Fanfy
.studio
Imagem de fundo

descobrindo gravidez

Fandom: Michael Jackson

Criado: 05/07/2026

Tags

RomanceDramaAngústiaDor/ConfortoFofuraHistória DomésticaGravidez Não Planejada/IndesejadaCenário Canônico
Índice

O Silêncio Depois da Tempestade

A chuva batia contra as enormes vidraças de Neverland, transformando o refúgio mágico de Michael em uma fortaleza de sombras e melancolia. Dentro do quarto principal, o ar estava tão denso que parecia possível cortá-lo com uma faca. As luzes estavam baixas, mas o brilho nos olhos de Michael não era de ternura; era de mágoa e exaustão.

Ele caminhava de um lado para o outro, as mãos inquietas se perdendo nos cachos escuros, enquanto S/N permanecia parada junto à lareira apagada, com os braços cruzados sobre o peito, tentando conter o tremor que subia por suas pernas.

— Eu só quero entender, S/N! — Michael exclamou, sua voz subindo um tom, algo raro para ele. — Por que você tem se afastado tanto? Por que toda vez que eu tento me aproximar, você cria uma barreira? Eu sinto como se estivesse morando com uma estranha nas últimas semanas.

— Não é nada disso, Michael — ela respondeu, a voz embargada, desviando o olhar para as chamas inexistentes. — Eu só preciso de espaço. O mundo lá fora é barulhento demais, e às vezes eu sinto que não consigo respirar aqui dentro também.

Michael parou bruscamente, a silhueta esguia projetando uma sombra longa no tapete persa.

— Espaço? — Ele soltou uma risada amarga, desprovida de qualquer alegria. — Eu te dei tudo. Eu mudei minha agenda, cancelei ensaios, tentei criar um ambiente onde você se sentisse segura. Mas você se recusa a comer comigo, você foge dos meus toques... Se você não me quer mais por perto, se o problema sou eu, apenas diga!

— O problema não é você! — S/N gritou, finalmente olhando para ele. Lágrimas brilhavam em seus olhos, refletindo a luz fraca dos abajures. — O problema nunca foi você, Michael. É tudo o resto!

— Então o que é? — Ele deu dois passos em direção a ela, a expressão oscilando entre a raiva e o desespero. — É a imprensa? São os fãs? Ou você se cansou dessa vida? Eu avisei que não seria fácil ser a mulher ao meu lado, mas achei que estivéssemos juntos nisso. Achei que éramos um time.

— Nós somos um time! — Ela rebateu, a voz falhando.

— Não parece! — Michael gesticulou com as mãos, a frustração transbordando. — Você está pálida, está fraca, recusa-se a sair deste quarto. Eu chamei o médico da família e você o mandou embora antes mesmo dele entrar. Você está escondendo algo de mim, e eu não suporto mentiras, S/N. Eu já lido com mentiras do mundo inteiro todos os dias. Eu não posso aceitar isso dentro da minha própria casa!

A discussão escalou. As palavras voavam como flechas, cada uma atingindo um ponto sensível. Michael falava sobre a falta de comunicação, sobre como se sentia sozinho mesmo estando acompanhado. S/N, por sua vez, sentia o peso de um segredo que a sufocava, uma mistura de medo da reação dele e a incerteza sobre o futuro.

— Se você não confia em mim o suficiente para me dizer o que está acontecendo — Michael disse, sua voz agora baixa e perigosamente fria —, então talvez devêssemos repensar o que estamos fazendo aqui. Eu não posso viver na sombra de segredos.

Aquelas palavras foram o golpe final. O medo de perdê-lo superou o medo da mudança que estava por vir. O coração de S/N martelava contra as costelas, e a náusea que a acompanhava há dias voltou com força total, mas ela a engoliu.

— Você quer saber o que está acontecendo? — Ela deu um passo à frente, a voz trêmula, mas decidida. — Você realmente quer saber por que eu não consigo comer, por que eu choro à noite e por que eu tive medo de te contar?

Michael cruzou os braços, o rosto esculpido em uma máscara de dor e teimosia.

— Sim, eu quero.

— Eu estou grávida, Michael! — O grito saiu rasgando sua garganta, ecoando pelas paredes altas do quarto.

O silêncio que se seguiu foi absoluto. Michael congelou. A expressão de raiva desapareceu instantaneamente, sendo substituída por um choque tão profundo que ele pareceu esquecer como respirar. Seus braços caíram ao lado do corpo, e ele piscou várias vezes, como se estivesse tentando processar uma informação em uma língua estrangeira.

— O quê? — Ele sussurrou, a voz quase inaudível.

— Eu descobri há duas semanas — S/N continuou, as lágrimas agora rolando livremente pelo seu rosto. — Eu estava apavorada. Com a turnê chegando, com toda a pressão que você já sofre... Eu não sabia como te contar. Eu não queria ser mais um peso nos seus ombros.

