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O santo de branco
Fandom: trash of the count’s family
Criado: 05/07/2026
Tags
Isekai / Fantasia PortalFantasiaDor/ConfortoOmegaversoDramaAventuraFatias de VidaHistória DomésticaConserto
O Despertar da Neve sob o Olhar da Vida
A sensação de ser carregado por Elizabeth era algo que Eliã não conseguia processar completamente. Em sua vida anterior, o contato físico era sinônimo de dor: o impacto de um punho, o empurrão contra o concreto ou o aperto frio da solidão. Mas aqui, nos braços dessa mulher que cheirava a lavanda e terra molhada, o toque era suave, como se ele fosse feito de vidro soprado prestes a se quebrar.
— Está tudo bem agora, meu pequeno floco de neve — sussurrou ela, enquanto subiam a pequena colina em direção a uma cabana de madeira rústica, cercada por flores que pareciam brilhar com luz própria. — A mamãe está aqui. Você nunca mais vai se perder naquela floresta.
Eliã encostou a cabeça no ombro dela. O corpo de sete anos era leve, e a exaustão da transição dimensional finalmente começou a pesar. Ele observava a vila ao longe; era um lugar que parecia saído de um livro de contos de fadas, com chaminés soltando fumaça cinzenta e crianças correndo por campos que não conheciam a poluição das cidades industriais.
Ao entrarem na casa, o calor de uma lareira acesa o envolveu. Elizabeth o colocou sobre uma poltrona macia perto do fogo e correu para buscar uma manta.
— Você deve estar com fome. Vou preparar uma sopa e um chá de ervas para aquecer seu núcleo de mana — disse ela, movendo-se com uma agilidade graciosa.
Eliã apenas observava, os olhos azuis cristalinos acompanhando cada movimento. Ele ainda não tinha dito uma única palavra. O medo de que sua voz soasse errada, ou de que aquele sonho se desfizesse ao primeiro som, o mantinha em silêncio.
— Por que você está me olhando assim, querido? — perguntou Elizabeth, ajoelhando-se à frente dele com uma tigela fumegante.
Eliã hesitou, seus pequenos dedos apertando a manta. Ele olhou para a mulher — ela tinha cabelos castanhos claros e olhos que transbordavam uma bondade que ele nunca julgou existir.
— Você... — a voz dele saiu fina e trêmula, estranha aos seus próprios ouvidos — ... realmente estava me procurando?
Elizabeth parou por um segundo, e uma expressão de dor profunda cruzou seu rosto antes de ser substituída por um sorriso acolhedor. Ela tocou a bochecha dele com as costas da mão.
— Por três dias e três noites, Eliã. Eu não descansei um segundo sequer. Você é o meu tesouro mais precioso. Nunca duvide disso.
Aquelas palavras perfuraram a última barreira de cinismo que restava em sua alma de dezessete anos, agora presa em um corpo de criança. Ele sentiu uma lágrima quente escorrer, seguida por outra. Elizabeth o puxou para um abraço apertado, e pela primeira vez, Eliã não recuou. Ele chorou o que não havia chorado em toda a sua vida anterior. Chorou pelo asfalto frio, pela fome, pelas brigas e pelo vazio.
***
As semanas que se seguiram foram um borrão de aprendizado e adaptação. O "Sistema de Renascimento" permanecia visível apenas para ele, flutuando como uma interface silenciosa sempre que ele desejava.
Eliã descobriu que o mundo onde estava não era apenas "mágico", era perigoso e vasto. Ele estava no Continente Ocidental, um lugar que, segundo as memórias que o sistema ocasionalmente desbloqueava, seria o palco de guerras devastadoras em algumas décadas.
— Eliã, tente se concentrar no fluxo da água — disse Elizabeth em uma manhã ensolarada, à beira de um riacho cristalino nos limites da vila.
Ela era uma curandeira habilidosa e conhecia os fundamentos da magia, embora parecesse surpresa com a afinidade natural do filho. Eliã estendeu a mãozinha em direção à água. Ele fechou os olhos e sentiu a vibração do líquido. Não era como comandar um objeto; era como pedir a um amigo que dançasse.
Uma esfera de água se elevou do riacho, girando no ar com uma clareza absoluta.
— Incrível... — murmurou Elizabeth, maravilhada. — Você nem precisou de um encantamento. Sua conexão com os elementos é... pura.
