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Fandom: Solarballs
Criado: 06/07/2026
Tags
RomanceFicção CientíficaFofuraEstudo de PersonagemÓpera EspacialSolarpunkHumorDramaUA (Universo Alternativo)Almas GêmeasLirismo
Atmosferas e Faíscas
O cintilar das estrelas ao redor parecia mais vívido naquela região do sistema solar. Terra estava em uma de suas órbitas mais tranquilas, sentindo-se particularmente bem consigo mesmo. Ele não era mais aquele planeta que ignorava a todos em prol de sua própria glória biológica, mas, sejamos sinceros, ainda era difícil não admirar o brilho azulado e vibrante que emanava de sua superfície. Ele sabia que era incrível, e agora, pelo menos, usava essa confiança para ser um amigo melhor.
Lumina, por outro lado, flutuava a uma distância segura, mas próxima o suficiente para que sua presença fosse sentida como um campo de energia estática. Ela cruzou os braços invisíveis, a expressão fechada, embora seus olhos traíssem uma curiosidade latente. Ela carregava o peso de escolhas passadas que preferia esquecer, uma rebeldia que queimava como uma supernova contida.
— Você está se encarando no reflexo de Vênus de novo, Terra? — Lumina quebrou o silêncio, sua voz carregada de um sarcasmo ácido que, no entanto, não escondia um leve tom de diversão. — Sabe, o narcisismo deveria ter limites, mesmo para alguém que carrega vida.
Terra soltou uma risada leve, girando lentamente em seu eixo para encará-la. Ele exibiu um sorriso que era metade gentileza, metade puro convencimento.
— Ah, Lumina, admita. Se você tivesse oceanos tão cristalinos e continentes tão bem desenhados quanto os meus, passaria o dia todo procurando um espelho também. — Ele piscou para ela, aproximando-se um pouco mais. — Mas eu mudei, lembra? Eu agora aprecio a beleza em outros lugares. Em você, por exemplo.
Lumina sentiu um calor repentino que não vinha do Sol. Ela revirou os olhos, bufando enquanto tentava manter sua postura de "não me importo com nada".
— Poupe-me do seu charme barato. Eu sou um desastre cósmico ambulante e você sabe disso. — Ela desviou o olhar para o vácuo escuro. — Não sei por que ainda perde tempo tentando ser gentil comigo. Eu sou grossa, me irrito por qualquer gravidade errada e meu passado não é exatamente algo que se coloca num pedestal.
Terra suavizou a expressão. Ele sabia o que era carregar o peso de erros antigos. Ele se lembrava de como era afastar todos por puro egoísmo.
— Eu não estou perdendo tempo — disse ele, a voz agora mais aveludada e sincera. — Gosto da sua força, Lumina. E, honestamente? Acho sua rebeldia fascinante. É como uma tempestade solar que nunca apaga. É perigoso, sim, mas é... atraente.
Lumina soltou um riso seco, embora suas bochechas (se planetas tivessem bochechas daquela forma) parecessem brilhar um pouco mais intensamente.
— Atraente? Você realmente precisa de um check-up com Marte, Terra. Acho que o oxigênio está afetando seu julgamento.
— Ou talvez eu seja o único aqui com visão boa o suficiente para ver além dessa sua casca de "garota má" — provocou Terra, deslizando para mais perto dela, desafiando a zona de conforto de Lumina. — Por trás de toda essa grosseria, eu vi você ajudando aquele pequeno asteroide a não colidir com o cinturão ontem. Você é gentil, Lumina. Só tem medo de que saibam disso.
— Cala a boca! — Lumina exclamou, irritada, mas não se afastou. — Foi um erro de cálculo. Eu só não queria limpar a poeira depois.
— Claro, claro. — Terra riu, o som vibrando através do éter. — E eu sou apenas um planeta comum sem nada de especial. Ambos sabemos que estamos mentindo agora.
Lumina finalmente olhou para ele, seus olhos encontrando os dele. Havia uma tensão ali, algo que flutuava entre a amizade profunda e algo muito mais magnético. Ela soltou um suspiro longo, relaxando os ombros.
— Você é um idiota orgulhoso, sabia?
— E você é uma rebelde sem causa que secretamente adora meus elogios — rebateu Terra, com um brilho de desafio no olhar. — O que vamos fazer sobre isso?
Lumina deu um sorriso de canto, o primeiro sorriso verdadeiramente genuíno daquela órbita. Era pequeno, mas carregava uma força que fez o núcleo de Terra oscilar por um milissegundo.
— Talvez eu te deixe continuar falando por mais alguns milênios — disse ela, aproximando-se o suficiente para que suas atmosferas quase se tocassem. — Mas não se acostume. Se você começar a se gabar demais sobre suas nuvens de novo, eu juro que causo um eclipse só para você ficar no escuro.
Terra soltou uma gargalhada alta, sentindo-se mais vivo do que nunca.
— Eu adoraria ver você tentar, Lumina. Mas saiba que, mesmo no escuro, eu ainda seria a coisa mais incrível que você já viu.