Michael não disse nada por um longo minuto. Ele apenas olhava para ela, os olhos grandes e escuros vasculhando o rosto de S/N, descendo para sua barriga ainda plana e voltando para seus olhos.

— Um bebê? — Ele perguntou, a voz falhando em uma nota alta, típica de quando ele estava emocionado.

— Sim — ela soluçou, cobrindo o rosto com as mãos. — Me desculpa por não ter falado antes. Eu só... eu tive tanto medo.

A raiva que antes consumia o quarto dissipou-se como fumaça ao vento. Michael deu um passo hesitante, depois outro, até estar a poucos centímetros dela. Ele estendeu a mão, mas hesitou, como se temesse que ela fosse quebrar.

— S/N... — Ele chamou suavemente.

Ele a puxou para seus braços com uma urgência gentil. S/N desabou contra o peito dele, chorando copiosamente, enquanto Michael a envolvia em um abraço protetor. Ele enterrou o rosto no pescoço dela, respirando o perfume de jasmim que ela sempre usava.

— Oh, meu Deus — ele murmurou contra a pele dela. — Um bebê... Um pequeno anjo.

— Você não está bravo? — Ela perguntou entre soluços, afastando-se apenas o suficiente para olhar para ele.

Michael soltou uma risada curta, mas desta vez era uma risada úmida, cheia de uma alegria súbita e avassaladora. Ele usou os polegares para secar as lágrimas no rosto dela, segurando suas bochechas com uma ternura infinita.

— Bravo? S/N, eu passei a vida inteira sonhando com isso. Eu passei a vida tentando proteger a criança que existe em mim e as crianças do mundo... ter um filho com você... — Ele balançou a cabeça, os olhos brilhando com uma nova luz. — É o maior presente que eu poderia receber.

— Mas a turnê, Michael... e os tabloides... eles vão ser implacáveis.

— Deixe que falem — ele disse com uma firmeza que ela raramente via. — Deixe que o mundo gire. Nada disso importa agora. O que importa é você e esse bebê. Por que você achou que seria um peso para mim? Você é minha vida, S/N. Isso não é um peso, é uma benção.

Ele se ajoelhou lentamente no tapete, ficando na altura do ventre dela. Com uma reverência quase religiosa, Michael encostou a testa na barriga de S/N. Ele fechou os olhos e colocou a mão espalmada ali, como se pudesse sentir a centelha de vida que começava a crescer.

— Olá, pequeno — ele sussurrou, a voz carregada de amor. — É o papai. Eu mal posso esperar para te conhecer. Eu vou te dar o mundo inteiro. Eu vou te proteger de tudo.

S/N acariciou os cabelos dele, sentindo uma paz que não experimentava há semanas. A tempestade lá fora continuava, mas dentro daquele quarto, a paz havia finalmente retornado.

Michael levantou-se e a beijou com uma doçura que a fez estremecer. Era um beijo de promessa, de renovação.

— Me perdoe por ter gritado — ele pediu, unindo suas testas. — Eu me senti tão excluído, tão longe de você. Eu nunca quis te assustar.

— Eu também sinto muito, Michael. Eu deveria ter confiado em nós desde o primeiro momento.

— Nós vamos ficar bem — ele afirmou, levando-a em direção à cama, puxando as cobertas para que ela se deitasse. — Agora, você vai descansar. E amanhã, vamos chamar o médico, mas desta vez eu estarei ao seu lado, segurando sua mão. E vamos planejar tudo. O berçário, as roupas, os brinquedos...

S/N sorriu, vendo o brilho de entusiasmo nos olhos dele. Michael já estava começando a listar nomes e ideias para decorar o quarto, a energia vibrante que o tornava único emanando de cada gesto.

— Você vai ser um pai maravilhoso, Michael — ela disse, sentindo o sono finalmente começar a vencer a exaustão.

Ele se deitou ao lado dela, puxando-a para perto e colocando a mão sobre a dela, ambas repousando sobre o ventre de S/N.

— Eu vou tentar — ele respondeu, beijando o topo da cabeça dela. — Eu vou ser tudo o que eles precisarem que eu seja. Eu amo você, S/N. Amo vocês dois.

— Nós também te amamos, Michael.

Enquanto a chuva diminuía para um chuvisco suave contra o vidro, Michael Jackson não era o Rei do Pop, nem o ícone global, nem o alvo dos holofotes. Ele era apenas um homem, prestes a embarcar na maior aventura de sua vida, protegendo seu tesouro mais precioso no silêncio acolhedor de Neverland. E, pela primeira vez em muito tempo, o futuro parecia não apenas suportável, mas absolutamente brilhante.
Índice

Quer criar seu próprio fanfic?

Cadastre-se na Fanfy e crie suas próprias histórias!

Criar meu fanfic