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Sas
Fandom: Naruto
Criado: 04/07/2026
Tags
RomanceDramaAngústiaDor/ConfortoPsicológicoSombrioEstudo de PersonagemCenário CanônicoLinguagem Explícita
O Eclipse de Prata e Saliva
A chuva em direção às fronteiras do País do Fogo não era purificadora; era ácida, fria e carregava o cheiro metálico de sangue que parecia perseguir Kakashi Hatake por onde quer que ele fosse. Sob a máscara de porcelana da ANBU, sua respiração era curta, entrecortada. O ferimento em seu flanco, causado por uma lâmina embebida em um veneno paralisante de baixo nível, queimava como se alguém tivesse despejado brasas sob sua pele.
Ele era o "Cão Branco" da ANBU, a lâmina mais afiada de Minato Namikaze, e, no entanto, ali estava ele, encostado em um carvalho centenário, sentindo a consciência esvair-se. Ele não estava sozinho. No escuro, ele sempre sentia aquela presença. Iruka Umino.
Iruka era um Chūnin que havia sido designado para a equipe de suporte logístico daquela missão. Ele era o oposto de Kakashi: solar, barulhento em sua bondade, com uma alma que parecia não ter sido tocada pela podridão do mundo Shinobi. Kakashi o observava há meses. Das sombras dos telhados, ele via Iruka comer lámen, via-o sorrir para os órfãos, via-o ajeitar o protetor de testa com um orgulho que Kakashi havia perdido há muito tempo. Aquela pureza era uma afronta. Era uma obsessão.
— Kakashi-san? — A voz de Iruka surgiu através da névoa da chuva. Ele estava ofegante, o colete verde manchado de lama. — Graças aos deuses, eu te encontrei. O resto da unidade foi para o ponto de extração, mas eu vi os rastros de sangue...
Kakashi tentou se levantar, mas o veneno fez seus joelhos cederem. Iruka foi rápido, envolvendo o braço do Jōnin sobre seus ombros. O contato foi como um choque elétrico. O calor de Iruka contra o corpo frio e letal de Kakashi.
— Saia... daqui... Umino — rosnou Kakashi, a voz rouca por trás da máscara de metal.
— Nem pensar. Você está delirando de febre. Há uma caverna a poucos metros. Vamos.
Dentro da caverna, o som da chuva se tornou um eco distante. Iruka acendeu uma pequena fogueira, suas mãos tremendo levemente enquanto ele começava a remover a armadura de placas de Kakashi. O Ninja Copiador estava em um estado de transe, a dor e o veneno distorcendo sua percepção. Quando Iruka tocou a pele nua de seu abdômen para limpar a ferida, os dedos de Kakashi se fecharam em torno do pulso do professor com uma força brutal.
— Você acha que pode me salvar? — Kakashi perguntou, retirando a máscara com a mão livre, revelando o rosto pálido, a cicatriz sobre o olho fechado e o Sharingan girando freneticamente em um vermelho escarlate.
— Eu só quero ajudar, Kakashi — respondeu Iruka, os olhos castanhos cheios de uma compaixão que Kakashi odiava. — Ninguém merece carregar tanta escuridão sozinho.
— Você não sabe nada sobre escuridão — sibilou Kakashi. Ele puxou Iruka para mais perto, o rosto a centímetros do dele. O cheiro de Iruka — sândalo e papel velho — inundou seus sentidos, agindo como um narcótico pior que o veneno. — Você é tão doce, Iruka. Tão limpo. Dá vontade de ver o que acontece se eu te quebrar.
Iruka engoliu em seco, mas não recuou.
— Você não vai me quebrar. Você está ferido e confuso.
— Estou faminto — corrigiu Kakashi.
Em um movimento súbito, impulsionado pela febre e por um desejo reprimido que beirava a psicose, Kakashi derrubou Iruka contra o chão frio da caverna. O peso do corpo do ANBU era esmagador. Iruka tentou protestar, mas a mão de Kakashi subiu para seu pescoço, não apertando para sufocar, mas segurando-o com uma possessividade aterrorizante.
— Fique comigo — ordenou Kakashi, a voz baixa e perigosa. — Esta noite, você não é um ninja de Konoha. Você é meu.
