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Punição

Fandom: Naruto

Criado: 04/07/2026

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O Preço da Imortalidade

O som da voz de Hidan era como uma lixa esfregando-se contra a paciência já desgastada de Kakuzu. Eles estavam em uma caverna úmida, o fogo da fogueira projetando sombras dançantes nas paredes de pedra, mas nada era mais irritante do que o fluxo incessante de palavras que saíam da boca do seguidor de Jashin.

— Você não entende, Kakuzu! — gritava Hidan, gesticulando freneticamente com a foice presa às costas. — Aquele sacrifício foi uma ofensa! Eu não pude completar o ritual direito porque você estava com pressa por causa daquela recompensa maldita! Jashin-sama exige sangue puro, exige devoção, e você me arrastou de lá como se eu fosse um cão!

Kakuzu nem sequer se deu ao trabalho de olhar para ele. Estava ocupado contando as notas de um maço de dinheiro que havia acabado de receber, seus dedos calejados movendo-se com precisão.

— Cale a boca, Hidan — murmurou Kakuzu, a voz grave e rouca saindo por trás da máscara. — O dinheiro é a única coisa que importa. Seus rituais não pagam nossos suprimentos nem as taxas de troca.

— O dinheiro é lixo! — Hidan deu um passo à frente, chutando uma pedra na direção de Kakuzu. — Eu sou um sacerdote! Eu mantenho minha alma limpa, minha carne pura para o meu Deus! Eu nunca deixei que nenhuma impureza tocasse meu corpo, tudo para que eu possa ser o instrumento perfeito da dor! E você... você é apenas um velho ganancioso que não respeita nada!

Kakuzu parou de contar. O silêncio que se seguiu foi pesado, carregado com a intenção assassina que emanava do homem mais velho. Ele odiava quando Hidan começava com aquele sermão de pureza. A ideia de Hidan, um assassino sádico, gabando-se de ser "puro" e "virgem" para agradar a uma divindade sangrenta, era a coisa mais estúpida que Kakuzu já ouvira em seus quase cem anos de vida.

— Você é um fardo, Hidan — disse Kakuzu, levantando-se lentamente. — Suas birras, sua voz, sua existência... você está me custando tempo. E tempo é dinheiro.

— Ah, vai se ferrar! O que você vai fazer? Me matar? — Hidan riu, uma risada histérica e provocadora. — Esqueceu que eu sou imortal, seu merda? Pode tentar me retalhar o quanto quiser, eu vou continuar rindo da sua cara!

A paciência de Kakuzu finalmente quebrou. Em um movimento rápido demais para os olhos humanos seguirem, ele avançou. Os fios negros de seu corpo, o *Jigokuro*, saltaram de seus braços, enrolando-se no pescoço de Hidan e lançando-o contra a parede da caverna com uma força brutal.

O impacto fez a rocha estalar. Hidan cuspiu um pouco de sangue, mas seu sorriso não vacilou.

— Isso! Mais! — provocou Hidan, os olhos brilhando com um fervor insano. — Me machuque! Jashin-sama vai adorar a dor que você me causa!

Kakuzu apertou os fios, sentindo a traqueia de Hidan ser esmagada. Ele queria arrancar a cabeça dele, enterrá-la em algum lugar onde nunca mais tivesse que ouvir uma palavra. Mas ele sabia que Hidan sobreviveria. A dor física não era punição suficiente para alguém que a venerava.

— Você se acha tão sagrado, não é? — rosnou Kakuzu, aproximando o rosto do de Hidan. — Tão puro para o seu Deus. Tão intocado.

— Eu sou o escolhido! — Hidan arquejou, tentando chutar Kakuzu, mas os fios prenderam seus membros contra a parede, abrindo seus braços e pernas em uma crucificação improvisada. — Nenhum pecado carnal jamais maculou este vaso!

Uma ideia sombria e cruel tomou conta da mente de Kakuzu. Se Hidan não temia a morte ou a dor física, ele temeria a profanação daquilo que ele considerava sua maior virtude. O ódio e a impaciência de Kakuzu se transformaram em uma luxúria violenta e punitiva.

— Vamos ver o quanto seu Deus te ama depois que eu terminar com você — disse Kakuzu, a voz fria como o gelo.

— O quê... o que você está fazendo? — A voz de Hidan falhou pela primeira vez, a confusão substituindo a arrogância quando sentiu as mãos brutas de Kakuzu rasgarem o manto da Akatsuki.

— Vou calar a sua boca de um jeito que você não vai conseguir rezar por um bom tempo — declarou Kakuzu.

Sem qualquer delicadeza, Kakuzu removeu sua própria máscara e desfez suas roupas. Ele não sentia carinho, não sentia desejo romântico; era pura agressão, uma necessidade de dominar e destruir a vontade do parceiro irritante.

Hidan começou a se debater, mas os fios negros de Kakuzu eram como correntes de aço.

— Não! Pare com isso, seu velho maldito! — gritou Hidan, o pânico começando a surgir em seus olhos violetas. — Isso é pecado! Jashin-sama vai me abandonar! Eu sou puro! Eu sou...

Kakuzu não ouviu. Ele forçou Hidan a se virar de costas contra a pedra fria, mantendo-o preso com os fios. Com um movimento brusco, ele penetrou Hidan sem qualquer preparação, ignorando o grito de dor pura que ecoou pela caverna.

