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Fandom: Naruto
Criado: 06/07/2026
Tags
RomanceUA (Universo Alternativo)DramaAngústiaEstudo de PersonagemRealismoLinguagem Explícita
A Geometria do Caos
O silêncio do apartamento de Obito Uchiha era, normalmente, seu maior refúgio. No entanto, após o término com Rin, aquele vácuo sonoro tornara-se uma câmara de eco para suas próprias inseguranças. Ele era um homem de hábitos rígidos, um professor de História da Arte respeitado pela sua postura impecável, ternos bem cortados e uma ética de trabalho inabalável. Rin, sua companheira de anos, havia partido em busca de algo que ele, em sua natureza contida e "baunilha", aparentemente não conseguira prover.
— Você precisa sair dessa inércia, Obito — declarou Kakashi Hatake, encostado no batente da porta da sala, enquanto observava o amigo organizar meticulosamente sua coleção de livros.
— Kakashi tem razão! — exclamou Guy, surgindo atrás dele com um brilho excessivo nos olhos. — A juventude do espírito está se esvaindo por esses poros de melancolia! Vamos para a celebração em Konoha District. Iruka já está lá nos esperando.
Obito suspirou, ajustando os óculos no rosto. Ele não queria festas. Ele queria entender onde a estrutura de sua vida havia ruído. Mas a insistência de seus dois únicos amigos era uma força da natureza impossível de conter.
A festa no Konoha District era uma amálgama de luzes neon, música eletrônica pulsante e o cheiro doce de coquetéis elaborados. Obito sentia-se um peixe fora d’água em seu blazer cinza. Após três doses de uísque — um excesso raro para seus padrões —, a rigidez de seus ombros começou a ceder.
Foi quando ele o viu.
Encostado no balcão de mármore do bar, um jovem de longos cabelos loiros presos em um rabo de cavalo alto, com uma franja que caía provocantemente sobre um dos olhos azuis cristalinos, o observava. O rapaz usava uma regata preta justa que deixava à mostra os braços definidos e uma aura de insolência que Obito achou, simultaneamente, irritante e magnética.
— Você parece estar calculando o ângulo da queda de cada pessoa nesta pista, senhor Certinho — disse o loiro, aproximando-se com um sorriso ladino.
Obito piscou, a visão levemente turva pelo álcool.
— Eu apenas... aprecio a ordem das coisas — respondeu Obito, sua voz saindo mais grave do que o pretendido.
— A ordem é um tédio — o jovem murmurou, inclinando-se para frente. O cheiro dele era de argila e baunilha cítrica. — A arte de verdade nasce da explosão, não da organização.
O flerte foi rápido, movido pela névoa da bebida e pela carência profunda que Obito escondia sob a fachada de professor sério. Antes que pudesse processar a imprudência de seus atos, ele estava no banco de trás de um táxi com o desconhecido, as mãos do loiro explorando audaciosamente a nuca de Obito.
Em seu apartamento, a experiência foi um choque térmico. Obito, acostumado com a passividade e a delicadeza quase platônica de Rin, viu-se dominado por um furacão. O loiro era folgado, sensual e parecia conhecer caminhos no corpo de Obito que o próprio professor desconhecia. Naquela noite, Obito esqueceu a formalidade. Ele foi conduzido por toques ardentes e uma língua que parecia ditar novas regras gramaticais em sua pele.
Na manhã seguinte, o loiro havia partido, deixando apenas o cheiro de seu perfume nos lençóis de linho e uma sensação de pânico silencioso no peito de Obito.
...
Três dias depois, o auditório da Universidade de Konoha estava lotado. Obito subiu ao púlpito, organizando seus papéis com a precisão de um cirurgião. Ele usava seu terno azul-marinho favorito e uma expressão de absoluta autoridade.
— Bom dia a todos — começou ele, a voz ecoando com a formalidade habitual. — Sou o Professor Obito Uchiha e este semestre exploraremos a estética do Renascimento e sua contraposição à...
Sua voz falhou. Seus olhos, ao varrerem a terceira fila, encontraram um par de olhos azuis extremamente familiares.
Lá estava ele. O loiro da festa.
Ele não parecia nem um pouco surpreso. Pelo contrário, apoiava o queixo na mão, um sorriso petulante nos lábios, e girava uma caneta entre os dedos de forma rítmica.
