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Fourever You
Fandom: Fourever You
Criado: 06/07/2026
Tags
OmegaversoRomanceDramaHistória DomésticaCiúmesAbuso de ÁlcoolSombrio
O Preço da Liberdade: Instintos sob Controle
Daotok sentia o suor frio descer por sua nuca enquanto trocava um olhar cúmplice com North, Easter e Typhoon. Eles estavam parados no corredor da luxuosa casa de praia, o som das ondas quebrando lá fora servindo como uma trilha sonora irônica para o que parecia ser o prelúdio de um desastre. O plano de Typhoon era perfeito no papel: uma viagem para celebrar a formatura e o sucesso de todos, um refúgio de paz onde os oito melhores amigos poderiam finalmente se reconectar.
O problema não era o destino, nem o motivo. O problema eram os quatro homens sentados na sala de estar.
Arthit, Johan, Hill e Tonfah. Quatro Alphas Primes. Quatro forças da natureza que, embora fossem melhores amigos entre si, possuíam instintos que beiravam o arcaico quando se tratava de seus respectivos ômegas. Eles eram territoriais, possessivos e, acima de tudo, controladores por natureza — uma característica que os quatro ômegas geralmente achavam atraente, exceto quando queriam um pouco de autonomia.
— Se morrermos hoje, quero que saibam que foi uma honra ser amigo de vocês — sussurrou North, ajeitando os óculos com um tique nervoso.
— Deixa de drama — Easter tentou encorajar, embora sua voz tenha falhado levemente. — Eles nos amam. O que é uma noite longe deles?
— Para um Alpha Prime? É o equivalente a um exílio eterno — rebateu Typhoon, segurando firme o travesseiro que já trazia consigo.
Daotok respirou fundo, assumindo a liderança. Ele era o ômega de Arthit, o homem que conseguia silenciar uma sala apenas com o olhar. Se alguém tinha que dar o primeiro passo, seria ele.
— Vamos logo antes que a coragem acabe.
Eles entraram na sala. O ambiente mudou instantaneamente. Os quatro Alphas interromperam a conversa no mesmo segundo, quatro pares de olhos intensos fixando-se em seus parceiros. A atmosfera ficou pesada, saturada com o cheiro de madeira, mar e poder.
— Algum problema, meu bem? — perguntou Arthit, sua voz profunda e calma, mas com aquela nota de autoridade que sempre fazia os pelos do braço de Daotok se arrepiarem.
Johan, Hill e Tonfah não disseram nada, mas a postura deles — relaxada, porém alerta — dizia tudo. Eles estavam prontos para qualquer coisa que seus ômegas precisassem.
— Precisamos falar com vocês — começou Daotok, fazendo um gesto para que os outros três se aproximassem. — E queremos que fiquem calmos. Sentem-se e apenas escutem, por favor.
Os Alphas se entreolharam. A obediência não era algo que vinha fácil para eles, mas por seus ômegas, eles faziam concessões. Eles se acomodaram nos sofás de couro, a expressão de Johan já demonstrando uma leve desconfiança.
— Decidimos que, por hoje à noite, queremos uma festa do pijama — anunciou Daotok, as palavras saindo rápidas. — Só nós quatro. Aqui na sala. Sem... vocês.
O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor. O rosto de Tonfah endureceu, e Hill cruzou os braços sobre o peito largo.
— Como assim "sem nós"? — Johan perguntou, a voz perigosamente baixa. — Vocês pretendem dormir aqui embaixo, expostos, enquanto nós ficamos lá em cima?
— Não estamos expostos, Johan, estamos dentro de uma casa trancada! — North interveio, tentando usar a lógica, uma arma inútil contra instintos de Alpha Prime.
— A resposta é não — Hill disse de forma curta e grossa, olhando para Easter como se esperasse que ele se desculpasse pela ideia.
— Esperem! — Daotok levantou as mãos. — Temos uma proposta. Se vocês concordarem com a nossa noite de liberdade, amanhã... amanhã faremos tudo o que vocês quiserem. O dia inteiro. Sem reclamações.
