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A traição
Fandom: Maddy/Cassie /euphoria
Criado: 05/07/2026
Tags
RomanceDramaAngústiaDor/ConfortoPsicológicoEstudo de PersonagemCiúmesRealismoHistória Doméstica
O Eco do Silêncio em Paredes de Vidro
A cobertura no centro de Los Angeles era um monumento à ambição de Madeleine Perez. Paredes de vidro do chão ao teto, móveis de design minimalista e uma iluminação indireta que custava mais do que a maioria das pessoas ganhava em um ano. Para o mundo exterior, Maddy era a personificação do sucesso: a CEO que transformou uma startup de cosméticos em um império global em menos de uma década. Por dentro, porém, aquele apartamento parecia um mausoléu de mármore.
Maddy ajustou o relógio de pulso banhado a ouro, os olhos fixos na tela do notebook enquanto o elevador privativo emitia um bipe suave. Eram duas da manhã. Ela não esperava que Cassie estivesse acordada, mas o brilho de uma taça de vinho sobre a mesa de centro indicava que a esposa ainda não havia se recolhido.
— Chegou tarde de novo — a voz de Cassie surgiu do sofá, arrastada, carregada de uma melancolia que Maddy já não sabia mais como curar.
Maddy suspirou, fechando o laptop e massageando as têmporas.
— O lançamento em Paris está exigindo tudo de mim, Cass. Você sabe disso. É por nós. Por tudo o que construímos nesses dez anos.
Cassie se levantou, a camisola de seda deslizando pelo corpo. Ela era uma das influenciadoras mais seguidas do país, o rosto da "vida perfeita", mas seus olhos azuis estavam nublados.
— "Construímos"? — Cassie soltou uma risada amarga. — Você construiu um império, Maddy. Eu construí uma vida de aparências onde eu janto sozinha cinco vezes por semana. Eu sou um acessório na sua agenda, entre uma reunião de conselho e um voo de primeira classe.
— Não comece com isso agora, por favor — Maddy disse, sua voz mantendo aquela frieza profissional que ela usava para fechar negócios. — Eu estou exausta.
Maddy caminhou em direção ao quarto, mas parou ao notar o celular de Cassie sobre o balcão da cozinha. O aparelho vibrou. Uma, duas, três vezes. Notificações de mensagens que não pareciam ser de trabalho ou de fãs. Maddy não era do tipo ciumenta — ela era autoconfiante demais para isso —, mas algo no modo como Cassie correu para pegar o aparelho a fez parar.
— Quem é, a essa hora? — perguntou Maddy, estreitando os olhos.
— Ninguém. Apenas o pessoal da agência sobre o post de amanhã — Cassie respondeu rápido demais, guardando o celular atrás das costas.
O instinto de Maddy, aquele mesmo que a tornara uma predadora no mundo dos negócios, disparou. Ela deu um passo à frente, a presença esmagadora.
— Me dá o telefone, Cassandra.
— Maddy, não seja ridícula. Você nunca pede para ver meu celular.
— E você nunca escondeu ele de mim com as mãos tremendo — Maddy estendeu a mão, a voz agora um sussurro perigoso. — Me dá o telefone. Agora.
O silêncio que se seguiu foi denso. Cassie hesitou, as lágrimas começando a brotar, antes de entregar o aparelho. Ela não tinha bloqueado a tela a tempo.
Maddy rolou as mensagens. Não eram termos técnicos de marketing. Eram fotos. Eram palavras de baixo calão. Eram declarações de desejo de um homem que Maddy reconheceu vagamente como um dos fotógrafos que trabalhava com Cassie. O mundo de Maddy, tão meticulosamente organizado, começou a ruir.
— Há quanto tempo? — Maddy perguntou, a voz estranhamente calma, embora suas mãos estivessem geladas.
— Maddy, por favor... — Cassie começou a soluçar, cobrindo o rosto com as mãos.
— Eu perguntei há quanto tempo, Cassandra! — o grito de Maddy ecoou pelo vidro, fazendo a outra mulher estremecer.
— Três meses — confessou Cassie entre soluços. — Eu me sentia tão sozinha... Você não me vê mais. Você olha para mim e vê uma métrica, um investimento. Ele me ouvia. Ele estava lá quando você estava em Londres, em Tóquio, em Nova York...
