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Um amor inesperado

Fandom: Sem fandom

Criado: 05/07/2026

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Entre Traços, Gols e o Brilho do Luar

O sinal da última aula ecoou pelos corredores do Colégio Saint Claire como um hino de liberdade. Para Camila, aquele som era o gatilho para sua energia transbordante. Ela praticamente saltou da cadeira, ajeitando o coque impecável que o ballet exigia, e começou a guardar os cadernos enquanto falava sem parar com Rafaella.

— Eu juro, Rafa, se o professor de física falasse mais um minuto sobre vetores, eu ia começar a fazer piruetas no meio da sala só para ver se a gravidade me levava para longe! — Camila riu, os olhos castanhos brilhando de empolgação. — Você trouxe as frutas? E o Gabriel disse que o Augusto ia levar aquela torta que você ensinou ele a fazer?

Rafaella deu um sorriso contido, fechando seu caderno de desenhos com cuidado. Ela tinha uma expressão levemente severa, mas que derretia assim que olhava para a amiga.

— Calma, Cami. Respira — Rafaella disse, ajeitando uma mecha de cabelo atrás da orelha. — Eu trouxe tudo. E sim, o Augusto prometeu que a torta não queimou dessa vez. Se ele estragou a receita, eu juro que coloco ele para correr dez voltas extras no campo.

As duas caminharam em direção ao pátio central, onde os rapazes já as esperavam. Gabriel estava encostado em uma árvore, com um bloco de notas no colo, o lápis deslizando suavemente pelo papel, capturando as sombras do ambiente com uma calma invejável. Ao seu lado, Augusto parecia uma mola comprimida, batendo a bola de futebol contra o chão ritmadamente, a braçadeira de capitão ainda presa ao braço musculoso.

— Olha só se não são as mulheres das nossas vidas — Augusto exclamou, abrindo um sorriso largo e carinhoso assim que as viu. Ele largou a bola e envolveu Rafaella em um abraço apertado, tirando-a do chão por um segundo.

— Augusto, me solta, tá todo mundo olhando! — Rafaella reclamou, embora estivesse sorrindo e retribuindo o aperto.

— Deixa olharem, Rafa. Quero que saibam que o capitão tem a namorada mais talentosa da escola — ele murmurou, dando um beijo estalado na bochecha dela.

Enquanto isso, Gabriel se levantou com calma, guardando o lápis atrás da orelha. Ele caminhou até Camila e, sem dizer uma palavra inicial, envolveu a cintura dela, puxando-a para um beijo profundo e intenso. Camila correspondeu com a mesma intensidade, as mãos subindo pelo pescoço dele.

— Oi, meu amor — Gabriel sussurrou contra os lábios dela, os olhos focados nela com uma atenção que sempre a fazia se sentir a única pessoa no mundo. — Pronta para o nosso piquenique?

— Mais do que pronta! — Camila respondeu, a voz vibrante. — Vamos logo, antes que o sol comece a baixar!

O grupo seguiu para um parque próximo à escola, um refúgio de grama baixa e árvores frondosas. Estenderam a toalha xadrez e espalharam as comidas. O clima era de leveza. Entre risadas e as histórias intermináveis de Camila sobre os ensaios de dança, o tempo parecia voar.

— Você desenhou isso hoje? — Augusto perguntou, apontando para o bloco de Gabriel enquanto devorava um pedaço da torta (que, para alívio de Rafaella, estava deliciosa).

— Foi só um esboço — Gabriel respondeu, virando a página para mostrar. Era um desenho de Camila, capturada em um momento de distração, rindo. — A luz estava perfeita nela.

— Ficou maravilhoso, Biel — Rafaella comentou, analisando tecnicamente as sombras. — Você capturou bem a intensidade do olhar dela.

— É porque ele me ama — Camila brincou, jogando um morango em Gabriel, que o pegou no ar com um sorriso de canto.

Conforme a tarde caía e o céu ganhava tons de laranja e púrpura, o grupo começou a se dispersar. O piquenique de amigos chegava ao fim, dando lugar à promessa de uma noite mais íntima para cada casal.

***

No apartamento de Augusto, o clima era de pura energia e romance. Ele não conseguia ficar parado, colocando uma música suave para tocar enquanto ajudava Rafaella a arrumar os materiais de desenho que ela havia levado para lá.