— Algum problema, professor? — perguntou o jovem em voz alta, a voz carregada de um sarcasmo que só Obito parecia captar.
Obito sentiu o sangue fugir do rosto. Ele pigarreou, ajeitando a gravata que, de repente, parecia apertada demais.
— Nenhum. Como eu dizia... o senhor poderia nos dizer seu nome? — Obito tentou manter a fachada profissional, rezando para que o rapaz tivesse tido um apagão alcoólico.
— Deidara Katso, mestre — respondeu o loiro, dando ênfase à última palavra. — Mas o senhor pode me chamar de qualquer coisa que... vier à mente.
O restante da aula foi um exercício de tortura psicológica. Deidara não parava de provocá-lo com olhares intensos e perguntas que beiravam o duplo sentido. Obito sentia-se como um prédio cujas fundações estavam sendo sabotadas.
Ao final da tarde, Obito refugiou-se no pequeno café perto do campus, onde Kakashi e Guy já o esperavam para o encontro semanal.
— Eu estou perdido — desabafou Obito, enterrando o rosto nas mãos assim que se sentou à mesa.
— O que houve? — perguntou Kakashi, fechando seu livro de capa duvidosa. — Problemas com a reitoria?
— Pior. O rapaz da festa... o loiro... — Obito olhou para os lados para garantir que ninguém ouvia. — Ele é meu aluno. Deidara Katso. E ele se lembra de tudo, Kakashi. Ele está me provocando no meio das aulas!
Guy soltou uma gargalhada sonora, recebendo olhares reprovadores de outras mesas.
— Isso é a força da juventude agindo, Obito! O destino quer que você explore novos horizontes!
— O destino quer que eu seja demitido por conduta imprópria! — sibilou Obito. — Eu sempre fui o professor certinho, o homem que segue as regras. Como vou olhar para ele e explicar a teoria das cores sabendo que... que...
— Que ele te fez perder a linha? — Kakashi completou com um olhar astuto. — Escute, Obito. Você não cometeu um crime. Não sabia que ele era seu aluno. O problema é como você vai lidar com isso agora.
— Eu tento fingir que não o conheço — disse Obito, desesperado. — Mas ele se senta na primeira fila agora. Ele lambe os lábios quando eu olho para ele! Eu vou enlouquecer.
— Talvez — sugeriu Kakashi — você deva estabelecer limites claros. Chame-o para uma conversa privada no escritório. Seja formal. Seja o "Professor Uchiha".
...
Obito seguiu o conselho. Na segunda-feira seguinte, após a aula, ele solicitou que Deidara permanecesse na sala.
O silêncio que se seguiu à saída do último aluno era denso. Deidara caminhou até a mesa de Obito com uma lentidão calculada, sentando-se sobre o tampo de madeira, cruzando as pernas de forma a deixar a calça jeans justa ainda mais evidente.
— Queria falar comigo, Obito? — perguntou Deidara, a voz aveludada.
— Professor Uchiha, por favor — corrigiu Obito, levantando-se e tentando manter a maior distância física possível dentro daquele espaço. — Senhor Katso, o que aconteceu naquela noite foi um erro de percurso, um desvio de conduta motivado por circunstâncias excepcionais. Eu exijo que mantenhamos uma relação estritamente profissional.
Deidara soltou uma risada curta e anasalada, inclinando-se para frente.
— Um erro? Hm. Você não parecia achar que era um erro quando estava implorando para eu não parar, mestre.
Obito sentiu o rosto arder. A linguagem formal que ele tanto prezava parecia uma armadura de papel diante daquele jovem.
— Isso é irrelevante! — exclamou Obito, perdendo um pouco da compostura. — Eu sou seu professor. Eu avalio seu desempenho. Se você continuar com essas provocações em sala, serei obrigado a tomar medidas disciplinares.
Deidara saltou da mesa e caminhou até Obito, parando a milímetros de distância. O professor era mais alto, mas sentia-se minúsculo sob o olhar azul e predatório de seu aluno.
