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Fandom: Naruto

Criado: 05/07/2026

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O Eco do Desejo na Caverna de Vidro

A penumbra da base da Akatsuki, geralmente preenchida pelo silêncio sepulcral ou pelas discussões ruidosas sobre orçamentos e rituais, fora substituída por uma atmosfera densa, quase palpável. O ataque ocorrera ao entardecer. Um pergaminho antigo, selado com uma técnica proibida de um clã esquecido, fora interceptado por uma equipe de busca e, ao ser aberto no salão principal, liberou uma névoa rosada e adocicada. Não era um veneno letal, mas algo muito mais insidioso: um jutsu de ressonância hormonal e sensorial que amplificava os instintos mais primitivos de quem possuísse um sistema circulatório ativo.

Sasori, o mestre das marionetes, permanecia imóvel em seu ateliê. Seus olhos de madeira observavam a porta fechada, enquanto seus ouvidos captavam os primeiros sinais da desordem. Para ele, o mundo era silêncio e eternidade. Ele não fora afetado, pois não possuía carne, nem sangue, nem o calor que agora incendiava seus companheiros. Soltou um suspiro seco, o som de engrenagens roçando umas nas outras.

— Que desperdício de tempo e de dignidade — murmurou para as paredes vazias, embora soubesse que a noite seria longa e barulhenta.

No quarto ao lado, a situação era caótica. Kakuzu, o tesoureiro imortal da organização, sentia suas veias pulsarem com uma intensidade que nem mesmo seus cinco corações somados deveriam permitir. O ódio habitual que sentia pela humanidade fora substituído por uma fome física avassaladora. Suas fibras negras, as linhas de seu corpo costurado, pareciam querer saltar para fora da pele, buscando algo para envolver e dominar.

Hidan, que geralmente era o agressor verbal, estava encostado na parede de pedra, observando o parceiro com um sorriso debochado que escondia uma leve apreensão.

— Olha só para você, velho dinossauro — provocou Hidan, lambendo os lábios. — Parece que o seu sangue está fervendo mais do que ouro derretido. Jashin-sama deve estar adorando essa sua cara de desespero.

Kakuzu não respondeu com palavras. Ele avançou, sua mão grande e calejada agarrando o pescoço de Hidan com uma força bruta, prensando-o contra a rocha fria. Seus olhos verdes brilhavam com uma luxúria sombria e perigosa.

— Cale a boca, Hidan — rosnou Kakuzu, a voz mais rouca que o normal. — Se você disser mais uma palavra sobre o seu deus, eu vou garantir que você não consiga gritar o nome dele por uma semana.

Hidan soltou uma risada ruidosa, embora o aperto em seu pescoço dificultasse a respiração. Ele adorava a dor, e a brutalidade de Kakuzu sempre fora o seu maior vício.

— Então me faça calar, seu bastardo ganancioso. Use esse seu corpo de monstro e me mostre o que esse jutsu fez com você.

Sem mais delongas, Kakuzu rasgou o manto de Hidan com um movimento violento. O contraste entre a pele pálida do imortal de Jashin e as mãos escuras e marcadas de Kakuzu era gritante. O tesoureiro não era gentil; ele buscava alívio para a pressão insuportável em seu peito. Seus dedos se cravaram nas coxas de Hidan, enquanto ele o forçava a se ajoelhar, apenas para puxá-lo de volta para um beijo que era mais uma colisão de dentes e línguas do que um gesto de afeto.

Hidan gemia entre os dentes, sentindo a força bruta de Kakuzu dominá-lo. As fibras negras do corpo do mais velho começaram a se desenrolar de seus braços, serpenteando pelo corpo de Hidan, prendendo seus pulsos e tornozelos, elevando a experiência a um nível de possessão absoluta.

— Mais... — implorava Hidan, a voz falhando. — Me quebre, Kakuzu!

Enquanto os sons de impacto e os gritos de Hidan começavam a ecoar pelo corredor, em outra ala da base, a dinâmica era diferente, mas não menos intensa.

Tobi, que até minutos atrás agia como um bobo alegre, agora emanava uma aura de autoridade e perigo que Deidara nunca tinha visto — ou talvez, nunca quisesse admitir que existia. O jutsu afetara Tobi de uma forma peculiar, derretendo a máscara de infantilidade e revelando o predador que habitava sob o tecido alaranjado.