O ar na sala pareceu mudar de densidade. O interesse brilhou nos olhos de Arthit. A proposta era, no mínimo, tentadora. "Tudo o que quisessem" vindo de seus ômegas era um cheque em branco para quatro homens que viviam para mimar, controlar e possuir seus parceiros.
Arthit olhou para seus amigos. Uma conversa silenciosa ocorreu entre eles em segundos. O desejo de ter seus ômegas totalmente submissos e disponíveis no dia seguinte pesou mais do que o desconforto de uma noite separados.
— Tudo? — Arthit confirmou, os olhos escurecendo.
— Tudo — Daotok engoliu em seco.
— Muito bem — Arthit se levantou, seguido pelos outros três. — Vocês têm a noite de vocês. Mas não saiam desta sala. Se eu ouvir um barulho estranho, o acordo acaba.
Os quatro Alphas subiram as escadas, mas não antes de cada um dar um olhar carregado de aviso para seus respectivos namorados.
Assim que os passos sumiram no andar de cima, os quatro ômegas soltaram o ar que nem sabiam que estavam segurando.
— Nós conseguimos! — Typhoon deu um pulinho de alegria. — Rápido, peguem as garrafas de vinho que escondemos na despensa!
A noite que se seguiu foi o caos que eles tanto almejavam. Longe do olhar vigilante de seus Alphas, que controlavam desde a quantidade de açúcar que consumiam até o horário de dormir para garantir que estivessem sempre saudáveis e descansados, os quatro decidiram chutar o balde.
— Mais uma rodada! — North gritou, rindo enquanto servia a terceira taça de vinho para cada um.
— Vocês acham que eles estão dormindo? — Easter perguntou, abrindo a quarta caixa de pizza e pegando uma fatia cheia de queijo e gordura, algo que Hill jamais permitiria a essa hora.
— Duvido — Daotok riu, sentindo o álcool subir à cabeça. — Arthit deve estar andando de um lado para o outro como um leão na jaula. Vamos colocar o filme de terror agora!
Eles assistiram a três filmes de terror seguidos, gritando a cada susto e rindo logo depois. Comeram doces, chocolates, pastéis fritos que haviam comprado escondidos e beberam até que as garrafas estivessem vazias e espalhadas pelo tapete. A liberdade era inebriante. Eles se sentiam invencíveis, donos de seu próprio destino, ignorando completamente que, no andar de cima, quatro predadores não haviam fechado os olhos por um segundo sequer.
Lá em cima, o clima era de guerra.
— Eu sinto o cheiro de gordura e álcool daqui — rosnou Tonfah, sentado no topo da escada, as mãos cerradas em punhos. — Typhoon tem o estômago sensível. Ele vai passar mal amanhã.
— Johan está rindo alto demais — Johan comentou, sua voz vibrando de irritação. — Ele vai acordar com dor de cabeça. Eu avisei que ele não deveria beber vinho barato.
— O pior são esses filmes — Hill disse, encostado na parede, os sentidos aguçados ao máximo. — Easter tem pesadelos com filmes de terror. Ele vai precisar de mim e eu estou aqui, proibido de entrar na minha própria sala.
Arthit era o mais silencioso, mas o mais letal. Ele não dizia nada, mas sua aura de Alpha Prime estava tão expandida que as luzes do corredor pareciam oscilar. Ele estava contando os minutos. Cada risada, cada barulho de embalagem de doce sendo aberta, era um registro em sua mente do que ele teria que "corrigir" na manhã seguinte.
— Sete da manhã — Arthit disse finalmente, sua voz soando como um veredito. — Às sete da manhã, o acordo acaba.
O tempo passou devagar para os Alphas e rápido demais para os ômegas. Eventualmente, o álcool e o cansaço venceram os quatro amigos na sala. Eles desabaram uns sobre os outros, um emaranhado de pernas e braços no meio de caixas de pizza vazias, farelos de comida e garrafas de vinho. O silêncio finalmente reinou.
Quando o relógio na parede marcou exatamente sete horas, o som dos passos descendo as escadas foi rítmico e pesado.
Os quatro Alphas pararam na entrada da sala. A cena diante deles era o pesadelo de qualquer Prime. O cheiro de álcool era forte, misturado com o odor de comida processada. Seus ômegas, geralmente tão bem cuidados e impecáveis, pareciam desastrosos.