— Ela parece querer me obedecer — disse Eliã, observando a esfera se transformar em um pequeno pássaro de cristal líquido antes de desmanchar de volta no rio.
— Isso é porque você tem o sangue da Deusa da Vida correndo em suas veias, meu amor — Elizabeth sentou-se ao lado dele na grama. — Mas escute bem. O mundo lá fora pode ser cruel com aqueles que possuem dons tão grandes. Prometa-me que será cuidadoso.
— Eu prometo — respondeu ele, seriamente.
Ele sabia do que ela estava falando. O aviso do sistema sobre a aldeia de Choi Han e a chegada de Kim Rok Soo ecoava em sua mente. Ele tinha quase vinte e três anos antes que o caos real começasse. Vinte e três anos para se tornar forte o suficiente para proteger aquela mulher que o chamava de "floco de neve".
***
Certa tarde, enquanto explorava os arredores da vila, Eliã sentiu uma pulsação estranha em seu peito. Era como se a terra estivesse sussurrando. Ele seguiu o sentimento até uma clareira escondida por salgueiros chorões.
No centro da clareira, uma flor de pétalas negras e miolo dourado parecia murchar, exalando uma fumaça escura que matava a grama ao redor.
— Magia hostil — murmurou Eliã, lembrando-se das descrições do sistema.
Ele se aproximou cautelosamente. O sistema brilhou diante de seus olhos:
[⚠️ ALERTA: Resíduo de Maldição Detectado. Deseja utilizar MAGIA DE PURIFICAÇÃO Nível 1?]
Eliã tocou a pétala negra. No momento do contato, uma dor aguda disparou por seu braço, mas ele não recuou. Ele se lembrou da sensação de paz que sentiu quando aceitou a nova vida. Ele queria que aquele mundo permanecesse bonito.
— Limpe... — sussurrou ele.
Uma luz branca e pura emanou de suas mãos, colidindo com a fumaça escura. A purificação não foi um esforço físico, mas emocional. Ele despejou sua vontade de viver, sua gratidão por Elizabeth, na magia. Com um estalo suave, a fumaça se dissipou e a flor negra tornou-se branca como o cabelo de Eliã.
— Você é muito jovem para carregar tanto poder, pequeno mestre.
Eliã deu um pulo para trás, seu coração batendo forte. Um homem idoso, vestido com roupas de caçador, mas com olhos que brilhavam com uma sabedoria milenar, observava-o de cima de um tronco caído.
— Quem é você? — perguntou Eliã, tentando manter a voz firme apesar do tremor nas mãos.
— Apenas um observador — disse o velho, descendo do tronco com uma leveza sobrenatural. — Mas você... você cheira a destino e a orvalho matinal. Um Ômega Dominante com o sangue da Vida? O equilíbrio deste mundo vai tremer sob seus pés.
— Eu não quero fazer nada tremer — rebateu Eliã. — Eu só quero viver em paz.
O velho soltou uma gargalhada rouca, mas não hostil.
— Paz é a coisa mais difícil de se manter neste mundo, criança. Especialmente quando se é um ímã para o caos. Diga-me, você sabe quem é o Conde Henituse?
Eliã franziu a testa. O nome soava familiar, vagamente ligado às memórias do sistema sobre o futuro.
— Já ouvi falar. Por quê?
— Porque o destino tem uma maneira engraçada de entrelaçar fios — o velho começou a caminhar em direção à floresta profunda. — Prepare-se, pequeno floco de neve. O tempo de brincar no jardim da sua mãe passará mais rápido do que você imagina.
Eliã ficou parado, observando o homem desaparecer entre as árvores. Ele olhou para suas mãos, que ainda brilhavam levemente com o resquício da purificação.
***
Ao voltar para casa naquela noite, Eliã encontrou Elizabeth preparando o jantar. O clima estava aconchegante, mas ele sentia uma urgência crescendo dentro de si. Ele se sentou à mesa e olhou para a mãe, que servia uma sopa de legumes.
— Mãe, o que acontece no ano 812? — perguntou ele, de repente.
Elizabeth parou com a concha no ar, surpresa pela pergunta específica.
— 812? Ora, isso é daqui a muito tempo, Eliã. Por que a pergunta?
— Eu... eu tive um sonho — mentiu ele, baixando o olhar para a mesa. — Um sonho sobre uma aldeia na floresta e um homem de cabelos negros que perdia tudo.
