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Lovely Complex
Fandom: Sem fandom
Criado: 06/07/2026
Tags
RomanceFatias de VidaFofuraHumorHistória DomésticaEstudo de PersonagemRealismoCenário Canônico
Entre Mares e Lençóis
O sol da manhã começou a filtrar pelas frestas da cortina de linho, pintando riscos dourados sobre o tapete do quarto. Rafaella despertou lentamente, sentindo o corpo mais leve do que nunca. O peso reconfortante do braço de Augusto ainda rodeava sua cintura, e o calor que emanava dele era o melhor despertador que ela poderia desejar. Ela se virou devagar, tentando não acordá-lo, apenas para admirar aquele rosto que, mesmo em repouso, exalava uma intensidade magnética.
Augusto era, sem dúvida, o homem mais lindo que ela já conhecera, mas era a sua entrega, o modo como ele a tratava como se ela fosse o seu centro de gravidade, que realmente a prendia. Ela passou a ponta dos dedos levemente pelo ombro dele, sentindo os músculos relaxados.
— Já acordada, Rafa? — a voz dele saiu rouca, abafada pelo travesseiro, enquanto um sorriso preguiçoso surgia em seus lábios.
— É difícil não acordar feliz depois de ontem — ela sussurrou, aproximando-se para selar os lábios nos dele em um beijo calmo, com gosto de preguiça e carinho.
— Aquela massagem foi o meu golpe final — brincou ele, abrindo os olhos castanhos que brilhavam com uma satisfação genuína. — Você apagou antes mesmo de eu chegar às panturrilhas.
— Você me deixou relaxada demais, Guto. Foi covardia — ela riu, sentando-se na cama e deixando os lençóis caírem um pouco, revelando a pele que ainda parecia formigar sob a memória dos toques dele.
A paz daquela manhã, porém, tinha hora para acabar. O som estridente de um celular vibrando sobre a mesa de cabeceira quebrou o silêncio. Augusto soltou um gemido de frustração e esticou o braço para atender.
— Se for o Bernardo querendo saber detalhes da "partida", eu juro que vou fazer ele correr vinte voltas no campo sob o sol do meio-dia — resmungou ele, antes de ver o nome na tela. — É a Sofia.
Rafaella riu, pegando o próprio celular.
— A Sofia não tem filtro. Se ela está ligando para você, é porque eu não atendi as dez mensagens que ela provavelmente enviou.
Augusto atendeu e colocou no viva-voz, jogando o aparelho entre os dois na cama.
— Bom dia, casal do ano! — a voz vibrante de Sofia ecoou pelo quarto. — Já podem sair da bolha de amor ou o Bernardo vai ter que ir aí bater na porta com uma cesta de café da manhã como desculpa para fofocar?
— Sofia, são oito da manhã — Augusto respondeu, tentando parecer severo, mas falhando miseravelmente. — E o seu namorado já causou problemas demais ontem à noite com aqueles gansos de toalha.
— Ah, não reclama! — Sofia riu do outro lado. — O Bernardo passou horas no YouTube aprendendo a dobrar aquilo. Ele queria que fosse romântico, mas o talento dele é limitado, coitado. Enfim, estamos descendo para a praia. O dia está perfeito e a gente não vai deixar vocês mofando nesse quarto. Dez minutos ou eu subo!
— Ela não está brincando — Rafaella disse, olhando para Augusto enquanto Sofia desligava. — Se a gente não aparecer, ela vai mobilizar o hotel inteiro.
— Eu só queria mais uma hora de silêncio com você — Augusto suspirou, puxando Rafaella para um abraço apertado, enterrando o rosto no pescoço dela. — Mas acho que devo isso ao time. Se eu não aparecer, o Bernardo vai convencer todo mundo de que eu me aposentei para virar massagista profissional.
— E você seria um ótimo massagista, capitão — ela provocou, dando um tapinha leve no braço dele antes de saltar da cama. — Vamos. O mar está chamando e eu quero ver a cara do Bernardo quando você cobrar a conta das brincadeiras de ontem.