— Kakashi, isso é o veneno falando... — Iruka tentou dizer, mas sua voz falhou quando Kakashi enterrou o rosto em seu pescoço, aspirando seu calor com uma urgência desesperada.
— Se você sair, eu morro — mentiu Kakashi, embora, naquele momento, parecesse a mais pura verdade. — Fique. Deixe-me sentir que ainda estou vivo.
Iruka, em sua infinita e perigosa bondade, relaxou. Ele levou as mãos aos cabelos prateados de Kakashi, acariciando-os. Foi o erro que selou seu destino.
A noite se tornou um borrão de dor e uma intimidade forçada. Kakashi não foi gentil. Ele o beijou com a fome de um homem que morre de sede, suas línguas se encontrando em uma batalha onde Iruka perdia terreno a cada segundo. As mãos de Kakashi exploravam o corpo de Iruka por baixo do uniforme, mapeando cada curva, cada músculo tenso.
— Diga meu nome — exigiu Kakashi, enquanto desfazia o cinto de Iruka com dentes e dedos ágeis.
— Kakashi... por favor... — Iruka arqueou as costas quando os lábios do outro encontraram seu peito. Havia uma atração proibida ali, um magnetismo sombrio que Iruka sempre sentira pelo homem que caminhava entre os mortos.
Naquela noite, sob o brilho fraco das brasas, a pureza de Iruka encontrou o abismo de Kakashi. Quando Kakashi o possuiu, foi um ato de reivindicação. Ele queria marcar a alma de Iruka, garantir que, mesmo que o sol nascesse, Iruka nunca mais seria o mesmo. E Iruka, chorando silenciosamente de uma mistura de dor e um prazer avassalador, abraçou o monstro, acreditando que seu amor poderia ser a âncora que traria Kakashi de volta à luz.
***
Meses se passaram. O incidente na caverna nunca foi relatado.
Kakashi Hatake não era mais apenas o capitão da ANBU; ele havia ascendido. O Sexto Hokage. O homem que carregava o peso da vila em seus ombros. Mas, para Iruka, ele era a sombra que o perseguia nos corredores da Academia Ninja.
Iruka sentia o peso da culpa todos os dias. Ele era um instrutor, um homem de princípios, e tinha se entregado ao seu superior de uma forma que desafiava todas as regras. Mas o que mais o irritava não era o ato em si, mas a forma como seu corpo reagia toda vez que via a silhueta de Kakashi no topo do Monumento Hokage.
— Você está distraído hoje, Iruka-sensei — disse Naruto, tirando Iruka de seus pensamentos enquanto o loiro devorava sua terceira tigela de Ichiraku Ramen.
— Só cansaço, Naruto. Muitas provas para corrigir — mentiu Iruka, forçando um sorriso.
Naquela noite, enquanto caminhava para casa, Iruka sentiu o ar esfriar. Ele sabia antes mesmo de ver.
— É tarde para um professor estar na rua — disse uma voz vinda das sombras de um beco.
Kakashi saiu da escuridão. Ele não usava mais a máscara ANBU, mas o chapéu de Hokage e as vestes formais pareciam uma máscara ainda mais impenetrável.
— Hokage-sama — disse Iruka, com uma reverência formal que transbordava sarcasmo e mágoa. — O que faz fora do seu escritório?
Kakashi caminhou até ele, o som de suas sandálias no calçamento ecoando no silêncio da rua deserta. Ele parou a poucos centímetros de Iruka, invadindo seu espaço pessoal com a mesma autoridade de sempre.
— Eu senti seu cheiro a dois quarteirões de distância — disse Kakashi, a voz suave, mas carregada de uma tensão sexual latente. — Você ainda usa o mesmo sabonete.
— Pare com isso — sibilou Iruka, olhando ao redor para garantir que estavam sozinhos. — O que aconteceu naquela missão foi um erro. Você estava drogado, eu estava... tentando ajudar.
— Ajudar? — Kakashi riu, um som seco e sem humor. Ele estendeu a mão e tocou a cicatriz no nariz de Iruka. — Você me deu exatamente o que eu precisava, Iruka. Você me deu um motivo para voltar. E agora que eu provei da sua luz, você realmente acha que vou deixar você voltar para a sua vidinha medíocre de sala de aula?
