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Fandom: 50 tons de cinza

Criado: 06/07/2026

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Entre Orações e Desejos Proibidos

O relógio de parede da biblioteca marcava seis da tarde, e o silêncio do final do expediente escolar era interrompido apenas pelo som rítmico da chuva batendo contra as vidraças. Luiza estava sentada na última mesa do corredor de literatura, com uma gramática aberta, mas seus olhos não focavam nas regras de sintaxe. Eles estavam fixos na mulher à sua frente, que corrigia uma pilha de redações com uma elegância que Luiza considerava quase pecaminosa.

Danielle era a personificação da sofisticação. Os óculos de leitura levemente baixados no nariz, o coque impecável que deixava sua nuca exposta e o perfume de baunilha e couro que parecia impregnar o ar ao redor dela. Para Luiza, cada aula de português era uma tortura deliciosa, e as aulas de reforço eram o ápice de sua semana.

— Luiza, você está encarando o mesmo parágrafo sobre orações subordinadas há vinte minutos — comentou Danielle, sem tirar os olhos do papel. — Alguma dúvida específica ou está apenas tentando decorar o papel por osmose?

Luiza deu um sorriso travesso, fechando o livro com um baque surdo.

— Eu estava pensando em como a língua portuguesa é complexa — disse Luiza, inclinando-se para frente, apoiando o queixo nas mãos. — Especialmente quando se trata de imperativos. "Vem", "fica", "me beija"... são ordens difíceis de ignorar, não acha, professora?

Danielle finalmente levantou o olhar. Seus olhos castanhos eram profundos, carregados de uma paciência que parecia estar sempre no limite.

— Luiza, já conversamos sobre isso. O reforço é para melhorar suas notas, não para você praticar seu repertório de cantadas baratas.

— Não é cantada se for verdade — retrucou a jovem, levantando-se e contornando a mesa com passos lentos, quase predatórios, uma ousadia que ela buscava nas páginas dos livros proibidos que lia escondida. — A senhora sabe que eu não preciso dessas aulas. Minhas notas são as mais altas da sala. Eu só quero o seu tempo.

Danielle suspirou, deixando a caneta vermelha sobre a mesa. Ela se recostou na cadeira, observando a aluna. Luiza era jovem, vibrante e possuía uma determinação que, em outro contexto, Danielle admiraria profundamente. Mas havia uma barreira ética, uma lacuna de idade e uma maturidade que Luiza ainda estava por alcançar.

— Exatamente por suas notas serem boas é que este será o nosso último encontro extra — afirmou Danielle, com a voz firme. — Você está perdendo tardes que poderia passar com amigos da sua idade, Luiza.

— Amigos da minha idade são entediantes — Luiza parou ao lado da cadeira de Danielle, sentindo o calor que emanava do corpo da professora. — Eles não sabem a diferença entre um objeto direto e um indireto, e certamente não sabem como usar o silêncio para seduzir alguém.

— Luiza, chega — Danielle tentou soar severa, mas a proximidade da garota fazia seu coração acelerar de uma forma que ela odiava admitir. — Você é uma criança brincando de ser adulta.

Luiza se inclinou, o rosto a poucos centímetros do de Danielle.

— Uma criança não sentiria o que eu sinto. Eu já pedi você em namoro, Danielle. Eu fui séria. Por que você continua me tratando como se eu estivesse pedindo um doce?

Danielle soltou uma risada curta, sem humor, e desviou o olhar.

— Porque eu não dou mais de mamar, Luiza. É isso que você quer? Uma guia? Uma babá? Eu sou sua professora. Eu tenho uma vida, responsabilidades e uma idade que me permite ver que isso que você sente é apenas uma fase, uma paixão platônica por uma figura de autoridade.

As palavras de Danielle foram como um balde de água fria, mas Luiza não recuou. Em vez disso, ela estendeu a mão e tocou levemente o ombro da professora, sentindo a seda da blusa sob seus dedos.

— Eu não quero que você me guie — sussurrou Luiza. — Eu quero que você me perca. Quero que você esqueça por um segundo que existe uma mesa entre nós e que o mundo lá fora espera que sejamos apenas mestre e aprendiz.

Danielle sentiu um arrepio percorrer sua espinha. A audácia de Luiza era irritante, mas também inebriante. Por um momento, o silêncio da biblioteca tornou-se pesado, carregado de uma eletricidade que nenhuma regra gramatical poderia explicar.

— Você não sabe o que está pedindo — disse Danielle, a voz agora um pouco mais rouca. — O que você vê em mim é uma projeção.

— O que eu vejo em você — interrompeu Luiza, contornando a cadeira e ficando de frente para ela, forçando Danielle a olhá-la nos olhos — é a única mulher que consegue me calar sem dizer uma palavra. E eu odeio ficar em silêncio.

Luiza ousou mais um passo, diminuindo o espaço mínimo que as separava. Ela podia ver a hesitação nos olhos de Danielle, a luta interna entre a razão e algo muito mais primitivo.