— Convencido — murmurou ela, mas não se afastou. — Mas... talvez você tenha razão sobre uma coisa.
— Sobre o quê? — perguntou Terra, curioso.
— A vista daqui — ela sussurrou, olhando para ele com uma suavidade rara — não é de todo mal.
Terra sentiu o orgulho inflar, mas desta vez não era por si mesmo. Era por ela. Por tê-la ali, por ver aquela pequena fresta de vulnerabilidade que ela raramente mostrava a alguém. Ele sabia que Lumina era forte, que ela podia ser difícil e explosiva, mas era exatamente isso que a tornava real. E para um planeta que passara tanto tempo envolto em sua própria imagem, a realidade de Lumina era o presente mais precioso que o universo poderia lhe dar.
— Sabe — começou Terra, baixando o tom de voz para algo quase íntimo —, eu costumava achar que o centro do universo era eu. Mas agora, parado aqui com você... o resto das galáxias parece meio sem graça.
Lumina sentiu seu coração estelar falhar uma batida. Ela nunca fora boa com palavras doces; sua linguagem sempre fora o impacto, a resistência e o fogo. No entanto, a sinceridade de Terra a desarmava de uma forma que ela odiava e amava ao mesmo tempo.
— Você está tentando me conquistar com poesia espacial agora? — Ela tentou manter o tom de deboche, mas sua voz falhou levemente. — Porque, se for isso, está funcionando um pouco. Só um pouco.
— Só um pouco? — Terra fingiu decepção, colocando a mão sobre o peito. — Vou ter que me esforçar mais, então. Talvez eu deva rearranjar minhas luzes polares para escrever seu nome. O que acha?
— Se você fizer isso, eu juro que te jogo em um buraco negro — ameaçou ela, embora estivesse sorrindo abertamente agora.
— Valeu a pena o risco — respondeu Terra, aproximando-se ainda mais, até que o calor de suas órbitas se fundisse em um abraço invisível.
O silêncio que se seguiu não foi desconfortável. Foi preenchido pelo entendimento mútuo de dois seres que haviam passado por transformações profundas. Terra, o ex-narcisista que aprendera o valor da alteridade; e Lumina, a rebelde que aprendera que não precisava lutar contra tudo o tempo todo.
— Terra? — chamou ela, baixinho.
— Sim?
— Obrigada. Por não desistir de ser irritante.
Terra sorriu, um brilho cálido emanando de seus oceanos.
— Eu nunca desistiria de você, Lumina. Afinal, quem mais me manteria na linha com tanta classe e grosseria gratuita?
Lumina soltou uma risada curta, encostando metaforicamente seu ombro no dele enquanto continuavam sua dança eterna pelo cosmos.
— Idiota.
— Sua estrela favorita.
— Talvez — admitiu ela, deixando que a gentileza finalmente vencesse a rebeldia, pelo menos por aquele momento eterno.
Lumina, por outro lado, flutuava a uma distância segura, mas próxima o suficiente para que sua presença fosse sentida como um campo de energia estática. Ela cruzou os braços invisíveis, a expressão fechada, embora seus olhos traíssem uma curiosidade latente. Ela carregava o peso de escolhas passadas que preferia esquecer, uma rebeldia que queimava como uma supernova contida.
— Você está se encarando no reflexo de Vênus de novo, Terra? — Lumina quebrou o silêncio, sua voz carregada de um sarcasmo ácido que, no entanto, não escondia um leve tom de diversão. — Sabe, o narcisismo deveria ter limites, mesmo para alguém que carrega vida.
Terra soltou uma risada leve, girando lentamente em seu eixo para encará-la. Ele exibiu um sorriso que era metade gentileza, metade puro convencimento.
— Ah, Lumina, admita. Se você tivesse oceanos tão cristalinos e continentes tão bem desenhados quanto os meus, passaria o dia todo procurando um espelho também. — Ele piscou para ela, aproximando-se um pouco mais. — Mas eu mudei, lembra? Eu agora aprecio a beleza em outros lugares. Em você, por exemplo.
Lumina sentiu um calor repentino que não vinha do Sol. Ela revirou os olhos, bufando enquanto tentava manter sua postura de "não me importo com nada".
— Poupe-me do seu charme barato. Eu sou um desastre cósmico ambulante e você sabe disso. — Ela desviou o olhar para o vácuo escuro. — Não sei por que ainda perde tempo tentando ser gentil comigo. Eu sou grossa, me irrito por qualquer gravidade errada e meu passado não é exatamente algo que se coloca num pedestal.
Terra suavizou a expressão. Ele sabia o que era carregar o peso de erros antigos. Ele se lembrava de como era afastar todos por puro egoísmo.
— Eu não estou perdendo tempo — disse ele, a voz agora mais aveludada e sincera. — Gosto da sua força, Lumina. E, honestamente? Acho sua rebeldia fascinante. É como uma tempestade solar que nunca apaga. É perigoso, sim, mas é... atraente.
