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Amor e pneus

Fandom: Velozes e furiosos

Criado: 05/07/2026

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RomanceDramaAngústiaDor/ConfortoAçãoCrimeGravidez Não Planejada/IndesejadaCenário CanônicoAventura
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Velocidade, Segredos e Sangue Adrenalizado

O sol estava se pondo sobre Los Angeles, pintando o céu com tons de laranja e roxo que lembravam a cor de um hematoma. Na garagem dos Toretto, o cheiro de óleo lubrificante e borracha queimada era o perfume oficial da família. Karen Toretto, a caçula da linhagem, apertava uma chave inglesa com tanta força que os nós de seus dedos estavam brancos.

Ela sentia o olhar de Brian sobre suas costas. Ele estava encostado no Skyline, de braços cruzados, com aquela expressão que misturava preocupação e frustração. O noivado deles, que deveria ser o período mais feliz de suas vidas, parecia estar caminhando sobre uma corda bamba esticada ao máximo.

— Karen, a gente vai continuar fingindo que não tem nada acontecendo? — a voz de Brian soou baixa, mas cortante.

Karen respirou fundo, fechando os olhos por um segundo. Dentro de sua bolsa, escondido sob uma pilha de ferramentas, estava um teste de farmácia com dois riscos vermelhos que pareciam gritar toda vez que ela olhava para eles. Ela estava grávida. E a ideia de contar para Brian, de ver o medo da perda nos olhos dele, ou pior, a possibilidade de ele querer que ela parasse de correr, a aterrorizava.

— Não tem nada acontecendo, Brian. Eu só estou cansada — ela respondeu, sem se virar.

— Cansada? Você mal fala comigo há uma semana. A gente está noivo, droga! — Brian deu um passo à frente, a voz subindo um tom. — Se eu fiz alguma coisa, se você está arrependida de ter aceitado o anel...

— Não é isso! — Karen explodiu, virando-se finalmente. Seus olhos brilhavam com lágrimas que ela se recusava a deixar cair. — Só me dá um tempo, tá legal? Eu preciso de espaço.

— Espaço? A gente vive no mesmo mundo, Karen. O que você vai fazer? Fugir para a pista de novo?

Ela não respondeu. Pegou sua jaqueta de couro e saiu da garagem a passos largos, deixando Brian parado no meio do óleo e da poeira.

Do lado de fora, Letty estava encostada em seu Dodge Charger, observando a cena com um olhar cético. Ela era a única que sabia. Karen tinha desabado nos braços da "cunhada" na noite anterior, chorando e mostrando o teste. Letty, sendo Letty, não deu sermão, mas o silêncio dela era carregado de julgamento.

— Você não vai contar para ele, não é? — Letty perguntou quando Karen se aproximou.

— Agora não. Eu preciso tirar isso da cabeça, Let. Eu sinto que vou sufocar.

— Correr grávida é uma loucura, Karen. Até para os nossos padrões. Dom te mataria se soubesse. E o Brian... ele nunca ia te perdoar se algo acontecesse.

Karen abriu a porta do seu carro, um Toyota Supra modificado que brilhava sob a luz dos postes que começavam a acender.

— Então não deixa nada acontecer. Vamos para o racha. Eu preciso sentir o nitro, Let. Preciso sentir que ainda sou eu mesma antes de virar... isso.

Letty suspirou, jogando o cigarro apagado no chão e entrando no carro.

— Se você bater, eu mesma te tiro das ferragens e te dou uma surra antes de te levar para o hospital.

O local do racha clandestino era uma zona industrial afastada, onde o asfalto era liso e as luzes da cidade pareciam distantes. O barulho era ensurdecedor: motores roncando, música alta e centenas de pessoas apostando dinheiro que não tinham.

Karen sentiu a adrenalina subir, mascarando o enjoo matinal que teimava em aparecer à noite. Ela se posicionou na linha de largada, com Letty ao seu lado. As duas eram as rainhas daquela pista, mas hoje, o peso no peito de Karen era diferente.

— Pronta? — Letty gritou por cima do ronco dos motores.

Karen apenas assentiu, apertando o volante.

— Três... dois... um... VAI!

Os pneus fritaram no asfalto, deixando nuvens de fumaça branca para trás. Karen sentiu o solavanco do carro, a força da gravidade empurrando-a contra o banco. Por um momento, o segredo, o medo e a briga com Brian desapareceram. Era apenas ela, a máquina e a velocidade.

Ela trocou de marcha com perfeição, o conta-giros beijando a zona vermelha. Letty estava logo atrás, mantendo a proteção, agindo como um escudo invisível. Mas, no meio do percurso, o brilho azul e vermelho começou a refletir nos retrovisores.

— Droga! — Karen rosnou.

Sirenes cortaram o ar. Não era apenas uma patrulha de rotina. Eram dezenas de viaturas fechando as saídas.

