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Taekookmin
Fandom: Bts, Taekookmin
Criado: 05/07/2026
Tags
RomanceDramaDor/ConfortoFofuraHistória DomésticaCiúmesFatias de VidaAngústiaConserto
O Silêncio que Grita
O relógio de parede na sala de estar marcava duas da tarde, mas para Taehyung e Jungkook, o tempo parecia ter parado dentro das telas de 27 polegadas à frente deles. O som frenético de cliques de mouse e as teclas mecânicas sendo golpeadas com precisão eram a única trilha sonora do apartamento. Eles estavam no meio de uma partida intensa, as vozes abafadas pelos fones de ouvido de última geração enquanto coordenavam ataques e estratégias.
Jimin estava sentada no sofá, a poucos metros de distância, observando-os. Ela já tinha tentado de tudo. Primeiro, sugeriu um almoço fora para aproveitar o raríssimo dia de folga dos dois. Depois, pediu apenas que assistissem a um filme juntos. A resposta fora sempre a mesma: "Só mais dez minutos, Minnie", "Espera só essa rodada terminar, pequena".
O problema era que os dez minutos haviam se transformado em três horas.
Ela se levantou, caminhando lentamente até o espaço que eles chamavam de "caverna gamer". Jimin usava uma camiseta larga de Taehyung que batia no meio de suas coxas, deixando suas pernas expostas. Ela se aproximou por trás da cadeira de Jungkook, inclinando-se para que seus cabelos roçassem o pescoço dele, e sussurrou perto do seu ouvido, ignorando o microfone do headset.
— Kookie... eu estou com fome. Você disse que íamos pedir algo.
Jungkook nem desviou os olhos do monitor. Sua mão direita se movia com uma rapidez impressionante.
— Já vou, Jimin. Só mais um pouco, estamos na final da partida. Pede algo pelo aplicativo, meu cartão está na carteira.
Jimin bufou, sentindo a irritação crescer. Ela deu a volta e parou ao lado de Taehyung. Ele parecia ainda mais imerso. Ela deslizou a mão pelo ombro dele, descendo pelo peito, sentindo os músculos tensos pela concentração. Taehyung soltou um suspiro pesado, mas foi um suspiro de frustração com o jogo, não de desejo.
— Tae... — ela murmurou, a voz carregada de uma doçura perigosa. — Olha para mim.
— Agora não dá, boneca — Taehyung respondeu, a voz rouca e focada. — O Jungkook vai morrer se eu não der cobertura. Espera um pouquinho, tá? Prometo que depois sou todo seu.
Aquele "um pouquinho" foi a gota d'água. Jimin se afastou, os olhos expressivos agora brilhando com uma mistura de mágoa e teimosia. Ela não era do tipo que implorava por atenção, e se eles achavam que ela ficaria ali, disponível e pacientemente esperando como um troféu na prateleira, estavam muito enganados.
— Tudo bem — ela disse em voz baixa, embora soubesse que eles mal a ouviam. — Aproveitem o jogo.
Ela caminhou até o quarto em silêncio. O plano de provocá-los fisicamente tinha falhado diante da adrenalina virtual, então ela mudaria de tática. Jimin tomou um banho demorado, cuidando de cada detalhe. Passou o hidratante que Taehyung adorava, aquele com cheiro de baunilha e flores, e escolheu sua melhor lingerie preta, por puro princípio, antes de vestir um vestido justo de seda azul-marinho que realçava todas as suas curvas.
Maquiou-se com cuidado, destacando os lábios com um gloss rosado e os olhos com um delineado gatinho impecável. Ela parecia uma obra de arte pronta para ser admirada, mas não seria por eles.
Pegou o celular e mandou uma mensagem rápida no grupo com suas amigas: "Noite das garotas? Preciso sair." A resposta foi imediata e entusiasmada.
Antes de sair, ela passou pela sala uma última vez. Taehyung e Jungkook ainda estavam na mesma posição, embora o clima parecesse um pouco mais relaxado, indicando que a partida tensa havia acabado e eles provavelmente tinham começado outra.
— Estou saindo — ela anunciou, a voz firme.