Lumina soltou um riso seco, embora suas bochechas (se planetas tivessem bochechas daquela forma) parecessem brilhar um pouco mais intensamente.
— Atraente? Você realmente precisa de um check-up com Marte, Terra. Acho que o oxigênio está afetando seu julgamento.
— Ou talvez eu seja o único aqui com visão boa o suficiente para ver além dessa sua casca de "garota má" — provocou Terra, deslizando para mais perto dela, desafiando a zona de conforto de Lumina. — Por trás de toda essa grosseria, eu vi você ajudando aquele pequeno asteroide a não colidir com o cinturão ontem. Você é gentil, Lumina. Só tem medo de que saibam disso.
— Cala a boca! — Lumina exclamou, irritada, mas não se afastou. — Foi um erro de cálculo. Eu só não queria limpar a poeira depois.
— Claro, claro. — Terra riu, o som vibrando através do éter. — E eu sou apenas um planeta comum sem nada de especial. Ambos sabemos que estamos mentindo agora.
Lumina finalmente olhou para ele, seus olhos encontrando os dele. Havia uma tensão ali, algo que flutuava entre a amizade profunda e algo muito mais magnético. Ela soltou um suspiro longo, relaxando os ombros.
— Você é um idiota orgulhoso, sabia?
— E você é uma rebelde sem causa que secretamente adora meus elogios — rebateu Terra, com um brilho de desafio no olhar. — O que vamos fazer sobre isso?
Lumina deu um sorriso de canto, o primeiro sorriso verdadeiramente genuíno daquela órbita. Era pequeno, mas carregava uma força que fez o núcleo de Terra oscilar por um milissegundo.
— Talvez eu te deixe continuar falando por mais alguns milênios — disse ela, aproximando-se o suficiente para que suas atmosferas quase se tocassem. — Mas não se acostume. Se você começar a se gabar demais sobre suas nuvens de novo, eu juro que causo um eclipse só para você ficar no escuro.
Terra soltou uma gargalhada alta, sentindo-se mais vivo do que nunca.
— Eu adoraria ver você tentar, Lumina. Mas saiba que, mesmo no escuro, eu ainda seria a coisa mais incrível que você já viu.
— Convencido — murmurou ela, mas não se afastou. — Mas... talvez você tenha razão sobre uma coisa.
— Sobre o quê? — perguntou Terra, curioso.
— A vista daqui — ela sussurrou, olhando para ele com uma suavidade rara — não é de todo mal.
Terra sentiu o orgulho inflar, mas desta vez não era por si mesmo. Era por ela. Por tê-la ali, por ver aquela pequena fresta de vulnerabilidade que ela raramente mostrava a alguém. Ele sabia que Lumina era forte, que ela podia ser difícil e explosiva, mas era exatamente isso que a tornava real. E para um planeta que passara tanto tempo envolto em sua própria imagem, a realidade de Lumina era o presente mais precioso que o universo poderia lhe dar.
— Sabe — começou Terra, baixando o tom de voz para algo quase íntimo —, eu costumava achar que o centro do universo era eu. Mas agora, parado aqui com você... o resto das galáxias parece meio sem graça.
Lumina sentiu seu coração estelar falhar uma batida. Ela nunca fora boa com palavras doces; sua linguagem sempre fora o impacto, a resistência e o fogo. No entanto, a sinceridade de Terra a desarmava de uma forma que ela odiava e amava ao mesmo tempo.
— Você está tentando me conquistar com poesia espacial agora? — Ela tentou manter o tom de deboche, mas sua voz falhou levemente. — Porque, se for isso, está funcionando um pouco. Só um pouco.
— Só um pouco? — Terra fingiu decepção, colocando a mão sobre o peito. — Vou ter que me esforçar mais, então. Talvez eu deva rearranjar minhas luzes polares para escrever seu nome. O que acha?
— Se você fizer isso, eu juro que te jogo em um buraco negro — ameaçou ela, embora estivesse sorrindo abertamente agora.
— Valeu a pena o risco — respondeu Terra, aproximando-se ainda mais, até que o calor de suas órbitas se fundisse em um abraço invisível.
O silêncio que se seguiu não foi desconfortável. Foi preenchido pelo entendimento mútuo de dois seres que haviam passado por transformações profundas. Terra, o ex-narcisista que aprendera o valor da alteridade; e Lumina, a rebelde que aprendera que não precisava lutar contra tudo o tempo todo.
— Terra? — chamou ela, baixinho.
— Sim?
— Obrigada. Por não desistir de ser irritante.
Terra sorriu, um brilho cálido emanando de seus oceanos.
— Eu nunca desistiria de você, Lumina. Afinal, quem mais me manteria na linha com tanta classe e grosseria gratuita?
Lumina soltou uma risada curta, encostando metaforicamente seu ombro no dele enquanto continuavam sua dança eterna pelo cosmos.
— Idiota.
— Sua estrela favorita.
— Talvez — admitiu ela, deixando que a gentileza finalmente vencesse a rebeldia, pelo menos por aquele momento eterno.
