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O amor improvável

Fandom: Marvel

Criado: 05/07/2026

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RomanceFatias de VidaFofuraCenário CanônicoEstudo de PersonagemDrama
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Entre Teias e Batimentos Cardíacos

O complexo dos Vingadores no norte do estado de Nova York costumava ser um lugar de treinamento intenso, reuniões estratégicas e, ocasionalmente, explosões acidentais nos laboratórios. Mas, naquela tarde de quinta-feira, o clima era de uma calmaria quase desconfortável. No terraço que dava vista para a vasta floresta, Elias estava sentado na beirada, com as pernas balançando sobre o abismo de aço e vidro.

Elias não era um super-soldado, nem um deus nórdico. Ele era apenas um garoto com uma facilidade incrível para hackear sistemas de segurança e um senso de humor que, muitas vezes, servia como escudo para sua timidez crônica. Ele ajustou os óculos, observando o pôr do sol tingir o céu de laranja e roxo, quando ouviu o som metálico da porta se abrindo.

— Sabia que te encontraria aqui. Esse é o seu esconderijo oficial para fugir do treino de combate com o Sam? — A voz de Manu era carregada de um tom brincalhão, mas suave.

Elias deu um sobressalto, quase perdendo o equilíbrio. Ele se virou e viu Manu caminhando em sua direção. Ela tinha aquela confiança natural de quem já tinha visto de tudo. Diferente de Elias, Manu não se intimidava com os grandes heróis; ela tinha uma bagagem emocional maior, uma maturidade que vinha de relacionamentos passados que nem sempre terminaram bem, e uma vivência que a tornava o porto seguro do grupo.

— O Sam é muito rápido, Manu — Elias respondeu, forçando um sorriso e tentando controlar a vermelhidão nas bochechas. — Eu prefiro lutar contra firewalls. Eles não me dão rasteiras físicas.

Manu riu e sentou-se ao lado dele, mantendo uma distância pequena, mas que fazia o coração de Elias martelar contra as costelas. Ela olhou para o horizonte, o vento balançando seus cabelos.

— Às vezes, as rasteiras da vida real são mais fáceis de lidar do que as que a gente dá em nós mesmos — comentou ela, com um olhar distante que Elias já conhecia. Era o olhar de quem estava lembrando de algo que ficou para trás.

— Você está falando de novo sobre aquele cara de Madripoor? — Elias perguntou, tentando soar descontraído, embora a menção aos ex-namorados de Manu sempre o deixasse um pouco inseguro.

— Não exatamente dele. Mas de como eu costumava me atirar de cabeça em qualquer coisa que parecesse amor — ela suspirou, virando o rosto para ele. — Você tem sorte, Elias. Você é autêntico. Não tenta ser o que não é para impressionar ninguém.

— Eu não teria sucesso se tentasse — ele brincou, ajustando os óculos novamente. — Eu sou o cara que tropeça no próprio cadarço durante uma missão de infiltração. Como eu poderia fingir ser um James Bond?

— É exatamente isso que faz de você a melhor pessoa daqui — Manu disse, e por um momento, o silêncio entre eles não foi preenchido por piadas ou observações sobre o clima.

Elias sentiu um frio na barriga que não tinha nada a ver com a altura do prédio. Ele sempre viu Manu como sua melhor amiga, a pessoa que o defendia das piadas do Peter Parker e que entendia suas referências obscuras de cultura pop. Mas, nos últimos meses, algo havia mudado. O modo como ele esperava pela mensagem dela de manhã, ou como ele decorava o jeito que ela franzia o nariz quando estava concentrada, sugeria que a amizade tinha transbordado.

— Manu? — ele chamou, a voz um pouco mais baixa.

— Oi? — Ela o encarou, os olhos escuros brilhando com o reflexo das primeiras estrelas.

— Você acha que... sei lá, a gente se acostuma com a ideia de que as coisas são de um jeito e para de perceber quando elas mudam? — Elias sentiu que estava se enrolando, mas continuou. — Como um software que recebe uma atualização e você continua usando a versão antiga por hábito.

Manu soltou uma risada curta, mas não de deboche. Era uma risada de compreensão.

— Você e suas metáforas de computador — ela disse, aproximando-se um pouco mais. — Mas eu entendo. Às vezes a gente se protege tanto atrás do rótulo de "amizade" que esquece de olhar para o que o código está dizendo agora.

Elias sentiu o pulso acelerar. Ele nunca fora bom em ler sinais, mas o modo como Manu o olhava agora era diferente de todas as outras vezes. Não havia a proteção de uma irmã mais velha ou a diversão de uma colega de equipe. Havia algo mais denso, mais quente.

