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Fandom: Nenhum
Criado: 07/07/2026
Tags
RomanceDramaAngústiaDor/ConfortoPsicológicoHistória DomésticaCiúmes
Entre o Controle e a Manha
O ar condicionado do shopping center de luxo parecia não dar conta da tensão silenciosa que Emanuel carregava nos ombros. Ele caminhava com passos firmes, a expressão séria e os olhos observadores captando cada detalhe ao redor, enquanto Sara, ao seu lado, era o oposto absoluto da discrição. Com um vestido justo de couro sintético que acentuava suas curvas esculpidas por silicone e exercícios, ela atraía olhares por onde passava. O perfume doce e forte dela marcava o território antes mesmo que ela desse o próximo passo em seus saltos agulha.
— Emanuel, querido, você está com essa cara de enterro de novo — Sara comentou, a voz carregada de uma ironia divertida. Ela parou em frente a uma vitrine de grife, ajeitando o cabelo loiro platinado impecavelmente escovado. — Relaxa. Eu já disse que a coleção nova da minha loja vai ser um sucesso, você não precisa se preocupar com os meus números.
— Eu não estou preocupado com seus números, Sara — Emanuel respondeu, a voz rouca e profunda. — Estou cansado. Tive três sessões de fechamento de costas hoje no estúdio. Minha paciência está curta.
Sara soltou uma risada anasalada, revirando os olhos pintados com um delineado gatinho perfeito.
— Você sempre está com a paciência curta. O que você precisa é de um drink e de mim em cima de você quando chegarmos em casa. Ou talvez daquela sonsa da Eduarda para te fazer cafuné e falar baixinho.
Emanuel lançou um rastro de olhar gélido para ela, mas não rebateu. Ele sabia que Sara não odiava Eduarda; para ela, a outra namorada era apenas uma criatura inofensiva e frágil demais para ser uma ameaça real à sua posição de "mulher principal" na casa. Emanuel mantinha o equilíbrio entre as duas como um malabarista andando em uma corda bamba sobre brasas. O fato de Sara morar com ele facilitava o controle, mas o vazio que Eduarda deixava ao voltar para a casa dos pais todas as noites era uma ferida aberta em sua necessidade de domínio.
Eles dobraram o corredor em direção à praça de alimentação, mas Emanuel parou bruscamente. Seus olhos se estreitaram ao focar em uma vitrine de calçados de luxo.
Lá dentro, de costas para a entrada, estava uma figura delicada. O cabelo castanho escuro caía em ondas naturais sobre os ombros de um cardigã de tricô bege claro. Eduarda estava sentada em um puff de veludo, experimentando um par de sapatos de camurça que ela olhava com uma adoração quase infantil.
— Olha só quem está ali — Sara sibilou, soltando um sorriso malicioso. — A ratinha de biblioteca resolveu sair da toca. E olha o que ela está comprando... esse sapato custa metade do que ela ganha no estágio de História da Arte.
Emanuel não esperou Sara terminar. Ele caminhou para dentro da loja, a aura de autoridade e irritação crescendo a cada passo. Quando Eduarda se levantou para olhar o reflexo no espelho, seus olhos grandes e expressivos encontraram os de Emanuel através do vidro. Ela empalideceu instantaneamente.
— Emanuel? — A voz dela saiu pequena, quase um sussurro.
— O que você está fazendo aqui, Duda? — Ele perguntou, parando a poucos centímetros dela. Ele era muito mais alto, sua presença física envolvendo-a como uma sombra protetora e, naquele momento, opressora.
Eduarda encolheu os ombros, buscando inconscientemente a proximidade dele, mesmo sentindo a raiva que emanava do homem. Ela esticou a mão timidamente, tocando o braço tatuado de Emanuel que aparecia sob a manga da camisa dobrada.
— Eu... eu vim comprar os sapatos, Manu. Lembra que eu te mostrei a foto no mês passado? Eu juntei o dinheiro do estágio e a mesada que meus pais me deram...
— Você o quê? — O tom de Emanuel subiu um oitavo, atraindo a atenção de uma vendedora que se aproximava. — Você veio sozinha comprar algo que eu disse que compraria para você?