Daotok estava com a boca suja de chocolate, dormindo com a cabeça no colo de North. North tinha um óculos torto e uma mancha de vinho na camiseta. Easter estava abraçado a uma almofada, murmurando algo sobre monstros, e Typhoon estava jogado de mau jeito, com a respiração pesada de quem comeu demais.
A fúria silenciosa que emanava dos Alphas era palpável. Para eles, ver seus ômegas naquele estado — sem supervisão, negligenciando a própria saúde e segurança — era uma afronta direta aos seus instintos de proteção.
— Olhem para isso — Johan sussurrou, mas sua voz carregava um trovão escondido.
Arthit deu um passo à frente, sua sombra cobrindo Daotok. Ele observou o rosto sereno do namorado, sentindo uma mistura de posse possessiva e irritação profunda. Eles haviam quebrado todas as regras. Eles haviam se "estragado" em uma única noite.
— Acordem — a voz de Arthit não foi um grito, mas teve o mesmo efeito. Foi um comando de Alpha Prime puro.
Os quatro ômegas saltaram, os olhos arregalados e turvos de sono. A ressaca ainda não havia batido totalmente, mas o medo sim.
Daotok olhou para cima e encontrou os olhos de Arthit. Não havia o brilho carinhoso de sempre. Havia apenas uma escuridão possessiva que dizia que o tempo de brincadeira havia acabado.
— Bom dia — North tentou dizer, mas sua garganta estava seca e sua voz saiu como um grasnido.
Johan se aproximou dele, pegando-o pelo queixo com uma firmeza que não aceitava resistência.
— Você está cheirando a álcool e pizza, North. Eu disse que não queria você bebendo essas porcarias.
— Foi só uma noite... — Easter tentou defender, mas Hill já estava ao seu lado, levantando-o do chão como se ele não pesasse nada.
— Uma noite em que você não dormiu, comeu lixo e agora está tremendo porque teve pesadelos — Hill rosnou perto do ouvido de Easter. — Você acha que isso é divertido?
Tonfah já havia pegado Typhoon, que parecia prestes a vomitar.
— Para o banheiro. Agora. Você vai tomar um banho frio e limpar esse sistema antes que eu perca a paciência de vez.
Daotok olhou para Arthit, tentando manter alguma dignidade, mas o Alpha Prime se inclinou sobre ele, as mãos apoiadas no sofá, encurralando-o.
— Vocês se divertiram, não é? — Arthit perguntou, sua voz suave demais, o que era sempre um sinal de perigo. — Fizeram tudo o que sabiam que nós odiamos.
— Nós tínhamos um acordo — Daotok lembrou, embora sua voz estivesse trêmula.
— Sim, nós tínhamos — Arthit sorriu, um sorriso que não chegava aos olhos. — E agora o acordo diz que vocês são nossos. O dia inteiro. Para fazermos o que quisermos.
Arthit olhou para os outros Alphas, que já estavam arrastando seus respectivos ômegas para o andar de cima.
— Espero que tenham aproveitado cada segundo daquela festa do pijama — Arthit continuou, pegando Daotok nos braços sem esforço nenhum. — Porque garanto que, pelas próximas 24 horas, vocês não vão ter forças nem para lembrar como se segura uma taça de vinho.
Daotok escondeu o rosto no pescoço de Arthit, sentindo o cheiro familiar de sândalo e poder. Ele sabia que eles tinham cruzado uma linha. Os Alphas Primes não compartilhavam, não esqueciam e, acima de tudo, não permitiam que seus tesouros fossem negligenciados — nem mesmo pelos próprios ômegas.
A liberdade tinha tido um gosto doce durante a noite, mas o preço, ele percebeu enquanto era carregado para o quarto, seria cobrado com juros e uma intensidade que só um Alpha Prime possessivo poderia exercer.
— Arthit... — Daotok murmurou, tentando uma última vez apelar para o lado suave do namorado.
— Silêncio, Daotok — Arthit respondeu, a voz vibrando contra o peito do ômega. — Você já falou o suficiente por uma noite. Agora, você só vai escutar. E obedecer.