Jungkook girou a cadeira levemente, mas seus olhos ainda voltavam para a tela de carregamento. Ele a olhou de cima a baixo, um brilho de surpresa cruzando suas feições ao ver como ela estava arrumada.
— Vai a algum lugar? — ele perguntou, franzindo o cenho.
— Vou sair — ela respondeu de forma simples, pegando a bolsa e as chaves.
— Com quem? — Taehyung se manifestou, finalmente tirando os fones e deixando-os pendurados no pescoço. O olhar dele era intenso, analisando o vestido curto e o brilho na pele dela. — Você não disse que ia sair.
— Eu tentei falar com vocês a tarde toda — Jimin deu um sorriso frio, aquele que costumava desarmar os dois. — Mas vocês estavam muito ocupados com o "um pouquinho". Agora meu "um pouquinho" acabou.
— Jimin, espera — Taehyung começou a se levantar, mas o som de um novo início de rodada apitou no computador.
— Não me esperem acordados — ela disse, já abrindo a porta da frente.
— Que horas você volta? — Jungkook perguntou, a voz agora carregada de uma autoridade que Jimin decidiu ignorar completamente.
— Quando eu cansar.
A porta se fechou com um estalo seco, deixando um silêncio desconfortável para trás.
No início, os dois tentaram voltar ao jogo. Afinal, Jimin era independente e eles estavam em seu dia de folga. Mas o foco havia sumido. O cheiro do perfume dela ainda pairava no ar da sala, e a imagem dela naquele vestido azul não saía da mente de Taehyung.
— Ela parecia brava — Jungkook comentou depois de dez minutos de silêncio total, o personagem dele parado no meio do mapa virtual.
— Ela estava brava — Taehyung corrigiu, empurrando o teclado para longe. — E nós fomos dois idiotas.
— Ela volta logo. Ela sempre avisa onde está.
Mas o relógio continuou girando. Nove da noite. Dez da noite. Onze da noite.
Eles tentaram ligar. Jimin não atendeu. Mandaram mensagens. Visualizadas, mas não respondidas. O rastreador do celular dela? Desativado. Aquilo era proposital, e os dois sabiam disso. Jimin conhecia os pontos fracos deles e estava apertando cada um deles com precisão cirúrgica.
— Eu vou acabar com esse computador — Jungkook rosnou, andando de um lado para o outro na sala, a ansiedade corroendo sua postura firme. — Onde ela pode estar?
— Ela disse que ia sair. Conhecendo a Jimin, ela deve estar em algum barzinho ou balada com as meninas — Taehyung estava sentado no sofá, os dedos entrelaçados, a perna balançando freneticamente. — E nós demos todos os motivos para ela querer se distrair longe da gente.
— Ela não atende a p**** do telefone, Tae!
— Porque ela quer que a gente sinta exatamente o que ela sentiu a tarde toda. Invisível.
A meia-noite chegou e o apartamento parecia grande demais, frio demais sem a risada dela ou a forma como ela se aninhava entre eles no sofá. A culpa era um peso físico. Eles tinham o mundo aos seus pés, mas tinham ignorado o que era mais precioso por causa de uma tela.
Quando o relógio marcou uma da manhã, o som da chave girando na fechadura soou como um tiro no silêncio do apartamento.
Taehyung e Jungkook se levantaram instantaneamente.
Jimin entrou devagar. Ela carregava os saltos em uma das mãos, os cabelos levemente bagunçados e um sorriso pequeno e satisfeito nos lábios. Ela parecia radiante, exalando uma liberdade que fez o estômago de Jungkook dar um nó de ciúmes e alívio.
— Você tem noção de que horas são? — Jungkook deu um passo à frente, sua voz saindo mais dura do que pretendia por causa do nervosismo.
Jimin nem piscou. Ela caminhou até o aparador, colocou as chaves e a bolsa lá e finalmente olhou para eles.
— Sei exatamente que horas são, Jungkook. São uma da manhã. Por quê? O jogo ainda não acabou?
Taehyung se aproximou, sua presença mais suave, mas seus olhos queimando com uma intensidade possessiva. Ele parou a poucos centímetros dela, sentindo o leve cheiro de vinho misturado ao perfume de baunilha.
