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Lovely Complex

Fandom: Sem fandom

Criado: 04/07/2026

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Ondas de Tensão e o Preto do Biquíni

O som rítmico do mar batendo contra a areia da Praia do Forte deveria ser o som mais relaxante do mundo, mas para Rafaella, era apenas o ruído de fundo de um desastre iminente. O erro no sistema do hotel parecia uma piada de mau gosto: cinquenta alunos, vinte e cinco quartos, e uma confusão nas chaves que a colocou exatamente no mesmo dormitório que Augusto.

Não era qualquer garoto. Era Augusto, o capitão do time de futebol, o rapaz cujos ombros pareciam largos demais para qualquer porta e cujo sorriso tinha o poder de desarmar até a mais estudiosa das garotas. Rafaella não era nerd, longe disso; ela era inteligente, perspicaz e tinha uma intensidade que assustava os mais fracos, mas Augusto não era fraco. Ele era o fogo que encontrava o combustível dela.

A noite anterior tinha sido um caos. O cansaço da viagem, a frustração com a recepção e o calor insuportável a levaram direto para o chuveiro. Ela precisava que a água levasse embora a irritação de dividir dez metros quadrados com o cara mais desejado da escola. O problema foi que a tranca da porta do banheiro estava emperrada — algo que ela descobriu tarde demais.

Quando o vapor preenchia o ambiente e ela se ensaboava, a porta se abriu com um estrondo descuidado. Augusto entrou, falando algo sobre ter esquecido a escova de dentes, e o mundo parou por três segundos eternos. Ele a viu. Viu cada curva, a pele molhada sob a luz amarelada, o contraste de sua estatura baixa com a perfeição de suas formas.

— SAI DAQUI, AUGUSTO! AGORA! — O grito dela ecoou pelos azulejos, enquanto ela tentava se cobrir com as mãos trêmulas.

— Meu Deus, desculpa! Eu não... eu achei que... — Ele tropeçou nos próprios pés, o rosto subitamente mais vermelho que um tomate, e bateu a porta com força.

O resto da noite foi um silêncio constrangedor que poderia ser cortado com uma faca. Eles dormiram em camas separadas, mas o ar entre as duas colchas parecia carregado de eletricidade estática.

Na manhã seguinte, o sol de Angra dos Reis entrou sem pedir licença pelas frestas da cortina. Rafaella acordou antes do despertador. Ela precisava de um tempo sozinha para processar o fato de que, tecnicamente, Augusto agora conhecia cada detalhe dela. Com movimentos silenciosos e precisos, ela se vestiu. Escolheu um biquíni preto, decotado, que realçava seu bronzeado e a deixava confiante. Por cima, apenas uma saída de praia transparente que ela ainda não tinha amarrado.

Ela parou em frente ao espelho da cômoda, de costas para a cama de Augusto, e começou a prender o cabelo em um rabo de cavalo alto para enfrentar o calor. A calcinha do biquíni, de corte ousado, deixava pouco para a imaginação, moldando perfeitamente suas curvas.

Augusto acordou com o som do elástico de cabelo estalando. Ele abriu os olhos devagar, a mente ainda nublada pelo sono, mas a visão à sua frente o despertou mais rápido que qualquer café expresso.

Rafaella estava ali, a poucos metros, com os braços erguidos, o que acentuava a curvatura de sua lombar e o desenho de seus glúteos. O biquíni preto era como um pecado emoldurado pela luz da manhã. Augusto sentiu a garganta secar. A intensidade que ele sempre carregava nos campos de futebol transbordou para o quarto.

Ele se levantou da cama em um movimento fluido, sem fazer barulho. Seus pés descalços tocaram o piso frio enquanto ele caminhava em direção a ela. Rafaella sentiu a mudança na pressão do ar, o calor que emanava do corpo dele antes mesmo do toque.

— Você não faz ideia do que está fazendo comigo desde ontem — sussurrou Augusto, a voz rouca de sono e desejo, logo atrás do ouvido dela.