A porta do quarto se fechou com um estalo definitivo, deixando para trás o rastro do caos da sala e iniciando um dia onde o controle voltaria para as mãos de quem nunca deveria ter saído. Os quatro ômegas aprenderiam, da maneira mais intensa possível, que brincar com o instinto de um Alpha Prime era como brincar com fogo: você pode até gostar do calor, mas inevitavelmente acabará se queimando.
O problema não era o destino, nem o motivo. O problema eram os quatro homens sentados na sala de estar.
Arthit, Johan, Hill e Tonfah. Quatro Alphas Primes. Quatro forças da natureza que, embora fossem melhores amigos entre si, possuíam instintos que beiravam o arcaico quando se tratava de seus respectivos ômegas. Eles eram territoriais, possessivos e, acima de tudo, controladores por natureza — uma característica que os quatro ômegas geralmente achavam atraente, exceto quando queriam um pouco de autonomia.
— Se morrermos hoje, quero que saibam que foi uma honra ser amigo de vocês — sussurrou North, ajeitando os óculos com um tique nervoso.
— Deixa de drama — Easter tentou encorajar, embora sua voz tenha falhado levemente. — Eles nos amam. O que é uma noite longe deles?
— Para um Alpha Prime? É o equivalente a um exílio eterno — rebateu Typhoon, segurando firme o travesseiro que já trazia consigo.
Daotok respirou fundo, assumindo a liderança. Ele era o ômega de Arthit, o homem que conseguia silenciar uma sala apenas com o olhar. Se alguém tinha que dar o primeiro passo, seria ele.
— Vamos logo antes que a coragem acabe.
Eles entraram na sala. O ambiente mudou instantaneamente. Os quatro Alphas interromperam a conversa no mesmo segundo, quatro pares de olhos intensos fixando-se em seus parceiros. A atmosfera ficou pesada, saturada com o cheiro de madeira, mar e poder.
— Algum problema, meu bem? — perguntou Arthit, sua voz profunda e calma, mas com aquela nota de autoridade que sempre fazia os pelos do braço de Daotok se arrepiarem.
Johan, Hill e Tonfah não disseram nada, mas a postura deles — relaxada, porém alerta — dizia tudo. Eles estavam prontos para qualquer coisa que seus ômegas precisassem.
— Precisamos falar com vocês — começou Daotok, fazendo um gesto para que os outros três se aproximassem. — E queremos que fiquem calmos. Sentem-se e apenas escutem, por favor.
Os Alphas se entreolharam. A obediência não era algo que vinha fácil para eles, mas por seus ômegas, eles faziam concessões. Eles se acomodaram nos sofás de couro, a expressão de Johan já demonstrando uma leve desconfiança.
— Decidimos que, por hoje à noite, queremos uma festa do pijama — anunciou Daotok, as palavras saindo rápidas. — Só nós quatro. Aqui na sala. Sem... vocês.
O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor. O rosto de Tonfah endureceu, e Hill cruzou os braços sobre o peito largo.
— Como assim "sem nós"? — Johan perguntou, a voz perigosamente baixa. — Vocês pretendem dormir aqui embaixo, expostos, enquanto nós ficamos lá em cima?
— Não estamos expostos, Johan, estamos dentro de uma casa trancada! — North interveio, tentando usar a lógica, uma arma inútil contra instintos de Alpha Prime.
— A resposta é não — Hill disse de forma curta e grossa, olhando para Easter como se esperasse que ele se desculpasse pela ideia.
— Esperem! — Daotok levantou as mãos. — Temos uma proposta. Se vocês concordarem com a nossa noite de liberdade, amanhã... amanhã faremos tudo o que vocês quiserem. O dia inteiro. Sem reclamações.
O ar na sala pareceu mudar de densidade. O interesse brilhou nos olhos de Arthit. A proposta era, no mínimo, tentadora. "Tudo o que quisessem" vindo de seus ômegas era um cheque em branco para quatro homens que viviam para mimar, controlar e possuir seus parceiros.
Arthit olhou para seus amigos. Uma conversa silenciosa ocorreu entre eles em segundos. O desejo de ter seus ômegas totalmente submissos e disponíveis no dia seguinte pesou mais do que o desconforto de uma noite separados.