— Você é o Hokage agora! — Iruka exclamou, a voz subindo de tom. — Você deveria ser o exemplo, o pilar da vila. Não um... um perseguidor!
— Eu sou o que Konoha precisa que eu seja — disse Kakashi, aproximando-se ainda mais, forçando Iruka contra a parede de madeira de uma loja fechada. — Mas com você, eu sou apenas o homem que você salvou. Ou o homem que você corrompeu.
Iruka sentiu a raiva borbulhar, mas, junto com ela, aquela atração traiçoeira. Ele odiava o poder que Kakashi exercia sobre ele, a forma como o olhar do Sharingan — agora permanentemente descoberto em certas ocasiões — parecia ler seus desejos mais profundos.
— Eu achei que poderia te tirar da escuridão, Kakashi — sussurrou Iruka, os olhos marejados. — Mas você está me puxando para dentro dela.
— Então venha — murmurou Kakashi, seus lábios roçando a orelha de Iruka. — É muito mais quente aqui embaixo.
Kakashi o puxou para dentro do beco escuro, suas mãos grandes e calejadas subindo pelas coxas de Iruka, levantando a bainha de seu uniforme. Iruka tentou empurrá-lo, mas seus dedos se fecharam no tecido do colete de Kakashi, puxando-o para mais perto em vez de afastá-lo.
— Alguém pode ver... — ofegou Iruka, mesmo enquanto abria as pernas para acomodar o quadril de Kakashi entre elas.
— Que vejam — disse Kakashi, a voz agora rouca de desejo puro. — Que vejam que o "santo" da Academia pertence ao "monstro" do escritório do Hokage.
O beijo que se seguiu foi violento e desesperado. Kakashi não usava mais a máscara de tecido, e sua pele contra a de Iruka era um incêndio. Ele pressionou Iruka contra a parede fria, uma mão segurando firmemente os dois pulsos do professor acima de sua cabeça, enquanto a outra trabalhava para libertar ambos de suas roupas.
— Você me odeia por isso? — perguntou Kakashi, interrompendo o beijo para olhar nos olhos de Iruka, que estavam nublados de luxúria.
— Eu odeio... o quanto eu quero isso — admitiu Iruka, soltando um gemido baixo quando os dedos de Kakashi o tocaram com uma precisão cruel.
— Bom. O ódio é uma emoção muito mais honesta que a piedade.
Kakashi o penetrou com uma força que tirou o fôlego de Iruka. Não havia o slow burn de um romance de cavalaria; era a queima rápida e devastadora de um incêndio florestal. Iruka enterrou o rosto no ombro de Kakashi, mordendo o tecido de sua capa de Hokage para abafar os gritos. O contraste era gritante: o líder da vila, o símbolo de esperança, entregando-se aos instintos mais básicos e possessivos, enquanto o professor gentil se perdia em um prazer que ele sabia ser sua ruína.
A cada estocada, Kakashi sussurrava palavras de posse no ouvido de Iruka, promessas sombrias de que ele nunca o deixaria ir, que Iruka era sua única âncora e seu pecado favorito. O prazer veio como uma explosão, deixando ambos trêmulos e exaustos nas sombras do beco.
Enquanto se recompunham, o silêncio era pesado. Kakashi ajeitou a gola de Iruka com uma delicadeza quase irônica.
— Vejo você amanhã para o relatório da Academia, Iruka-sensei — disse Kakashi, sua voz voltando ao tom calmo e profissional, embora seus olhos ainda brilhassem com uma satisfação predatória.
Iruka ficou ali, encostado na parede, observando a figura do Hokage desaparecer na noite. Ele sabia que deveria estar horrorizado. Sabia que deveria denunciar, fugir, lutar. Mas, enquanto sentia o rastro do toque de Kakashi em sua pele, Iruka percebeu com um terror silencioso que ele não queria ser salvo.
Ele queria ver até onde a escuridão de Kakashi poderia levá-lo. E, talvez, se ele caísse fundo o suficiente, ele finalmente entenderia o homem que todos temiam, mas que só ele ousava amar.