— Ficamos preocupados, Minnie. Você não atendeu as ligações. Não disse onde estava. Isso não se faz.
— Ah, agora vocês se importam com a comunicação? — Jimin riu, um som curto e sem humor. Ela cruzou os braços, encarando os dois. — Passei quatro horas tentando ter cinco minutos de atenção de vocês. Eu me arrumei, eu provoquei, eu pedi... e vocês nem sequer olharam para o meu rosto.
— Estávamos no meio de algo, você sabe como é... — Jungkook tentou se justificar, mas a voz fraquejou sob o olhar dela.
— Eu sei exatamente como é — ela o interrompeu. — É por isso que eu decidi que também estaria "no meio de algo" esta noite. Saí, dancei, bebi com minhas amigas e me diverti muito. Foi ótimo ser notada por pessoas que realmente olham quando eu falo.
O rosto de Taehyung se contraiu. A ideia de outros homens olhando para a Jimin naquele vestido, enquanto eles estavam hipnotizados por pixels, era insuportável.
— Jimin... — Taehyung murmurou, estendendo a mão para tocar o rosto dela, mas ela recuou um passo.
— Não. Agora eu estou cansada. Vou dormir.
Ela tentou passar por eles, mas Jungkook foi mais rápido, bloqueando o caminho com seu corpo robusto. Ele a segurou pela cintura, não com força, mas com uma firmeza que dizia que ele não a deixaria ir a lugar nenhum até que resolvessem aquilo.
— Me solta, Jungkook. Vai jogar.
— Chega de jogo, Jimin — ele disse, a voz baixa e vibrante contra a pele dela. — Você ganhou. Estamos aqui agora. Estamos olhando para você.
— Tarde demais para hoje, não acham? — ela desafiou, embora seu coração tivesse acelerado com a proximidade dele.
Taehyung se aproximou por trás, envolvendo-a em um abraço apertado, enterrando o rosto na curva do pescoço dela.
— Desculpa, pequena — ele sussurrou, a voz carregada de sinceridade. — Fomos idiotas. O dia de folga era para ser seu, e nós desperdiçamos. Mas por favor, não sai mais assim sem avisar. Eu quase enlouqueci imaginando onde você estava.
Jimin sentiu a resistência começar a derreter. Ela conhecia aquele tom de voz de Taehyung; era o tom que ele usava quando estava genuinamente arrependido. E o aperto de Jungkook em sua cintura mostrava o quanto ele estava afetado.
— Vocês me deixaram muito triste — ela admitiu, a voz ficando pequena. — Eu só queria ficar com vocês.
Jungkook suspirou, encostando a testa na dela.
— Eu sei. E eu prometo que o computador nem vai ser ligado amanhã. Ou depois. Ou até você cansar da gente.
— É uma promessa perigosa — Jimin murmurou, finalmente relaxando o corpo contra o dele.
— É uma promessa que pretendemos cumprir — Taehyung disse, deixando um beijo úmido atrás da orelha dela, o que a fez estremecer. — Mas agora que você chegou... e está tão linda nesse vestido... você não acha que nos deve uma punição por termos sido tão negligentes?
Jimin inclinou a cabeça para trás, encontrando o olhar provocador de Taehyung e o olhar faminto de Jungkook. A raiva tinha se dissipado, substituída por aquela tensão familiar e elétrica que sempre existia entre os três.
— Uma punição? — ela sorriu, seus olhos brilhando com malícia. — Eu estava pensando em deixar vocês dormirem no sofá.
— Você não seria tão cruel — Jungkook murmurou, descendo as mãos para as coxas dela, puxando-a para mais perto. — Especialmente quando estamos tão ansiosos para compensar o tempo perdido.
Jimin olhou de um para o outro. Ela tinha conseguido o que queria: a atenção absoluta e total dos dois homens que amava.
— Tudo bem — ela cedeu, passando os braços pelo pescoço de Jungkook enquanto sentia as mãos de Taehyung começarem a abrir o zíper de seu vestido. — Mas se eu ouvir um único clique de mouse nas próximas quarenta e oito horas... eu saio de novo e não volto às uma. Volto às sete.
— Entendido, senhora — Taehyung riu contra a pele dela, pegando-a no colo com facilidade. — Sem jogos. Apenas você.