Vinte minutos depois, o quarteto estava reunido na areia clara da praia privativa. O mar estava calmo, uma imensidão azul que parecia fundir-se com o céu no horizonte. Sofia e Bernardo já estavam instalados sob um guarda-sol, cercados por térmicas e pranchas de stand-up paddle.
— Olha só quem resolveu dar as caras! — exclamou Bernardo, levantando-se com um sorriso de orelha a orelha. Ele usava um chapéu de palha ridículo e segurava uma raquete de frescobol. — E aí, Guto? O kit que a gente deixou foi útil ou você precisou de um manual de instruções?
Augusto caminhou até o amigo e, em vez de cumprimentá-lo, deu-lhe um "pescotapa" amigável, mas firme.
— O kit foi um desastre visual, seu idiota. O que era aquele ganso com escoliose na minha cama?
— Era um cisne, cara! Um cisne sofrendo de amor — Bernardo defendeu-se, rindo enquanto tentava escapar de outro golpe.
Enquanto os dois se provocavam, Rafaella se sentou ao lado de Sofia, que a observava com um olhar analítico e um sorriso cúmplice.
— Você está radiante, Rafa. Sério, está com aquele brilho de quem foi muito bem cuidada — Sofia comentou em voz baixa, ajeitando os óculos de sol.
— Ele é incrível, Sofi — confessou Rafaella, olhando para Augusto, que agora discutia táticas de futebol na areia com Bernardo. — Ontem foi... intenso. Mas o que mais me pegou foi depois. Ele me fez uma massagem até eu dormir. Ele realmente se importa, sabe? Não é só a parte física, embora o Guto seja... bem, você vê.
— Eu sei. O Bernardo diz que o Augusto nunca foi assim com ninguém. Ele sempre foi o cara focado, o capitão sério, o "intenso" que não deixava ninguém entrar de verdade. Você mudou o jogo dele.
Rafaella sentiu o coração aquecer. Ela sempre soube que havia algo mais profundo em Augusto, algo que ia além da postura de líder e do físico impecável.
— Ei, meninas! — Augusto gritou da beira da água, acenando para elas. — Menos fofoca e mais ação. Quem vai cair no mar primeiro?
Rafaella se levantou, tirando a saída de praia e revelando um biquíni que ressaltava todas as suas curvas. Ela percebeu o momento exato em que o olhar de Augusto mudou ao vê-la. A brincadeira com Bernardo morreu instantaneamente, substituída por aquela admiração profunda e possessiva que só ele sabia direcionar a ela.
— Eu vou! — Rafaella correu em direção à água, sentindo a areia quente sob os pés.
Augusto a interceptou no meio do caminho, pegando-a no colo com facilidade. Ela soltou um grito de surpresa e alegria enquanto ele a carregava para o fundo.
— Augusto, está gelada! — ela protestou, rindo e se segurando no pescoço dele.
— Eu te aqueço — ele prometeu, a voz baixinha perto do ouvido dela, antes de mergulharem juntos em uma onda pequena que quebrava ali perto.
A água salgada parecia lavar qualquer resto de cansaço. Eles nadaram, brincaram e, por alguns instantes, o mundo se resumia ao toque das mãos sob a água e ao som das risadas que se perdiam no vento. Quando voltaram para a parte rasa, Bernardo e Sofia já estavam tentando se equilibrar nas pranchas de stand-up.
— É agora que eu me vingo — murmurou Augusto para Rafaella, com um brilho travesso nos olhos. — Fica vendo.
Ele nadou silenciosamente até a prancha de Bernardo e, com um movimento rápido e coordenado, virou a estrutura. Bernardo caiu na água com um espalhafato digno de cinema, arrancando gargalhadas de todos na praia.
— Falta de espírito esportivo, capitão! — gritou Bernardo, emergindo e limpando a água dos olhos. — Isso é jogo sujo!
— Isso é tática de defesa, Bernardo! — Augusto rebateu, voltando para o lado de Rafaella e passando o braço pelos ombros dela. — Nunca subestime o adversário.
O dia passou entre mergulhos, conversas leves e a comida boa que pediram no quiosque. No final da tarde, quando o céu começou a ganhar tons de laranja e violeta, o grupo se acomodou em almofadas dispostas na areia para ver o pôr do sol.