— Tobi... o que você está fazendo? — perguntou Deidara, recuando até bater na mesa onde guardava sua argila. — Pare de me olhar assim, hm! É irritante.

— Deidara-senpai — a voz de Tobi não era mais fina e estridente. Era o tom grave de Obito, profundo e carregado de uma intenção sombria. — Você reclama tanto que eu sou uma criança... mas agora você parece o único aqui que está com medo.

— Medo? Eu vou te explodir, seu idiota! — Deidara tentou alcançar sua bolsa de argila, mas Tobi foi mais rápido. Em um movimento que desafiava a percepção visual, ele agarrou os pulsos de Deidara e os manteve acima da cabeça do loiro.

— A arte é uma explosão, não é? — sussurrou Obito, aproximando o rosto da nuca de Deidara, sentindo o perfume de pólvora e suor. — Vamos ver se você consegue aguentar o calor de uma verdadeira detonação.

Deidara tentou lutar, mas o corpo de Tobi estava rígido como ferro. O jutsu amplificara a força do Uchiha, e a proximidade física estava fazendo o próprio Deidara vacilar. Ele era birrento, odiava perder o controle, mas o modo como Tobi o dominava, com uma mão firme e um olhar que parecia atravessar sua alma através do buraco da máscara, despertava algo que ele tentava enterrar.

— Eu odeio você, hm — murmurou Deidara, embora seu corpo estivesse se inclinando para o toque.

— Eu sei — respondeu Obito, soltando um dos pulsos para deslizar a mão por baixo da camisa de Deidara, encontrando a boca na palma da mão do artista. Ele pressionou o polegar contra a língua faminta daquela mão peculiar. — Agora, mostre-me o quanto você pode gritar.

No silêncio tenso do quarto de Itachi, a atmosfera era de uma agonia contida. O Uchiha prodígio estava sentado no chão, as costas eretas, mas sua respiração estava descompassada. O jutsu o atingira em cheio, e seu corpo, normalmente um templo de disciplina, estava se rebelando. O calor subia por sua espinha, e cada nervo parecia estar em carne viva.

Kisame Hoshigaki, o monstro da Névoa, estava parado à porta, observando seu parceiro. Kisame sempre fora devotado a Itachi, um respeito que beirava a adoração silenciosa. Ver o mestre do Sharingan naquele estado de vulnerabilidade partia seu coração, mas também despertava seus próprios instintos protetores.

— Itachi-san — disse Kisame, sua voz suave, apesar da aparência feroz. — O senhor não precisa passar por isso sozinho. O jutsu... ele exige uma liberação.

Itachi abriu os olhos. O Sharingan estava ativado, girando freneticamente, tentando processar a sobrecarga sensorial.

— Kisame... — a voz de Itachi era um sussurro quebrado. — Vá embora. Eu não quero... perder o controle diante de você.

Kisame deu um passo à frente, o som de suas sandálias no chão de pedra sendo o único ruído no quarto. Ele se ajoelhou na frente de Itachi, sua mão grande e azulada pairando sobre o rosto pálido do Uchiha, esperando por uma permissão que não vinha por palavras, mas pelo modo como Itachi inclinou o rosto para buscar o contato.

— Eu sou sua ferramenta, Itachi-san — disse Kisame com uma gentileza infinita. — Sempre fui. Deixe-me cuidar disso para você.

Com uma delicadeza que contrastava com seu tamanho, Kisame começou a despir Itachi. O Uchiha era frio como o gelo por fora, mas por dentro, Kisame sentia o fogo que o consumia. Quando Kisame finalmente o envolveu em seus braços, Itachi soltou um suspiro de alívio que foi quase um soluço.

— Por favor... — pediu Itachi, a frieza finalmente derretendo enquanto ele se escondia no peito largo de Kisame.

Kisame não precisou de mais ordens. Ele começou a beijar o pescoço de Itachi, suas mãos explorando o corpo ágil do parceiro com uma reverência quase religiosa. Itachi, o prodígio silencioso, tornou-se um ser de puro sentimento sob as mãos de Kisame. Seus gemidos eram baixos, contidos, mas carregados de uma necessidade que Kisame estava mais do que disposto a saciar.

Enquanto isso, Sasori, em seu ateliê, batia os dedos de madeira na mesa.