Elizabeth suspirou e colocou a concha de lado, sentando-se à frente dele. Ela pegou as mãos pequenas de Eliã nas suas.
— Existem profecias, querido. Algumas pessoas nascem com a visão. Se você viu algo assim, pode ser um aviso. Mas lembre-se: o futuro não é uma linha reta escrita em pedra. É um rio. Nós podemos mudar o curso dele se formos fortes o suficiente.
Eliã apertou as mãos dela.
— Eu quero ser forte. Não para lutar, mas para que ninguém que eu amo sofra.
Elizabeth sorriu, mas havia uma sombra de preocupação em seus olhos. Ela sabia que o destino de seu filho não seria comum. Um Ômega Dominante com afinidade máxima em todos os elementos era algo que não se via há séculos. Ele era um milagre, e milagres sempre atraíam olhares cobiçosos.
— Então nós vamos treinar — disse ela com determinação. — Amanhã, começaremos com a magia do fogo. Se você vai ser um floco de neve, será um que nunca derrete.
***
Naquela noite, deitado em sua cama macia sob o luar que entrava pela janela, Eliã chamou o sistema mentalmente.
"Status", pensou ele.
A janela translúcida apareceu.
[👤 DADOS DO USUÁRIO: ELIÃ LIONES]
[📊 NÍVEL 2 (Parabéns! Pela purificação da flor, você subiu de nível)]
[✨ NOVAS HABILIDADES: Escudo de Água - Nível 1]
Ele olhou para a contagem regressiva para a chegada de Kim Rok Soo. Vinte e dois anos. Parecia uma eternidade, mas ele sabia que o tempo no mundo da magia passava de forma diferente.
Ele fechou os olhos, sentindo a energia da natureza ao redor da casa. Ele não era mais o jovem desesperado no telhado de um prédio em ruínas. Ele era Eliã. Ele tinha uma mãe, tinha magia e, pela primeira vez, tinha um futuro que valia a pena proteger.
Longe dali, em um território governado por uma família de sobrenome Henituse, um jovem ruivo de comportamento errático começava a ganhar fama por suas bebedeiras, sem saber que em algum lugar nas montanhas do norte, uma pequena criança de cabelos brancos já estava mudando o destino do mundo, uma gota de água por vez.
Eliã adormeceu com um meio sorriso nos lábios. O frio da chuva de sua vida passada tinha finalmente dado lugar ao calor de um lar verdadeiro. E ele faria qualquer coisa para garantir que aquele fogo nunca se apagasse.
— Está tudo bem agora, meu pequeno floco de neve — sussurrou ela, enquanto subiam a pequena colina em direção a uma cabana de madeira rústica, cercada por flores que pareciam brilhar com luz própria. — A mamãe está aqui. Você nunca mais vai se perder naquela floresta.
Eliã encostou a cabeça no ombro dela. O corpo de sete anos era leve, e a exaustão da transição dimensional finalmente começou a pesar. Ele observava a vila ao longe; era um lugar que parecia saído de um livro de contos de fadas, com chaminés soltando fumaça cinzenta e crianças correndo por campos que não conheciam a poluição das cidades industriais.
Ao entrarem na casa, o calor de uma lareira acesa o envolveu. Elizabeth o colocou sobre uma poltrona macia perto do fogo e correu para buscar uma manta.
— Você deve estar com fome. Vou preparar uma sopa e um chá de ervas para aquecer seu núcleo de mana — disse ela, movendo-se com uma agilidade graciosa.
Eliã apenas observava, os olhos azuis cristalinos acompanhando cada movimento. Ele ainda não tinha dito uma única palavra. O medo de que sua voz soasse errada, ou de que aquele sonho se desfizesse ao primeiro som, o mantinha em silêncio.
— Por que você está me olhando assim, querido? — perguntou Elizabeth, ajoelhando-se à frente dele com uma tigela fumegante.
Eliã hesitou, seus pequenos dedos apertando a manta. Ele olhou para a mulher — ela tinha cabelos castanhos claros e olhos que transbordavam uma bondade que ele nunca julgou existir.
— Você... — a voz dele saiu fina e trêmula, estranha aos seus próprios ouvidos — ... realmente estava me procurando?
Elizabeth parou por um segundo, e uma expressão de dor profunda cruzou seu rosto antes de ser substituída por um sorriso acolhedor. Ela tocou a bochecha dele com as costas da mão.