Bernardo e Sofia estavam um pouco afastados, trocando carinhos em silêncio, enquanto Rafaella descansava a cabeça no ombro de Augusto.
— Sabe o que você disse ontem? — Augusto começou, quebrando o silêncio.
— Sobre o quê? Eu disse muita coisa — ela sorriu, fechando os olhos para sentir a brisa.
— Sobre a perfeição ser superestimada. Eu andei pensando... — ele fez uma pausa, pegando a mão dela e entrelaçando os dedos aos seus. — Eu sempre busquei a perfeição no campo, na minha vida, em tudo. Mas hoje, vendo você rir do Bernardo caindo na água, ou simplesmente aqui, sentindo o cheiro do mar na sua pele... eu percebi que você tem razão. A perfeição não é um plano sem falhas. É isso aqui. É a bagunça, são as interrupções, é ter você do meu lado mesmo quando tudo sai do controle.
Rafaella levantou a cabeça, emocionada com a sinceridade dele. Augusto não era um homem de muitas palavras românticas, mas quando falava, cada sílaba carregava um peso de verdade que a desarmava.
— Você está ficando muito poético, Guto. Daqui a pouco vai querer escrever versos na areia — ela brincou, embora seus olhos estivessem úmidos.
— Só se for para você — ele respondeu, sério, antes de puxá-la para um beijo que selava aquela promessa silenciosa de que aquilo era apenas o começo.
Enquanto o sol se escondia no horizonte, mergulhando no mar que tanto amavam, Rafaella soube que não importava o que viesse a seguir — as brincadeiras dos amigos, a pressão dos jogos de Augusto ou a rotina do dia a dia. Eles tinham encontrado um ritmo próprio, uma sintonia que, assim como as ondas, podia ser intensa e avassaladora, mas que sempre encontraria o caminho de volta para a areia, para o porto seguro que haviam construído um no outro.
— Vamos entrar? — perguntou Augusto, quando a primeira estrela surgiu no céu. — O Bernardo disse que reservou uma mesa para o jantar, mas eu sinto que ele está planejando outra pegadinha.
— Se tiver mais gansos de toalha, eu mesma expulso ele do restaurante — Rafaella riu, levantando-se e limpando a areia das pernas.
— Justo — concordou Augusto, abraçando-a pela cintura enquanto caminhavam de volta para o hotel. — Mas, por via das dúvidas, vamos trancar a porta desta vez.
— Com certeza, capitão. Com certeza.
Augusto era, sem dúvida, o homem mais lindo que ela já conhecera, mas era a sua entrega, o modo como ele a tratava como se ela fosse o seu centro de gravidade, que realmente a prendia. Ela passou a ponta dos dedos levemente pelo ombro dele, sentindo os músculos relaxados.
— Já acordada, Rafa? — a voz dele saiu rouca, abafada pelo travesseiro, enquanto um sorriso preguiçoso surgia em seus lábios.
— É difícil não acordar feliz depois de ontem — ela sussurrou, aproximando-se para selar os lábios nos dele em um beijo calmo, com gosto de preguiça e carinho.
— Aquela massagem foi o meu golpe final — brincou ele, abrindo os olhos castanhos que brilhavam com uma satisfação genuína. — Você apagou antes mesmo de eu chegar às panturrilhas.
— Você me deixou relaxada demais, Guto. Foi covardia — ela riu, sentando-se na cama e deixando os lençóis caírem um pouco, revelando a pele que ainda parecia formigar sob a memória dos toques dele.
A paz daquela manhã, porém, tinha hora para acabar. O som estridente de um celular vibrando sobre a mesa de cabeceira quebrou o silêncio. Augusto soltou um gemido de frustração e esticou o braço para atender.
— Se for o Bernardo querendo saber detalhes da "partida", eu juro que vou fazer ele correr vinte voltas no campo sob o sol do meio-dia — resmungou ele, antes de ver o nome na tela. — É a Sofia.
Rafaella riu, pegando o próprio celular.
— A Sofia não tem filtro. Se ela está ligando para você, é porque eu não atendi as dez mensagens que ela provavelmente enviou.
Augusto atendeu e colocou no viva-voz, jogando o aparelho entre os dois na cama.