— Sabe, Rafa... — Augusto começou, aproximando-se dela por trás e abraçando sua cintura, apoiando o queixo em seu ombro. — Eu passei o treino todo pensando em como eu queria ficar sozinho com você.

Rafaella virou-se nos braços dele, passando as mãos pelo rosto suado e másculo do namorado. A braveza rotineira dela tinha dado lugar a um desejo latente.

— É mesmo, capitão? — ela provocou, os dedos traçando o contorno dos lábios dele. — Achei que sua única preocupação fosse a final do campeonato.

— Você é o meu troféu, Rafa — ele disse, a voz ficando rouca de desejo. — E eu sou um homem muito competitivo quando se trata de te fazer feliz.

Augusto a pegou no colo com facilidade, levando-a para o quarto. Quando seus corpos atingiram o colchão, a agitação dele se transformou em uma urgência carinhosa. Ele a beijava como se precisasse de seu oxigênio, as mãos explorando cada curva do corpo dela com uma adoração quase religiosa.

— Você é perfeita — ele sussurrou, desfazendo-se das roupas com pressa, mas sem nunca perder o contato visual.

— E você é teimoso — ela respondeu, puxando-o para cima de si —, mas é o meu teimoso favorito.

O encontro deles foi uma explosão de sentidos. Augusto era intenso, seus movimentos ritmados e fortes, refletindo a energia que ele carregava no campo, mas temperados com uma doçura que só Rafaella conhecia. Ela, por sua vez, deixava de lado as defesas, entregando-se ao prazer com gemidos baixos que impulsionavam Augusto a ir cada vez mais fundo, cada vez mais rápido, até que ambos se encontraram em um ápice que os deixou ofegantes e entrelaçados sob os lençóis.

***

Do outro lado da cidade, no refúgio silencioso de Gabriel, o clima era diferente, mas não menos intenso. O estúdio dele estava iluminado apenas por velas, criando sombras dançantes nas paredes cobertas de telas.

Camila estava sentada em um divã, ainda com o collant de ballet por baixo de uma saia transparente, observando Gabriel preparar uma tela em branco.

— Por que está me olhando assim? — ela perguntou, a voz suave, perdendo um pouco da tagarelice habitual diante do olhar profundo dele.

— Estou memorizando você — Gabriel respondeu, aproximando-se com passos lentos e deliberados. — Cada linha, cada movimento. Você é a minha obra-prima, Camila.

Ele se ajoelhou entre as pernas dela, as mãos grandes e calejadas pelo grafite subindo pelas coxas dela com uma lentidão torturante. Gabriel era a calmaria antes da tempestade, uma intensidade que queimava por baixo da pele.

— Biel... — ela suspirou, inclinando a cabeça para trás quando ele começou a beijar seu pescoço.

— Eu quero sentir cada parte sua — ele murmurou, a voz vibrando contra a pele dela. — Quero desenhar o prazer no seu rosto.

Gabriel a despiu com a paciência de um artista diante de uma escultura valiosa. Cada toque era carregado de uma atenção absoluta. Quando ele finalmente se uniu a ela, o ritmo era uma dança coreografada pela paixão. Camila, acostumada com o controle do ballet, entregou o comando a ele, sentindo-se flutuar em cada investida profunda e atenciosa de Gabriel.

— Você é tão linda — ele dizia, olhando-a nos olhos enquanto se movia dentro dela, as mãos entrelaçadas acima da cabeça dela.

— Não para... por favor, Gabriel — ela pedia, a voz falhando enquanto o prazer subia em ondas.

O clímax deles foi lento e avassalador, uma conexão de almas que transcendia o físico. Gabriel a segurou com força, como se temesse que ela pudesse quebrar, enquanto Camila se perdia na intensidade daquele homem que falava pouco, mas sentia tudo.

Horas depois, o silêncio da noite envolvia os dois casais. No apartamento de Augusto, ele e Rafaella dormiam abraçados, o cansaço da agitação transformado em paz. No estúdio de Gabriel, ele fazia um esboço rápido de Camila adormecida, a luz da lua entrando pela janela e banhando a bailarina que havia roubado seu coração.

Eram mundos diferentes, ritmos diferentes, mas unidos pela mesma certeza: aquela noite, entre traços e gols, havia sido apenas o começo de algo eterno.
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