— Tudo? — Arthit confirmou, os olhos escurecendo.
— Tudo — Daotok engoliu em seco.
— Muito bem — Arthit se levantou, seguido pelos outros três. — Vocês têm a noite de vocês. Mas não saiam desta sala. Se eu ouvir um barulho estranho, o acordo acaba.
Os quatro Alphas subiram as escadas, mas não antes de cada um dar um olhar carregado de aviso para seus respectivos namorados.
Assim que os passos sumiram no andar de cima, os quatro ômegas soltaram o ar que nem sabiam que estavam segurando.
— Nós conseguimos! — Typhoon deu um pulinho de alegria. — Rápido, peguem as garrafas de vinho que escondemos na despensa!
A noite que se seguiu foi o caos que eles tanto almejavam. Longe do olhar vigilante de seus Alphas, que controlavam desde a quantidade de açúcar que consumiam até o horário de dormir para garantir que estivessem sempre saudáveis e descansados, os quatro decidiram chutar o balde.
— Mais uma rodada! — North gritou, rindo enquanto servia a terceira taça de vinho para cada um.
— Vocês acham que eles estão dormindo? — Easter perguntou, abrindo a quarta caixa de pizza e pegando uma fatia cheia de queijo e gordura, algo que Hill jamais permitiria a essa hora.
— Duvido — Daotok riu, sentindo o álcool subir à cabeça. — Arthit deve estar andando de um lado para o outro como um leão na jaula. Vamos colocar o filme de terror agora!
Eles assistiram a três filmes de terror seguidos, gritando a cada susto e rindo logo depois. Comeram doces, chocolates, pastéis fritos que haviam comprado escondidos e beberam até que as garrafas estivessem vazias e espalhadas pelo tapete. A liberdade era inebriante. Eles se sentiam invencíveis, donos de seu próprio destino, ignorando completamente que, no andar de cima, quatro predadores não haviam fechado os olhos por um segundo sequer.
Lá em cima, o clima era de guerra.
— Eu sinto o cheiro de gordura e álcool daqui — rosnou Tonfah, sentado no topo da escada, as mãos cerradas em punhos. — Typhoon tem o estômago sensível. Ele vai passar mal amanhã.
— Johan está rindo alto demais — Johan comentou, sua voz vibrando de irritação. — Ele vai acordar com dor de cabeça. Eu avisei que ele não deveria beber vinho barato.
— O pior são esses filmes — Hill disse, encostado na parede, os sentidos aguçados ao máximo. — Easter tem pesadelos com filmes de terror. Ele vai precisar de mim e eu estou aqui, proibido de entrar na minha própria sala.
Arthit era o mais silencioso, mas o mais letal. Ele não dizia nada, mas sua aura de Alpha Prime estava tão expandida que as luzes do corredor pareciam oscilar. Ele estava contando os minutos. Cada risada, cada barulho de embalagem de doce sendo aberta, era um registro em sua mente do que ele teria que "corrigir" na manhã seguinte.
— Sete da manhã — Arthit disse finalmente, sua voz soando como um veredito. — Às sete da manhã, o acordo acaba.
O tempo passou devagar para os Alphas e rápido demais para os ômegas. Eventualmente, o álcool e o cansaço venceram os quatro amigos na sala. Eles desabaram uns sobre os outros, um emaranhado de pernas e braços no meio de caixas de pizza vazias, farelos de comida e garrafas de vinho. O silêncio finalmente reinou.
Quando o relógio na parede marcou exatamente sete horas, o som dos passos descendo as escadas foi rítmico e pesado.
Os quatro Alphas pararam na entrada da sala. A cena diante deles era o pesadelo de qualquer Prime. O cheiro de álcool era forte, misturado com o odor de comida processada. Seus ômegas, geralmente tão bem cuidados e impecáveis, pareciam desastrosos.
Daotok estava com a boca suja de chocolate, dormindo com a cabeça no colo de North. North tinha um óculos torto e uma mancha de vinho na camiseta. Easter estava abraçado a uma almofada, murmurando algo sobre monstros, e Typhoon estava jogado de mau jeito, com a respiração pesada de quem comeu demais.