— Bom dia, casal do ano! — a voz vibrante de Sofia ecoou pelo quarto. — Já podem sair da bolha de amor ou o Bernardo vai ter que ir aí bater na porta com uma cesta de café da manhã como desculpa para fofocar?
— Sofia, são oito da manhã — Augusto respondeu, tentando parecer severo, mas falhando miseravelmente. — E o seu namorado já causou problemas demais ontem à noite com aqueles gansos de toalha.
— Ah, não reclama! — Sofia riu do outro lado. — O Bernardo passou horas no YouTube aprendendo a dobrar aquilo. Ele queria que fosse romântico, mas o talento dele é limitado, coitado. Enfim, estamos descendo para a praia. O dia está perfeito e a gente não vai deixar vocês mofando nesse quarto. Dez minutos ou eu subo!
— Ela não está brincando — Rafaella disse, olhando para Augusto enquanto Sofia desligava. — Se a gente não aparecer, ela vai mobilizar o hotel inteiro.
— Eu só queria mais uma hora de silêncio com você — Augusto suspirou, puxando Rafaella para um abraço apertado, enterrando o rosto no pescoço dela. — Mas acho que devo isso ao time. Se eu não aparecer, o Bernardo vai convencer todo mundo de que eu me aposentei para virar massagista profissional.
— E você seria um ótimo massagista, capitão — ela provocou, dando um tapinha leve no braço dele antes de saltar da cama. — Vamos. O mar está chamando e eu quero ver a cara do Bernardo quando você cobrar a conta das brincadeiras de ontem.
Vinte minutos depois, o quarteto estava reunido na areia clara da praia privativa. O mar estava calmo, uma imensidão azul que parecia fundir-se com o céu no horizonte. Sofia e Bernardo já estavam instalados sob um guarda-sol, cercados por térmicas e pranchas de stand-up paddle.
— Olha só quem resolveu dar as caras! — exclamou Bernardo, levantando-se com um sorriso de orelha a orelha. Ele usava um chapéu de palha ridículo e segurava uma raquete de frescobol. — E aí, Guto? O kit que a gente deixou foi útil ou você precisou de um manual de instruções?
Augusto caminhou até o amigo e, em vez de cumprimentá-lo, deu-lhe um "pescotapa" amigável, mas firme.
— O kit foi um desastre visual, seu idiota. O que era aquele ganso com escoliose na minha cama?
— Era um cisne, cara! Um cisne sofrendo de amor — Bernardo defendeu-se, rindo enquanto tentava escapar de outro golpe.
Enquanto os dois se provocavam, Rafaella se sentou ao lado de Sofia, que a observava com um olhar analítico e um sorriso cúmplice.
— Você está radiante, Rafa. Sério, está com aquele brilho de quem foi muito bem cuidada — Sofia comentou em voz baixa, ajeitando os óculos de sol.
— Ele é incrível, Sofi — confessou Rafaella, olhando para Augusto, que agora discutia táticas de futebol na areia com Bernardo. — Ontem foi... intenso. Mas o que mais me pegou foi depois. Ele me fez uma massagem até eu dormir. Ele realmente se importa, sabe? Não é só a parte física, embora o Guto seja... bem, você vê.
— Eu sei. O Bernardo diz que o Augusto nunca foi assim com ninguém. Ele sempre foi o cara focado, o capitão sério, o "intenso" que não deixava ninguém entrar de verdade. Você mudou o jogo dele.
Rafaella sentiu o coração aquecer. Ela sempre soube que havia algo mais profundo em Augusto, algo que ia além da postura de líder e do físico impecável.
— Ei, meninas! — Augusto gritou da beira da água, acenando para elas. — Menos fofoca e mais ação. Quem vai cair no mar primeiro?
Rafaella se levantou, tirando a saída de praia e revelando um biquíni que ressaltava todas as suas curvas. Ela percebeu o momento exato em que o olhar de Augusto mudou ao vê-la. A brincadeira com Bernardo morreu instantaneamente, substituída por aquela admiração profunda e possessiva que só ele sabia direcionar a ela.
— Eu vou! — Rafaella correu em direção à água, sentindo a areia quente sob os pés.
