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A amor proibido

Fandom: Romance

Criado: 06/07/2026

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Entre o Concreto e o Desejo

O sol da tarde começava a se despedir do horizonte, pintando o céu de São Paulo com tons de âmbar e violeta, quando Beatriz estacionou seu carro em frente ao novo endereço. O prédio, um exemplar de arquitetura moderna no coração da Vila Madalena, exalava uma sofisticação discreta. Ela respirou fundo, segurando o volante com força. Era um recomeço. Novo apartamento, novo bairro, e a promessa de uma vida menos caótica.

Ao descer do carro, Beatriz foi recebida pelo som metálico de um portão sendo destravado. Na guarita envidraçada, uma figura chamou sua atenção imediatamente. Não era o porteiro padrão que ela esperava encontrar.

Era uma mulher. O uniforme azul-marinho, impecavelmente ajustado, delineava ombros fortes e uma postura de quem exercia autoridade sem esforço. Os cabelos escuros estavam presos em um rabo de cavalo baixo, e os olhos, atentos como os de um falcão, encontraram os de Beatriz através do vidro.

— Boa tarde. Você deve ser a moradora do 42 — disse a mulher, saindo da guarita. Sua voz era um contralto aveludado que causou um arrepio inesperado na nuca de Beatriz.

— Sim, sou eu. Beatriz Lemos — respondeu ela, tentando manter a compostura enquanto ajeitava a alça da bolsa. — Como você sabia?

A mulher deu um meio sorriso, revelando uma covinha sutil no canto da boca.

— O síndico me avisou que a nova proprietária chegaria hoje. Sou Helena, a chefe da segurança e concierge do edifício.

— Prazer, Helena — Beatriz estendeu a mão, e o toque foi breve, mas carregado de uma eletricidade estática que as fez desviar o olhar por um segundo. — Eu tenho algumas caixas no porta-malas. O pessoal da mudança traz o grosso amanhã, mas hoje queria subir com o essencial.

— Deixe comigo — Helena se adiantou, o passo firme e decidido. — Faz parte do meu trabalho garantir que sua chegada seja o mais suave possível.

Nos minutos seguintes, Beatriz observou Helena carregar as caixas com uma facilidade invejável. Havia uma graça nos movimentos dela, uma combinação de força física e delicadeza que Beatriz achou hipnotizante. Elas subiram pelo elevador em um silêncio que, curiosamente, não era desconfortável.

— O apartamento é lindo — comentou Helena, enquanto deixava a última caixa sobre o balcão de granito da cozinha americana. — Tem a melhor vista para o pôr do sol.

— É, eu percebi isso quando vim visitar — Beatriz caminhou até a janela, observando as luzes da cidade começando a piscar. — Obrigada pela ajuda, Helena. De verdade.

— Não precisa agradecer — Helena parou perto da porta, mas não saiu imediatamente. Seus olhos percorreram o rosto de Beatriz, detendo-se nos lábios dela por um milésimo de segundo a mais do que o necessário. — Se precisar de qualquer coisa, qualquer coisa mesmo, basta discar o 01 no interfone. Eu fico aqui até às dez.

— Até às dez, anotado — Beatriz sorriu, sentindo um calor subir pelo pescoço.

As semanas que se seguiram foram marcadas por encontros "acidentais" e conversas que se tornavam cada vez mais longas. Beatriz encontrava desculpas para passar pela portaria: uma correspondência que não chegara, uma dúvida sobre o funcionamento da garagem, ou apenas o desejo de ver o sorriso de Helena. Por sua vez, Helena parecia sempre estar por perto quando Beatriz chegava do trabalho, pronta para abrir a porta ou carregar uma sacola de compras.

A tensão entre elas era um fio esticado, vibrando a cada palavra trocada.

Em uma sexta-feira chuvosa, Beatriz chegou tarde. A água caía em cortinas pesadas, e ela estava ensopada após correr do carro até a entrada. Helena estava lá, com um guarda-chuva imenso, esperando por ela no meio do caminho.

— Você vai acabar pegando um resfriado — disse Helena, envolvendo os ombros de Beatriz com o braço livre para protegê-la da chuva enquanto caminhavam para o hall.

— O dia foi um desastre — desabafou Beatriz, tremendo levemente, não apenas pelo frio.

Ao entrarem no elevador, o espaço pareceu subitamente menor. O cheiro de Helena — uma mistura de chuva, couro e um perfume amadeirado — preencheu os sentidos de Beatriz. Ela olhou para cima e encontrou Helena já a observando. A distância entre elas era mínima.

— Você está tremendo — murmurou Helena, a voz mais baixa e rouca.

— É o frio — mentiu Beatriz, sua respiração acelerando.