Maddy sentiu um gosto amargo de bile na garganta. Dez anos. Elas tinham sobrevivido a crises financeiras, a brigas de família, ao escrutínio público. Mas ela não tinha visto a rachadura crescendo no alicerce de sua própria casa.
— Eu trabalhei para que você nunca precisasse se preocupar com nada — disse Maddy, a voz falhando pela primeira vez. — Eu fiz tudo isso por você.
— Você fez por você! — Cassie rebateu, o desespero dando-lhe uma coragem súbita. — Você ama o poder, Maddy. Você ama ser a "Madeleine Perez". Eu só queria a minha esposa de volta. A Maddy que me levava para comer hambúrguer no carro e não se importava com o brilho labial borrado.
Maddy sentou-se na beira da cama, o peso da traição esmagando seu peito. Ela olhou para a mulher que amava, a mulher que ainda era o centro de seu universo, apesar de ter negligenciado esse fato.
— Sai daqui — disse Maddy, baixo. — Vai para o quarto de hóspedes. Eu não consigo olhar para você agora.
A noite passou como um borrão de dor e café frio. Maddy não dormiu. Ela revisitou cada conversa, cada jantar cancelado, cada vez que escolheu uma planilha em vez de um abraço. A culpa não diminuía a raiva, mas trazia uma perspectiva cruel.
Na manhã seguinte, o sol inundou o apartamento, indiferente ao desastre humano que ocorria ali dentro. Maddy encontrou Cassie sentada na varanda, os olhos inchados, olhando para o horizonte.
— Eu pensei em ligar para os advogados — começou Maddy, fazendo Cassie se encolher. — Pensei em destruir sua carreira, em tirar tudo o que meu dinheiro comprou para você.
Cassie não disse nada, apenas aceitou as palavras como se fossem golpes merecidos.
— Mas aí — continuou Maddy, sentando-se na cadeira oposta, mantendo uma distância segura —, eu percebi que se eu fizer isso, eu perco a única coisa que realmente importa. E eu já perdi tempo demais ganhando coisas que não significam nada.
Cassie levantou o olhar, a esperança lutando contra a vergonha.
— Você está dizendo que...
— Eu estou dizendo que eu odeio você agora — Maddy interrompeu, a dureza voltando aos olhos. — Eu odeio o que você fez. Odeio que você tenha buscado em outro homem o que deveria ter exigido de mim. Mas eu também me odeio por ter deixado você chegar a esse ponto de desespero.
— Maddy, eu sinto muito. Eu terminei tudo ontem à noite, antes mesmo de você descobrir. Eu ia te contar... eu juro.
— Não jure — Maddy suspirou. — Palavras não valem nada para mim agora. O que vamos fazer é o seguinte: eu vou me afastar da presidência executiva por seis meses. Vou nomear um interino.
Cassie arregalou os olhos. A empresa era o bebê de Maddy.
— Você faria isso?
— Se vamos tentar salvar isso — Maddy gesticulou entre as duas —, eu preciso estar presente. Mas entenda, Cassandra: a confiança morreu. Nós vamos ter que construir uma nova, do zero. E vai ser um inferno. Eu vou ter crises de raiva, eu vou querer te perguntar detalhes que vão me machucar, e você vai ter que aguentar.
Cassie esticou a mão sobre a mesa, parando a centímetros da mão de Maddy, esperando permissão.
— Eu faço qualquer coisa. Eu só quero você.
Maddy olhou para a mão da esposa. Ela não a segurou, não ainda. Mas também não se afastou.
— Começa hoje — disse Maddy. — Sem redes sociais, sem fotógrafos, sem reuniões. Só nós duas. E a verdade, por mais que ela queime.
— Por onde começamos? — perguntou Cassie, uma lágrima solitária escorrendo.
— Pelo começo — respondeu Maddy, finalmente fechando os olhos e sentindo o peso do cansaço. — Me conta quem somos nós quando as luzes se apagam e o mundo não está assistindo.
O caminho para a reconciliação era uma estrada esburacada e escura, mas, pela primeira vez em anos, Maddy não estava olhando para o relógio ou para o celular. Ela estava olhando para Cassie. E, apesar da dor lancinante da traição, havia uma centelha de algo que o dinheiro não podia comprar: a vontade de lutar por um amor que quase deixaram morrer no altar da ambição.
— Eu ainda te amo, Maddy — sussurrou Cassie.