Sara entrou na loja logo atrás, cruzando os braços sobre os seios fartos, um sorriso de deboche nos lábios carnudos.
— Oi, lindinha. Nossa, que esforço emocionante. Economizando moedinhas para um sapato? — Sara se aproximou e tocou o ombro de Eduarda com uma falsa intimidade. — Emanuel detesta quando você faz essas coisas de "mulher independente". Parece que não conhece o homem que tem.
Eduarda sentiu os olhos marejarem. Ela era emocionalmente intuitiva e sentia a irritação de Emanuel como se fosse um peso físico em seu peito. Ela odiava conflitos.
— Eu só não achei justo, Manu... — ela murmurou, desviando o olhar para os próprios pés. — Você já faz tanto por mim. Eu queria ter o prazer de comprar algo com o meu esforço. Não fica bravo, por favor.
— Não fica bravo? — Emanuel deu um passo à frente, ignorando a presença de Sara e da vendedora. Ele segurou o queixo de Eduarda com firmeza, mas sem machucar, forçando-a a olhar para ele. — Eu já te disse mil vezes que não quero que você se preocupe com dinheiro. Eu tenho estúdios em três continentes, Eduarda. Eu quero cuidar de você. Por que é tão difícil aceitar isso?
— Porque eu ainda moro com meus pais, Emanuel — ela respondeu, a voz falhando, mas mantendo a doçura manhosa que sempre o desarmava. — Eu sinto que, se eu deixar você pagar tudo, eu vou perder o pouquinho que ainda tenho de... de mim.
— O que você vai perder é esse seu tempo morando naquela casa — Emanuel rebateu, a voz ríspida pela frustração acumulada. — Se você morasse comigo e com a Sara, como eu venho pedindo há meses, nada disso seria um problema. Eu saberia onde você está, o que você precisa e não teria que te encontrar por acaso em um shopping gastando suas economias em algo que eu te daria num estalar de dedos.
Eduarda sentiu uma lágrima solitária escorrer. Ela se inclinou para frente, apoiando a testa no peito dele, buscando o cheiro de tinta e perfume caro que ele exalava. Era o seu lugar seguro, mesmo quando ele era a causa do seu medo.
— Eu não estou pronta, Manu... você sabe. Meus pais são legais, eles entendem a gente, mas eu... eu tenho medo de não me encaixar na rotina de vocês. A Sara é tão... — Ela hesitou, buscando a palavra.
— Tão incrível e prática? — Sara interrompeu, aproximando-se e passando a mão pelo braço livre de Emanuel. — Querida, você é muito lenta. O Emanuel quer as duas no ninho. Eu já aceitei você, não aceitei? Pare de ser tão manhosa e venha logo. Facilitaria a vida de todo mundo.
Emanuel suspirou, sentindo o conflito entre as duas. Ele amava a força e a falta de filtros de Sara, mas a fragilidade de Eduarda era o que realmente o prendia pelo pescoço, despertando um instinto de proteção que beirava o doentio.
— Chega — Emanuel decretou, olhando para a vendedora. — Leve esses sapatos para o caixa. E escolha mais dois modelos que combinem com ela. Vou pagar agora.
— Não, Manu! — Eduarda protestou, agarrando a camisa dele. — Eu já trouxe o dinheiro, eu quero pagar!
Emanuel segurou os pulsos dela com uma mão só, trazendo-a para mais perto, até que seus corpos estivessem colados. A diferença de tamanho era gritante; ela parecia uma boneca de porcelana em seus braços.
— Você não vai gastar um centavo. Guarde seu dinheiro para seus livros de arte ou qualquer outra coisa. Se você insistir nisso, Eduarda, eu juro que te levo daqui agora direto para o meu apartamento e você não volta para a casa dos seus pais nem para buscar as malas. Eu mando buscarem.
Eduarda estremeceu. Ela sabia que ele não estava brincando totalmente. A possessividade de Emanuel era o que a atraía e a assustava ao mesmo tempo. Ela se encolheu, escondendo o rosto no pescoço dele, soltando um suspiro derrotado e dengoso.
— Você é tão mandão... — ela murmurou contra a pele dele, o tom de voz mudando para aquela manha que ela sabia que o acalmava. — Está todo mundo olhando, Manu. Não faz assim.
