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Fandom: Naruto

Criado: 05/07/2026

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O Elo Ilusório do Desejo

A penumbra da caverna que servia de esconderijo temporário para a Akatsuki era preenchida apenas pelo som rítmico da chuva que açoitava as rochas do lado de fora. No interior, o silêncio era uma tapeçaria tecida por segredos e tensões não ditas. Obito Uchiha, oculto sob a máscara espiralada de Tobi, permanecia encostado em uma coluna de pedra, observando. Seus olhos, ou melhor, o único olho visível através da fenda, estava fixo na figura loira que polia suas esculturas de argila com uma dedicação quase religiosa.

Deidara era uma explosão de vida e cores em um mundo de sombras. Sua arrogância era um escudo, sua birra uma forma de reafirmar sua existência, e sua beleza... bem, para Obito, a beleza de Deidara era uma tortura constante. O Uchiha sentia um desejo que transcendia a carne; era uma posse espiritual, um ciúme que queimava como o Amaterasu de seu clã, consumindo qualquer lógica. Ele odiava como Deidara olhava para Itachi. Odiava a obsessão que o loiro nutria pelo Sharingan, aquela busca incessante por superar a arte visual que o humilhara no passado.

Itachi Uchiha, por sua vez, estava sentado a poucos metros, a personificação da calma estoica. Ele era frio, eficiente e, de certa forma, possuía uma inocência trágica em relação às complexidades dos sentimentos humanos, apesar de carregar o peso do mundo nos ombros.

Obito sentiu a bile subir pela garganta ao ver Deidara lançar um olhar de soslaio para Itachi, um misto de ódio e admiração mal disfarçada. Foi naquele momento que a decisão se cristalizou na mente do mascarado. Se ele não podia ter Deidara plenamente na realidade fragmentada em que viviam, ele criaria uma realidade onde o desejo e a posse se fundiriam.

Com um movimento imperceptível, Obito canalizou seu chakra. O Sharingan girou furiosamente sob a máscara. Ele não precisava de muito para prender Deidara; a mente do artista já estava focada no "Uchiha prodígio". O genjutsu se expandiu como uma névoa invisível, envolvendo os três.

— O que é isso...? — murmurou Deidara, sua voz vacilando enquanto o cenário ao seu redor se transformava.

A caverna fria deu lugar a um aposento luxuoso, forrado com sedas vermelhas e iluminado por lanternas de papel que emitiam uma luz âmbar e quente. O cheiro de sândalo e suor impregnava o ar. Deidara tentou se levantar, mas suas pernas pareciam feitas de argila mole. Ele estava deitado sobre um futon macio, e diante dele, as duas figuras que mais ocupavam seus pensamentos.

— Acalme-se, Deidara — disse Itachi. Sua voz, no genjutsu, era um veludo perigoso. Ele se aproximou, os dedos longos e pálidos tocando o queixo do loiro. — Você sempre quis entender o poder do Sharingan, não é? Deixe-nos mostrar a você a profundidade do nosso mundo.

Obito, agora sem a máscara na projeção ilusória, exibia seu rosto marcado pelas cicatrizes, mas imbuído de uma virilidade avassaladora. Ele se posicionou atrás de Deidara, as mãos grandes descendo pelos ombros do artista, apertando a carne firme com uma possessividade que fez o loiro estremecer.

— Você é tão barulhento, Deidara — sussurrou Obito perto de seu ouvido, a voz rouca e carregada de uma intenção sombria. — Mas aqui, sua única utilidade é sentir.

— Eu não... eu não aceito ordens de vocês! — Deidara tentou gritar, mas sua voz saiu como um gemido suplicante. A arrogância estava sendo corroída pelo calor que emanava dos dois homens.

Itachi inclinou-se, selando os lábios de Deidara em um beijo que era, ao mesmo tempo, casto e devastador. Era a frieza de Itachi encontrando o fogo de Deidara. Enquanto isso, as mãos de Obito já haviam descido para o manto da Akatsuki, desfazendo-o com uma urgência controlada.