Enquanto a carregavam para o quarto, Jimin soube que, embora tivesse passado a noite fora, o lugar dela era exatamente ali, entre a intensidade de Jungkook e o fogo de Taehyung. E, da próxima vez, eles pensariam duas vezes antes de dizer "espera um pouquinho".
Jimin estava sentada no sofá, a poucos metros de distância, observando-os. Ela já tinha tentado de tudo. Primeiro, sugeriu um almoço fora para aproveitar o raríssimo dia de folga dos dois. Depois, pediu apenas que assistissem a um filme juntos. A resposta fora sempre a mesma: "Só mais dez minutos, Minnie", "Espera só essa rodada terminar, pequena".
O problema era que os dez minutos haviam se transformado em três horas.
Ela se levantou, caminhando lentamente até o espaço que eles chamavam de "caverna gamer". Jimin usava uma camiseta larga de Taehyung que batia no meio de suas coxas, deixando suas pernas expostas. Ela se aproximou por trás da cadeira de Jungkook, inclinando-se para que seus cabelos roçassem o pescoço dele, e sussurrou perto do seu ouvido, ignorando o microfone do headset.
— Kookie... eu estou com fome. Você disse que íamos pedir algo.
Jungkook nem desviou os olhos do monitor. Sua mão direita se movia com uma rapidez impressionante.
— Já vou, Jimin. Só mais um pouco, estamos na final da partida. Pede algo pelo aplicativo, meu cartão está na carteira.
Jimin bufou, sentindo a irritação crescer. Ela deu a volta e parou ao lado de Taehyung. Ele parecia ainda mais imerso. Ela deslizou a mão pelo ombro dele, descendo pelo peito, sentindo os músculos tensos pela concentração. Taehyung soltou um suspiro pesado, mas foi um suspiro de frustração com o jogo, não de desejo.
— Tae... — ela murmurou, a voz carregada de uma doçura perigosa. — Olha para mim.
— Agora não dá, boneca — Taehyung respondeu, a voz rouca e focada. — O Jungkook vai morrer se eu não der cobertura. Espera um pouquinho, tá? Prometo que depois sou todo seu.
Aquele "um pouquinho" foi a gota d'água. Jimin se afastou, os olhos expressivos agora brilhando com uma mistura de mágoa e teimosia. Ela não era do tipo que implorava por atenção, e se eles achavam que ela ficaria ali, disponível e pacientemente esperando como um troféu na prateleira, estavam muito enganados.
— Tudo bem — ela disse em voz baixa, embora soubesse que eles mal a ouviam. — Aproveitem o jogo.
Ela caminhou até o quarto em silêncio. O plano de provocá-los fisicamente tinha falhado diante da adrenalina virtual, então ela mudaria de tática. Jimin tomou um banho demorado, cuidando de cada detalhe. Passou o hidratante que Taehyung adorava, aquele com cheiro de baunilha e flores, e escolheu sua melhor lingerie preta, por puro princípio, antes de vestir um vestido justo de seda azul-marinho que realçava todas as suas curvas.
Maquiou-se com cuidado, destacando os lábios com um gloss rosado e os olhos com um delineado gatinho impecável. Ela parecia uma obra de arte pronta para ser admirada, mas não seria por eles.
Pegou o celular e mandou uma mensagem rápida no grupo com suas amigas: "Noite das garotas? Preciso sair." A resposta foi imediata e entusiasmada.
Antes de sair, ela passou pela sala uma última vez. Taehyung e Jungkook ainda estavam na mesma posição, embora o clima parecesse um pouco mais relaxado, indicando que a partida tensa havia acabado e eles provavelmente tinham começado outra.
— Estou saindo — ela anunciou, a voz firme.
Jungkook girou a cadeira levemente, mas seus olhos ainda voltavam para a tela de carregamento. Ele a olhou de cima a baixo, um brilho de surpresa cruzando suas feições ao ver como ela estava arrumada.
— Vai a algum lugar? — ele perguntou, franzindo o cenho.
— Vou sair — ela respondeu de forma simples, pegando a bolsa e as chaves.