— Então pare de me desafiar — ele disse, embora o tom de voz tivesse suavizado. Ele beijou o topo da cabeça dela, sentindo o cheiro doce do shampoo de camomila.
Sara deu uma risada alta, observando a cena com os braços cruzados.
— Deus, vocês parecem um filme de drama de baixo orçamento. Vamos logo com isso, eu quero jantar. E Eduarda, já que o "papai" aqui vai pagar seus mimos, você vai jantar com a gente. Sem desculpas de que tem prova de História da Arte amanhã.
Eduarda olhou de Sara para Emanuel. Ela se sentia pequena entre os dois, mas havia uma estranha segurança naquela dinâmica. Emanuel era o porto seguro, a rocha que tentava controlar as marés, e Sara era a tempestade que ela estava aprendendo a navegar.
— Eu posso ir? — Eduarda perguntou, olhando para Emanuel com aqueles olhos brilhantes que imploravam por aprovação.
— Você deve — Emanuel respondeu, pegando a carteira e entregando o cartão preto para a vendedora sem sequer olhar para o valor. — E depois do jantar, nós vamos ter outra conversa sobre a sua mudança. Minha paciência com essa distância acabou hoje, Duda.
Eduarda assentiu levemente, encostando o corpo esguio no dele. Ela sabia que estava perdendo aquela batalha, mas, no fundo, a ideia de ser cuidada e vigiada por Emanuel vinte e quatro horas por dia fazia seu coração sensível acelerar de uma forma que ela não conseguia explicar.
— Tudo bem... — ela cedeu, a voz doce e submissa. — Mas você me deixa escolher o filme depois?
Emanuel soltou um meio sorriso, o primeiro do dia, sentindo a tensão finalmente deixar seus ombros.
— Se você for uma boa menina no jantar, eu deixo.
Sara revirou os olhos e caminhou em direção à saída da loja, balançando os quadris.
— Ótimo! Mas eu escolho o vinho. E nada de vinho barato, Emanuel, hoje eu quero celebrar a capitulação da ratinha.
Emanuel envolveu a cintura de Eduarda com o braço, guiando-a para fora enquanto a vendedora entregava as sacolas. Ele sentia o peso das duas em sua vida — uma exigindo seu controle, a outra exigindo sua proteção. E, por mais estressante que fosse, ele não aceitaria nada menos do que ter as duas exatamente onde ele pudesse ver.
— Emanuel, querido, você está com essa cara de enterro de novo — Sara comentou, a voz carregada de uma ironia divertida. Ela parou em frente a uma vitrine de grife, ajeitando o cabelo loiro platinado impecavelmente escovado. — Relaxa. Eu já disse que a coleção nova da minha loja vai ser um sucesso, você não precisa se preocupar com os meus números.
— Eu não estou preocupado com seus números, Sara — Emanuel respondeu, a voz rouca e profunda. — Estou cansado. Tive três sessões de fechamento de costas hoje no estúdio. Minha paciência está curta.
Sara soltou uma risada anasalada, revirando os olhos pintados com um delineado gatinho perfeito.
— Você sempre está com a paciência curta. O que você precisa é de um drink e de mim em cima de você quando chegarmos em casa. Ou talvez daquela sonsa da Eduarda para te fazer cafuné e falar baixinho.
Emanuel lançou um rastro de olhar gélido para ela, mas não rebateu. Ele sabia que Sara não odiava Eduarda; para ela, a outra namorada era apenas uma criatura inofensiva e frágil demais para ser uma ameaça real à sua posição de "mulher principal" na casa. Emanuel mantinha o equilíbrio entre as duas como um malabarista andando em uma corda bamba sobre brasas. O fato de Sara morar com ele facilitava o controle, mas o vazio que Eduarda deixava ao voltar para a casa dos pais todas as noites era uma ferida aberta em sua necessidade de domínio.
Eles dobraram o corredor em direção à praça de alimentação, mas Emanuel parou bruscamente. Seus olhos se estreitaram ao focar em uma vitrine de calçados de luxo.
