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Relacionamento secreto

Fandom: Colin/ Bill (CIA)

Criado: 06/07/2026

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O Diagnóstico do Desconhecido

A chuva batia contra as janelas da SUV blindada enquanto o grupo de agentes da CIA tentava recuperar o fôlego. O plano de extração em Berlim havia saído do controle em questão de segundos, e agora, com os canais de comunicação oficiais comprometidos, eles precisavam de um lugar para baixar a poeira. Colin, o líder da equipe, havia fornecido as coordenadas de um "ponto seguro" de última hora antes de se separar deles para distrair os perseguidores.

— Ele tem certeza de que este lugar é seguro? — perguntou Miller, limpando o sangue de um corte superficial na testa. — Não está no protocolo.

— Colin nunca erra as coordenadas — respondeu Sarah, a especialista em logística, enquanto verificava o tablet. — Mas é estranho. Este endereço é um imóvel residencial de alto padrão no subúrbio. Não parece um bunker da agência.

Eles estacionaram a duas quadras de distância e se aproximaram a pé, movendo-se pelas sombras com a eficiência de fantasmas. Quando chegaram à casa de tijolos aparentes e janelas amplas, a luz da sala de estar estava acesa.

— Alguém está lá dentro — sussurrou Miller, sacando a arma.

— Colin disse para virmos para cá — insistiu Sarah, embora também estivesse com a mão no coldre. — Vamos entrar pelos fundos.

Eles forçaram a fechadura da porta da cozinha com habilidade e entraram em silêncio. A casa exalava um aroma reconfortante de café fresco e papel antigo, algo que contrastava violentamente com a adrenalina metálica que corria nas veias dos agentes. Ao avançarem para o corredor principal, deram de cara com um homem.

Ele não parecia um agente. Vestia um suéter de lã azul-marinho, calças de sarja e óculos de leitura pendurados no pescoço. Estava segurando um livro de medicina e uma xícara de chá.

— Parado! — ordenou Miller, apontando a pistola para o peito do homem. — Mãos onde eu possa ver!

O homem não entrou em pânico. Ele apenas suspirou, colocou a xícara cuidadosamente sobre o aparador e levantou as mãos com uma calma exasperante. Seus olhos azuis percorreram os três agentes — Miller, Sarah e o jovem recrutas chamado Jackson — com uma curiosidade quase clínica.

— Vocês estão atrasados — disse ele. A voz era profunda, calma e carregada de uma autoridade natural que não deveria pertencer a um civil sob a mira de uma arma.

— Quem é você? — Sarah perguntou, mantendo a guarda alta. — O que está fazendo nesta casa?

— Eu moro aqui — respondeu ele, ajustando os óculos com uma das mãos, ignorando o rosnado de Miller. — E vocês estão sujando o tapete da entrada com lama e, se não me engano, sangue.

— Onde está o proprietário? — Jackson perguntou, nervoso.

— O proprietário, como você diz, deve chegar em breve — o homem caminhou em direção à cozinha, agindo como se não houvesse três assassinos treinados em sua sala. — Enquanto isso, Miller, pare de apontar essa arma para mim. O seguro desta casa não cobre buracos de bala em civis inocentes.

Os agentes se entreolharam, confusos. Como ele sabia o nome de Miller?

— Como você sabe quem eu sou? — Miller avançou, a voz tensa.

— Colin me deu uma descrição detalhada de cada um de vocês — o homem abriu a geladeira e retirou um kit de primeiros socorros que parecia muito mais profissional do que o padrão de campo. — Ele disse que, se algo desse errado, vocês viriam para cá. Sentem-se. Miller, esse corte na sua testa precisa de pontos. Sarah, você está mancando; provavelmente um estiramento no ligamento colateral medial.

— Você é um médico? — Sarah perguntou, relaxando minimamente os ombros, embora ainda desconfiada.