A pele de Deidara era alva como mármore sob a luz das lanternas. Obito sentiu um surto de adrenalina ao ver o corpo que tanto cobiçava exposto. Ele começou a distribuir beijos famintos pelo pescoço do loiro, marcando-o como território conquistado.

— A arte é uma explosão, não é? — provocou Obito, as mãos descendo para as coxas de Deidara, abrindo-as. — Vamos ver o quão alto você consegue explodir.

O ato em si começou com uma delicadeza enganosa. Itachi, mantendo sua aura de calma, posicionou-se à frente de Deidara, guiando o membro do loiro com as mãos enquanto o beijava novamente. Obito, incapaz de conter seu ciúme mesmo em uma ilusão criada por ele mesmo, tomou Deidara por trás, penetrando-o com uma estocada firme que arrancou um grito agudo do artista.

— Ah! Droga... Uchiha maldito! — exclamou Deidara, arqueando as costas, os olhos azuis revirando em puro êxtase e dor.

O ritmo era frenético. Deidara estava cercado por Uchihas, oprimido pelo poder visual e físico que eles representavam. Itachi movia-se com uma elegância quase mecânica, mas seus olhos brilhavam com uma intensidade que Deidara nunca vira. Obito, por outro lado, era puro instinto. Ele segurava os quadris de Deidara com tanta força que sabia que deixaria marcas.

— Olhe para mim, Deidara — ordenou Obito, puxando o cabelo loiro para trás para forçá-lo a encará-lo, enquanto Itachi continuava a estimulá-lo pela frente. — Não olhe para ele. Sinta a mim.

A tensão no quarto aumentava. O suor brilhava nos corpos entrelaçados. Deidara estava em um estado de transe, a mente incapaz de distinguir o que era real e o que era a projeção de seus desejos mais ocultos e proibidos. Ele odiava os Uchihas, mas naquele momento, ele os adorava.

No clímax da união, algo aconteceu que não estava nos planos subconscientes de Obito. A imagem de Itachi, movida pela lógica do genjutsu de representar o ápice do prazer, moveu-se com uma velocidade surpreendente. Itachi soltou um suspiro baixo e, com uma intensidade final, desfez-se dentro de Deidara, preenchendo-o enquanto o loiro gritava o nome do prodígio, o corpo tremendo em espasmos de liberação.

Ao ver o sêmen da projeção de Itachi escorrer pelas coxas de Deidara e ver a expressão de entrega total no rosto do loiro para o outro, o ciúme de Obito explodiu. A possessividade que ele tentava canalizar tornou-se uma tempestade negra. Aquela era a sua ilusão. Deidara era seu.

— Não... — rosnou Obito, a voz vibrando com uma fúria possessiva. — Você não vai se entregar a ele assim. Ele é apenas uma sombra. Eu sou o que resta!

Obito agarrou Deidara com uma força renovada, virando-o bruscamente para que ficasse de quatro, ignorando a presença da projeção de Itachi que agora apenas observava com seu olhar frio e gentil.

— Obito... o que... — Deidara tentou falar, a respiração curta, o corpo ainda vibrando pelo orgasmo recente.

— Cale a boca e sinta quem realmente é seu dono — interrompeu Obito.

Ele penetrou Deidara novamente, mas desta vez não havia delicadeza. Era uma reivindicação. Cada estocada era um lembrete de sua existência, de seu sofrimento e de sua obsessão. Ele queria apagar o rastro de Itachi, queria que Deidara sentisse apenas o calor dele, a força dele.

— Você é meu, Deidara — sibilou ele, mordendo o ombro do loiro, deixando uma marca de dentes profunda. — Cada centímetro dessa sua arte efêmera pertence a mim. Eu vou queimar você até que não sobre nada além de cinzas e do meu nome em seus lábios.

