê? Você já pegou tudo?

Hanna correu até sua pequena mochila de costas, que também era preta, e apontou para a mamadeira que já estava preparada com leite morno.

— Mamá, papai! — disse ela com a voz abafada pela chupeta, apontando para o acessório.

— Isso mesmo, o "mamá" não pode faltar — Renato pegou a mochila e a mamadeira, guardando tudo com cuidado. — Vamos lá, o pessoal já deve estar esperando no carro.

Ao descerem para a garagem da mansão, o som dos motores já ecoava. Leo da Hornet, Thiago e o restante da equipe estavam encostados nos carros, ajustando lanternas e checando rádios. Quando viram a pequena Hanna descendo as escadas de mãos dadas com Renato, o clima pesado da "lenda" se dissipou por um momento.

— Olha só quem vai comandar a expedição hoje! — exclamou Leo, aproximando-se e fazendo um toque de mão com a menina. — E aí, Hanna, pronta para pegar o Apicultor?

A menina assentiu com a cabeça, fazendo um sinal de positivo com o polegar, o que arrancou risadas de todos.

— Ela é mais corajosa que o Thiago, com certeza — brincou Renato, abrindo a porta do carro e prendendo Hanna na cadeirinha no banco de trás.

— Ei! Eu ouvi isso, hein? — reclamou Thiago, entrando no banco do passageiro. — Mas confesso que com ela no carro, o clima fica até mais leve.

O trajeto até o local da lenda foi marcado por conversas baixas e o som de Hanna brincando com um carrinho miniatura que trouxera no bolso da legging. À medida que a cidade ficava para trás e a estrada de terra começava, as árvores altas e a escuridão da noite de 2015 começaram a envolver o veículo.

Renato olhava pelo retrovisor constantemente. Ele estava preocupado, claro. O lugar era conhecido por ser sinistro, um antigo apiário abandonado onde diziam que o espírito de um homem coberto de abelhas ainda vagava.

— Filha, se o papai pedir para você ficar quietinha, você fica? — perguntou Renato, com a voz suave.

— Sim, papai — respondeu ela, tirando a chupeta por um segundo. — Eu sou inteligente, eu sei.

— É sim, a mais inteligente de todas — ele sorriu, embora o frio na espinha começasse a surgir ao avistarem o portão de madeira podre.

Eles desceram do carro. O silêncio do lugar era interrompido apenas pelo som dos grilos e pelo vento soprando entre as frestas das construções velhas. Renato pegou Hanna no colo, sentindo a pequena se agarrar à sua camiseta preta. Ele segurava a lanterna com a outra mão, iluminando o caminho de terra batida.

— A gente está chegando perto de onde ficavam as colmeias — sussurrou Renato para a câmera, que era carregada por um dos amigos. — O clima aqui é muito estranho. Vocês conseguem ouvir?

Um barulho de madeira estalando veio de dentro de um dos galpões. Hanna arregalou os olhos e apertou o pescoço de Renato.

— Papai... tem abelha aqui? — perguntou ela baixinho, o medo começando a aparecer em sua voz doce.

— Não tem mais, meu amor. O papai está aqui, nada vai te pegar — ele a confortou, dando um beijo em sua testa. — Quer o seu mamá?

Hanna assentiu. Renato parou por um momento, entregando a lanterna para Leo, e pegou a mamadeira na mochila. A menina começou a mamar, o que parecia acalmá-la instantaneamente, enquanto o grupo avançava para dentro da estrutura principal.

O interior do galpão era repleto de caixas de madeira empilhadas e restos de redes de proteção. O cheiro de mofo e cera velha era forte.

— Gente, olha aquilo ali no canto — apontou Thiago, a voz trêmula.

Havia uma silhueta escura perto de uma das janelas quebradas. Renato travou no lugar. Ele sentiu Hanna se encolher em seu colo. A menina, apesar de pequena, tinha uma percepção aguçada. Ela apontou com o dedinho para uma direção oposta à que os adultos olhavam.

— Ali, papai... o homem de chapéu — disse ela, voltando a colocar a chupeta logo em seguida.

O coração de Renato disparou. Ele virou a lanterna para onde a filha apontava. Não havia nada, apenas uma cortina de fumaça e poeira flutuando no ar, mas o sensor de movimento da câmera começou a apitar freneticamente.

— Ela viu alguma coisa, Renato — sussurrou Leo, dando um passo para trás. — Criança vê o que a gente não vê.

— Vamos sair daqui, agora — ordenou Renato, sentindo um calafrio percorrer sua espinha.

Ele não correu para não assustar Hanna, mas caminhou apressadamente de volta para a saída. A menina, porém, não parecia aterrorizada como os adultos; ela olhava por cima do ombro do pai, dando tchauzinho para o vazio do galpão escuro.

— Hanna, para quem você está dando tchau? — perguntou Renato, já chegando perto do carro, a respiração ofegante.

— Pro moço, papai. Ele disse que eu sou fofa — respondeu ela, com a maior naturalidade do mundo, enquanto brincava com o laço do próprio cabelo.

Os marmanjos da equipe se entreolharam, pálidos. Renato não esperou mais nenhum segundo. Colocou Hanna no carro, guardou o equipamento de qualquer jeito e deu partida, saindo dali o mais rápido que os pneus permitiam.

Já na estrada principal, longe do apiário, o clima pesada começou a dissipar. Renato olhou pelo retrovisor e viu Hanna quase dormindo, com a mamadeira vazia ao lado e o ursinho gigante (que eles tinham deixado no banco de trás) servindo de travesseiro.

— Você está bem, pequena? — perguntou ele, com a voz carregada de alívio.

— Tô, papai... — ela bocejou, fechando os olhos castanhos. — Só estou com soninho. A lenda é legal.

Renato riu, balançando a cabeça.

— É, galera... acho que a Hanna é a caçadora mais corajosa que eu já vi — disse ele para a câmera, que ainda gravava. — Eu aqui morrendo de medo, e ela batendo papo com o Apicultor.

— O vídeo de hoje vai ser épico — comentou Thiago, finalmente recuperando a cor no rosto. — Mas da próxima vez, Renato, a Hanna é quem leva a lanterna e a gente fica no carro.

Ao chegarem em casa, Renato carregou a filha adormecida para dentro. Ele a deitou em sua cama, tirou os pequenos coturnos e a cobriu com o edredom. Antes de sair para terminar de editar o vídeo, ele ficou ali parado por um minuto, observando o rosto sereno da menina.

Hanna era o seu mundo. E, embora as lendas que ele caçava fossem cheias de sombras e mistérios, a luz que ela trazia para sua vida era capaz de afastar qualquer fantasma. Ele sorriu, apagou a luz e sussurrou:

— Boa noite, minha pequena caçadora.

Naquela noite, Renato Garcia aprendeu que não importava o quão perigosa fosse a lenda, nada era mais forte do que o laço entre um pai e uma filha — e que, às vezes, ter uma menininha de cinco anos com uma chupeta e uma mamadeira era a melhor proteção que alguém poderia ter contra o desconhecido.
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