— Você está com medo — constatou Deidara, passando a ponta do dedo indicador pelo colarinho engomado da camisa de Obito. — Medo porque aquela noite foi a coisa mais real que aconteceu na sua vida medíocre e organizada em anos. A Rin era um tédio, não era? Você é como um vulcão coberto de neve, Obito. Por fora, gelado e imóvel. Mas por dentro...
— Chega — murmurou Obito, embora seus pés estivessem colados ao chão.
— Eu não vou contar a ninguém — Deidara sussurrou perto do ouvido dele, o hálito quente causando arrepios na nuca do mais velho. — Mas não me peça para esquecer. A arte é explosão, lembra? E nós dois fomos uma bomba atômica naquela cama.
Deidara se afastou, pegando sua mochila e caminhando em direção à porta. Antes de sair, ele parou e olhou por cima do ombro.
— Vejo você na aula de quarta-feira. Tente não gaguejar quando falar de Michelangelo.
Obito desabou em sua cadeira, o coração martelando contra as costelas. Ele sabia que deveria ser firme, que deveria manter a barreira entre mestre e aprendiz. Mas a verdade, a terrível e excitante verdade, era que ele nunca se sentira tão vivo quanto naquele momento de desordem.
As semanas passaram e a tensão entre os dois tornou-se um fio de alta voltagem esticado pelo corredor da universidade. Obito tentava se concentrar, mas cada vez que Deidara levantava a mão para fazer um comentário — sempre inteligente, sempre perspicaz, o que tornava tudo ainda mais difícil —, Obito via as mãos do rapaz manchadas de argila, as mesmas mãos que o haviam tocado com tamanha possessividade.
Em uma noite de chuva torrencial, Obito estava em seu escritório no campus, revisando teses. A luz da luminária era a única claridade em meio à penumbra dos corredores vazios. Uma batida suave na porta o fez despertar de sua concentração.
Era Deidara. Ele estava encharcado, a regata branca grudada ao peito, tornando-se quase transparente, e o cabelo loiro colado ao rosto.
— O que faz aqui a esta hora? — perguntou Obito, a voz falhando por um segundo. — O prédio vai fechar em breve.
— Meu carro não liga. E eu esqueci meu guarda-chuva — disse Deidara, entrando na sala sem ser convidado. Ele tremia levemente de frio. — Posso esperar a chuva passar aqui?
Obito, movido por um instinto de cuidado que Rin sempre dissera que ele possuía em excesso, levantou-se e pegou seu casaco reserva que ficava pendurado atrás da porta.
— Tome. Você vai ficar doente — disse ele, aproximando-se para entregar a peça de lã.
Ao pegar o casaco, as mãos de Deidara envolveram as de Obito. O contato frio da pele molhada contra o calor de Obito foi o estopim.
— Obito... — murmurou Deidara, os olhos azuis agora despidos de sarcasmo, mostrando uma vulnerabilidade que o professor não esperava. — Eu tentei, hm. Tentei ser apenas o aluno. Mas eu não consigo parar de pensar naquela noite.
Obito sabia que aquele era o ponto de não retorno. Ele deveria afastar o jovem, dar-lhe um sermão sobre ética e mandá-lo embora em um táxi. Mas a solidão dos últimos meses, a rigidez sufocante de sua vida e o magnetismo indomável de Deidara foram mais fortes.
— Isso é errado — disse Obito, sua voz soando como um suspiro quebrado.
— O que é a arte, senão a quebra das regras? — respondeu Deidara, puxando-o pela nuca.
O beijo foi desesperado, uma colisão de dentes e línguas que buscavam apagar os dias de silêncio forçado. Obito empurrou Deidara contra a porta do escritório, trancando-a com um clique seco sem desviar os lábios dos dele.
A delicadeza que Obito sempre tivera com Rin deu lugar a uma urgência que ele nem sabia que possuía. Suas mãos, antes apenas acostumadas a folhear livros antigos, agora exploravam o corpo de Deidara com uma sede de descoberta. Ele despiu o rapaz com uma agilidade nervosa, admirando a pele pálida sob a luz âmbar da luminária.
— Você é... magnífico — sussurrou Obito, a formalidade de sua fala misturando-se à luxúria do momento. — Uma obra que eu não deveria ousar tocar.
Deidara sorriu, puxando Obito para o sofá de couro do escritório.
— Pois então me toque até que eu perca a forma, professor.