— Sou Bill — ele respondeu de forma simples, sem oferecer sobrenomes. — E sim, sou médico. Agora, sentem-se antes que eu decida que vocês são hóspedes mal-educados demais para serem ajudados.

Durante a hora seguinte, Bill moveu-se entre eles com uma eficiência silenciosa. Ele costurou a testa de Miller com uma precisão que faria qualquer cirurgião ter inveja e preparou uma compressa para Sarah. Ele não fazia perguntas sobre a missão, sobre Berlim ou sobre por que eles estavam cobertos de fuligem. Ele agia como se receber agentes da CIA feridos em sua sala de estar fosse apenas mais uma terça-feira tediosa.

— Colin nunca mencionou que tinha um... contato médico particular — comentou Jackson, observando Bill organizar os instrumentos. — E muito menos que esse contato morava em uma casa tão... doméstica.

— Colin guarda muitos segredos — Bill comentou com um meio sorriso enigmático. — Faz parte do charme dele, não acham?

— Ele é seu informante? — Miller tentou sondar, ainda tentando entender a dinâmica. — Ou você é dele?

Bill soltou uma risada curta e seca, o tipo de risada de quem sabe de algo que ninguém mais sabe.

— Digamos apenas que cuidamos um do outro.

Nesse momento, o som da porta da frente sendo aberta ecoou pelo corredor. Os agentes saltaram, armas em punho, mas Bill permaneceu sentado, terminando de limpar uma bandeja de aço.

— Abaixem isso — disse Bill, sem sequer olhar para a porta. — É ele.

Colin entrou na sala parecendo exausto. Sua jaqueta estava rasgada no ombro e havia uma mancha escura de graxa em seu rosto. Ele parou abruptamente ao ver a cena: sua equipe de elite espalhada por sua sala de estar e Bill, com seu suéter de lã, guardando gazes ensanguentadas.

— Você demorou — disse Bill, levantando-se para encontrar Colin no meio da sala.

— O trânsito estava um inferno — Colin respondeu, a voz suavizando de uma forma que nenhum dos agentes jamais tinha ouvido. — Eles deram muito trabalho?

— Miller tentou me dar ordens, Sarah foi educada e o rapaz novo parece que vai desmaiar a qualquer momento — Bill fez um gesto em direção a Jackson. — Mas a casa ainda está de pé.

Colin soltou um suspiro longo, fechando os olhos por um segundo.

— Obrigado, Bill. De verdade.

— Você está ferido? — Bill perguntou, aproximando-se e tocando o ombro de Colin com uma familiaridade que fez Miller franzir o cenho.

— Apenas um arranhão. Nada que você precise se preocupar agora.

Os agentes observavam a interação em um silêncio atônito. Colin, o homem de gelo, o agente que nunca falava sobre sua vida pessoal e que parecia viver em hotéis e bases militares, estava ali, deixando aquele médico tocar seu ombro e falar com ele como se fossem velhos amigos de faculdade. Ou algo mais.

— Colin — Sarah interveio, limpando a garganta. — O que exatamente é este lugar?

Colin olhou para sua equipe, recuperando instantaneamente sua postura profissional, embora a mão de Bill ainda estivesse por perto.

— Este é um local seguro não oficial — explicou Colin de forma curta. — Bill é de total confiança. Ele é... um associado de longa data.

— Um associado que sabe nossos nomes e mora em uma casa cheia de fotos de viagens? — Miller apontou para uma moldura na estante que mostrava duas silhuetas distantes em uma praia na Grécia.

— Miller, foque na missão — Colin cortou, o tom voltando a ser autoritário. — Estamos seguros aqui por enquanto. Bill vai providenciar roupas limpas e comida. Amanhã de manhã, faremos o contato com o Diretor.

— Eu vou preparar algo na cozinha — disse Bill, lançando um olhar de soslaio para Colin. — Tente não deixar sangue no sofá novo, Colin. Eu escolhi aquele tecido justamente porque você disse que era resistente.

