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Entre o amor e a razão

Fandom: Rei leão 2

Criado: 07/07/2026

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O Rugido do Sarcasmo e as Sombras do Exílio

A Pedra do Rei banhava-se no ouro pálido do amanhecer, mas o clima dentro da caverna real estava longe de ser pacífico. Kael, o filho mais velho de Simba e herdeiro — tecnicamente — do trono, bocejou de forma exagerada, esticando as patas dianteiras enquanto observava seu pai andar de um lado para o outro. Kael tinha a pelagem um tom mais escuro que a de Kiara e uma juba incipiente que ele insistia em dizer que lhe dava um ar de "realeza incompreendida".

— Pai, se você continuar cavando um buraco no chão com essas garras, vamos acabar encontrando o caminho para o submundo antes do café da manhã — comentou Kael, a voz carregada de um sarcasmo preguiçoso.

Simba parou abruptamente, lançando um olhar severo, mas cansado, para o filho.

— Kael, isso é sério. Sua irmã já saiu para caçar sozinha e você deveria estar vigiando-a, não fazendo piadas sobre a geologia das Terras do Reino.

— Vigiar a Kiara? — Kael soltou uma risada nasalada. — Ela tem o instinto de sobrevivência de uma borboleta em um furacão. Se eu for atrás dela, ela vai achar que estou tentando roubar a presa dela. E, convenhamos, eu caço muito melhor.

Nala aproximou-se com sua elegância habitual, encostando o focinho no ombro de Simba para acalmá-lo.

— Deixe-o, Simba. Kael tem razão sobre uma coisa: Kiara precisa de espaço. Mas Kael, querido, tente ser menos... você... pelo menos até o sol estar alto.

— Sem promessas, mãe — Kael piscou, levantando-se e sacudindo a poeira do pelo. — Vou atrás da nossa pequena aventureira antes que ela decida fazer amizade com um crocodilo. De novo.

Kael desceu a Pedra do Rei com uma agilidade que escondia sua natureza aparentemente desleixada. Ele amava a irmã, mas a superproteção de Simba o sufocava tanto quanto a ela. Enquanto Kiara buscava independência através da rebeldia pura, Kael a buscava através da ironia e de uma distância emocional calculada.

Ele seguiu o rastro de Kiara até as fronteiras das Terras Proibidas. O ar ali era diferente — seco, pesado, com cheiro de poeira e ressentimento. Kael parou na crista de uma colina e avistou Kiara. Ela não estava caçando. Ela estava conversando com alguém.

Um leão jovem, de pelagem escura e olhos verdes penetrantes, estava parado diante dela. Ele tinha uma cicatriz no olho e uma postura que gritava perigo.

— Ah, maravilhoso — murmurou Kael para si mesmo, descendo a encosta em silêncio. — Ela realmente encontrou o único leão no raio de mil quilômetros que parece ter saído de um anúncio de "procura-se vilão".

Kael saltou de trás de uma rocha, posicionando-se entre Kiara e o estranho com uma fluidez perigosa.

— Ora, ora. O que temos aqui? Uma reunião de condomínio para decidir quem tem a juba mais desgrenhada? — Kael arqueou uma sobrancelha, olhando o leão desconhecido de cima a baixo.

Kiara bufou, irritada.

— Kael! O que você está fazendo aqui? Estava me espionando?

— Espionando é uma palavra tão forte, maninha — Kael respondeu, sem tirar os olhos do estranho. — Eu prefiro "gestão de riscos não solicitada". E você, gatinho das trevas? Tem nome ou só responde por "perigo iminente"?

O leão escuro rosnou baixo, mostrando dentes afiados.

— Meu nome é Kovu. E eu não recebo ordens de filhinhos de papai que se escondem atrás de piadas.

Kael deu um passo à frente, o sorriso sarcástico ainda presente, mas seus olhos brilharam com uma intensidade fria.