— Eu sei — respondeu Maddy, a voz firme apesar da fragilidade do momento. — É por isso que dói tanto. Mas vamos ver se esse amor é forte o suficiente para sobreviver à realidade.
Elas ficaram ali, em silêncio, enquanto o burburinho da cidade lá embaixo continuava, alheio ao fato de que, dentro daquela fortaleza de vidro, um império havia caído para que um casamento pudesse, talvez, ter a chance de renascer das cinzas.
Maddy ajustou o relógio de pulso banhado a ouro, os olhos fixos na tela do notebook enquanto o elevador privativo emitia um bipe suave. Eram duas da manhã. Ela não esperava que Cassie estivesse acordada, mas o brilho de uma taça de vinho sobre a mesa de centro indicava que a esposa ainda não havia se recolhido.
— Chegou tarde de novo — a voz de Cassie surgiu do sofá, arrastada, carregada de uma melancolia que Maddy já não sabia mais como curar.
Maddy suspirou, fechando o laptop e massageando as têmporas.
— O lançamento em Paris está exigindo tudo de mim, Cass. Você sabe disso. É por nós. Por tudo o que construímos nesses dez anos.
Cassie se levantou, a camisola de seda deslizando pelo corpo. Ela era uma das influenciadoras mais seguidas do país, o rosto da "vida perfeita", mas seus olhos azuis estavam nublados.
— "Construímos"? — Cassie soltou uma risada amarga. — Você construiu um império, Maddy. Eu construí uma vida de aparências onde eu janto sozinha cinco vezes por semana. Eu sou um acessório na sua agenda, entre uma reunião de conselho e um voo de primeira classe.
— Não comece com isso agora, por favor — Maddy disse, sua voz mantendo aquela frieza profissional que ela usava para fechar negócios. — Eu estou exausta.
Maddy caminhou em direção ao quarto, mas parou ao notar o celular de Cassie sobre o balcão da cozinha. O aparelho vibrou. Uma, duas, três vezes. Notificações de mensagens que não pareciam ser de trabalho ou de fãs. Maddy não era do tipo ciumenta — ela era autoconfiante demais para isso —, mas algo no modo como Cassie correu para pegar o aparelho a fez parar.
— Quem é, a essa hora? — perguntou Maddy, estreitando os olhos.
— Ninguém. Apenas o pessoal da agência sobre o post de amanhã — Cassie respondeu rápido demais, guardando o celular atrás das costas.
O instinto de Maddy, aquele mesmo que a tornara uma predadora no mundo dos negócios, disparou. Ela deu um passo à frente, a presença esmagadora.
— Me dá o telefone, Cassandra.
— Maddy, não seja ridícula. Você nunca pede para ver meu celular.
— E você nunca escondeu ele de mim com as mãos tremendo — Maddy estendeu a mão, a voz agora um sussurro perigoso. — Me dá o telefone. Agora.
O silêncio que se seguiu foi denso. Cassie hesitou, as lágrimas começando a brotar, antes de entregar o aparelho. Ela não tinha bloqueado a tela a tempo.
Maddy rolou as mensagens. Não eram termos técnicos de marketing. Eram fotos. Eram palavras de baixo calão. Eram declarações de desejo de um homem que Maddy reconheceu vagamente como um dos fotógrafos que trabalhava com Cassie. O mundo de Maddy, tão meticulosamente organizado, começou a ruir.
— Há quanto tempo? — Maddy perguntou, a voz estranhamente calma, embora suas mãos estivessem geladas.
— Maddy, por favor... — Cassie começou a soluçar, cobrindo o rosto com as mãos.
— Eu perguntei há quanto tempo, Cassandra! — o grito de Maddy ecoou pelo vidro, fazendo a outra mulher estremecer.
— Três meses — confessou Cassie entre soluços. — Eu me sentia tão sozinha... Você não me vê mais. Você olha para mim e vê uma métrica, um investimento. Ele me ouvia. Ele estava lá quando você estava em Londres, em Tóquio, em Nova York...
Maddy sentiu um gosto amargo de bile na garganta. Dez anos. Elas tinham sobrevivido a crises financeiras, a brigas de família, ao escrutínio público. Mas ela não tinha visto a rachadura crescendo no alicerce de sua própria casa.
— Eu trabalhei para que você nunca precisasse se preocupar com nada — disse Maddy, a voz falhando pela primeira vez. — Eu fiz tudo isso por você.