— Karen, sai daí agora! — a voz de Letty veio pelo rádio. — Eles estão cercando o perímetro!

Karen tentou manobrar, mas um comboio de viaturas pretas, reforço tático, surgiu do nada. Ela reconheceu o estilo de direção. Eram unidades de elite. E, liderando o grupo, um Skyline prata e azul cortou a frente dela, forçando-a a frear bruscamente, os pneus cantando em um protesto agudo.

O carro parou a centímetros da lateral do Skyline. O coração de Karen martelava contra as costelas. Brian saiu do carro antes mesmo que a poeira baixasse. Ele não parecia o noivo carinhoso de sempre. Ele parecia o policial infiltrado que um dia fora, frio e furioso.

Dom e Mia chegaram logo atrás em outro carro, com expressões de puro choque e raiva.

Brian caminhou até a porta de Karen e a abriu com força.

— Sai do carro — ele ordenou, a voz trêmula de ódio contido.

Karen saiu, trêmula, evitando olhar para Dom, que estava parado a poucos metros, os braços cruzados, a mandíbula travada.

— Você enlouqueceu? — Brian gritou, gesticulando para as viaturas que ainda perseguiam outros corredores ao fundo. — Eu tive que intervir com os meus contatos para não levarem você presa agora mesmo! O que deu em você, Karen? A gente briga e você vem para um racha de alto risco?

— Brian, calma... — Letty tentou intervir, saindo de seu carro.

— Calma nada, Letty! Você sabia disso? Você deixou ela vir? — Brian virou-se para ela, mas depois voltou sua fúria para Karen. — Você podia ter morrido. Você não pensa na gente? No nosso futuro?

Karen sentiu o mundo girar. O estresse, a velocidade e o confronto foram demais. Ela cambaleou e se apoiou no capô quente do Supra.

— Eu não podia contar... — ela sussurrou, a voz falhando.

— Não podia contar o quê? Que você não me ama mais? Que quer acabar com tudo? — Brian se aproximou, a voz carregada de dor.

— Que eu estou grávida, seu idiota! — Karen gritou, as lágrimas finalmente transbordando.

O silêncio que se seguiu foi mais alto que qualquer sirene. Brian congelou. Dom, que estava prestes a dar um sermão épico sobre "família", parou no lugar, os olhos arregalados. Mia levou as mãos à boca, abafando um grito de surpresa.

Brian piscou, a raiva sumindo instantaneamente, substituída por um terror pálido.

— O quê? — ele sussurrou, a voz falhando.

— Eu descobri ontem — Karen disse, soluçando, o corpo todo tremendo. — Eu fiquei apavorada. Eu achei que... que se eu te contasse, a nossa vida ia acabar. Que você ia me trancar em uma redoma. Eu só queria correr uma última vez.

Brian deu um passo à frente, mas desta vez não havia agressividade. Ele a puxou para um abraço apertado, escondendo o rosto no pescoço dela. Karen sentiu os ombros dele tremerem.

— Você correu... grávida — ele disse contra a pele dela, uma mistura de riso histérico e choro. — Karen, você quase se matou. Você quase matou o nosso...

— Eu sei, eu sei. Eu sou uma idiota — ela soluçou contra o peito dele.

Dom se aproximou, a expressão ainda severa, mas seus olhos estavam úmidos. Ele colocou a mão gigante no ombro de Brian e a outra na cabeça de Karen.

— A gente vai para casa — Dom disse, a voz grossa e definitiva. — Agora.

— Dom, a polícia... — Mia começou.

— Eu cuido disso — Brian disse, afastando-se de Karen apenas o suficiente para olhar nos olhos dela, limpando as lágrimas do rosto da noiva com os polegares. — Mas Karen... nunca mais. Ouviu bem? Nunca mais esconda algo assim de mim.

— Eu prometo — ela respondeu, sentindo o peso do segredo finalmente sair de suas costas.

Brian olhou para o Supra e depois para Letty, que apenas deu de ombros, ainda encostada no carro.

— E você, Letty — Brian disse, apontando o dedo —, a gente vai ter uma conversa séria sobre segurança materna depois.

— Boa sorte com isso, O'Conner — Letty deu um sorriso de canto. — Ela é uma Toretto. Acha mesmo que ela vai ficar sentada tricotando por nove meses?

Brian suspirou, abraçando Karen novamente enquanto os policiais começavam a dispersar sob as ordens dos superiores que Brian tinha acionado. O risco tinha sido alto, alto demais, mas ali, no meio do asfalto quente e das luzes de emergência, Karen finalmente sentiu que podia respirar.

A velocidade era a vida deles, mas agora, havia algo muito mais importante para proteger. E Brian, apesar de furioso, sabia que sua maior corrida estava apenas começando. Ele a beijou na testa, um juramento silencioso de que, a partir daquele momento, eles cruzariam todas as linhas de chegada juntos.
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