Lá dentro, de costas para a entrada, estava uma figura delicada. O cabelo castanho escuro caía em ondas naturais sobre os ombros de um cardigã de tricô bege claro. Eduarda estava sentada em um puff de veludo, experimentando um par de sapatos de camurça que ela olhava com uma adoração quase infantil.
— Olha só quem está ali — Sara sibilou, soltando um sorriso malicioso. — A ratinha de biblioteca resolveu sair da toca. E olha o que ela está comprando... esse sapato custa metade do que ela ganha no estágio de História da Arte.
Emanuel não esperou Sara terminar. Ele caminhou para dentro da loja, a aura de autoridade e irritação crescendo a cada passo. Quando Eduarda se levantou para olhar o reflexo no espelho, seus olhos grandes e expressivos encontraram os de Emanuel através do vidro. Ela empalideceu instantaneamente.
— Emanuel? — A voz dela saiu pequena, quase um sussurro.
— O que você está fazendo aqui, Duda? — Ele perguntou, parando a poucos centímetros dela. Ele era muito mais alto, sua presença física envolvendo-a como uma sombra protetora e, naquele momento, opressora.
Eduarda encolheu os ombros, buscando inconscientemente a proximidade dele, mesmo sentindo a raiva que emanava do homem. Ela esticou a mão timidamente, tocando o braço tatuado de Emanuel que aparecia sob a manga da camisa dobrada.
— Eu... eu vim comprar os sapatos, Manu. Lembra que eu te mostrei a foto no mês passado? Eu juntei o dinheiro do estágio e a mesada que meus pais me deram...
— Você o quê? — O tom de Emanuel subiu um oitavo, atraindo a atenção de uma vendedora que se aproximava. — Você veio sozinha comprar algo que eu disse que compraria para você?
Sara entrou na loja logo atrás, cruzando os braços sobre os seios fartos, um sorriso de deboche nos lábios carnudos.
— Oi, lindinha. Nossa, que esforço emocionante. Economizando moedinhas para um sapato? — Sara se aproximou e tocou o ombro de Eduarda com uma falsa intimidade. — Emanuel detesta quando você faz essas coisas de "mulher independente". Parece que não conhece o homem que tem.
Eduarda sentiu os olhos marejarem. Ela era emocionalmente intuitiva e sentia a irritação de Emanuel como se fosse um peso físico em seu peito. Ela odiava conflitos.
— Eu só não achei justo, Manu... — ela murmurou, desviando o olhar para os próprios pés. — Você já faz tanto por mim. Eu queria ter o prazer de comprar algo com o meu esforço. Não fica bravo, por favor.
— Não fica bravo? — Emanuel deu um passo à frente, ignorando a presença de Sara e da vendedora. Ele segurou o queixo de Eduarda com firmeza, mas sem machucar, forçando-a a olhar para ele. — Eu já te disse mil vezes que não quero que você se preocupe com dinheiro. Eu tenho estúdios em três continentes, Eduarda. Eu quero cuidar de você. Por que é tão difícil aceitar isso?
— Porque eu ainda moro com meus pais, Emanuel — ela respondeu, a voz falhando, mas mantendo a doçura manhosa que sempre o desarmava. — Eu sinto que, se eu deixar você pagar tudo, eu vou perder o pouquinho que ainda tenho de... de mim.
— O que você vai perder é esse seu tempo morando naquela casa — Emanuel rebateu, a voz ríspida pela frustração acumulada. — Se você morasse comigo e com a Sara, como eu venho pedindo há meses, nada disso seria um problema. Eu saberia onde você está, o que você precisa e não teria que te encontrar por acaso em um shopping gastando suas economias em algo que eu te daria num estalar de dedos.
Eduarda sentiu uma lágrima solitária escorrer. Ela se inclinou para frente, apoiando a testa no peito dele, buscando o cheiro de tinta e perfume caro que ele exalava. Era o seu lugar seguro, mesmo quando ele era a causa do seu medo.
— Eu não estou pronta, Manu... você sabe. Meus pais são legais, eles entendem a gente, mas eu... eu tenho medo de não me encaixar na rotina de vocês. A Sara é tão... — Ela hesitou, buscando a palavra.