Augusto a interceptou no meio do caminho, pegando-a no colo com facilidade. Ela soltou um grito de surpresa e alegria enquanto ele a carregava para o fundo.
— Augusto, está gelada! — ela protestou, rindo e se segurando no pescoço dele.
— Eu te aqueço — ele prometeu, a voz baixinha perto do ouvido dela, antes de mergulharem juntos em uma onda pequena que quebrava ali perto.
A água salgada parecia lavar qualquer resto de cansaço. Eles nadaram, brincaram e, por alguns instantes, o mundo se resumia ao toque das mãos sob a água e ao som das risadas que se perdiam no vento. Quando voltaram para a parte rasa, Bernardo e Sofia já estavam tentando se equilibrar nas pranchas de stand-up.
— É agora que eu me vingo — murmurou Augusto para Rafaella, com um brilho travesso nos olhos. — Fica vendo.
Ele nadou silenciosamente até a prancha de Bernardo e, com um movimento rápido e coordenado, virou a estrutura. Bernardo caiu na água com um espalhafato digno de cinema, arrancando gargalhadas de todos na praia.
— Falta de espírito esportivo, capitão! — gritou Bernardo, emergindo e limpando a água dos olhos. — Isso é jogo sujo!
— Isso é tática de defesa, Bernardo! — Augusto rebateu, voltando para o lado de Rafaella e passando o braço pelos ombros dela. — Nunca subestime o adversário.
O dia passou entre mergulhos, conversas leves e a comida boa que pediram no quiosque. No final da tarde, quando o céu começou a ganhar tons de laranja e violeta, o grupo se acomodou em almofadas dispostas na areia para ver o pôr do sol.
Bernardo e Sofia estavam um pouco afastados, trocando carinhos em silêncio, enquanto Rafaella descansava a cabeça no ombro de Augusto.
— Sabe o que você disse ontem? — Augusto começou, quebrando o silêncio.
— Sobre o quê? Eu disse muita coisa — ela sorriu, fechando os olhos para sentir a brisa.
— Sobre a perfeição ser superestimada. Eu andei pensando... — ele fez uma pausa, pegando a mão dela e entrelaçando os dedos aos seus. — Eu sempre busquei a perfeição no campo, na minha vida, em tudo. Mas hoje, vendo você rir do Bernardo caindo na água, ou simplesmente aqui, sentindo o cheiro do mar na sua pele... eu percebi que você tem razão. A perfeição não é um plano sem falhas. É isso aqui. É a bagunça, são as interrupções, é ter você do meu lado mesmo quando tudo sai do controle.
Rafaella levantou a cabeça, emocionada com a sinceridade dele. Augusto não era um homem de muitas palavras românticas, mas quando falava, cada sílaba carregava um peso de verdade que a desarmava.
— Você está ficando muito poético, Guto. Daqui a pouco vai querer escrever versos na areia — ela brincou, embora seus olhos estivessem úmidos.
— Só se for para você — ele respondeu, sério, antes de puxá-la para um beijo que selava aquela promessa silenciosa de que aquilo era apenas o começo.
Enquanto o sol se escondia no horizonte, mergulhando no mar que tanto amavam, Rafaella soube que não importava o que viesse a seguir — as brincadeiras dos amigos, a pressão dos jogos de Augusto ou a rotina do dia a dia. Eles tinham encontrado um ritmo próprio, uma sintonia que, assim como as ondas, podia ser intensa e avassaladora, mas que sempre encontraria o caminho de volta para a areia, para o porto seguro que haviam construído um no outro.
— Vamos entrar? — perguntou Augusto, quando a primeira estrela surgiu no céu. — O Bernardo disse que reservou uma mesa para o jantar, mas eu sinto que ele está planejando outra pegadinha.
— Se tiver mais gansos de toalha, eu mesma expulso ele do restaurante — Rafaella riu, levantando-se e limpando a areia das pernas.
— Justo — concordou Augusto, abraçando-a pela cintura enquanto caminhavam de volta para o hotel. — Mas, por via das dúvidas, vamos trancar a porta desta vez.
— Com certeza, capitão. Com certeza.