Antes que ela pudesse responder, ele envolveu a cintura dela com as mãos grandes e firmes, puxando-a para trás, colando as costas de Rafaella em seu peito nu e quente. O contraste de alturas era perfeito; a cabeça dela encaixava-se logo abaixo do queixo dele.

— Augusto... — ela murmurou, mas não havia protesto em sua voz, apenas uma respiração acelerada.

— Shhh — ele disse, girando-a lentamente para que ficassem de frente um para o outro. — Eu passei a noite inteira tentando esquecer o que vi no banheiro, mas ver você assim agora... é impossível.

Augusto a prensou suavemente contra a cômoda, as mãos descendo para a curva de seus quadris, puxando-a para mais perto, eliminando qualquer espaço que ainda restasse. Ele era intenso, e Rafaella, sendo igualmente romântica e passional, não recuou. Ela enlaçou o pescoço dele, enterrando os dedos nos cabelos levemente bagunçados do capitão.

— Você é um idiota por ter entrado daquele jeito — ela disse, embora seus lábios estivessem a milímetros dos dele.

— Eu sou um idiota por não ter dito antes o quanto você é linda — ele respondeu, e finalmente selou o espaço entre eles.

O beijo foi como uma explosão represada. Não era calmo; era urgente, quente e carregado de uma química que ambos vinham ignorando durante todo o semestre. A mão de Augusto subiu pelas costas dela, sentindo a pele macia, enquanto Rafaella soltava um gemido baixo contra a boca dele, entregando-se àquele momento de pura eletricidade. Ele a ergueu, sentando-a na cômoda de madeira, e as pernas dela envolveram a cintura dele instintivamente.

O clima no quarto subiu drasticamente. O som da respiração ofegante dos dois era a única coisa audível, até que, de repente, a porta do quarto foi escancarada sem qualquer aviso prévio.

— E AÍ, CAPITÃO! BORA QUE O TREINO NA AREIA VAI COME...

A frase de Thiago morreu no ar assim que ele e mais três jogadores do time entraram no quarto, carregando bolas e protetores solares. O grupo estancou no lugar, as bocas abertas em um sincronismo cômico.

Augusto nem sequer se afastou imediatamente; ele protegeu o corpo de Rafaella com o seu, virando apenas o rosto para encarar os amigos com um olhar que poderia derreter aço. Rafaella, no entanto, sentiu o rosto queimar instantaneamente, escondendo a face no pescoço de Augusto, desejando que o chão se abrisse.

— Puta merda! — exclamou Leo, o goleiro, arregalando os olhos. — Mal sinalizado, hein, Guto?

— FORA! — Augusto rugiu, a voz vibrando de irritação.

— Já estamos saindo! — Thiago disse, tropeçando para trás e empurrando os outros para o corredor. — Mil desculpas, Rafa! A gente não viu nada! Ou viu... quer dizer, perdão!

— Saiam logo, seus idiotas! — gritou Augusto, enquanto a porta era batida apressadamente por fora.

O silêncio voltou ao quarto, mas agora era pontuado pelas risadas nervosas que vinham do corredor e pelo batimento cardíaco acelerado de Rafaella contra o peito de Augusto.

Ela se afastou um pouco, cobrindo o rosto com as mãos, soltando uma risada de puro nervosismo.

— Eu nunca mais vou conseguir olhar para eles na hora do almoço — ela disse, a voz abafada.

Augusto suspirou, passando a mão pelo rosto, mas logo um sorriso convencido surgiu em seus lábios. Ele se aproximou novamente, tirando as mãos dela do rosto e beijando a ponta de seu nariz.

— Deixa eles. No fundo, eles só estão com inveja porque eu tenho a garota mais inteligente e linda da viagem no meu quarto.

— E a mais envergonhada também — completou ela, ajustando a alça do biquíni preto.

— Bem — Augusto disse, puxando-a pela mão de volta para seus braços —, eles já foram embora. Onde foi mesmo que a gente parou?

Rafaella olhou para ele, vendo o brilho intenso e romântico naqueles olhos castanhos, e percebeu que, apesar do erro do hotel e da interrupção dos amigos, aquela viagem estava apenas começando a ficar interessante.
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