— Tão incrível e prática? — Sara interrompeu, aproximando-se e passando a mão pelo braço livre de Emanuel. — Querida, você é muito lenta. O Emanuel quer as duas no ninho. Eu já aceitei você, não aceitei? Pare de ser tão manhosa e venha logo. Facilitaria a vida de todo mundo.
Emanuel suspirou, sentindo o conflito entre as duas. Ele amava a força e a falta de filtros de Sara, mas a fragilidade de Eduarda era o que realmente o prendia pelo pescoço, despertando um instinto de proteção que beirava o doentio.
— Chega — Emanuel decretou, olhando para a vendedora. — Leve esses sapatos para o caixa. E escolha mais dois modelos que combinem com ela. Vou pagar agora.
— Não, Manu! — Eduarda protestou, agarrando a camisa dele. — Eu já trouxe o dinheiro, eu quero pagar!
Emanuel segurou os pulsos dela com uma mão só, trazendo-a para mais perto, até que seus corpos estivessem colados. A diferença de tamanho era gritante; ela parecia uma boneca de porcelana em seus braços.
— Você não vai gastar um centavo. Guarde seu dinheiro para seus livros de arte ou qualquer outra coisa. Se você insistir nisso, Eduarda, eu juro que te levo daqui agora direto para o meu apartamento e você não volta para a casa dos seus pais nem para buscar as malas. Eu mando buscarem.
Eduarda estremeceu. Ela sabia que ele não estava brincando totalmente. A possessividade de Emanuel era o que a atraía e a assustava ao mesmo tempo. Ela se encolheu, escondendo o rosto no pescoço dele, soltando um suspiro derrotado e dengoso.
— Você é tão mandão... — ela murmurou contra a pele dele, o tom de voz mudando para aquela manha que ela sabia que o acalmava. — Está todo mundo olhando, Manu. Não faz assim.
— Então pare de me desafiar — ele disse, embora o tom de voz tivesse suavizado. Ele beijou o topo da cabeça dela, sentindo o cheiro doce do shampoo de camomila.
Sara deu uma risada alta, observando a cena com os braços cruzados.
— Deus, vocês parecem um filme de drama de baixo orçamento. Vamos logo com isso, eu quero jantar. E Eduarda, já que o "papai" aqui vai pagar seus mimos, você vai jantar com a gente. Sem desculpas de que tem prova de História da Arte amanhã.
Eduarda olhou de Sara para Emanuel. Ela se sentia pequena entre os dois, mas havia uma estranha segurança naquela dinâmica. Emanuel era o porto seguro, a rocha que tentava controlar as marés, e Sara era a tempestade que ela estava aprendendo a navegar.
— Eu posso ir? — Eduarda perguntou, olhando para Emanuel com aqueles olhos brilhantes que imploravam por aprovação.
— Você deve — Emanuel respondeu, pegando a carteira e entregando o cartão preto para a vendedora sem sequer olhar para o valor. — E depois do jantar, nós vamos ter outra conversa sobre a sua mudança. Minha paciência com essa distância acabou hoje, Duda.
Eduarda assentiu levemente, encostando o corpo esguio no dele. Ela sabia que estava perdendo aquela batalha, mas, no fundo, a ideia de ser cuidada e vigiada por Emanuel vinte e quatro horas por dia fazia seu coração sensível acelerar de uma forma que ela não conseguia explicar.
— Tudo bem... — ela cedeu, a voz doce e submissa. — Mas você me deixa escolher o filme depois?
Emanuel soltou um meio sorriso, o primeiro do dia, sentindo a tensão finalmente deixar seus ombros.
— Se você for uma boa menina no jantar, eu deixo.
Sara revirou os olhos e caminhou em direção à saída da loja, balançando os quadris.
— Ótimo! Mas eu escolho o vinho. E nada de vinho barato, Emanuel, hoje eu quero celebrar a capitulação da ratinha.
Emanuel envolveu a cintura de Eduarda com o braço, guiando-a para fora enquanto a vendedora entregava as sacolas. Ele sentia o peso das duas em sua vida — uma exigindo seu controle, a outra exigindo sua proteção. E, por mais estressante que fosse, ele não aceitaria nada menos do que ter as duas exatamente onde ele pudesse ver.