A luz de Konoha continuava a brilhar, mas, nas sombras entre os prédios, o Sexto Hokage e o professor da Academia haviam selado um pacto de sangue e desejo que nenhuma regra ninja poderia quebrar. O slow burn de sua relação havia se transformado em uma chama que consumiria a ambos, e Iruka, pela primeira vez em sua vida, estava pronto para queimar.
Ele era o "Cão Branco" da ANBU, a lâmina mais afiada de Minato Namikaze, e, no entanto, ali estava ele, encostado em um carvalho centenário, sentindo a consciência esvair-se. Ele não estava sozinho. No escuro, ele sempre sentia aquela presença. Iruka Umino.
Iruka era um Chūnin que havia sido designado para a equipe de suporte logístico daquela missão. Ele era o oposto de Kakashi: solar, barulhento em sua bondade, com uma alma que parecia não ter sido tocada pela podridão do mundo Shinobi. Kakashi o observava há meses. Das sombras dos telhados, ele via Iruka comer lámen, via-o sorrir para os órfãos, via-o ajeitar o protetor de testa com um orgulho que Kakashi havia perdido há muito tempo. Aquela pureza era uma afronta. Era uma obsessão.
— Kakashi-san? — A voz de Iruka surgiu através da névoa da chuva. Ele estava ofegante, o colete verde manchado de lama. — Graças aos deuses, eu te encontrei. O resto da unidade foi para o ponto de extração, mas eu vi os rastros de sangue...
Kakashi tentou se levantar, mas o veneno fez seus joelhos cederem. Iruka foi rápido, envolvendo o braço do Jōnin sobre seus ombros. O contato foi como um choque elétrico. O calor de Iruka contra o corpo frio e letal de Kakashi.
— Saia... daqui... Umino — rosnou Kakashi, a voz rouca por trás da máscara de metal.
— Nem pensar. Você está delirando de febre. Há uma caverna a poucos metros. Vamos.
Dentro da caverna, o som da chuva se tornou um eco distante. Iruka acendeu uma pequena fogueira, suas mãos tremendo levemente enquanto ele começava a remover a armadura de placas de Kakashi. O Ninja Copiador estava em um estado de transe, a dor e o veneno distorcendo sua percepção. Quando Iruka tocou a pele nua de seu abdômen para limpar a ferida, os dedos de Kakashi se fecharam em torno do pulso do professor com uma força brutal.
— Você acha que pode me salvar? — Kakashi perguntou, retirando a máscara com a mão livre, revelando o rosto pálido, a cicatriz sobre o olho fechado e o Sharingan girando freneticamente em um vermelho escarlate.
— Eu só quero ajudar, Kakashi — respondeu Iruka, os olhos castanhos cheios de uma compaixão que Kakashi odiava. — Ninguém merece carregar tanta escuridão sozinho.
— Você não sabe nada sobre escuridão — sibilou Kakashi. Ele puxou Iruka para mais perto, o rosto a centímetros do dele. O cheiro de Iruka — sândalo e papel velho — inundou seus sentidos, agindo como um narcótico pior que o veneno. — Você é tão doce, Iruka. Tão limpo. Dá vontade de ver o que acontece se eu te quebrar.
Iruka engoliu em seco, mas não recuou.
— Você não vai me quebrar. Você está ferido e confuso.
— Estou faminto — corrigiu Kakashi.
Em um movimento súbito, impulsionado pela febre e por um desejo reprimido que beirava a psicose, Kakashi derrubou Iruka contra o chão frio da caverna. O peso do corpo do ANBU era esmagador. Iruka tentou protestar, mas a mão de Kakashi subiu para seu pescoço, não apertando para sufocar, mas segurando-o com uma possessividade aterrorizante.
— Fique comigo — ordenou Kakashi, a voz baixa e perigosa. — Esta noite, você não é um ninja de Konoha. Você é meu.
— Kakashi, isso é o veneno falando... — Iruka tentou dizer, mas sua voz falhou quando Kakashi enterrou o rosto em seu pescoço, aspirando seu calor com uma urgência desesperada.
— Se você sair, eu morro — mentiu Kakashi, embora, naquele momento, parecesse a mais pura verdade. — Fique. Deixe-me sentir que ainda estou vivo.