Não era o grito de prazer que Hidan costumava dar durante seus rituais. Era um som de choque, de algo sendo quebrado.

— Dói, não dói? — sussurrou Kakuzu no ouvido de Hidan, enquanto se movia dentro dele com estocadas violentas e rítmicas. — Onde está seu Deus agora, Hidan? Por que ele não te salva dessa "impureza"?

Hidan soluçava, a testa encostada na pedra áspera. O sangue escorria por suas coxas, resultado da brutalidade do ato e da falta de cuidado de Kakuzu. O imortal, que sempre se orgulhava de sua resistência, parecia pequeno e frágil sob o peso e a força do homem mais velho.

— Por favor... — Hidan implorou, a voz quebrada. — Kakuzu, pare... ele vai me punir... eu vou perder tudo...

Kakuzu ignorou os apelos. Ele estava cego pela raiva acumulada de meses ouvindo as loucuras do outro. Cada movimento era uma punição, um lembrete do poder que ele exercia sobre o parceiro. A caverna estava preenchida apenas pelo som da carne batendo contra a carne e pelos gemidos abafados de Hidan, que agora mordia o próprio lábio para não gritar mais.

Quando Kakuzu finalmente atingiu seu ápice, ele se soltou de Hidan com a mesma frieza com que havia começado. Ele se vestiu em silêncio, enquanto os fios negros recuavam para dentro de sua pele, deixando Hidan cair no chão frio da caverna.

Hidan permaneceu caído, encolhido em posição fetal. Ele não se moveu para pegar sua foice ou para atacar Kakuzu. Ele apenas tremia.

Kakuzu começou a abotoar seu manto, mas parou quando ouviu um som que nunca esperava ouvir de Hidan.

Um soluço. Não de dor, mas de desespero.

Ele olhou para baixo e viu Hidan com o rosto escondido entre os braços, os ombros sacudindo violentamente. O sangue e o sêmen manchavam o chão, uma prova visual da violação.

— Ele vai me matar... — sussurrou Hidan, a voz carregada de um terror genuíno. — Eu não sou mais nada. Jashin-sama... ele vai me rejeitar. Eu era puro... eu guardei tudo para ele... e você tirou isso de mim.

Pela primeira vez em décadas, Kakuzu sentiu algo que não era ganância ou raiva. Foi um lampejo de desconforto, algo que se assemelhava à pena. Ele olhou para o homem no chão e, em vez do parceiro irritante e barulhento, viu apenas um jovem quebrado, cuja única base de sanidade — sua fé cega — havia sido estilhaçada por suas mãos.

Kakuzu suspirou, o peso de suas ações começando a se assentar. Ele se aproximou e, de forma surpreendentemente lenta, sentou-se ao lado de Hidan.

— Hidan — chamou ele, a voz menos áspera.

Hidan se encolheu, afastando-se do toque.

— Não me toque! Você me sujou! Ele vai me mandar para o vazio eterno! Eu sinto... eu sinto que ele está me deixando...

Kakuzu estendeu a mão e, com uma hesitação que ele raramente demonstrava, tocou o cabelo prateado de Hidan. O imortal congelou, mas não se afastou desta vez.

— Seu Deus gosta de sangue e dor, não gosta? — perguntou Kakuzu.

Hidan assentiu levemente, ainda soluçando.

— Então por que ele te puniria por isso? — continuou Kakuzu, tentando encontrar uma lógica que acalmasse o outro. — Você sofreu. Houve sangue. Houve dor. No final das contas, você sacrificou sua pureza em um altar de agonia. Isso não é o que ele prega?

Hidan levantou o rosto, os olhos vermelhos e inchados, olhando para Kakuzu com uma vulnerabilidade que partiu a última camada de indiferença do mais velho.

— Você acha? — perguntou Hidan, a voz pequena. — Você acha que ele pode aceitar isso como um... um tipo diferente de sacrifício?

Kakuzu não acreditava em Jashin, nem em nenhum Deus. Mas ele sabia que, se Hidan perdesse sua fé, ele se tornaria um vegetal, um corpo vazio sem a vontade de lutar. E, por algum motivo, a ideia de Hidan em silêncio para sempre começou a parecer pior do que suas reclamações constantes.

— Sim — mentiu Kakuzu, limpando um pouco de sangue do rosto de Hidan com o polegar. — Se ele é tão cruel quanto você diz, ele provavelmente gostou de ver você ser humilhado.

Hidan respirou fundo, tentando processar a ideia. Ele ainda tremia, e a dor em seu corpo era real, mas o pânico absoluto começou a diminuir, substituído por uma melancolia profunda.

— Eu nunca tinha feito isso — confessou Hidan, desviando o olhar. — Eu guardei... por vinte anos. Eu achei que seria... diferente.

Kakuzu sentiu uma pontada de culpa, um sentimento que ele pensava ter enterrado junto com seu primeiro coração. Ele puxou Hidan para mais perto, permitindo que o mais novo encostasse a cabeça em seu peito.

— Durma, Hidan — disse Kakuzu. — Amanhã temos que nos mover. Há uma recompensa em uma vila próxima.

Hidan não respondeu, mas fechou os olhos, agarrando-se ao manto de Kakuzu como se fosse a única coisa sólida em um mundo que havia acabado de desmoronar. Kakuzu ficou ali, no silêncio da caverna, guardando o sono do homem que ele havia acabado de quebrar, percebendo que, de alguma forma, o preço daquela lição tinha sido alto demais para ambos.
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