— Você fez por você! — Cassie rebateu, o desespero dando-lhe uma coragem súbita. — Você ama o poder, Maddy. Você ama ser a "Madeleine Perez". Eu só queria a minha esposa de volta. A Maddy que me levava para comer hambúrguer no carro e não se importava com o brilho labial borrado.
Maddy sentou-se na beira da cama, o peso da traição esmagando seu peito. Ela olhou para a mulher que amava, a mulher que ainda era o centro de seu universo, apesar de ter negligenciado esse fato.
— Sai daqui — disse Maddy, baixo. — Vai para o quarto de hóspedes. Eu não consigo olhar para você agora.
A noite passou como um borrão de dor e café frio. Maddy não dormiu. Ela revisitou cada conversa, cada jantar cancelado, cada vez que escolheu uma planilha em vez de um abraço. A culpa não diminuía a raiva, mas trazia uma perspectiva cruel.
Na manhã seguinte, o sol inundou o apartamento, indiferente ao desastre humano que ocorria ali dentro. Maddy encontrou Cassie sentada na varanda, os olhos inchados, olhando para o horizonte.
— Eu pensei em ligar para os advogados — começou Maddy, fazendo Cassie se encolher. — Pensei em destruir sua carreira, em tirar tudo o que meu dinheiro comprou para você.
Cassie não disse nada, apenas aceitou as palavras como se fossem golpes merecidos.
— Mas aí — continuou Maddy, sentando-se na cadeira oposta, mantendo uma distância segura —, eu percebi que se eu fizer isso, eu perco a única coisa que realmente importa. E eu já perdi tempo demais ganhando coisas que não significam nada.
Cassie levantou o olhar, a esperança lutando contra a vergonha.
— Você está dizendo que...
— Eu estou dizendo que eu odeio você agora — Maddy interrompeu, a dureza voltando aos olhos. — Eu odeio o que você fez. Odeio que você tenha buscado em outro homem o que deveria ter exigido de mim. Mas eu também me odeio por ter deixado você chegar a esse ponto de desespero.
— Maddy, eu sinto muito. Eu terminei tudo ontem à noite, antes mesmo de você descobrir. Eu ia te contar... eu juro.
— Não jure — Maddy suspirou. — Palavras não valem nada para mim agora. O que vamos fazer é o seguinte: eu vou me afastar da presidência executiva por seis meses. Vou nomear um interino.
Cassie arregalou os olhos. A empresa era o bebê de Maddy.
— Você faria isso?
— Se vamos tentar salvar isso — Maddy gesticulou entre as duas —, eu preciso estar presente. Mas entenda, Cassandra: a confiança morreu. Nós vamos ter que construir uma nova, do zero. E vai ser um inferno. Eu vou ter crises de raiva, eu vou querer te perguntar detalhes que vão me machucar, e você vai ter que aguentar.
Cassie esticou a mão sobre a mesa, parando a centímetros da mão de Maddy, esperando permissão.
— Eu faço qualquer coisa. Eu só quero você.
Maddy olhou para a mão da esposa. Ela não a segurou, não ainda. Mas também não se afastou.
— Começa hoje — disse Maddy. — Sem redes sociais, sem fotógrafos, sem reuniões. Só nós duas. E a verdade, por mais que ela queime.
— Por onde começamos? — perguntou Cassie, uma lágrima solitária escorrendo.
— Pelo começo — respondeu Maddy, finalmente fechando os olhos e sentindo o peso do cansaço. — Me conta quem somos nós quando as luzes se apagam e o mundo não está assistindo.
O caminho para a reconciliação era uma estrada esburacada e escura, mas, pela primeira vez em anos, Maddy não estava olhando para o relógio ou para o celular. Ela estava olhando para Cassie. E, apesar da dor lancinante da traição, havia uma centelha de algo que o dinheiro não podia comprar: a vontade de lutar por um amor que quase deixaram morrer no altar da ambição.
— Eu ainda te amo, Maddy — sussurrou Cassie.
— Eu sei — respondeu Maddy, a voz firme apesar da fragilidade do momento. — É por isso que dói tanto. Mas vamos ver se esse amor é forte o suficiente para sobreviver à realidade.
Elas ficaram ali, em silêncio, enquanto o burburinho da cidade lá embaixo continuava, alheio ao fato de que, dentro daquela fortaleza de vidro, um império havia caído para que um casamento pudesse, talvez, ter a chance de renascer das cinzas.