Iruka, em sua infinita e perigosa bondade, relaxou. Ele levou as mãos aos cabelos prateados de Kakashi, acariciando-os. Foi o erro que selou seu destino.
A noite se tornou um borrão de dor e uma intimidade forçada. Kakashi não foi gentil. Ele o beijou com a fome de um homem que morre de sede, suas línguas se encontrando em uma batalha onde Iruka perdia terreno a cada segundo. As mãos de Kakashi exploravam o corpo de Iruka por baixo do uniforme, mapeando cada curva, cada músculo tenso.
— Diga meu nome — exigiu Kakashi, enquanto desfazia o cinto de Iruka com dentes e dedos ágeis.
— Kakashi... por favor... — Iruka arqueou as costas quando os lábios do outro encontraram seu peito. Havia uma atração proibida ali, um magnetismo sombrio que Iruka sempre sentira pelo homem que caminhava entre os mortos.
Naquela noite, sob o brilho fraco das brasas, a pureza de Iruka encontrou o abismo de Kakashi. Quando Kakashi o possuiu, foi um ato de reivindicação. Ele queria marcar a alma de Iruka, garantir que, mesmo que o sol nascesse, Iruka nunca mais seria o mesmo. E Iruka, chorando silenciosamente de uma mistura de dor e um prazer avassalador, abraçou o monstro, acreditando que seu amor poderia ser a âncora que traria Kakashi de volta à luz.
***
Meses se passaram. O incidente na caverna nunca foi relatado.
Kakashi Hatake não era mais apenas o capitão da ANBU; ele havia ascendido. O Sexto Hokage. O homem que carregava o peso da vila em seus ombros. Mas, para Iruka, ele era a sombra que o perseguia nos corredores da Academia Ninja.
Iruka sentia o peso da culpa todos os dias. Ele era um instrutor, um homem de princípios, e tinha se entregado ao seu superior de uma forma que desafiava todas as regras. Mas o que mais o irritava não era o ato em si, mas a forma como seu corpo reagia toda vez que via a silhueta de Kakashi no topo do Monumento Hokage.
— Você está distraído hoje, Iruka-sensei — disse Naruto, tirando Iruka de seus pensamentos enquanto o loiro devorava sua terceira tigela de Ichiraku Ramen.
— Só cansaço, Naruto. Muitas provas para corrigir — mentiu Iruka, forçando um sorriso.
Naquela noite, enquanto caminhava para casa, Iruka sentiu o ar esfriar. Ele sabia antes mesmo de ver.
— É tarde para um professor estar na rua — disse uma voz vinda das sombras de um beco.
Kakashi saiu da escuridão. Ele não usava mais a máscara ANBU, mas o chapéu de Hokage e as vestes formais pareciam uma máscara ainda mais impenetrável.
— Hokage-sama — disse Iruka, com uma reverência formal que transbordava sarcasmo e mágoa. — O que faz fora do seu escritório?
Kakashi caminhou até ele, o som de suas sandálias no calçamento ecoando no silêncio da rua deserta. Ele parou a poucos centímetros de Iruka, invadindo seu espaço pessoal com a mesma autoridade de sempre.
— Eu senti seu cheiro a dois quarteirões de distância — disse Kakashi, a voz suave, mas carregada de uma tensão sexual latente. — Você ainda usa o mesmo sabonete.
— Pare com isso — sibilou Iruka, olhando ao redor para garantir que estavam sozinhos. — O que aconteceu naquela missão foi um erro. Você estava drogado, eu estava... tentando ajudar.
— Ajudar? — Kakashi riu, um som seco e sem humor. Ele estendeu a mão e tocou a cicatriz no nariz de Iruka. — Você me deu exatamente o que eu precisava, Iruka. Você me deu um motivo para voltar. E agora que eu provei da sua luz, você realmente acha que vou deixar você voltar para a sua vidinha medíocre de sala de aula?
— Você é o Hokage agora! — Iruka exclamou, a voz subindo de tom. — Você deveria ser o exemplo, o pilar da vila. Não um... um perseguidor!