— Com quem? — Taehyung se manifestou, finalmente tirando os fones e deixando-os pendurados no pescoço. O olhar dele era intenso, analisando o vestido curto e o brilho na pele dela. — Você não disse que ia sair.
— Eu tentei falar com vocês a tarde toda — Jimin deu um sorriso frio, aquele que costumava desarmar os dois. — Mas vocês estavam muito ocupados com o "um pouquinho". Agora meu "um pouquinho" acabou.
— Jimin, espera — Taehyung começou a se levantar, mas o som de um novo início de rodada apitou no computador.
— Não me esperem acordados — ela disse, já abrindo a porta da frente.
— Que horas você volta? — Jungkook perguntou, a voz agora carregada de uma autoridade que Jimin decidiu ignorar completamente.
— Quando eu cansar.
A porta se fechou com um estalo seco, deixando um silêncio desconfortável para trás.
No início, os dois tentaram voltar ao jogo. Afinal, Jimin era independente e eles estavam em seu dia de folga. Mas o foco havia sumido. O cheiro do perfume dela ainda pairava no ar da sala, e a imagem dela naquele vestido azul não saía da mente de Taehyung.
— Ela parecia brava — Jungkook comentou depois de dez minutos de silêncio total, o personagem dele parado no meio do mapa virtual.
— Ela estava brava — Taehyung corrigiu, empurrando o teclado para longe. — E nós fomos dois idiotas.
— Ela volta logo. Ela sempre avisa onde está.
Mas o relógio continuou girando. Nove da noite. Dez da noite. Onze da noite.
Eles tentaram ligar. Jimin não atendeu. Mandaram mensagens. Visualizadas, mas não respondidas. O rastreador do celular dela? Desativado. Aquilo era proposital, e os dois sabiam disso. Jimin conhecia os pontos fracos deles e estava apertando cada um deles com precisão cirúrgica.
— Eu vou acabar com esse computador — Jungkook rosnou, andando de um lado para o outro na sala, a ansiedade corroendo sua postura firme. — Onde ela pode estar?
— Ela disse que ia sair. Conhecendo a Jimin, ela deve estar em algum barzinho ou balada com as meninas — Taehyung estava sentado no sofá, os dedos entrelaçados, a perna balançando freneticamente. — E nós demos todos os motivos para ela querer se distrair longe da gente.
— Ela não atende a p**** do telefone, Tae!
— Porque ela quer que a gente sinta exatamente o que ela sentiu a tarde toda. Invisível.
A meia-noite chegou e o apartamento parecia grande demais, frio demais sem a risada dela ou a forma como ela se aninhava entre eles no sofá. A culpa era um peso físico. Eles tinham o mundo aos seus pés, mas tinham ignorado o que era mais precioso por causa de uma tela.
Quando o relógio marcou uma da manhã, o som da chave girando na fechadura soou como um tiro no silêncio do apartamento.
Taehyung e Jungkook se levantaram instantaneamente.
Jimin entrou devagar. Ela carregava os saltos em uma das mãos, os cabelos levemente bagunçados e um sorriso pequeno e satisfeito nos lábios. Ela parecia radiante, exalando uma liberdade que fez o estômago de Jungkook dar um nó de ciúmes e alívio.
— Você tem noção de que horas são? — Jungkook deu um passo à frente, sua voz saindo mais dura do que pretendia por causa do nervosismo.
Jimin nem piscou. Ela caminhou até o aparador, colocou as chaves e a bolsa lá e finalmente olhou para eles.
— Sei exatamente que horas são, Jungkook. São uma da manhã. Por quê? O jogo ainda não acabou?
Taehyung se aproximou, sua presença mais suave, mas seus olhos queimando com uma intensidade possessiva. Ele parou a poucos centímetros dela, sentindo o leve cheiro de vinho misturado ao perfume de baunilha.
— Ficamos preocupados, Minnie. Você não atendeu as ligações. Não disse onde estava. Isso não se faz.
— Ah, agora vocês se importam com a comunicação? — Jimin riu, um som curto e sem humor. Ela cruzou os braços, encarando os dois. — Passei quatro horas tentando ter cinco minutos de atenção de vocês. Eu me arrumei, eu provoquei, eu pedi... e vocês nem sequer olharam para o meu rosto.