— Por três dias e três noites, Eliã. Eu não descansei um segundo sequer. Você é o meu tesouro mais precioso. Nunca duvide disso.
Aquelas palavras perfuraram a última barreira de cinismo que restava em sua alma de dezessete anos, agora presa em um corpo de criança. Ele sentiu uma lágrima quente escorrer, seguida por outra. Elizabeth o puxou para um abraço apertado, e pela primeira vez, Eliã não recuou. Ele chorou o que não havia chorado em toda a sua vida anterior. Chorou pelo asfalto frio, pela fome, pelas brigas e pelo vazio.
***
As semanas que se seguiram foram um borrão de aprendizado e adaptação. O "Sistema de Renascimento" permanecia visível apenas para ele, flutuando como uma interface silenciosa sempre que ele desejava.
Eliã descobriu que o mundo onde estava não era apenas "mágico", era perigoso e vasto. Ele estava no Continente Ocidental, um lugar que, segundo as memórias que o sistema ocasionalmente desbloqueava, seria o palco de guerras devastadoras em algumas décadas.
— Eliã, tente se concentrar no fluxo da água — disse Elizabeth em uma manhã ensolarada, à beira de um riacho cristalino nos limites da vila.
Ela era uma curandeira habilidosa e conhecia os fundamentos da magia, embora parecesse surpresa com a afinidade natural do filho. Eliã estendeu a mãozinha em direção à água. Ele fechou os olhos e sentiu a vibração do líquido. Não era como comandar um objeto; era como pedir a um amigo que dançasse.
Uma esfera de água se elevou do riacho, girando no ar com uma clareza absoluta.
— Incrível... — murmurou Elizabeth, maravilhada. — Você nem precisou de um encantamento. Sua conexão com os elementos é... pura.
— Ela parece querer me obedecer — disse Eliã, observando a esfera se transformar em um pequeno pássaro de cristal líquido antes de desmanchar de volta no rio.
— Isso é porque você tem o sangue da Deusa da Vida correndo em suas veias, meu amor — Elizabeth sentou-se ao lado dele na grama. — Mas escute bem. O mundo lá fora pode ser cruel com aqueles que possuem dons tão grandes. Prometa-me que será cuidadoso.
— Eu prometo — respondeu ele, seriamente.
Ele sabia do que ela estava falando. O aviso do sistema sobre a aldeia de Choi Han e a chegada de Kim Rok Soo ecoava em sua mente. Ele tinha quase vinte e três anos antes que o caos real começasse. Vinte e três anos para se tornar forte o suficiente para proteger aquela mulher que o chamava de "floco de neve".
***
Certa tarde, enquanto explorava os arredores da vila, Eliã sentiu uma pulsação estranha em seu peito. Era como se a terra estivesse sussurrando. Ele seguiu o sentimento até uma clareira escondida por salgueiros chorões.
No centro da clareira, uma flor de pétalas negras e miolo dourado parecia murchar, exalando uma fumaça escura que matava a grama ao redor.
— Magia hostil — murmurou Eliã, lembrando-se das descrições do sistema.
Ele se aproximou cautelosamente. O sistema brilhou diante de seus olhos:
[⚠️ ALERTA: Resíduo de Maldição Detectado. Deseja utilizar MAGIA DE PURIFICAÇÃO Nível 1?]
Eliã tocou a pétala negra. No momento do contato, uma dor aguda disparou por seu braço, mas ele não recuou. Ele se lembrou da sensação de paz que sentiu quando aceitou a nova vida. Ele queria que aquele mundo permanecesse bonito.
— Limpe... — sussurrou ele.
Uma luz branca e pura emanou de suas mãos, colidindo com a fumaça escura. A purificação não foi um esforço físico, mas emocional. Ele despejou sua vontade de viver, sua gratidão por Elizabeth, na magia. Com um estalo suave, a fumaça se dissipou e a flor negra tornou-se branca como o cabelo de Eliã.
— Você é muito jovem para carregar tanto poder, pequeno mestre.
Eliã deu um pulo para trás, seu coração batendo forte. Um homem idoso, vestido com roupas de caçador, mas com olhos que brilhavam com uma sabedoria milenar, observava-o de cima de um tronco caído.
— Quem é você? — perguntou Eliã, tentando manter a voz firme apesar do tremor nas mãos.