— Eu sou o que Konoha precisa que eu seja — disse Kakashi, aproximando-se ainda mais, forçando Iruka contra a parede de madeira de uma loja fechada. — Mas com você, eu sou apenas o homem que você salvou. Ou o homem que você corrompeu.
Iruka sentiu a raiva borbulhar, mas, junto com ela, aquela atração traiçoeira. Ele odiava o poder que Kakashi exercia sobre ele, a forma como o olhar do Sharingan — agora permanentemente descoberto em certas ocasiões — parecia ler seus desejos mais profundos.
— Eu achei que poderia te tirar da escuridão, Kakashi — sussurrou Iruka, os olhos marejados. — Mas você está me puxando para dentro dela.
— Então venha — murmurou Kakashi, seus lábios roçando a orelha de Iruka. — É muito mais quente aqui embaixo.
Kakashi o puxou para dentro do beco escuro, suas mãos grandes e calejadas subindo pelas coxas de Iruka, levantando a bainha de seu uniforme. Iruka tentou empurrá-lo, mas seus dedos se fecharam no tecido do colete de Kakashi, puxando-o para mais perto em vez de afastá-lo.
— Alguém pode ver... — ofegou Iruka, mesmo enquanto abria as pernas para acomodar o quadril de Kakashi entre elas.
— Que vejam — disse Kakashi, a voz agora rouca de desejo puro. — Que vejam que o "santo" da Academia pertence ao "monstro" do escritório do Hokage.
O beijo que se seguiu foi violento e desesperado. Kakashi não usava mais a máscara de tecido, e sua pele contra a de Iruka era um incêndio. Ele pressionou Iruka contra a parede fria, uma mão segurando firmemente os dois pulsos do professor acima de sua cabeça, enquanto a outra trabalhava para libertar ambos de suas roupas.
— Você me odeia por isso? — perguntou Kakashi, interrompendo o beijo para olhar nos olhos de Iruka, que estavam nublados de luxúria.
— Eu odeio... o quanto eu quero isso — admitiu Iruka, soltando um gemido baixo quando os dedos de Kakashi o tocaram com uma precisão cruel.
— Bom. O ódio é uma emoção muito mais honesta que a piedade.
Kakashi o penetrou com uma força que tirou o fôlego de Iruka. Não havia o slow burn de um romance de cavalaria; era a queima rápida e devastadora de um incêndio florestal. Iruka enterrou o rosto no ombro de Kakashi, mordendo o tecido de sua capa de Hokage para abafar os gritos. O contraste era gritante: o líder da vila, o símbolo de esperança, entregando-se aos instintos mais básicos e possessivos, enquanto o professor gentil se perdia em um prazer que ele sabia ser sua ruína.
A cada estocada, Kakashi sussurrava palavras de posse no ouvido de Iruka, promessas sombrias de que ele nunca o deixaria ir, que Iruka era sua única âncora e seu pecado favorito. O prazer veio como uma explosão, deixando ambos trêmulos e exaustos nas sombras do beco.
Enquanto se recompunham, o silêncio era pesado. Kakashi ajeitou a gola de Iruka com uma delicadeza quase irônica.
— Vejo você amanhã para o relatório da Academia, Iruka-sensei — disse Kakashi, sua voz voltando ao tom calmo e profissional, embora seus olhos ainda brilhassem com uma satisfação predatória.
Iruka ficou ali, encostado na parede, observando a figura do Hokage desaparecer na noite. Ele sabia que deveria estar horrorizado. Sabia que deveria denunciar, fugir, lutar. Mas, enquanto sentia o rastro do toque de Kakashi em sua pele, Iruka percebeu com um terror silencioso que ele não queria ser salvo.
Ele queria ver até onde a escuridão de Kakashi poderia levá-lo. E, talvez, se ele caísse fundo o suficiente, ele finalmente entenderia o homem que todos temiam, mas que só ele ousava amar.
A luz de Konoha continuava a brilhar, mas, nas sombras entre os prédios, o Sexto Hokage e o professor da Academia haviam selado um pacto de sangue e desejo que nenhuma regra ninja poderia quebrar. O slow burn de sua relação havia se transformado em uma chama que consumiria a ambos, e Iruka, pela primeira vez em sua vida, estava pronto para queimar.