O que se seguiu foi uma dança de contrastos. Obito, apesar de sua inexperiência em relações mais intensas, deixava-se guiar pelo instinto e pelas reações de Deidara. Seus toques eram cuidadosos, quase reverentes, mas carregados de um peso que fazia o loiro arquear as costas e clamar pelo seu nome.
— Mais... Obito... por favor — pedia Deidara, as unhas cravando-se nos ombros largos do professor.
Obito descobriu que havia uma beleza matemática no prazer, um ritmo que ele podia dominar. Ele explorou cada centímetro de Deidara, desde as marcas de argila sob as unhas até a curva suave de seus quadris. Quando finalmente se uniram, o mundo lá fora, com suas regras acadêmicas e julgamentos sociais, deixou de existir. Havia apenas o som da chuva batendo no vidro da janela e o ritmo frenético de dois corpos que se recusavam a ser apenas mestre e aluno.
A experiência foi, para Obito, uma epifania. Ele não era apenas o homem baunilha que Rin abandonara. Ele era capaz de fogo, de paixão e de uma entrega que transcendia a lógica. Deidara, por sua vez, encontrou na solidez de Obito um porto que sua alma explosiva e errante secretamente desejava.
Horas depois, enquanto se vestiam em silêncio, a atmosfera era diferente. Não havia mais a provocação barata ou o medo da demissão. Havia um entendimento mútuo.
— Isso não muda o fato de que você tem uma prova de História da Arte Moderna na sexta-feira — disse Obito, enquanto ajustava os óculos e recuperava sua aura de professor, embora seus lábios estivessem levemente inchados.
Deidara riu, passando a mão pelo cabelo agora seco, mas bagunçado.
— Eu sei, mestre. E eu pretendo tirar um dez. Afinal, eu tive o melhor tutor particular da universidade.
Obito caminhou até ele e, em um gesto de carinho espontâneo, beijou-lhe a testa.
— Vá para casa, Deidara. E, por favor... tente não chegar atrasado.
— Não prometo nada, Obito — disse o loiro, piscando antes de sair furtivamente pelo corredor escuro.
Obito sentou-se em sua mesa, olhando para o escritório agora silencioso. Ele sabia que o caminho à frente seria perigoso. Kakashi e Guy provavelmente teriam muito o que dizer sobre sua "falta de juízo". Mas, pela primeira vez em muito tempo, o Professor Uchiha não estava preocupado com a ordem das coisas. Ele estava pronto para a explosão.
— Você precisa sair dessa inércia, Obito — declarou Kakashi Hatake, encostado no batente da porta da sala, enquanto observava o amigo organizar meticulosamente sua coleção de livros.
— Kakashi tem razão! — exclamou Guy, surgindo atrás dele com um brilho excessivo nos olhos. — A juventude do espírito está se esvaindo por esses poros de melancolia! Vamos para a celebração em Konoha District. Iruka já está lá nos esperando.
Obito suspirou, ajustando os óculos no rosto. Ele não queria festas. Ele queria entender onde a estrutura de sua vida havia ruído. Mas a insistência de seus dois únicos amigos era uma força da natureza impossível de conter.
A festa no Konoha District era uma amálgama de luzes neon, música eletrônica pulsante e o cheiro doce de coquetéis elaborados. Obito sentia-se um peixe fora d’água em seu blazer cinza. Após três doses de uísque — um excesso raro para seus padrões —, a rigidez de seus ombros começou a ceder.
Foi quando ele o viu.
Encostado no balcão de mármore do bar, um jovem de longos cabelos loiros presos em um rabo de cavalo alto, com uma franja que caía provocantemente sobre um dos olhos azuis cristalinos, o observava. O rapaz usava uma regata preta justa que deixava à mostra os braços definidos e uma aura de insolência que Obito achou, simultaneamente, irritante e magnética.
— Você parece estar calculando o ângulo da queda de cada pessoa nesta pista, senhor Certinho — disse o loiro, aproximando-se com um sorriso ladino.
Obito piscou, a visão levemente turva pelo álcool.
— Eu apenas... aprecio a ordem das coisas — respondeu Obito, sua voz saindo mais grave do que o pretendido.