— Estávamos no meio de algo, você sabe como é... — Jungkook tentou se justificar, mas a voz fraquejou sob o olhar dela.
— Eu sei exatamente como é — ela o interrompeu. — É por isso que eu decidi que também estaria "no meio de algo" esta noite. Saí, dancei, bebi com minhas amigas e me diverti muito. Foi ótimo ser notada por pessoas que realmente olham quando eu falo.
O rosto de Taehyung se contraiu. A ideia de outros homens olhando para a Jimin naquele vestido, enquanto eles estavam hipnotizados por pixels, era insuportável.
— Jimin... — Taehyung murmurou, estendendo a mão para tocar o rosto dela, mas ela recuou um passo.
— Não. Agora eu estou cansada. Vou dormir.
Ela tentou passar por eles, mas Jungkook foi mais rápido, bloqueando o caminho com seu corpo robusto. Ele a segurou pela cintura, não com força, mas com uma firmeza que dizia que ele não a deixaria ir a lugar nenhum até que resolvessem aquilo.
— Me solta, Jungkook. Vai jogar.
— Chega de jogo, Jimin — ele disse, a voz baixa e vibrante contra a pele dela. — Você ganhou. Estamos aqui agora. Estamos olhando para você.
— Tarde demais para hoje, não acham? — ela desafiou, embora seu coração tivesse acelerado com a proximidade dele.
Taehyung se aproximou por trás, envolvendo-a em um abraço apertado, enterrando o rosto na curva do pescoço dela.
— Desculpa, pequena — ele sussurrou, a voz carregada de sinceridade. — Fomos idiotas. O dia de folga era para ser seu, e nós desperdiçamos. Mas por favor, não sai mais assim sem avisar. Eu quase enlouqueci imaginando onde você estava.
Jimin sentiu a resistência começar a derreter. Ela conhecia aquele tom de voz de Taehyung; era o tom que ele usava quando estava genuinamente arrependido. E o aperto de Jungkook em sua cintura mostrava o quanto ele estava afetado.
— Vocês me deixaram muito triste — ela admitiu, a voz ficando pequena. — Eu só queria ficar com vocês.
Jungkook suspirou, encostando a testa na dela.
— Eu sei. E eu prometo que o computador nem vai ser ligado amanhã. Ou depois. Ou até você cansar da gente.
— É uma promessa perigosa — Jimin murmurou, finalmente relaxando o corpo contra o dele.
— É uma promessa que pretendemos cumprir — Taehyung disse, deixando um beijo úmido atrás da orelha dela, o que a fez estremecer. — Mas agora que você chegou... e está tão linda nesse vestido... você não acha que nos deve uma punição por termos sido tão negligentes?
Jimin inclinou a cabeça para trás, encontrando o olhar provocador de Taehyung e o olhar faminto de Jungkook. A raiva tinha se dissipado, substituída por aquela tensão familiar e elétrica que sempre existia entre os três.
— Uma punição? — ela sorriu, seus olhos brilhando com malícia. — Eu estava pensando em deixar vocês dormirem no sofá.
— Você não seria tão cruel — Jungkook murmurou, descendo as mãos para as coxas dela, puxando-a para mais perto. — Especialmente quando estamos tão ansiosos para compensar o tempo perdido.
Jimin olhou de um para o outro. Ela tinha conseguido o que queria: a atenção absoluta e total dos dois homens que amava.
— Tudo bem — ela cedeu, passando os braços pelo pescoço de Jungkook enquanto sentia as mãos de Taehyung começarem a abrir o zíper de seu vestido. — Mas se eu ouvir um único clique de mouse nas próximas quarenta e oito horas... eu saio de novo e não volto às uma. Volto às sete.
— Entendido, senhora — Taehyung riu contra a pele dela, pegando-a no colo com facilidade. — Sem jogos. Apenas você.
Enquanto a carregavam para o quarto, Jimin soube que, embora tivesse passado a noite fora, o lugar dela era exatamente ali, entre a intensidade de Jungkook e o fogo de Taehyung. E, da próxima vez, eles pensariam duas vezes antes de dizer "espera um pouquinho".