Helena deu um passo à frente, encurralando Beatriz suavemente contra a parede espelhada do elevador. Ela levantou a mão, hesitando por um segundo antes de tocar o rosto molhado de Beatriz, afastando uma mecha de cabelo grudada na bochecha.

— Tem certeza de que é só o frio? — perguntou Helena em voz baixa.

Beatriz não respondeu com palavras. Ela fechou o espaço restante, selando seus lábios nos de Helena. O beijo começou urgente, faminto, como se meses de desejo contido estivessem explodindo de uma só vez. Helena soltou o guarda-chuva, que caiu no chão com um baque surdo, e envolveu a cintura de Beatriz, trazendo-a para mais perto, fundindo seus corpos.

As mãos de Beatriz se perderam nos cabelos de Helena, puxando-a para mais perto, enquanto a língua de Helena explorava sua boca com uma confiança arrebatadora. O elevador parou no quarto andar, mas nenhuma das duas se moveu. O mundo exterior não existia mais.

— Meu apartamento — sussurrou Beatriz contra os lábios de Helena quando finalmente se separaram para buscar ar.

Helena apenas assentiu, os olhos escuros brilhando com uma intensidade que fez as pernas de Beatriz fraquejarem. Elas saíram do elevador e, assim que a porta do apartamento se fechou atrás delas, a urgência retornou.

As roupas foram deixadas pelo caminho, uma trilha de tecido que levava até o quarto iluminado apenas pelo brilho das luzes da cidade lá fora. Helena empurrou Beatriz suavemente para a cama, posicionando-se sobre ela. A visão de Helena, despojada do uniforme rígido, era de tirar o fôlego. Seus músculos eram definidos, a pele bronzeada e macia sob o toque de Beatriz.

— Eu queria fazer isso desde o primeiro dia em que vi você — confessou Helena, descendo os beijos pelo pescoço de Beatriz, encontrando o ponto sensível logo abaixo da orelha que a fazia gemer.

— Por que demorou tanto? — Beatriz arqueou as costas quando as mãos de Helena encontraram seus seios, massageando-os com uma pressão perfeita.

— Profissionalismo — Helena riu baixo, um som vibrante que ecoou contra a pele de Beatriz. — Mas meu autocontrole tem limites, e você quebrou todos eles hoje.

Helena desceu o corpo, seus beijos tornando-se mais lentos e provocantes. Ela traçou o caminho pelo abdômen de Beatriz até chegar ao centro de seu desejo. Quando os dedos de Helena a tocaram, Beatriz soltou um suspiro longo, enterrando as mãos nos lençóis. A técnica de Helena era precisa, alternando entre carícias suaves e movimentos rítmicos que levavam Beatriz à beira do abismo.

— Helena... por favor — implorou Beatriz, os quadris movendo-se involuntariamente em busca de mais.

— Shh... aproveite cada segundo — sussurrou Helena, antes de mergulhar seu rosto entre as coxas de Beatriz.

O prazer veio em ondas avassaladoras. Beatriz sentia-se flutuar, cada terminação nervosa do seu corpo parecia estar em chamas. Ela gritou o nome de Helena quando o ápice finalmente a atingiu, o corpo tremendo em espasmos de puro êxtase.

Minutos depois, Helena subiu novamente, deitando-se ao lado de Beatriz. Ambas estavam ofegantes, o suor fazendo suas peles brilharem sob a luz da lua. Beatriz puxou o lençol para cobri-las, mas Helena a impediu, querendo admirar a mulher à sua frente.

— Você é incrível — disse Helena, beijando a testa de Beatriz.

— Você também — Beatriz sorriu, sentindo uma paz que não experimentava há anos. — Acho que vou precisar de muita "assistência" da segurança daqui para frente.

Helena riu e a puxou para um abraço apertado, o queixo apoiado no topo da cabeça de Beatriz.

— Considere-se sob proteção vinte e quatro horas por dia.

O som da chuva batendo na janela servia como trilha sonora para aquele novo começo. Naquela noite, entre as paredes de um apartamento ainda meio vazio, Beatriz descobriu que o melhor de sua nova vida não era a vista ou o bairro, mas a mulher que, com um uniforme e um sorriso, tinha guardado não apenas o prédio, mas o caminho direto para o seu coração.

— Você vai ficar? — perguntou Beatriz, já sentindo o sono chegar.

— Eu não vou a lugar nenhum — respondeu Helena, apertando-a um pouco mais. — O turno da noite nunca foi tão interessante.

E ali, no silêncio cúmplice da madrugada, elas adormeceram, sabendo que aquele era apenas o primeiro capítulo de uma história que estava longe de terminar.
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