— A ordem é um tédio — o jovem murmurou, inclinando-se para frente. O cheiro dele era de argila e baunilha cítrica. — A arte de verdade nasce da explosão, não da organização.
O flerte foi rápido, movido pela névoa da bebida e pela carência profunda que Obito escondia sob a fachada de professor sério. Antes que pudesse processar a imprudência de seus atos, ele estava no banco de trás de um táxi com o desconhecido, as mãos do loiro explorando audaciosamente a nuca de Obito.
Em seu apartamento, a experiência foi um choque térmico. Obito, acostumado com a passividade e a delicadeza quase platônica de Rin, viu-se dominado por um furacão. O loiro era folgado, sensual e parecia conhecer caminhos no corpo de Obito que o próprio professor desconhecia. Naquela noite, Obito esqueceu a formalidade. Ele foi conduzido por toques ardentes e uma língua que parecia ditar novas regras gramaticais em sua pele.
Na manhã seguinte, o loiro havia partido, deixando apenas o cheiro de seu perfume nos lençóis de linho e uma sensação de pânico silencioso no peito de Obito.
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Três dias depois, o auditório da Universidade de Konoha estava lotado. Obito subiu ao púlpito, organizando seus papéis com a precisão de um cirurgião. Ele usava seu terno azul-marinho favorito e uma expressão de absoluta autoridade.
— Bom dia a todos — começou ele, a voz ecoando com a formalidade habitual. — Sou o Professor Obito Uchiha e este semestre exploraremos a estética do Renascimento e sua contraposição à...
Sua voz falhou. Seus olhos, ao varrerem a terceira fila, encontraram um par de olhos azuis extremamente familiares.
Lá estava ele. O loiro da festa.
Ele não parecia nem um pouco surpreso. Pelo contrário, apoiava o queixo na mão, um sorriso petulante nos lábios, e girava uma caneta entre os dedos de forma rítmica.
— Algum problema, professor? — perguntou o jovem em voz alta, a voz carregada de um sarcasmo que só Obito parecia captar.
Obito sentiu o sangue fugir do rosto. Ele pigarreou, ajeitando a gravata que, de repente, parecia apertada demais.
— Nenhum. Como eu dizia... o senhor poderia nos dizer seu nome? — Obito tentou manter a fachada profissional, rezando para que o rapaz tivesse tido um apagão alcoólico.
— Deidara Katso, mestre — respondeu o loiro, dando ênfase à última palavra. — Mas o senhor pode me chamar de qualquer coisa que... vier à mente.
O restante da aula foi um exercício de tortura psicológica. Deidara não parava de provocá-lo com olhares intensos e perguntas que beiravam o duplo sentido. Obito sentia-se como um prédio cujas fundações estavam sendo sabotadas.
Ao final da tarde, Obito refugiou-se no pequeno café perto do campus, onde Kakashi e Guy já o esperavam para o encontro semanal.
— Eu estou perdido — desabafou Obito, enterrando o rosto nas mãos assim que se sentou à mesa.
— O que houve? — perguntou Kakashi, fechando seu livro de capa duvidosa. — Problemas com a reitoria?
— Pior. O rapaz da festa... o loiro... — Obito olhou para os lados para garantir que ninguém ouvia. — Ele é meu aluno. Deidara Katso. E ele se lembra de tudo, Kakashi. Ele está me provocando no meio das aulas!
Guy soltou uma gargalhada sonora, recebendo olhares reprovadores de outras mesas.
— Isso é a força da juventude agindo, Obito! O destino quer que você explore novos horizontes!
— O destino quer que eu seja demitido por conduta imprópria! — sibilou Obito. — Eu sempre fui o professor certinho, o homem que segue as regras. Como vou olhar para ele e explicar a teoria das cores sabendo que... que...
— Que ele te fez perder a linha? — Kakashi completou com um olhar astuto. — Escute, Obito. Você não cometeu um crime. Não sabia que ele era seu aluno. O problema é como você vai lidar com isso agora.
— Eu tento fingir que não o conheço — disse Obito, desesperado. — Mas ele se senta na primeira fila agora. Ele lambe os lábios quando eu olho para ele! Eu vou enlouquecer.
— Talvez — sugeriu Kakashi — você deva estabelecer limites claros. Chame-o para uma conversa privada no escritório. Seja formal. Seja o "Professor Uchiha".