— E o que o seu código está dizendo? — perguntou ele, a coragem surgindo de um lugar que ele nem sabia que existia.

Manu hesitou por um segundo. Ela pensou em todos os tropeços amorosos que teve, em como era mais fácil manter Elias naquele lugar seguro de melhor amigo onde ninguém saía ferido. Mas então ela olhou para o rosto dele, para a sinceridade nos olhos dele e para o modo como ele sempre a fazia rir, mesmo nos dias mais sombrios da Iniciativa Vingadores.

— Ele está dizendo que eu fui uma boba por tentar procurar em outros lugares o que estava bem na minha frente o tempo todo — admitiu ela em um sussurro.

— Eu não sou um herói de capa, Manu — Elias começou, a insegurança tentando voltar. — Eu sou só o Elias.

— Exatamente — ela o interrompeu, colocando a mão sobre a dele. — E o Elias é a única pessoa que me faz sentir que eu não preciso lutar o tempo todo.

O silêncio que se seguiu foi preenchido apenas pelo som distante dos jatos Quinjets pousando no hangar abaixo. Elias olhou para a mão dela sobre a sua e, lentamente, entrelaçou seus dedos. A pele dela era quente, e o contato pareceu enviar uma descarga elétrica por todo o seu corpo.

— Eu sempre tive medo de falar — confessou Elias. — Achei que, se eu dissesse alguma coisa, eu perderia a única pessoa que realmente me entende aqui dentro.

— Você não vai me perder — Manu garantiu, inclinando o corpo para mais perto dele. — Na verdade, acho que você acabou de me encontrar de um jeito novo.

Elias sorriu, aquele sorriso tímido que Manu tanto adorava. Ele sentiu que o peso que carregava no peito por meses finalmente tinha desaparecido, substituído por uma leveza que o fazia sentir que poderia voar, mesmo sem uma armadura do Stark.

— Então... isso significa que o nosso "status de sistema" mudou? — ele perguntou, recuperando um pouco do seu humor habitual.

— Significa que a atualização foi instalada com sucesso, Elias — ela respondeu, rindo.

Manu não esperou por mais nenhuma piada. Ela encurtou a distância restante e o beijou. Foi um beijo calmo, que carregava a familiaridade de anos de amizade e a descoberta de algo que tinha acabado de florescer. Elias, inicialmente surpreso, correspondeu com uma intensidade que surpreendeu a ambos.

Quando se afastaram, o mundo parecia o mesmo — as luzes do complexo brilhando, o vento frio da noite começando a soprar —, mas tudo entre eles havia mudado.

— Uau — Elias murmurou, os óculos levemente tortos. — Isso foi... muito melhor do que qualquer linha de código que eu já escrevi.

— Eu avisei que a vida real tinha suas vantagens — Manu brincou, encostando a cabeça no ombro dele.

— O que a gente faz agora? — ele perguntou, sentindo o conforto do peso dela contra seu corpo. — Tem algum protocolo para quando dois amigos decidem que não querem mais ser só amigos no meio de uma base cheia de super-heróis e espiões?

— O protocolo é simples — Manu disse, fechando os olhos e aproveitando o momento. — A gente desce daqui, ignora as piadinhas do Stark e tenta não explodir nada amanhã.

— Parece um plano sólido — concordou Elias, beijando o topo da cabeça dela. — Mas só para constar... eu já estava apaixonado por você desde aquela vez que você me ajudou a esconder o protótipo quebrado do braço do Bucky.

Manu deu uma risadinha, lembrando-se da confusão que aquilo gerou.

— E eu já estava apaixonada por você desde que percebi que você era o único que conseguia me fazer rir mesmo quando o mundo parecia estar acabando.

Eles ficaram ali por mais algum tempo, observando as estrelas surgirem sobre o estado de Nova York. Para o resto do mundo, eles eram apenas dois jovens em um complexo de heróis. Mas para Elias e Manu, aquela noite marcava o início da missão mais importante de suas vidas: descobrir o que significava, finalmente, estarem juntos.

— Manu? — chamou Elias, depois de um longo silêncio.

— Sim?

— Se o Peter perguntar, a gente diz que estávamos apenas discutindo estratégias de defesa cibernética, certo?

— Com certeza — ela riu, apertando a mão dele. — Estratégias de defesa de altíssimo nível.

E assim, entre risos e o conforto de uma nova certeza, eles deixaram o terraço, prontos para enfrentar qualquer vilão ou desafio que o universo Marvel pudesse lançar em seu caminho, desde que estivessem de mãos dadas.
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