— Eu sei, eu sei — Colin murmurou, quase parecendo... repreendido.

Bill saiu da sala, e o silêncio que se seguiu foi preenchido apenas pelo som de seus passos em direção à cozinha.

— Ele é seu médico particular, então? — Jackson perguntou, ainda processando tudo. — Tipo, ele trabalha para a Agência sob contrato secreto?

Colin hesitou por uma fração de segundo.

— Algo assim — respondeu ele, embora a mentira soasse estranha em seus próprios ouvidos naquela casa. — Ele é a pessoa que me mantém inteiro quando vocês não estão por perto para me cobrir.

— Ele parece... civilizado demais para o seu círculo — comentou Sarah, observando Colin com um olhar analítico. — E ele conhece você muito bem.

— Bill tem uma percepção aguçada — Colin limitou-se a dizer. — Agora, descansem. Temos um longo caminho até o relatório final.

Mais tarde naquela noite, quando os três agentes já estavam acomodados nos quartos de hóspedes do andar de cima, Colin entrou na cozinha. Bill estava parado junto ao balcão, observando a cafeteira terminar seu ciclo.

— Eles são curiosos — comentou Bill, sem se virar.

— Eles são espiões, Bill. É o trabalho deles — Colin aproximou-se, parando logo atrás dele. — Desculpe por trazê-los para cá. Eu não tive escolha.

— Eu sei que não teve — Bill virou-se, retirando os óculos e esfregando a ponte do nariz. — Mas Miller quase atirou no meu bule de prata favorito. Isso eu não vou esquecer tão cedo.

Colin soltou uma risada baixa e genuína, algo que ele nunca permitia que transparecesse nos corredores da CIA. Ele deu um passo à frente, entrando no espaço pessoal de Bill, e por um momento, a fachada do agente endurecido desapareceu completamente.

— Você foi ótimo — sussurrou Colin. — Obrigado por cuidar deles.

— Eu cuido de quem você traz para casa — Bill respondeu, sua voz suave, mas firme. — Mas não se acostume com isso. Eu prefiro quando esta casa tem apenas um agente teimoso para eu remendar.

— Eles não desconfiaram? — Colin perguntou, olhando para a porta para garantir que estavam sozinhos.

— Eles acham que sou seu informante, seu médico de aluguel ou talvez um ativo valioso que você está protegendo — Bill sorriu, um brilho divertido nos olhos. — A ideia de que o grande Colin possa ter uma vida doméstica comum, com um marido que reclama de lama no tapete, parece estar além da capacidade imaginativa deles.

— Melhor assim — Colin concordou, embora houvesse uma ponta de melancolia em sua voz. — Por enquanto, vamos deixá-los com as teorias deles.

— Vá tomar um banho, Colin — Bill deu um tapinha leve em seu braço. — Você cheira a pólvora e desespero. Vou levar um chá para você lá em cima.

— Chá? Eu estava pensando em algo mais forte.

— Médico em serviço, lembra? — Bill piscou para ele. — Chá. E cama.

Colin subiu as escadas em silêncio. No corredor, ele passou pela porta entreaberta do quarto onde Miller e Jackson estavam cochichando.

— ...eu te digo, ele deve ser algum tipo de ex-agente do MI6 que se aposentou — Miller estava dizendo. — Aquele jeito dele... ele não tem medo de armas.

— Ou talvez ele seja um ativo de alto nível que Colin está escondendo do governo — sugeriu Jackson. — Você viu como Colin olhou para ele? Como se devesse a vida a ele.

Colin sorriu para si mesmo e continuou caminhando até seu quarto, o único lugar no mundo onde ele não precisava ser o homem que todos temiam, apenas o homem que Bill amava. A identidade secreta de Bill como seu marido era, de longe, a missão mais bem-sucedida de sua carreira. E, a julgar pela confusão de sua equipe, continuaria sendo por muito tempo.
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