...
Obito seguiu o conselho. Na segunda-feira seguinte, após a aula, ele solicitou que Deidara permanecesse na sala.
O silêncio que se seguiu à saída do último aluno era denso. Deidara caminhou até a mesa de Obito com uma lentidão calculada, sentando-se sobre o tampo de madeira, cruzando as pernas de forma a deixar a calça jeans justa ainda mais evidente.
— Queria falar comigo, Obito? — perguntou Deidara, a voz aveludada.
— Professor Uchiha, por favor — corrigiu Obito, levantando-se e tentando manter a maior distância física possível dentro daquele espaço. — Senhor Katso, o que aconteceu naquela noite foi um erro de percurso, um desvio de conduta motivado por circunstâncias excepcionais. Eu exijo que mantenhamos uma relação estritamente profissional.
Deidara soltou uma risada curta e anasalada, inclinando-se para frente.
— Um erro? Hm. Você não parecia achar que era um erro quando estava implorando para eu não parar, mestre.
Obito sentiu o rosto arder. A linguagem formal que ele tanto prezava parecia uma armadura de papel diante daquele jovem.
— Isso é irrelevante! — exclamou Obito, perdendo um pouco da compostura. — Eu sou seu professor. Eu avalio seu desempenho. Se você continuar com essas provocações em sala, serei obrigado a tomar medidas disciplinares.
Deidara saltou da mesa e caminhou até Obito, parando a milímetros de distância. O professor era mais alto, mas sentia-se minúsculo sob o olhar azul e predatório de seu aluno.
— Você está com medo — constatou Deidara, passando a ponta do dedo indicador pelo colarinho engomado da camisa de Obito. — Medo porque aquela noite foi a coisa mais real que aconteceu na sua vida medíocre e organizada em anos. A Rin era um tédio, não era? Você é como um vulcão coberto de neve, Obito. Por fora, gelado e imóvel. Mas por dentro...
— Chega — murmurou Obito, embora seus pés estivessem colados ao chão.
— Eu não vou contar a ninguém — Deidara sussurrou perto do ouvido dele, o hálito quente causando arrepios na nuca do mais velho. — Mas não me peça para esquecer. A arte é explosão, lembra? E nós dois fomos uma bomba atômica naquela cama.
Deidara se afastou, pegando sua mochila e caminhando em direção à porta. Antes de sair, ele parou e olhou por cima do ombro.
— Vejo você na aula de quarta-feira. Tente não gaguejar quando falar de Michelangelo.
Obito desabou em sua cadeira, o coração martelando contra as costelas. Ele sabia que deveria ser firme, que deveria manter a barreira entre mestre e aprendiz. Mas a verdade, a terrível e excitante verdade, era que ele nunca se sentira tão vivo quanto naquele momento de desordem.
As semanas passaram e a tensão entre os dois tornou-se um fio de alta voltagem esticado pelo corredor da universidade. Obito tentava se concentrar, mas cada vez que Deidara levantava a mão para fazer um comentário — sempre inteligente, sempre perspicaz, o que tornava tudo ainda mais difícil —, Obito via as mãos do rapaz manchadas de argila, as mesmas mãos que o haviam tocado com tamanha possessividade.
Em uma noite de chuva torrencial, Obito estava em seu escritório no campus, revisando teses. A luz da luminária era a única claridade em meio à penumbra dos corredores vazios. Uma batida suave na porta o fez despertar de sua concentração.
Era Deidara. Ele estava encharcado, a regata branca grudada ao peito, tornando-se quase transparente, e o cabelo loiro colado ao rosto.
— O que faz aqui a esta hora? — perguntou Obito, a voz falhando por um segundo. — O prédio vai fechar em breve.
— Meu carro não liga. E eu esqueci meu guarda-chuva — disse Deidara, entrando na sala sem ser convidado. Ele tremia levemente de frio. — Posso esperar a chuva passar aqui?
Obito, movido por um instinto de cuidado que Rin sempre dissera que ele possuía em excesso, levantou-se e pegou seu casaco reserva que ficava pendurado atrás da porta.
— Tome. Você vai ficar doente — disse ele, aproximando-se para entregar a peça de lã.