— Kakuzu está sendo desnecessariamente violento — comentou Sasori para uma de suas marionetes inacabadas. — E Deidara... bem, ele sempre foi barulhento, mas esses sons... são diferentes.

Ele se levantou e caminhou até a porta. O corredor estava impregnado com o cheiro de suor, sexo e a energia residual do jutsu. Ele podia ouvir os impactos rítmicos vindos do quarto de Kakuzu, os gritos de protesto de Deidara que rapidamente se transformavam em súplicas, e o murmúrio constante e protetor de Kisame.

Sasori sentiu uma pontada de algo que ele não conseguia identificar. Seria inveja? Não, ele era um objeto de arte, acima das necessidades carnais. Mas o som da vida, daquela vida pulsante e desesperada que emanava de seus companheiros, era um lembrete constante do que ele havia abandonado em sua busca pela perfeição eterna.

De volta ao quarto de Kakuzu, Hidan estava em seu auge. O corpo de Kakuzu era um território de cicatrizes e força, e Hidan estava determinado a marcar cada centímetro dele.

— É isso! — gritava Hidan, com a cabeça jogada para trás, enquanto Kakuzu o possuía com uma intensidade avassaladora. — Me dê tudo o que você acumulou nesses cem anos, seu velho ganancioso!

Kakuzu rosnou, suas mãos apertando os quadris de Hidan com tanta força que certamente deixariam marcas roxas por dias.

— Você nunca fecha a boca — disse Kakuzu, antes de morder o ombro de Hidan, sentindo o gosto metálico do sangue.

— E você nunca gasta nada — retrucou Hidan, ofegante —, mas hoje você está sendo bem generoso, porra!

No quarto de Deidara, a resistência do loiro havia desmoronado completamente. Obito, livre das amarras da encenação de Tobi, mostrava uma faceta dominante que deixava Deidara sem respiração.

— Olhe para mim, Deidara — ordenou Obito, forçando o loiro a encarar o único olho visível por trás da máscara, que agora brilhava com o vermelho do Sharingan. — Diga quem está no controle.

— Você... seu maldito... — Deidara arqueou as costas quando Obito o penetrou com uma estocada profunda. — É você, Tobi... não... Obito... ah!

— Bom garoto — sussurrou Obito, acelerando o ritmo, sentindo as paredes internas de Deidara apertarem-se ao redor dele, em uma harmonia explosiva que nenhum C4 jamais conseguiria replicar.

No quarto de Itachi, a cena era de uma entrega absoluta. Kisame mantinha Itachi em seu colo, como se ele fosse a coisa mais preciosa do mundo. O Uchiha, exausto pela luta contra o jutsu e pela intensidade do prazer que Kisame lhe proporcionava, tinha os olhos fechados, a testa encostada no ombro do parceiro.

— Está tudo bem, Itachi-san — murmurava Kisame, enquanto se movia dentro dele com uma cadência firme e cuidadosa. — Eu estou aqui.

Itachi apertou os ombros de Kisame, suas unhas cravando-se na pele azulada.

— Mais... Kisame... por favor.

A gentileza de Kisame era sua forma de poder. Ele conhecia cada ponto fraco de Itachi, não para feri-lo, mas para elevá-lo. E naquela noite, sob o efeito do feitiço, o mestre e o servo tornaram-se um só, em uma dança de sombras e sussurros que preenchia o quarto.

As horas passaram, e a névoa rosada começou a se dissipar, deixando para trás uma base mergulhada em um silêncio exausto. O jutsu havia perdido sua força, mas as conexões estabelecidas ou reforçadas naquela noite permaneceriam.

Sasori finalmente fechou os olhos de sua marionete principal e sentou-se em sua cadeira. O silêncio havia retornado, mas era um silêncio diferente. Não era mais o vazio da morte, mas o repouso após a tempestade.

— Finalmente — disse Sasori, embora, no fundo de seu núcleo de marionete, ele soubesse que os ecos daqueles gemidos ainda ecoariam em sua memória estática por muito tempo.

No corredor, o cheiro de incenso e suor pairava, um testemunho silencioso de que, mesmo para os criminosos mais perigosos do mundo, a carne ainda tinha suas exigências, e o desejo, uma vez libertado, era a arte mais explosiva de todas.
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