— Apenas um observador — disse o velho, descendo do tronco com uma leveza sobrenatural. — Mas você... você cheira a destino e a orvalho matinal. Um Ômega Dominante com o sangue da Vida? O equilíbrio deste mundo vai tremer sob seus pés.
— Eu não quero fazer nada tremer — rebateu Eliã. — Eu só quero viver em paz.
O velho soltou uma gargalhada rouca, mas não hostil.
— Paz é a coisa mais difícil de se manter neste mundo, criança. Especialmente quando se é um ímã para o caos. Diga-me, você sabe quem é o Conde Henituse?
Eliã franziu a testa. O nome soava familiar, vagamente ligado às memórias do sistema sobre o futuro.
— Já ouvi falar. Por quê?
— Porque o destino tem uma maneira engraçada de entrelaçar fios — o velho começou a caminhar em direção à floresta profunda. — Prepare-se, pequeno floco de neve. O tempo de brincar no jardim da sua mãe passará mais rápido do que você imagina.
Eliã ficou parado, observando o homem desaparecer entre as árvores. Ele olhou para suas mãos, que ainda brilhavam levemente com o resquício da purificação.
***
Ao voltar para casa naquela noite, Eliã encontrou Elizabeth preparando o jantar. O clima estava aconchegante, mas ele sentia uma urgência crescendo dentro de si. Ele se sentou à mesa e olhou para a mãe, que servia uma sopa de legumes.
— Mãe, o que acontece no ano 812? — perguntou ele, de repente.
Elizabeth parou com a concha no ar, surpresa pela pergunta específica.
— 812? Ora, isso é daqui a muito tempo, Eliã. Por que a pergunta?
— Eu... eu tive um sonho — mentiu ele, baixando o olhar para a mesa. — Um sonho sobre uma aldeia na floresta e um homem de cabelos negros que perdia tudo.
Elizabeth suspirou e colocou a concha de lado, sentando-se à frente dele. Ela pegou as mãos pequenas de Eliã nas suas.
— Existem profecias, querido. Algumas pessoas nascem com a visão. Se você viu algo assim, pode ser um aviso. Mas lembre-se: o futuro não é uma linha reta escrita em pedra. É um rio. Nós podemos mudar o curso dele se formos fortes o suficiente.
Eliã apertou as mãos dela.
— Eu quero ser forte. Não para lutar, mas para que ninguém que eu amo sofra.
Elizabeth sorriu, mas havia uma sombra de preocupação em seus olhos. Ela sabia que o destino de seu filho não seria comum. Um Ômega Dominante com afinidade máxima em todos os elementos era algo que não se via há séculos. Ele era um milagre, e milagres sempre atraíam olhares cobiçosos.
— Então nós vamos treinar — disse ela com determinação. — Amanhã, começaremos com a magia do fogo. Se você vai ser um floco de neve, será um que nunca derrete.
***
Naquela noite, deitado em sua cama macia sob o luar que entrava pela janela, Eliã chamou o sistema mentalmente.
"Status", pensou ele.
A janela translúcida apareceu.
[👤 DADOS DO USUÁRIO: ELIÃ LIONES]
[📊 NÍVEL 2 (Parabéns! Pela purificação da flor, você subiu de nível)]
[✨ NOVAS HABILIDADES: Escudo de Água - Nível 1]
Ele olhou para a contagem regressiva para a chegada de Kim Rok Soo. Vinte e dois anos. Parecia uma eternidade, mas ele sabia que o tempo no mundo da magia passava de forma diferente.
Ele fechou os olhos, sentindo a energia da natureza ao redor da casa. Ele não era mais o jovem desesperado no telhado de um prédio em ruínas. Ele era Eliã. Ele tinha uma mãe, tinha magia e, pela primeira vez, tinha um futuro que valia a pena proteger.
Longe dali, em um território governado por uma família de sobrenome Henituse, um jovem ruivo de comportamento errático começava a ganhar fama por suas bebedeiras, sem saber que em algum lugar nas montanhas do norte, uma pequena criança de cabelos brancos já estava mudando o destino do mundo, uma gota de água por vez.
Eliã adormeceu com um meio sorriso nos lábios. O frio da chuva de sua vida passada tinha finalmente dado lugar ao calor de um lar verdadeiro. E ele faria qualquer coisa para garantir que aquele fogo nunca se apagasse.