Ao pegar o casaco, as mãos de Deidara envolveram as de Obito. O contato frio da pele molhada contra o calor de Obito foi o estopim.
— Obito... — murmurou Deidara, os olhos azuis agora despidos de sarcasmo, mostrando uma vulnerabilidade que o professor não esperava. — Eu tentei, hm. Tentei ser apenas o aluno. Mas eu não consigo parar de pensar naquela noite.
Obito sabia que aquele era o ponto de não retorno. Ele deveria afastar o jovem, dar-lhe um sermão sobre ética e mandá-lo embora em um táxi. Mas a solidão dos últimos meses, a rigidez sufocante de sua vida e o magnetismo indomável de Deidara foram mais fortes.
— Isso é errado — disse Obito, sua voz soando como um suspiro quebrado.
— O que é a arte, senão a quebra das regras? — respondeu Deidara, puxando-o pela nuca.
O beijo foi desesperado, uma colisão de dentes e línguas que buscavam apagar os dias de silêncio forçado. Obito empurrou Deidara contra a porta do escritório, trancando-a com um clique seco sem desviar os lábios dos dele.
A delicadeza que Obito sempre tivera com Rin deu lugar a uma urgência que ele nem sabia que possuía. Suas mãos, antes apenas acostumadas a folhear livros antigos, agora exploravam o corpo de Deidara com uma sede de descoberta. Ele despiu o rapaz com uma agilidade nervosa, admirando a pele pálida sob a luz âmbar da luminária.
— Você é... magnífico — sussurrou Obito, a formalidade de sua fala misturando-se à luxúria do momento. — Uma obra que eu não deveria ousar tocar.
Deidara sorriu, puxando Obito para o sofá de couro do escritório.
— Pois então me toque até que eu perca a forma, professor.
O que se seguiu foi uma dança de contrastos. Obito, apesar de sua inexperiência em relações mais intensas, deixava-se guiar pelo instinto e pelas reações de Deidara. Seus toques eram cuidadosos, quase reverentes, mas carregados de um peso que fazia o loiro arquear as costas e clamar pelo seu nome.
— Mais... Obito... por favor — pedia Deidara, as unhas cravando-se nos ombros largos do professor.
Obito descobriu que havia uma beleza matemática no prazer, um ritmo que ele podia dominar. Ele explorou cada centímetro de Deidara, desde as marcas de argila sob as unhas até a curva suave de seus quadris. Quando finalmente se uniram, o mundo lá fora, com suas regras acadêmicas e julgamentos sociais, deixou de existir. Havia apenas o som da chuva batendo no vidro da janela e o ritmo frenético de dois corpos que se recusavam a ser apenas mestre e aluno.
A experiência foi, para Obito, uma epifania. Ele não era apenas o homem baunilha que Rin abandonara. Ele era capaz de fogo, de paixão e de uma entrega que transcendia a lógica. Deidara, por sua vez, encontrou na solidez de Obito um porto que sua alma explosiva e errante secretamente desejava.
Horas depois, enquanto se vestiam em silêncio, a atmosfera era diferente. Não havia mais a provocação barata ou o medo da demissão. Havia um entendimento mútuo.
— Isso não muda o fato de que você tem uma prova de História da Arte Moderna na sexta-feira — disse Obito, enquanto ajustava os óculos e recuperava sua aura de professor, embora seus lábios estivessem levemente inchados.
Deidara riu, passando a mão pelo cabelo agora seco, mas bagunçado.
— Eu sei, mestre. E eu pretendo tirar um dez. Afinal, eu tive o melhor tutor particular da universidade.
Obito caminhou até ele e, em um gesto de carinho espontâneo, beijou-lhe a testa.
— Vá para casa, Deidara. E, por favor... tente não chegar atrasado.
— Não prometo nada, Obito — disse o loiro, piscando antes de sair furtivamente pelo corredor escuro.
Obito sentou-se em sua mesa, olhando para o escritório agora silencioso. Ele sabia que o caminho à frente seria perigoso. Kakashi e Guy provavelmente teriam muito o que dizer sobre sua "falta de juízo". Mas, pela primeira vez em muito tempo, o Professor Uchiha não estava preocupado com a ordem das coisas. Ele estava pronto para a explosão.