— "Filhinho de papai". Que original. Aposto que você treinou isso na frente de uma poça d'água hoje de manhã. Escuta aqui, Kovu... esse lugar é perigoso para princesas ingênuas e para exilados com complexo de superioridade.

— Eu não tenho medo de você — desafiou Kovu, estreitando os olhos.

— Isso é um erro clássico — retrucou Kael. — Geralmente, as pessoas se arrependem disso logo depois que eu começo a falar e não paro mais. É uma tortura psicológica lenta.

Antes que a tensão pudesse explodir em algo físico, um grito estridente cortou o ar.

— KOVU!

Zira emergiu das sombras das árvores retorcidas, seguida por Simba, que rugiu ao ver os filhos tão perto da fronteira. O encontro foi imediato. Simba e Zira se encararam com um ódio que atravessava gerações.

— Zira — rosnou Simba, as garras cravadas na terra seca.

— Simba. Vejo que trouxe sua linhagem completa para o abate — a leoa sorriu de forma cínica, seus olhos fixos em Kael. — E este deve ser o príncipe sarcástico de quem ouvi falar. O herdeiro que prefere palavras a dentes.

Kael fez uma reverência exagerada e debochada.

— Ao seu dispor, madame. Adorei o que você fez com o cabelo. O estilo "vivi em um lixão por dez anos" realmente realça sua maldade natural.

Zira rosnou, mas conteve o impulso de atacar. Ela olhou para Kovu e depois para Kael, um plano sinistro começando a se formar em sua mente distorcida.

— Vamos, Kovu — ordenou ela. — Temos muito o que preparar.

Enquanto os exilados se retiravam, Kovu olhou para trás uma última vez. Seus olhos se encontraram com os de Kael. Não havia apenas ódio ali; havia uma curiosidade relutante, uma faísca de algo que nenhum dos dois sabia explicar.

— Você é um idiota — murmurou Kovu, alto o suficiente para Kael ouvir.

— E você precisa de um banho e de uma terapia — Kael respondeu com um aceno de pata. — Até a próxima, cicatriz!

De volta à Pedra do Rei, o silêncio era tenso. Simba estava furioso, Kiara estava emburrada e Kael... bem, Kael estava ocupado limpando as unhas.

— Kael, você poderia ter sido morto! — explodiu Simba. — Zira é perigosa. Kovu foi treinado para nos destruir!

— Pai, menos drama, mais ação — Kael bocejou. — O garoto é intenso, admito. Mas ele tem o carisma de uma pedra úmida. Se ele é a grande arma da Zira, estamos bem seguros.

— Você não leva nada a sério! — Kiara gritou, saindo da caverna em direção à ponta da rocha.

Nala suspirou, aproximando-se de Kael.

— Kael, eu sei que você usa o sarcasmo como escudo. Mas tome cuidado. O ódio é uma chama que consome até quem tenta brincar com ela.

Kael olhou para a mãe, e por um breve segundo, a máscara de ironia caiu.

— Eu sei, mãe. Mas se eu não rir dessa situação, eu vou acabar ficando paranoico como o papai. E um de nós precisa manter a sanidade nesta família.

Naquela noite, Kael não conseguiu dormir. Ele ficou observando as estrelas, pensando nos olhos verdes de Kovu. Havia algo naquele leão que o incomodava. Não era o fato de ele ser um inimigo, ou um exilado. Era o fato de que, por trás de toda aquela carranca de vilão, Kael viu um vislumbre de algo gentil. E isso era perigoso.

— Um inimigo que você quer irritar é fácil de lidar — sussurrou Kael para o vento. — Mas um inimigo que faz você querer saber o que ele está pensando... isso é um problema real.

Dias se passaram. O plano de Zira avançava. O incêndio nas savanas foi o catalisador. Kael estava patrulhando perto do desfiladeiro quando viu as chamas subirem. Ele correu, o coração batendo contra as costelas, uma sensação de urgência que ele raramente permitia que aflorasse.