— Você disse que não dá mais de mamar — Luiza continuou, a voz baixa e carregada de intenção —, mas eu não estou com fome de leite, Danielle. Eu estou com fome de você.

Danielle fechou os olhos por um segundo, tentando recuperar o controle. Ela sabia que deveria se levantar, recolher suas coisas e sair daquela sala imediatamente. Mas a presença de Luiza era como um ímã. A juventude dela era desafiadora, e a forma como ela a olhava — como se Danielle fosse o único livro que valesse a pena ler — era algo que a professora não recebia há muito tempo em sua vida monótona e regrada.

— Luiza, por favor — pediu Danielle, mas o "por favor" soou mais como um apelo do que como uma ordem.

— Por favor, o quê? — Luiza se inclinou ainda mais, seus lábios quase roçando a orelha de Danielle. — Por favor, pare? Ou por favor, continue?

A mão de Danielle subiu, hesitando no ar, antes de pousar na cintura de Luiza. Não para afastá-la, mas para segurá-la ali, naquele limbo perigoso.

— Você é um problema — murmurou Danielle, abrindo os olhos e encontrando o brilho vitorioso no olhar da aluna.

— Eu sou o melhor problema que você já teve — respondeu Luiza com confiança. — Deixe a gramática para amanhã, professora. Hoje, eu quero que você me ensine algo que não está nos livros.

Danielle suspirou, a resistência desmoronando diante da insistência ardente daquela garota que se recusava a aceitar um "não". Ela sabia que aquilo era um erro, um capítulo que nunca deveria ser escrito, mas, naquele momento, sob a luz turva da biblioteca e o som da chuva, as regras pareciam meras sugestões.

— Só por hoje — disse Danielle, a voz quase um suspiro — você vai aprender que o silêncio pode ser muito mais barulhento do que qualquer palavra.

— Eu sou uma excelente aluna — sorriu Luiza, antes de finalmente quebrar a distância e reivindicar o que vinha desejando há meses.

O beijo foi um choque de realidades. A impetuosidade de Luiza encontrou a experiência contida de Danielle. Foi um encontro de fogo e gelo, onde as barreiras da idade e da posição social foram temporariamente suspensas. Danielle, que sempre se orgulhara de seu autocontrole, sentiu-se desarmada pela urgência da jovem em seus braços.

— Você... — começou Danielle, afastando-se apenas alguns milímetros para recuperar o fôlego — ...você é impossível.

— Eu sou persistente — corrigiu Luiza, com a respiração ofegante e as bochechas coradas. — E eu não vou a lugar nenhum.

Danielle olhou para a porta da biblioteca, certificando-se de que estavam sozinhas, e depois voltou sua atenção para Luiza. Havia uma nova luz em seus olhos, uma centelha de perigo que Luiza nunca tinha visto antes.

— Se vamos fazer isso — disse a professora, a voz agora firme e autoritária, assumindo o controle da situação —, faremos do meu jeito. Sem namoros, sem promessas e, acima de tudo, sem que ninguém saiba. Você consegue lidar com isso, ou a "adulta" aqui vai precisar de um tempo para pensar?

Luiza sentiu um frio na barriga, mas não era de medo. Era a adrenalina de ter finalmente alcançado o que parecia inalcançável.

— Eu aceito qualquer termo que você impuser — respondeu Luiza, os olhos brilhando. — Desde que o reforço continue.

Danielle deu um sorriso de lado, um gesto raro que transformou seu rosto severo em algo belo e misterioso.

— Oh, o reforço vai continuar, Luiza. Mas acho que vamos precisar mudar o currículo.

Ela se levantou, sua altura agora dominando o espaço, e fechou a gramática que estava sobre a mesa. O som do livro se fechando pareceu selar um pacto silencioso entre as duas.

— Agora — disse Danielle, caminhando em direção à porta para trancá-la —, vamos ver se você é tão boa na prática quanto é na provocação.

Luiza observou cada movimento da professora, sentindo que tinha acabado de entrar em um território desconhecido e fascinante. Ela queria chamar a atenção de Danielle a qualquer custo, e agora que tinha, percebeu que o preço seria muito mais alto e muito mais prazeroso do que jamais imaginara.

— Estou pronta para a aula, professora — disse Luiza, a voz firme apesar do coração martelando no peito.

Danielle voltou-se para ela, a chave da biblioteca na mão e um olhar que prometia que aquela noite seria apenas o começo de uma longa e complicada lição.

— Ótimo. Então comece guardando esses livros. De agora em diante, não usaremos palavras.

A chuva continuava a cair lá fora, lavando as ruas, enquanto dentro daquela sala, entre estantes repletas de clássicos, uma nova história começava a ser escrita — uma que não seguia as normas da língua, mas as batidas descompassadas de dois corações que decidiram, finalmente, ignorar o ponto final.
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