A fúria silenciosa que emanava dos Alphas era palpável. Para eles, ver seus ômegas naquele estado — sem supervisão, negligenciando a própria saúde e segurança — era uma afronta direta aos seus instintos de proteção.
— Olhem para isso — Johan sussurrou, mas sua voz carregava um trovão escondido.
Arthit deu um passo à frente, sua sombra cobrindo Daotok. Ele observou o rosto sereno do namorado, sentindo uma mistura de posse possessiva e irritação profunda. Eles haviam quebrado todas as regras. Eles haviam se "estragado" em uma única noite.
— Acordem — a voz de Arthit não foi um grito, mas teve o mesmo efeito. Foi um comando de Alpha Prime puro.
Os quatro ômegas saltaram, os olhos arregalados e turvos de sono. A ressaca ainda não havia batido totalmente, mas o medo sim.
Daotok olhou para cima e encontrou os olhos de Arthit. Não havia o brilho carinhoso de sempre. Havia apenas uma escuridão possessiva que dizia que o tempo de brincadeira havia acabado.
— Bom dia — North tentou dizer, mas sua garganta estava seca e sua voz saiu como um grasnido.
Johan se aproximou dele, pegando-o pelo queixo com uma firmeza que não aceitava resistência.
— Você está cheirando a álcool e pizza, North. Eu disse que não queria você bebendo essas porcarias.
— Foi só uma noite... — Easter tentou defender, mas Hill já estava ao seu lado, levantando-o do chão como se ele não pesasse nada.
— Uma noite em que você não dormiu, comeu lixo e agora está tremendo porque teve pesadelos — Hill rosnou perto do ouvido de Easter. — Você acha que isso é divertido?
Tonfah já havia pegado Typhoon, que parecia prestes a vomitar.
— Para o banheiro. Agora. Você vai tomar um banho frio e limpar esse sistema antes que eu perca a paciência de vez.
Daotok olhou para Arthit, tentando manter alguma dignidade, mas o Alpha Prime se inclinou sobre ele, as mãos apoiadas no sofá, encurralando-o.
— Vocês se divertiram, não é? — Arthit perguntou, sua voz suave demais, o que era sempre um sinal de perigo. — Fizeram tudo o que sabiam que nós odiamos.
— Nós tínhamos um acordo — Daotok lembrou, embora sua voz estivesse trêmula.
— Sim, nós tínhamos — Arthit sorriu, um sorriso que não chegava aos olhos. — E agora o acordo diz que vocês são nossos. O dia inteiro. Para fazermos o que quisermos.
Arthit olhou para os outros Alphas, que já estavam arrastando seus respectivos ômegas para o andar de cima.
— Espero que tenham aproveitado cada segundo daquela festa do pijama — Arthit continuou, pegando Daotok nos braços sem esforço nenhum. — Porque garanto que, pelas próximas 24 horas, vocês não vão ter forças nem para lembrar como se segura uma taça de vinho.
Daotok escondeu o rosto no pescoço de Arthit, sentindo o cheiro familiar de sândalo e poder. Ele sabia que eles tinham cruzado uma linha. Os Alphas Primes não compartilhavam, não esqueciam e, acima de tudo, não permitiam que seus tesouros fossem negligenciados — nem mesmo pelos próprios ômegas.
A liberdade tinha tido um gosto doce durante a noite, mas o preço, ele percebeu enquanto era carregado para o quarto, seria cobrado com juros e uma intensidade que só um Alpha Prime possessivo poderia exercer.
— Arthit... — Daotok murmurou, tentando uma última vez apelar para o lado suave do namorado.
— Silêncio, Daotok — Arthit respondeu, a voz vibrando contra o peito do ômega. — Você já falou o suficiente por uma noite. Agora, você só vai escutar. E obedecer.
A porta do quarto se fechou com um estalo definitivo, deixando para trás o rastro do caos da sala e iniciando um dia onde o controle voltaria para as mãos de quem nunca deveria ter saído. Os quatro ômegas aprenderiam, da maneira mais intensa possível, que brincar com o instinto de um Alpha Prime era como brincar com fogo: você pode até gostar do calor, mas inevitavelmente acabará se queimando.