Ele viu Kovu saltar para salvar Kiara das chamas. O resgate foi heróico, cinematográfico e, para Kael, irritantemente perfeito. Quando Simba chegou e confrontou Kovu novamente, o jovem exilado pediu para se juntar às Terras do Reino.

— Eu sou um exilado. Julgue-me pelo que sou agora, não pelo que fui ensinado a ser — disse Kovu, a voz firme.

Simba hesitou, a desconfiança estampada em cada músculo.

— Eu permitirei que fique. Por enquanto. Mas será vigiado.

— Eu cuido disso! — Kael se prontificou, surgindo entre os arbustos chamuscados. — Eu me voluntario para ser o babá oficial do nosso amigo sombrio. Prometo que não vou deixá-lo fora da minha vista... ou do alcance das minhas piadas.

Simba olhou para o filho, incerto.

— Kael, isso não é uma brincadeira.

— Eu sei, pai. Por isso mesmo eu sou a melhor escolha. Eu sou o único que não vai ser seduzido por esse olhar de "cachorrinho abandonado" que ele faz.

Kovu lançou um olhar mortal para Kael.

— Eu não faço olhar de cachorrinho abandonado.

— Ah, faz sim — Kael sorriu, aproximando-se e ficando ombro a ombro com ele. — É quase fofo. Se você não fosse um assassino em potencial, eu até te daria um biscoito.

— Eu vou acabar te matando enquanto você dorme — rosnou Kovu em voz baixa enquanto caminhavam em direção à Pedra do Rei.

— Que romântico — Kael respondeu, piscando para ele. — Mas aviso logo: eu ronco. E falo dormindo. Você vai descobrir todos os meus segredos de estado, como o fato de que eu acho que a juba do papai é um pouco exagerada.

Kovu tentou manter a expressão séria, mas um pequeno tremor no canto de sua boca indicou que ele estava lutando contra um sorriso. Era a primeira vez que alguém o tratava não como uma arma, não como um sucessor de Scar, mas como alguém que poderia ser provocado.

— Você é muito estranho — disse Kovu.

— Eu prefiro o termo "exclusivo" — corrigiu Kael. — Agora venha, "escolhido". Vamos ver onde você vai dormir. E tente não babar na caverna, a limpeza aqui é rigorosa.

Enquanto caminhavam sob o luar, a tensão entre os dois era palpável, mas não era mais apenas a tensão de dois inimigos. Era o começo de algo complexo, algo que desafiaria as leis das Terras do Reino e o ódio plantado por Zira. Kael sabia que estava brincando com fogo, e Kovu sabia que sua missão estava em perigo.

Mas, de alguma forma, nenhum dos dois queria recuar.

— Então... — começou Kael, quebrando o silêncio novamente. — Aquela cicatriz. Foi um acidente com um pente ou você realmente tentou lutar com um arbusto de espinhos e perdeu?

Kovu soltou um suspiro pesado, mas desta vez, não havia rosnado.

— Minha mãe me deu isso. Para me lembrar de quem eu sou.

Kael parou de caminhar por um momento, a expressão suavizando-se.

— Bem... — ele disse, voltando ao tom sarcástico rapidamente para disfarçar a empatia. — Ela tem um gosto péssimo para lembretes. Da próxima vez, peça um cartão de aniversário. Dói menos e não estraga o rosto.

Kovu olhou para Kael, e pela primeira vez, ele realmente sorriu. Um sorriso rápido, quase invisível, mas que Kael capturou com precisão.

— Talvez você tenha razão, príncipe.

— Eu sempre tenho razão — Kael piscou. — É o meu fardo real.

A jornada estava apenas começando, e o destino das Terras do Reino estava agora entrelaçado entre o rugido de um rei paranoico, a vingança de uma leoa exilada e o diálogo afiado de dois leões que deveriam se odiar, mas que estavam perigosamente perto de descobrir que o amor — e o sarcasmo — poderiam ser as armas mais poderosas de todas.
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