Deidara gemia, mas não era mais um gemido de protesto. Era um som de submissão absoluta. A intensidade de Obito era avassaladora, uma força da natureza que não aceitava recusas. O loiro sentia que estava sendo fundido ao Uchiha, que suas almas estavam sendo costuradas por aquele ato de violência e desejo.

— Mais... — implorou Deidara, a arrogância finalmente quebrada. — Obito... me quebre... me exploda...

Obito sorriu sob a luz fraca, um sorriso sombrio e vitorioso. Ele aumentou o ritmo, levando ambos ao limite da sanidade. Quando ele finalmente atingiu o seu ápice, foi como se o próprio universo do genjutsu tremesse. Ele se derramou dentro de Deidara com uma abundância que parecia querer selar o loiro por dentro, uma marca eterna que nenhuma realidade poderia apagar.

— Lembre-se disso — sussurrou Obito, enquanto o cenário começava a se dissolver lentamente. — Quando você acordar, quando olhar para ele de novo... lembre-se de quem realmente possui você.

As sedas vermelhas voltaram a ser pedras frias. O cheiro de sândalo foi substituído pelo cheiro de terra úmida.

Deidara piscou, os olhos azuis dilatados e nublados. Ele ainda estava sentado no chão da caverna, a escultura de argila em suas mãos. Ele sentia um calor estranho entre as pernas, uma sensação de preenchimento que não deveria estar lá. Seu coração martelava contra as costelas como um pássaro enjaulado.

Ele olhou para o lado. Itachi permanecia na mesma posição, os olhos fechados, aparentemente meditando. O Uchiha mais velho não dera sinal de que algo acontecera.

Então, Deidara sentiu um olhar sobre si. Ele virou a cabeça e encontrou Tobi. O mascarado estava de pé, observando-o. Não havia a voz infantil ou as brincadeiras irritantes. O silêncio que emanava do homem mascarado era pesado, carregado de uma promessa silenciosa.

— Deidara-senpai? — A voz de Tobi voltou ao tom agudo e bobo de sempre. — Você ficou parado por um tempão! Estava pensando na sua arte?

Deidara sentiu um calafrio percorrer sua espinha. Ele tocou o próprio ombro, o local exato onde, no genjutsu, Obito o morderá. A pele ardia, embora não houvesse marca visível.

— Cale a boca, Tobi! — exclamou Deidara, tentando recuperar sua fachada de arrogância, mas sua voz falhou levemente. — Eu só... tive uma ideia para uma nova escultura. Uma que dura para sempre.

Itachi abriu os olhos naquele momento, lançando um olhar breve e enigmático para os dois, antes de se levantar e caminhar em direção à saída da caverna.

Obito, sob a máscara, sorriu. Ele sabia que, a partir daquele dia, Deidara nunca mais olharia para Itachi da mesma forma. O ciúme fora saciado, mas a fome... a fome por Deidara era algo que nem mesmo o mais perfeito dos genjutsus poderia curar completamente. Ele se aproximou do loiro, inclinando-se como se fosse ver a escultura.

— A arte é uma explosão, senpai — sussurrou Obito, desta vez em sua voz verdadeira, apenas para que Deidara ouvisse. — Mas algumas chamas nunca se apagam.

Deidara congelou. O suor frio brotou em sua testa. Ele olhou para a máscara de Tobi, tentando enxergar o que havia por trás daquela fenda única. Pela primeira vez em sua vida, o artista explosivo sentiu uma faísca que ele não podia controlar, uma detonação interna que prometia ser muito mais perigosa do que qualquer uma de suas criações de argila.

Obito afastou-se, voltando ao seu papel de subordinado atrapalhado, mas a mensagem fora entregue. A realidade era uma mentira, mas o desejo que ele plantara no coração de Deidara era a verdade mais absoluta que existia naquele esconderijo sombrio. E enquanto a chuva continuava a cair, o Uchiha sabia que, em breve, ele não precisaria mais de ilusões para mostrar a Deidara a quem ele pertencia.
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